12 de maio de 2026

Chaquén

۞ ADM Sleipnir

Chaquén é uma divindade da mitologia dos muíscas, povo indígena que habitava o Altiplano Cundiboyacense, na atual Colômbia. Reverenciado como deus dos esportes, da fertilidade e das atividades agrícolas,  ele tinha grande importância na vida social, religiosa e militar desse povo pré-colombiano.

Contexto cultural

Os muíscas formavam uma das civilizações mais organizadas das Américas antes da chegada dos europeus. Eles viviam em uma confederação de territórios governados por líderes conhecidos como zipa e zaque. Como enfrentavam guerras frequentes contra povos vizinhos, como os panches e os muzos, os muíscas davam muito valor ao preparo físico e às habilidades de combate. Dentro dessa realidade, Chaquén era visto como o protetor dos guerreiros guecha, responsáveis pela defesa do território. Os jogos e competições realizados em sua homenagem não serviam apenas para entretenimento, mas também como treinamento para a guerra.

Atributos e simbolismo

Chaquén era ligado à fertilidade de forma ampla, tanto à fertilidade da terra quanto à humana. Relatos do período colonial descrevem o deus como uma entidade que sobrevoava os campos cultivados, protegendo as plantações e garantindo boas colheitas. 

Durante festas e cerimônias, acreditava-se que Chaquén caminhava entre o povo. Essas celebrações reuniam corridas, danças, músicas tocadas com flautas e tambores, além de roupas adornadas com penas e peças de ouro. A chicha, bebida tradicional fermentada, também fazia parte dos rituais e ajudava a reforçar o espírito coletivo das festividades. Os rituais dedicados a Chaquén também estavam relacionados à fertilidade humana e à formação de casais, aspectos importantes para a continuidade da comunidade.

O jogo de tejo

Chaquén também é associado ao tejo, considerado o esporte nacional da Colômbia. O jogo consiste em lançar discos contra um alvo com pequenas cargas explosivas, marcando pontos conforme a precisão dos arremessos.

Acredita-se que o tejo tenha surgido ainda no período pré-colombiano, praticado pelos muíscas tanto como treinamento físico quanto como atividade ritual. O jogo continua popular em várias regiões colombianas e ainda preserva parte do legado cultural ligado a Chaquén.

O castigo de Tintoa e Sunuba

Um dos mitos mais conhecidos associados a Chaquén é o de Tintoa e Sunuba. Tintoa, um jovem guerreiro guecha, apaixonou-se por Sunuba, a principal esposa de um príncipe. Quando o adultério foi descoberto, os dois fugiram juntos, tentando escapar da punição, mas acabaram encontrados por Chaquén.

Tomado pela ira diante da traição, o deus condenou os amantes a uma transformação eterna. Sunuba foi convertida em um junco, destinado a crescer às margens das águas e nos pântanos da savana de Bogotá. Tintoa, por sua vez, transformou-se em uma erva seca e áspera, condenada a brotar apenas em regiões áridas e estéreis. Assim, separados pela própria natureza, os amantes permaneceriam para sempre distantes um do outro, carregando a marca de seu amor proibido.

Legado

A influência de Chaquén persiste na cultura colombiana contemporânea, especialmente por meio da sobrevivência do tejo e da valorização das tradições indígenas. Em reconhecimento à sua importância simbólica, um parque temático na região de Sumapaz, em Bogotá, foi nomeado em sua homenagem.

fontes:


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