28 de julho de 2026

Abhartach

 ۞ ADM Sleipnir


Abhartach (também grafado Abhartagh, Abartach ou Avartagh) é um personagem do folclore irlandês associado às tradições sobre mortos-vivos. Sua lenda está ligada à região de Slaughtaverty (também registrada como Slaghtaverty ou Laghtaverty), próxima à atual vila de Glenullin, no condado de Londonderry, na Irlanda do Norte. O personagem foi registrado pela primeira vez por escrito pelo historiador irlandês Patrick Weston Joyce em The Origin and History of Irish Names of Places (1870), a partir de tradições orais da região.

O nome abhartach, de origem irlandesa, pode ser traduzido como "anão" ou "homem pequeno". Em muitas versões da lenda, ele é descrito como um homem de baixa estatura ou com alguma deformidade física. Independentemente da aparência, as narrativas o apresentam como um governante tirânico, praticante de magia e temido por seus súditos.

A lenda

Segundo a tradição registrada por Patrick Weston Joyce, Abhartach era um governante local conhecido por sua tirania e por seus conhecimentos de magia. Após ser morto por um chefe vizinho, foi sepultado, mas retornou do túmulo. Em vez de permanecer morto, voltou a exercer seu domínio sobre a população, obrigando o guerreiro a enfrentá-lo novamente. Mesmo depois de ser morto e enterrado outras vezes, Abhartach continuava retornando à vida.

Sem conseguir impedir seu retorno, o guerreiro procurou a orientação de um druida. O sábio explicou que Abhartach somente poderia ser derrotado mediante um ritual específico, que consistia em matá-lo com uma arma feita de madeira de teixo, enterrá-lo de cabeça para baixo e colocar uma grande pedra sobre sua sepultura para impedir que voltasse. Algumas versões posteriores também mencionam o uso de galhos de árvores consideradas sagradas, como o espinheiro (hawthorn) e a sorveira (rowan), ao redor do túmulo como parte do ritual.

A tradição local associa a lenda a um antigo monumento conhecido como Slaghtaverty, nome frequentemente interpretado como "sepultura de Abhartach" ou "monumento funerário do anão". O local continua sendo identificado pela tradição popular como o túmulo do personagem, embora não existam evidências arqueológicas que confirmem essa associação.

Local onde Abhartach é dito repousar em Glenullin, Derry

Variantes da tradição

Como ocorre com muitas narrativas do folclore irlandês, a história de Abhartach apresenta diversas variantes transmitidas pela tradição oral. A identidade do guerreiro que o derrota é um dos elementos que mais variam. Na versão registrada por Patrick Weston Joyce, o personagem é descrito apenas como um chefe vizinho. Em outras tradições, o feito é atribuído ao herói Fionn mac Cumhaill, uma das principais figuras da mitologia irlandesa, enquanto recontagens mais recentes identificam o guerreiro como Cathán, associado pela tradição local ao clã O'Cahan (O'Kane).

Também variam as figuras responsáveis por revelar o ritual que impediria o retorno de Abhartach. Nas versões mais antigas esse papel cabe a um druida, ao passo que narrativas posteriores, influenciadas pela cristianização da Irlanda, substituem o sacerdote pagão por um santo local, geralmente identificado como São Eoghan ou São João.

Outros elementos aparecem apenas em adaptações modernas da lenda. Entre eles estão a narrativa segundo a qual Abhartach teria morrido ao cair de uma janela enquanto tentava surpreender sua esposa, suspeitando de infidelidade, e a descrição de que retornava do túmulo para beber o sangue de seus súditos. Embora essas versões tenham contribuído para aproximar o personagem da imagem moderna do vampiro, elas não fazem parte da tradição registrada por Patrick Weston Joyce e representam desenvolvimentos posteriores da narrativa oral.


Relação com os vampiros

Abhartach é frequentemente associado ao conceito moderno de vampiro por retornar da morte e alimentar-se de sangue humano. Nas fontes tradicionais irlandesas, porém, ele se aproxima mais da figura do revenant, termo utilizado para designar um morto que retorna ao mundo dos vivos. Da mesma forma, o termo gaélico marbh bheo ou murbhheo significa literalmente "morto-vivo", sendo a tradução como "vampiro" uma interpretação posterior baseada nas características da narrativa.

