۞ ADM Sleipnir
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| Arte de Brian Valeza |
O Jaguadarte (no original inglês, Jabberwock) é uma criatura fictícia criada por Lewis Carroll, apresentada no poema Jabberwocky, incluído no primeiro capítulo do livro Alice Através do Espelho e o que Ela Encontrou Por Lá (Through the Looking-Glass, and What Alice Found There, 1871). Apesar de muitas vezes chamado incorretamente de “Jabberwocky”, esse é o título do poema, e não o nome da criatura.
O poema é considerado um dos maiores exemplos da literatura nonsense vitoriana, marcado pelo uso intenso de palavras inventadas (neologismos), pela musicalidade dos versos e pela grande dificuldade de tradução. A narrativa acompanha um jovem herói advertido a temer o Jaguadarte, que parte para caçá-lo no sombrio bosque de Tulgey Wood, armado com a lendária espada vorpal.
O poema Jabberwocky
À primeira vista, o poema pode ser lido como uma fábula clássica sobre um cavaleiro que derrota um monstro. No entanto, Carroll subverte essa simplicidade ao empregar linguagem absurda, criando palavras novas ou combinando termos existentes para gerar múltiplos sentidos. Esse estilo tornou Jabberwocky uma peça curta, porém extremamente influente, que fascinou leitores do século XIX e permanece viva no imaginário moderno.
Origem e contexto
A criação do Jaguadarte reflete o estilo peculiar de Lewis Carroll, conhecido por sua criatividade linguística e por explorar ambiguidades da linguagem. Alguns estudiosos sugerem que o Jabberwock pode ter sido inspirado em lendas locais da região de Sunderland, na Inglaterra, como a do Verme de Lambton. Carroll escreveu Jabberwocky enquanto visitava parentes que moravam próximos a essa região, embora a primeira estrofe do poema tenha sido concebida anos antes, o que torna essa relação incerta.
Descrição física
O poema não descreve o Jaguadarte de forma detalhada, mas menciona algumas características marcantes, como "olhos de fogo", "garras que agarram" e "bocarra que urra". Essa descrição vaga abre espaço para inúmeras interpretações visuais.
A primeira ilustração canônica da criatura foi feita por John Tenniel, ilustrador de Carroll. Nela, o Jaguadarte aparece como uma criatura híbrida e grotesca: corpo semelhante ao de um dragão, asas de morcego, cabeça barbuda com traços de peixe, antenas insetoides e garras tanto nos braços quanto nas asas, que também funcionam como patas dianteiras. Curiosamente, a criatura veste um colete. Essa imagem ajudou a consolidar o Jaguadarte como um monstro quimérico e ameaçador.
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| Jaguardarte por John Tenniel |
Outros artistas optaram por representações mais próximas de um dragão tradicional, mas, independentemente do estilo, a ferocidade da criatura é sempre enfatizada.
Destino da criatura
Presumivelmente, o Jaguadarte habitava o Tulgey Wood até ser derrotado pelo herói anônimo do poema. Empunhando a espada vorpal, o jovem consegue decapitá-lo e retorna triunfante com sua cabeça, sendo celebrado por seu feito heroico.
Influência e cultura popular
O Jaguadarte tornou-se um ícone da literatura infantil e da cultura pop, aparecendo em adaptações literárias, músicas, paródias, jogos e filmes. No filme Alice no País das Maravilhas, dirigido por Tim Burton, a criatura surge como o desafio final da protagonista, que precisa derrotá-lo para provar que é a verdadeira Alice. Essa releitura levou muitos espectadores a conhecer o monstro fora do contexto literário original.

Poema Jabberwocky (versão adaptada em português)
Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!”
Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, com olhos de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!
Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Ele se ria jubileu.
Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
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| Arte de cobaltplasma |
Jaguadarte






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