۞ ADM Sleipnir
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| Arte de Candida Corsi |
Nekhbet (hierogrífo 𓄿, também grafada Nekhebet ou Nechbet) era uma deusa da mitologia egípcia que surgiu como divindade local no período pré-dinástico, sendo originalmente cultuada na cidade de Nekheb, no Alto Egito (região sul do país). Seu nome significa literalmente “aquela de Nekheb”, evidenciando sua ligação direta com esse local. Após a unificação do Egito em um único reino, Nekhbet deixou de ser apenas uma deusa regional e passou a representar todo o Alto Egito. Nesse contexto, foi associada à deusa Wadjet, protetora do Baixo Egito (norte), formando juntas o par conhecido como as “Duas Senhoras” (Nebty), símbolo religioso e político da união entre as duas regiões sob o domínio dos faraós.
Origem e culto
Há evidências de que o culto a Nekhbet remonta ao período pré-dinástico, estando associado à cidade de Nekheb (atual El Kab), um dos mais antigos centros religiosos do Egito. Nekheb era próxima de Nekhen, importante capital religiosa e política do Alto Egito no final do período pré-dinástico e início do Período Dinástico Inicial.
Com a consolidação do Estado egípcio, Nekhbet e Wadjet passaram a simbolizar conjuntamente a unidade do reino. Essa associação era expressa no nome Nebty dos faraós, que evocava a proteção das duas deusas. A iconografia real frequentemente apresentava o abutre (Nekhbet) e a cobra (uraeus, associada a Wadjet) lado a lado, especialmente nas coroas reais, como símbolos da unificação.
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| O abutre e a cobra representados em uma das coroas usadas pelo faraó Tutancamon |

Funções e atributos
Nekhbet era considerada a divindade tutelar do Alto Egito e desempenhava um papel central na proteção da realeza. Inicialmente, sua proteção era voltada principalmente às mães e crianças reais, sendo frequentemente descrita como mãe divina ou ama de leite do faraó. Com o tempo, essa função foi ampliada, passando a incluir também a proteção de todas as crianças e mulheres grávidas.
Nos Textos das Pirâmides, datados da Quinta Dinastia, Nekhbet é descrita como uma deusa criadora, recebendo epítetos como “Pai dos Pais, Mãe das Mães, que existe desde o princípio e é criadora do mundo”. Ela também era conhecida como “Senhora da Grande Casa” (pr wr), em referência ao principal templo estatal do Alto Egito.
Durante o Império Novo, sua importância se expandiu ainda mais, passando a atuar como protetora de toda a família real e, posteriormente, da população em geral. Em contextos funerários e simbólicos, era associada à proteção eterna, representada pelo símbolo shen.
Iconografia
Nekhbet era predominantemente representada como um abutre — possivelmente o abutre-grifo — ou como uma mulher usando o toucado de abutre ou a coroa branca do Alto Egito (hedjet). Em algumas representações, aparecia como uma mulher com cabeça de abutre ou, mais raramente, como uma serpente.
Uma de suas representações mais características mostra a deusa pairando sobre o faraó com as asas abertas, em atitude protetora, segurando o símbolo shen em suas garras. Em cenas reais e funerárias, o abutre frequentemente aparece ao lado do uraeus, reforçando a associação entre Nekhbet e Wadjet.
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| Nekhbet em forma de abutre, trazendo o símbolo shen nas garras |
Durante o Império Novo, ambas as deusas podiam ser representadas juntas nos toucados reais, por vezes acompanhadas de duas serpentes (uraei), indicando sua função conjunta como protetoras da realeza.
Associações mitológicas
Nekhbet foi associada a diversas outras divindades do panteão egípcio. Era por vezes considerada consorte de Hapi, em seu aspecto ligado ao Alto Egito, e frequentemente relacionada a Hórus. Sua associação com o abutre e com o nascimento a aproximava da deusa Mut, enquanto seu aspecto maternal e, ocasionalmente, bovino a ligava a Hathor, recebendo o epíteto de “Grande Vaca Branca de Nekheb”.
Ela também estava ligada ao conceito do “Olho de Rá”, compartilhando características com outras deusas solares e guerreiras. Nesse papel, era vista como uma força protetora e agressiva, capaz de defender o faraó em combate e subjugar os inimigos do Egito.
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| Arte de YunaXD |
Em mitos relacionados ao conflito entre Hórus e Set, Nekhbet e Wadjet aparecem como aliadas de Hórus, às vezes representadas como serpentes aladas que o acompanham na perseguição a seus adversários.
Natureza e simbolismo
Como muitas divindades egípcias, Nekhbet possuía uma natureza dual, combinando aspectos maternais e protetores com um caráter guerreiro. Era simultaneamente uma deusa do nascimento, da realeza e da proteção divina, além de desempenhar um papel simbólico na legitimação do poder faraônico.
Sua associação com o “Olho de Rá” destaca seu vínculo com o sol, enquanto sua identificação como o “olho saudável de Hórus” indica também conexões lunares. Frequentemente chamada de “Senhora dos Céus”, Nekhbet ocupava uma posição importante no imaginário religioso egípcio como guardiã suprema e símbolo da soberania do Alto Egito.
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| Arte de Raphaëlle Ellehar Bieuville |
- Nekhbet | Ancient Egypt Online. Disponível em: <https://ancientegyptonline.co.uk/nekhbet/>;
- Nekhbet. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Nekhbet>;
- REMLER, P. Egyptian mythology, A to Z. New York: Chelsea House, 2010.
Nekhbet







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