Alguns pesquisadores sugerem que a lenda de Abhartach possa ter influenciado, direta ou indiretamente, a criação de Drácula, personagem de Bram Stoker. Essa hipótese baseia-se em semelhanças entre as histórias e na origem irlandesa do escritor, mas não existe consenso acadêmico que confirme essa relação.


fontes:
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19 de janeiro de 2026

Ma cà rồng

۞ ADM Sleipnir

Ma cà rồng é uma espécie de vampiro pertencente ao folclore vietnamita. A crença neles era particularmente difundidas entre as comunidades das regiões montanhosas do norte, especialmente entre povos de origem tai-kadai. Apesar da associação moderna do termo aos vampiros da tradição europeia, os Ma cà rồng possui origens, características e significados próprios no contexto cultural vietnamita.

Registros históricos

Os primeiros registros conhecidos envolvendo um ma cà rồng datam do período medieval tardio e aparecem em obras clássicas da historiografia vietnamita, como Kiến Văn Tiểu Lục, de Lê Quý Đôn, Thoái Thực Ký Văn, de Trương Quốc Dụng, e Hưng Hóa Kỷ Lược, de Phạm Thận Duật. Essas fontes o descrevem como um espírito que sugava o sangue de pessoas, supostamente ativo na região de Hưng Hóa, no norte do Vietnã. As variações registradas — ma cà rồng, ma cà rằng e ma càn sùng — seriam tentativas de transcrição fonética de termos originários das línguas tai-kadai, associados a regiões montanhosas e florestais.

Descrição e características

Segundo os relatos tradicionais, um ma cà rồng leva uma vida aparentemente normal durante o dia, integrando-se à sociedade como qualquer pessoa comum. À noite, porém, manifesta sua natureza sobrenatural. Uma de suas características mais singulares é a capacidade de voar, atribuída ao ato ritual de inserir dois dedos dos pés nas narinas antes de partir em busca de vítimas. Essa duplicidade tornava a criatura especialmente perigosa, pois não podia ser identificada entre a população.

As fontes históricas indicam que suas vítimas preferenciais eram mulheres em período pós-parto, conhecidas como bà đẻ, cujas casas eram invadidas durante a noite. As descrições físicas variam conforme o autor: Trương Quốc Dụng descreveu a entidade como um ser de testa avermelhada, olhos com grande porção de branco visível e comportamento solitário, enquanto Phạm Thận Duật mencionou que ela podia ter família e vida social, atacando secretamente pessoas adormecidas, frequentemente levando à morte das vítimas.

Crenças e proteção

As comunidades tradicionais desenvolveram práticas para se proteger contra um ma cà rồng. Alterações incomuns na iluminação noturna, especialmente mudanças para tons azulados, eram interpretadas como sinais de sua aproximação. Nessas circunstâncias, acreditava-se que bater nas paredes ou na estrutura da casa poderia afugentar a entidade, sendo as mulheres em período pós-parto alvo de vigilância e proteção especiais.

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19 de março de 2025

Mamba Mutu

۞ ADM Sleipnir

Mamba Mutu (do swahili (bantu) mamba mtu, "homem crocodilo") é uma temível criatura vampírica oriunda do folclore da África Central, dita habitar as águas do lago Tanganica e do rio Rukuga, localizados na República Democrática do Congo. Ela é descrita como uma criatura híbrida, metade humana e metade peixe, semelhante a uma sereia, ou como uma criatura com feições humanóides, a cauda de um peixe e garras de um lagostim.

