19 de janeiro de 2026

Ma cà rồng

۞ ADM Sleipnir

Ma cà rồng é uma espécie de vampiro pertencente ao folclore vietnamita. A crença neles era particularmente difundidas entre as comunidades das regiões montanhosas do norte, especialmente entre povos de origem tai-kadai. Apesar da associação moderna do termo aos vampiros da tradição europeia, os Ma cà rồng possui origens, características e significados próprios no contexto cultural vietnamita.

Registros históricos

Os primeiros registros conhecidos envolvendo um ma cà rồng datam do período medieval tardio e aparecem em obras clássicas da historiografia vietnamita, como Kiến Văn Tiểu Lục, de Lê Quý Đôn, Thoái Thực Ký Văn, de Trương Quốc Dụng, e Hưng Hóa Kỷ Lược, de Phạm Thận Duật. Essas fontes o descrevem como um espírito que sugava o sangue de pessoas, supostamente ativo na região de Hưng Hóa, no norte do Vietnã. As variações registradas — ma cà rồng, ma cà rằng e ma càn sùng — seriam tentativas de transcrição fonética de termos originários das línguas tai-kadai, associados a regiões montanhosas e florestais.

Descrição e características

Segundo os relatos tradicionais, um ma cà rồng leva uma vida aparentemente normal durante o dia, integrando-se à sociedade como qualquer pessoa comum. À noite, porém, manifesta sua natureza sobrenatural. Uma de suas características mais singulares é a capacidade de voar, atribuída ao ato ritual de inserir dois dedos dos pés nas narinas antes de partir em busca de vítimas. Essa duplicidade tornava a criatura especialmente perigosa, pois não podia ser identificada entre a população.

As fontes históricas indicam que suas vítimas preferenciais eram mulheres em período pós-parto, conhecidas como bà đẻ, cujas casas eram invadidas durante a noite. As descrições físicas variam conforme o autor: Trương Quốc Dụng descreveu a entidade como um ser de testa avermelhada, olhos com grande porção de branco visível e comportamento solitário, enquanto Phạm Thận Duật mencionou que ela podia ter família e vida social, atacando secretamente pessoas adormecidas, frequentemente levando à morte das vítimas.

Crenças e proteção

As comunidades tradicionais desenvolveram práticas para se proteger contra um ma cà rồng. Alterações incomuns na iluminação noturna, especialmente mudanças para tons azulados, eram interpretadas como sinais de sua aproximação. Nessas circunstâncias, acreditava-se que bater nas paredes ou na estrutura da casa poderia afugentar a entidade, sendo as mulheres em período pós-parto alvo de vigilância e proteção especiais.



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