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| Arte de Juntacu |
Apolaki (também registrado na grafia colonial Apolaqui) é uma divindade mencionada em tradições de diferentes povos da ilha de Luzon, nas Filipinas. As principais fontes disponíveis apresentam duas versões distintas: em Pangasinan, ele aparece como um anito associado à guerra, às viagens e à navegação; em uma narrativa kapampangan, é identificado com o Sol e divide o governo do mundo com Mayari, ligada à Lua.
Essas tradições pertencem a regiões e contextos distintos. Por isso, a descrição comum de Apolaki como um “deus filipino do Sol e da guerra” reúne características que não aparecem juntas nas principais fontes antigas. As Filipinas abrigam numerosos povos, línguas e sistemas religiosos, que não formavam um único panteão compartilhado por todo o arquipélago.
Nome e contexto cultural
A forma Apolaqui aparece em documentos do período colonial espanhol. Nessa ortografia, a sequência qu representava o som de k, o que explica a grafia moderna Apolaki.
O nome também pode ser separado como Apo Laki, mas seu significado exato não é conhecido. Algumas interpretações modernas o traduzem como “grande senhor”. A historiadora Rosario Mendoza Cortes, ao analisar o contexto de Pangasinan, relacionou apo a uma forma respeitosa de tratamento e laki ou laqui a um título honorífico ligado à idade ou à ancestralidade. Com base nessa leitura, o nome poderia ter sentidos aproximados como “senhor venerável” ou “venerável avô”.
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| Arte de Chad Villar |
O Apolaki de Pangasinan
Uma das referências mais antigas conhecidas encontra-se em uma obra do missionário dominicano Diego Aduarte, publicada em 1640. O episódio ocorre durante a expansão das missões cristãs em Pangasinan, no noroeste de Luzon. Segundo o relato, um grupo atravessava uma região montanhosa quando ouviu uma voz invisível lamentando-se. Ao ser questionada, ela se identificou como Apolaki. Os habitantes locais reconheceram a entidade como seu anito e disseram que realizavam festas em sua homenagem.
Aduarte comparou sua posição à de Marte, o deus romano da guerra. A comparação indica uma possível ligação com os combates, mas reflete a tentativa de um autor europeu de explicar uma divindade indígena por meio de referências conhecidas por seus leitores. A fonte não afirma que Apolaki possuísse os mesmos símbolos ou atributos de Marte. O cronista também relata que ele era invocado quando as pessoas navegavam ou partiam em viagens relacionadas aos seus negócios. A passagem sugere uma função de proteção durante deslocamentos e expedições comerciais, embora não descreva os rituais realizados nessas ocasiões.
Na continuação da história, Apolaki lamenta que seus seguidores estivessem aceitando os missionários cristãos e colocando cruzes em suas casas. Em seguida, declara que procuraria outros povos que ainda o reconhecessem, pois havia sido abandonado por aqueles que antes o tratavam como seu antigo senhor. O episódio fornece informações importantes sobre sua veneração, mas foi escrito a partir de uma perspectiva cristã. Aduarte considerava as divindades indígenas manifestações demoníacas, e a partida de Apolaqui é apresentada como consequência do avanço do cristianismo na região.
Apolaki e Mayari
Uma tradição diferente foi registrada entre os kapampangans da província de Pampanga, na região central de Luzon. Ela foi narrada por Leopoldo Layug, da cidade de Guagua, e publicada por Dean S. Fansler em Filipino Popular Tales, em 1921. Nesse relato, Bathala governava o mundo e possuía dois filhos: Apolaki e Mayari. A luz que iluminava a Terra procedia dos olhos das duas divindades. Após a morte do pai, surgiu uma disputa sobre quem deveria assumir o governo.
Apolaki desejava governar sozinho, enquanto Mayari defendia que ambos possuíam o mesmo direito. Como não chegaram a um acordo, os irmãos iniciaram um combate com bastões de bambu. Durante a luta, Apolaki atingiu Mayari e destruiu um de seus olhos. Arrependido, propôs que os dois dividissem o governo do mundo, exercendo poderes equivalentes em períodos diferentes. Apolaki passou a governar durante o dia como o Sol, enquanto Mayari governaria à noite como a Lua. A menor luminosidade lunar seria explicada pelo fato de Mayari possuir apenas um olho.
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| Arte de BelleIllumina |
A história funciona como um mito explicativo para a alternância entre o dia e a noite e para a diferença de brilho entre o Sol e a Lua. O tema do conflito entre os dois astros também aparece em pequenas canções de ninar kapampangans publicadas por Fansler, embora elas não mencionem necessariamente os nomes de Apolaki e Mayari. O antropólogo Rudolf Rahmann analisou essa narrativa em um estudo comparativo sobre mitos do Sol e da Lua. Ele a identificou como uma tradição de Pampanga e relacionou o ferimento de Mayari a outras histórias filipinas que explicam a luminosidade reduzida ou as marcas visíveis na Lua.
Apolaki na mitologia dos tagalos
Uma terceira caracterização é encontrada em uma compilação sobre as divindades dos antigos tagalos publicada por F. Landa Jocano no século XX. Nela, Apolaki é apresentado como filho de Dumakulem, divindade associada às montanhas, e Anagolay, relacionada aos objetos perdidos. Ele também é descrito como irmão de Dian Masalanta, deusa do amor, da concepção e do parto .
Representações
As fontes antigas não descrevem detalhadamente a aparência de Apolaki. Não há informações seguras sobre suas roupas, armas, cores, animais associados ou símbolos religiosos. Representações modernas costumam mostrá-lo como um guerreiro usando armaduras, lanças ou coroas solares. Porém, esses elementos são interpretações artísticas contemporâneas e não fazem parte de uma iconografia tradicional documentada.
O único objeto mencionado diretamente nas narrativas é o bastão de bambu usado no combate contra Mayari. No relato de Pangasinan, Apolaki manifesta-se apenas como uma voz e não recebe qualquer descrição física.
fontes:
- ADUARTE, Diego. Historia de la provincia del Sancto Rosario de Filipinas. Trechos publicados em The Philippine Islands, 1493–1898, volume XXX. Disponível em: <https://www.gutenberg.org/cache/epub/39054/pg39054-images.html>;
- FANSLER, Dean S. Filipino Popular Tales. Disponível em: <https://www.gutenberg.org/cache/epub/8299/pg8299-images.html>;
- RAHMANN, Rudolf. “Quarrels and Enmity between the Sun and the Moon: A Contribution to the Mythologies of the Philippines, India, and the Malay Peninsula”. Disponível em: <https://asianethnology.org/article/148008-quarrels-and-enmity-between-the-sun-and-the-moon-a-contribution-to-the-mythologies-of-the-philippines-india-and-the-malay-peninsula>;
- CORTES, Rosario Mendoza. Pangasinan, 1572–1800. Quezon City: University of the Philippines Press, 1974. Disponível em: <https://books.google.com/books/about/Pangasinan_1572_1800.html?id=vXpCAAAAYAAJ>;
- SCOTT, William Henry. Barangay: Sixteenth-Century Philippine Culture and Society. Quezon City: Ateneo de Manila University Press, 1994. Disponível em: <https://books.google.com/books/about/Barangay.html?id=15KZU-yMuisC>.
Apolaki




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