A Mamba Mutu é temida por sua natureza predatória. Dizem que ela sobrevive alimentando-se de sangue humano e consumindo os cérebros de suas vítimas, geralmente crianças. Sua existência é alvo de debate entre folcloristas e céticos. Alguns sugerem que a lenda pode ter surgido a partir de avistamentos mal interpretados de animais reais. Por exemplo, a aparência da criatura pode ter sido inspirada em louva-a-deuses, focas gigantes ou mesmo no tigre-golias—um peixe predador conhecido por sua ferocidade e nativo do lago Tanganica.

fontes:

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12 de agosto de 2022

Strzyga

۞ ADM Sleipnir

Arte de Giovanni Fim

Strzyga (polonês, feminino; plural: Strzygi, masculino: Strzygoń) é uma criatura vampírica e demoníaca presente na mitologia e folclore eslavo e predominante no folclore polonês. Ela é descrita como um ser originalmente humano e normalmente feminino, nascido com dois corações, dois conjuntos de dentes e duas almas (alguns relatos falam sobre não possuírem pelos nas axilas, somente uma sobrancelha ou alguma marca de nascença nas costas). 

Uma vez detectado algum desses sinais, essa pessoa era tratada como um espírito maligno, e expulsa de sua aldeia. Abandonada à própria sorte (geralmente com pouca idade), ela acaba morrendo, com um de seus corações parando de bater e uma de suas almas deixando o corpo e passando para o além-vida. O outro coração continuará batendo, mas o corpo e a alma desse ser não poderia mais ser considerado humano. No início,a pessoa pode até parecer normal, com a pele talvez um pouco azulada. Logo, porém, ela começa a desenvolver características semelhantes a corujas, como asas emplumadas, orelhas longas e pontudas e garras ferozes. Combinadas aos seus dois conjuntos de dentes irregulares, essas características a torna uma predadora cruel, passando a se alimentar da força vital dos outros para sobreviver.

Arte de Asfodelo

Hábitos

Strzygi dormem em sepulturas durante o dia e emergem à noite e, embora possam sobreviver inicialmente com sangue animal por algum tempo, logo desenvolverão a necessidade de se alimentar de seres humanos. Eles visam especialmente aqueles que as prejudicaram em sua “primeira” vida, sugando seu sangue antes de também devorar suas entranhas. Entre as táticas de uma Strzyga, está a de se disfarçar de coruja, empoleirando-se em celeiros ou árvores antes de retomar sua verdadeira forma e atacar suas vítimas durante a noite.

Arte de Evgeny Khamatov

Prevenindo o retorno de uma Strzyga

Acredita-se que haja uma variedade de maneiras de impedir que uma Strzyga volte depois de morrer pela primeira vez. Queimar o corpo e decapitar o cadáver geralmente eram as opções mais populares, mas haviam outras como: 

  • espalhar pequenos objetos como grãos, por exemplo, no túmulo para que a Strzyga se distraia contando ao renascer; 
  • dar um tapa no cadáver com a mão esquerda;
  • enterrar a cabeça do cadáver para baixo e cortar os tendões de suas pernas;
  • Martelar pregos, estacas etc. em várias partes do corpo do cadáver;
  • Colocar uma pederneira em sua boca após a exumação;
  • Tocar os sinos da igreja (dizem que faz a strzyga se transformar em alcatrão);
  • Enterrar o cadáver novamente, fora da aldeia, e prendê-lo com uma grande pedra;
  • Exumar o cadáver na presença de um padre e enterrá-lo novamente, após rituais adicionais (como colocar um pedaço de papel com a palavra "Jesus" escrito nele debaixo da língua do mesmo).
Uma vez que tenha renascido e se tornando um monstro por completo, as recomendações para evitar ser atacado por uma Strzyga incluem caminhar no meio das estradas, evitando árvores e arbustos pesados ​​e não se aproximar de cemitérios.

Origens

O termo Strzyga deriva de Strix, que na mitologia grego-romana, era uma ave de mau agouro, produto da metamorfose, que se alimentava de carne e sangue humanos. Também se referia a bruxas e outros seres folclóricos malévolos relacionados, como o romeno Strigoi. Não é claro como a palavra strzyga foi adaptada pelos povos eslavos, embora possa ter sido através dos povos balcânicos.

Curiosidade

Um fato interessante envolvendo a lenda sobre a Strzyga é que no passado, durante epidemias, muitas pessoas eram enterradas vivas, e aquelas que conseguiram sair de seus túmulos, muitas vezes fracos, doentes e com as mãos mutiladas, eram considerados strzygi por outros.


fontes:
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18 de março de 2022

Vampiros Estelares

۞ ADM Sleipnir

Arte de Cynthia Grillo

Os Vampiros Estelares (também conhecidos como "Cambaleantes das estrelas") são uma raça de criaturas extraterrestres presente nos Mitos de Cthulhu, aparecendo pela primeira vez em 1935 na revista pulp Weird Tales no conto de Robert Bloch, "The Shambler from the Stars".

Normalmente invisíveis, os Vampiros Estelares são sugadores de sangue vorazes, tornando-se visíveis e com uma coloração vermelha viva quando seus corpos estão cheios do sangue de suas vítimas. Sua forma é como a de uma água-viva sem cabeça ou quaisquer características faciais visíveis além de sua enorme boca. Eles possuem múltiplos tentáculos musculares, cada um forte o suficiente para esmagar um homem até a morte e terminam em ventosas com as quais eles drenam o sangue de suas vítimas. 

Arte de Neothera

Os vampiros estelares habitam o espaço sideral e geralmente só passam pela Terra caso sejam convocados por um feiticeiro, por intermédio de um feitiço descrito pelo alquimista e necromante Ludwig Prinn em seu grimório, De Vermis Mysteriis. Se aquele que lançou o feitiço para invocar uma dessas criaturas for poderoso o suficiente, obterá do vampiro estelar sua lealdade eterna, passando a contar com sua proteção invisível (semelhante a um espírito ou demônio familiar). Porém, se um feiticeiro inexperiente tentar convocar um vampiro estelar, a criatura iria aparecer diante dele e matá-lo drenando todo o seu sangue, retornando em seguida para o espaço. Os vampiros estelares parecem sempre anunciar sua presença com uma risada monstruosa.


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8 de março de 2022

Tlahuelpuchi

۞ ADM Sleipnir


Tlahuelpuchi é um tipo de criatura vampírica pertencente ao folclore rural mexicano, possuindo raízes nas crenças dos povos indígenas náuatles. De acordo com as lendas, um Tlahuelpuchi é uma pessoa que nasce com essa maldição, que faz com que ela se transforme em uma criatura sugadora de sangue ao atingir a puberdade. Infelizmente para essa pessoa, a maldição não pode ser removida ou evitada de nenhuma forma. Em sua forma transformada, um Tlahuelpuchi assemelhasse a um animal (geralmente  um peru ou abutre, porém existindo relatos de transformações em cães, gatos, pulgas e outros), envolto em uma aura brilhante. A maioria dos Tlahuelpuchi são do sexo feminino, sendo consideradas mais sanguinárias e malignas que os raros espécimes masculinos.

Uma vez estabelecido o seu alvo (geralmente crianças recém nascidas), um Tlahuelpuchi deve realizar um ritual antes de entrar em sua casa. Ele precisa sobrevoar a casa uma vez de norte a sul, e uma vez de leste a oeste, simbolizando assim o formato de uma cruz. Assim, ele fica livre para entrar no local. Ele entra furtivamente na casa como uma névoa, às vezes luminosa, infiltrando-se por baixo de portas e peitoris de janelas, ou por buracos de fechadura, ou rastejando como um inseto. 

Arte de Amanda Todd

Uma vez dentro, o Tlahuelpuchi muda novamente para sua forma animal e hipnotiza os ocupantes, colocando-os em um sono profundo para que assim ele possa realizar seu ataque. Um Tlahuelpuchi deve se alimentar de sangue pelo menos uma vez por mês, caso contrário, acabará morrendo.

É difícil detectar um possível Tlahuelpuchi em uma comunidade, pois sua família faz de tudo para protegê-lo de ser descoberto. Na verdade, a família de um Tlahuelpuchi acaba sendo uma cúmplice relutante de seus atos, pois se revelarem sua identidade, passam a serem alvos dele, e caso alguém da família o mate, os poderes dele passam para o assassino. Além da questão familiar, um Tlahuelpuchi também pode estabelecer pactos com bruxas locais e outras criaturas, de forma que estes não revelem sua identidade para a comunidade. Desse modo, o único jeito de um Tlahuelpuchi ser descoberto é ser pego em flagrante, ocasião na qual deve ser morto para que não torne a atacar ninguém. A tradição popular recomenda alho, cebolas e metal para repeli-los.

Arte de Daniel Parada

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12 de janeiro de 2022

Skadegamutc

۞ ADM Sleipnir

Arte de Giovanni Calore

Skadegamutc ("bruxa fantasma", também Skudakumooch ou Sk i te'kmuj) é uma criatura vampírica originária do folclore das tribos nativo-americanas Mikmaq, Maliseet, Passamaquoddy e Abenaki (conhecidas coletivamente como Wabanaki). De acordo com o folclore, um Skadegamutc é um(a) maligno(a) xamã que após a morte recusa-se a permanecer morto, levantando-se de seu túmulo e passando a vagar pela terra alimentando-se da carne e do sangue daqueles que cruzam o seu caminho.
 
Durante o dia, o Skadegamutc assemelha-se a um típico zumbi, mas durante a noite, ele se transforma em uma bola de luz que percorre a região em busca de presas. 


Seu método preferido de ataque é perseguir grupos de pessoas enquanto voa pelo céu. Ao flagrar uma pessoa se desgarrando de seu grupo e ficando para trás, o Skadegamutch imediatamente desce dos céus sobre sua vítima, atacando-a de maneira rápida e silenciosa. Outro método é atacar pessoas que acabaram de enterrar um ente querido, perseguindo-os e atacando-os assim que estiverem descansando.

Um Skadegamutc é virtualmente impossível de ser repelido, pois armas comuns e outros métodos que geralmente funcionam contra outros vampiros não surtem nenhum efeito nele. A única maneira de destruir um Skadegamutc é atear fogo nele, e depois espalhar suas cinzas aos quatro ventos. Se isso não for feito, certamente ele retomará sua forma e continuará seus ataques.

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20 de setembro de 2021

Chedipe

۞ ADM Sleipnir

Arte de Meredith McClaren

Chedipe (literalmente "prostituta") é uma espécie de criatura vampírica ora descrita como uma bruxa, ora como uma morta-viva, presente no folclore indiano, em especial a região ao redor do rio Godavari. Ela é geralmente descrita e representada como uma mulher obscena sentada de pernas abertas em volta de um enorme tigre sob um céu enluarado. 

De acordo com as lendas, uma Chedipe costuma escolher uma casa como alvo e lançar um feitiço de sono sobre a mesma, pondo todos os membros da família sob um profundo transe. Após entrar na residência, ela se alimenta do sangue de todos os homens mordendo os dedos de seus pés. Algumas tradições afirmam que ela se alimenta apenas do homem mais forte da casa. A mordida de uma Chedipe não é mortal, porém ela costuma voltar e atacar a mesma vítima outras vezes, bebendo mais sangue antes que o corpo da mesma consiga restaurar o que já foi consumido. Dessa forma, a pessoa vai ficando fraca e começa a definhar, e caso não busque um tratamento médico/espiritual adequado, acabará morrendo.

Arte de sknurtgpokg

Além de se alimentar do sangue dos homens, muitas vezes a Chedipe também os ataca sexualmente, corrompendo assim a santidade do lar, enfraquecendo os laços matrimoniais e destruindo o amor entre os casais. Toda a dor e tristeza resultantes dos conflitos provocados por ela também a alimentam.

A forma mais segura de colocar um fim nos ataques de uma Chedipe é santificar a residência com a queima de incensos e espalhando imagens sagradas por ela. O incenso deve ser trocado a cada hora, de forma que alguém deve permanecer acordado a noite toda para fazê-lo. A presença de alguém acordado e executando os rituais de proteção irá espantar a Chedipe, fazendo com que busque outra residência para atacar.

Murulupuli

Às vezes, uma Chedipe assume a forma de um tigre com uma perna humana e ataca homens em meio a floresta.  Esta forma é conhecida como Murulupuli ("tigre encantador"). 


fonte:

  • Universo dos Vampiros, de Jonathan Maberry;
  • Wikipédia

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11 de setembro de 2021

Abchanchu

۞ ADM Sleipnir

Arte de Gabriela Liliana Varela


Abchanchu
(também conhecido como Anchanchu) é uma criatura vampírica e metamorfa oriunda do folclore do povo aymara, estabelecido desde o período pré-colombiano no sul do Peru, na Bolívia, na Argentina e no Chile. Dito habitar em cavernas na região do altiplano andino, ou também próximo a rios ou locais isolados, o Abchanchu 
normalmente aparece diante de suas vítimas como um homem idoso e aparentemente perdido, trajando 
um chapéu prateado de aba larga e roupas antigas bordadas a ouro.Quando a pessoa se aproxima dele para tentar ajudá-lo, ele manifesta sua sede de sangue e a ataca com suas presas, sugando seu sangue. 

Aqueles que não morrem imediatamente, acabam morrendo pouco tempo depois afligidos por doenças estranhas causadas pelo vampiro. Para evitar ser atacado por um Abchanchu, basta portar consigo um amuleto com um pingo de óleo de alho.

Além de aparecer sob a forma de um homem idoso, um Abchanchu pode ainda aparecer sob a forma de um duende ou um anão. Alguns o descrevem como tendo um nariz de porco e chifres de bezerro.

fontes:


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27 de agosto de 2021

Encourado

۞ ADM Sleipnir


O Encourado é um vampiro que acredita-se pertencer ao folclore nordestino, porém muito poucos sabem sobre ele ou já ouviram falar. As únicas referências que podemos encontrar a respeito é a obra de Ariano Suassuna, "O Auto da Compadecida", onde ele utilizou o nome como um dos nomes do Diabo, e uma antiga revista chamada "VAMPIROS: Lendas e Fantasias, volume 2", publicada em 1992.


Nessa publicação em particular, a autora Nina Balle relata que "o Encourado é um homem de hábitos noturnos, que se veste completamente de couro preto e cheirando à sangria. Sua presença é dita inspirar medo e respeito. Como outros vampiros, ele só entra nas casas em que for convidado, no entanto, ele consegue arrumar um jeito de ser convidado. Ele prefere atacar pessoas que não frequentam a igreja, e além disso, ele já sabe de antemão quem são estas pessoas. Assim, ao chegar num povoado, ele já tem em mente quem procurar primeiro. 

Por onde o Encourado passa, as galinhas param de botar ovos e não comem direito. Os cachorros não saem de casa e gemem o dia inteiro. Até mesmo, os urubus e carcarás, que são aves carniceiras, desaparecem para bem alto e longe. Ao pressentir sua presença, os moradores costumam sacrificar algum animal, pois acreditam que feito isso ele irá embora. Conta-se que no passado havia sacrifícios de pessoas indesejáveis, como criminosos e até mesmo de crianças. Entretanto, diz-se que basta oferecer simplesmente uma galinha preta ou galo vermelho para afugenta-lo sem contudo ofendê-lo. A oferenda, no entanto, deve ser pendurada na entrada principal da cidade, pois o Encourado só entra pela porta da frente."

Se você leitor conhece algo mais a respeito dessa lenda, entre em contato.

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31 de julho de 2020

Piuchén

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Arte de Deathares

Piuchén (também conhecido como Peuchen, Pihuchen, Pihuychen, Pihuichen, Piguchen ou Piwuchen) é uma temível criatura pertencente as mitologias mapuche e chilota. É uma espécie de metamorfo, que geralmente toma a aparência de uma gigantesca serpente alada, mas pode assumir a forma de outros animais e até mesmo uma forma humanóide. Conta-se ainda que seu corpo seria coberto de grama, arbustos, chifres e outras estruturas salientes. 


Um Piuchen possui uma incrível longevidade e grande força física, sendo capaz de derrubar árvores de grande porte, e ainda pode gerar ondas gigantes, capazes de destruir embarcações. Geralmente vive perto de lagos e rios, onde a sua presença traz grande pânico, pois acredita-se que ele produz uma substância tão irritante que, quando transmitida através do ar ou de água, provoca erupções cutâneas semelhantes a sarna. Sua alimentação consiste basicamente de sangue de ovelhas, cabras e outros animais, os quais ele paralisa com seu olhar antes de atacá-los. Apesar de não ser um hábito comum, também pode atacar humanos e se alimentar de seu sangue. 


Acredita-se que quando o gado enfraquece sem causa aparente, é porque há um Piuchén na região. Uma vez que seja detectada a ação de um Piuchén numa localidade, somente um/uma machi (xãma) mapuche pode combatê-lo, conduzindo uma cerimônia mágica para expulsá-lo da região. 

Uma curiosidade: o nome Piuchén também designa o morcego-vampiro comum (Desmodus rotundus). Por isso, alguns criptozoologistas acreditam que o Desmodus rotundus tenha originado a lenda; no entanto outros outros acreditam que o Piuchen pode estar relacionado com o Chupa-cabras ou ser o mesmo criptídeo. 
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27 de maio de 2020

Banaspati

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Arte de Riki-to
Arte de Riki-to

Banaspati (ou Banaswati; também conhecido como Kemamang) é uma misteriosa entidade pertencente ao folclore da Indonésia, e cujos avistamentos são relatados desde tempos remotos até os dias de hoje. É comumente descrito como uma bola de fogo ou como um crânio/cabeça envolta em chamas e/ou rodeada por bolas de fogo. Algumas histórias o descrevem ainda como um vórtice de fogo ou como um ser humanóide com pele vermelha e chifres - uma descrição bastante semelhante ao Satanás das culturas ocidentais. 

O Banaspati é conhecido por assombrar as florestas e campos durante a noite, aparecendo repentinamente na frente das pessoas. Os relatos sobre suas ações variam bastante. Algumas histórias afirmam que ele dispara bolas de fogo, queimando pessoas e incendiando tudo ao seu redor; outras, que ele age como um vampiro, atacando as pessoas e sugando todo o seu sangue. Há ainda quem diga que ele se alimenta das emoções negativas de suas vítimas, principalmente o medo e a raiva.

Aqueles que encontram com um Banaspati possuem duas opções para escapar. Uma delas é fugir em direção à mushalla (pequena mesquita) mais próxima, rezando enquanto ainda estão correndo. A outra é correr e se atirar em algum rio próximo, já que como é uma entidade de chamas, não conseguirá entrar na água.

Arte de ArtsyFrancis


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10 de janeiro de 2020

Adze

۞ ADM Sleipnir

Arte de Guilermo Cartay para o cardgame Mitos y Leyendas

Adze (literalmente "ferramenta semelhante a um machado"; pronuncia-se Ads) é um ser vampírico pertencente ao folclore dos ewe (ou jeje), um povo que habita uma região ao leste do rio Volta, ao sul de Gana, Togo e Benim.

Na natureza, o Adze assume a forma de vagalume ou de uma bola de luz, assumindo a forma humana quando se alimenta dos seres humanos (segundo algumas histórias, apenas as crianças mais bonitas de uma tribo). Em sua forma de vagalume, o Adze consegue passar por brechas em portas trancadas à noite e sugar o sangue de suas vítimas enquanto dormem, fazendo com que adoeçam e morram. Acredita-se também que o Adze seja capaz de possuir pessoas quando está em forma humana.

Arte de arandomtrickster

Aqueles possuídos por um Adze são vistos pela comunidade como bruxos/bruxas ("abasom" na língua ewe), e  a influência do Adze afetaria negativamente as pessoas que viviam em torno de seu anfitrião. Suspeita-se que sejam pessoas possuídas por um Adze: mulheres com irmãos (especialmente se os filhos de seu irmão se saem melhor que os seus), idosos (se os mais jovens da casa de repente começaram a morrer enquanto os mais velhos continuam vivendo) e pobres ( quando esses exibem inveja dos ricos). 

Embora o Adze normalmente beba apenas sangue, ele pode ser evitado com ofertas de kokosmilch (leite de coco) e palmoel (óleo de palma). Se capturado em sua forma de vagalume/bola de luz, o Adze imediatamente mudará de forma para a forma humana. Enquanto estiver nesta forma, qualquer meio que normalmente mate um humano destruirá o vampiro.

É provavel que as histórias sobre a criatura sejam uma tentativa de descrever os efeitos potencialmente mortais dos mosquitos e da malária.


Arte de Johan Egerkrans

fontes:
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16 de outubro de 2019

Aswang

۞ ADM Sleipnir

Arte de nonoynonie

Aswang (Asuang) é um dos conceitos folclóricos mais difundidos na cultura filipina. Em termos de popularidade, é o equivalente filipino dos lobisomens e vampiros ocidentais. É difícil resumir em uma frase o que é um aswang. Em um sentido mais amplo, o termo aswang pode ser usado para descrever toda a variedade de seres malignos no folclore das Filipinas. Em um sentido mais rigoroso, no entanto, o Aswang é um ser humano (um feiticeiro para ser mais específico) com a habilidade de mudar de forma à vontade. Durante o dia, Aswangs parecem e agem como pessoas comuns. Embora geralmente sejam tímidos e um pouco reclusos, eles podem ter empregos, amigos e até famílias.  


Durante a noite, Aswangs mudam para uma forma mais adequada à caça. Comumente, o Aswang assume uma das seguintes formas:

Humanóide - Nessa forma, o Aswang assume uma posição vertical, podendo movimentar-se de quatro. Seu corpo pode ser coberto por penas pretas e grossas, quase semelhante a pelos. A cor de sua pele pode ser de preta a cinza pálido. O corpo também pode ser oleoso devido à aplicação de um tipo desconhecido de mistura de graxa ou óleo de coco, geralmente antes de perseguir suas presas. 

Arte de EVC

Nessa forma, eles normalmente rastejam pelo chão ou ficam deitados em telhados ou empenas, procurando por algum buraco ou fresta por onde eles possam projetar sua língua e atacar suas vítimas, geralmente crianças, mulheres grávidas e pessoas doentes.


Canina - Um aswang pode aparecer como um cão grande e ameaçador, com pelos pretos e grossos e olhos vermelhos flamejantes. Eles normalmente espreitam as estradas, mas relatos afirmam que eles vagam pelas cidades ocasionalmente. Cães domésticos normalmente se escondem, uivam ou fogem quando vêem um aswang nesta forma.

Suína - a forma mais comum assumida por um aswang (a maioria das testemunhas que afirmam terem visto um aswang relatam vê-lo nessa forma), essencialmente apenas um porco possuindo as características básicas das duas primeiras formas de aswang. Sua chegada é anunciada pelo bufo e ranger de dentes característicos de um porco doméstico. Geralmente o seu tamanho, anormal para um porco comum, o denuncia.


Aviária - Às vezes chamada de Tiktik, essa é uma das formas mais sinistras assumidas pelos aswang. Nesta forma, o aswang se assemelha a um corvo ou abutre, porém possui o tamanho de um ser humano. Além do seu grande tamanho, ele consegue voar baixo e devagar sem precisar bater suas asas, mesmo que não haja vento.

Felina - uma das formas aswang menos comuns. Um aswang em forma de gato pode variar em tamanho, desde o de um gato siamês até o de um jaguar. 

Uma forma de se descobrir se um animal ou pessoa é um Aswang, é se aproximar dele e fitá-lo diretamente nos olhos, observando assim sua coloração semelhante a brasas ardentes e suas veias vermelhas. Dizem também que se olhar diretamente nos olhos de um Aswang, seu reflexo aparecerá de cabeça para baixo. Porém, se uma pessoa comum tentar fazer isso é certo de que será morta, pois Aswangs são predadores carnívoros e extremamente ferozes. Após matar suas vítimas, o Aswang leva seus cadáveres para o seu covil, onde devora toda a carne e principalmente o fígado.


Aswangs possuem vulnerabilidades, sendo a principal delas o medo de alho. Apenas ver uma cabeça de alho é o suficiente para assustá-los e afugentá-los. O cheiro de alho é capaz de deixá-los paralisados e incapazes de usarem seus poderes, e o contato com o suco do alho é fatal. Aswangs também possuem aversão a vários tipos de metais. Viajantes costumam levar moedas no bolso ou mesmo amuletos feitos de metal para mantê-los longe. Aswangs podem também serem mortos por decapitação ou se atingidos por um chicote feito especialmente com a cauda de uma arraia.


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