29 de janeiro de 2026

Tandayag Na Opon

۞ ADM Sleipnir

Tandayag na Opon (também grafado Tandayag sa Opon) é uma criatura lendária do Ibalong, poema épico da região de Bicol, nas Filipinas. Representado como um gigantesco javali negro, Tandayag aterrorizava as planícies de Ibalong até ser derrotado pelo herói Baltog.

Narrativa no Ibalong

Segundo a tradição, Tandayag era um javali colossal, com presas tão grandes quanto os braços de um homem. Habitava as colinas de Lingyon e era visto como o guardião das terras antes da chegada dos primeiros colonos humanos. Dotado de força descomunal, devastava plantações por onde passava, especialmente os campos de linsa (taro) cultivados por Baltog na região de Tondol, área correspondente à atual Kamalig.

Arte de delorarts

Baltog, um guerreiro ariano vindo de Boltavara — região que hoje corresponde à Índia —, foi o primeiro grande herói a se estabelecer em Ibalong. Ao encontrar sua plantação destruída por Tandayag, decidiu enfrentar a criatura sozinho, sem armas. Após um combate feroz, conseguiu matá-la com as próprias mãos. Como prova de sua vitória, arrancou as mandíbulas do javali e as pendurou em uma árvore talisay (Terminalia catappa) diante de sua casa.

Esse feito extraordinário consolidou Baltog como líder local e lhe rendeu grande prestígio. Clãs vizinhos, como os de Panicuason e Asog, viajaram até Ibalong apenas para ver os restos do terrível monstro e testemunhar a façanha do herói.

Monumento representando Baltog, localizado na cidade  de Legazpi, em Albay, Filipinas.



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28 de janeiro de 2026

Goslandariu

۞ ADM Sleipnir


Goslandariu é uma criatura lendária do folclore do norte do estado do Piauí. A lenda é mais conhecida nos municípios de Luzilândia e Joaquim Pires, onde se localiza a Lagoa dos Cajueiros, mas também apresenta registros na tradição popular da cidade de Barras. A criatura está diretamente associada a essa lagoa de água doce, que possui cerca de 17 km² de extensão e é alimentada pelos rios Cajueiro e São Nicolau.

Segundo as histórias transmitidas oralmente ao longo das gerações, a região onde hoje se encontra a Lagoa dos Cajueiros teria sido coberta pelo mar em tempos muito antigos. Com o recuo das águas, formou-se o lago, que passou a ser a morada de Goslandariu, visto como uma lembrança viva desses tempos remotos. Descrito como um monstro marinho imortal, de tamanho colossal e aparência assustadora, Goslandariu possui força descomunal, aspecto grotesco e comportamento cruel e predatório.

De acordo com a tradição popular, Goslandariu passa a maior parte do tempo adormecido, despertando apenas a cada cem anos. Quando acorda, permanece ativo por cerca de trinta anos, período em que percorre as águas da lagoa em busca de pessoas e animais para devorar, demonstrando uma fome considerada insaciável. Entre os poderes atribuídos à criatura está a capacidade de lançar raios hipnóticos pelos olhos, capazes de atrair pessoas para dentro da lagoa, mesmo quando se encontram fora da água. Diz-se que a única forma de reduzir esse efeito, caso alguém já esteja nadando, é virar de costas e evitar olhar diretamente para o monstro.

Além disso, Goslandariu possui outras maneiras de capturar suas vítimas. Uma delas seria a liberação de uma substância oleosa na água, que se move rapidamente sob a superfície, paralisa quem tenta fugir e arrasta a vítima até sua boca. Também se conta que a criatura é capaz de virar barcos e canoas com facilidade, utilizando apenas seu tamanho colossal e sua força extraordinária.

Goslandariu é geralmente descrito como um ser cruel, que sente prazer em devorar suas vítimas lentamente, ouvindo seus gritos de medo e dor. Outro aspecto marcante da criatura é seu poder de transformação: ela poderia assumir a forma de outros animais aquáticos, como cobras e jacarés, ou até mesmo de elementos da própria lagoa, como flores aquáticas. Essa capacidade torna o monstro ainda mais perigoso, pois suas vítimas dificilmente perceberiam sua presença antes do ataque. Diz-se que ele vive escondido nas profundezas da Lagoa dos Cajueiros, sob uma pequena ilha existente no local. Atualmente, a criatura estaria em sono profundo, aguardando o momento inevitável de seu próximo despertar, mantendo o ciclo que alterna longos períodos de silêncio com fases de terror e destruição.


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27 de janeiro de 2026

Wambeen

۞ ADM Sleipnir

Wambeen é uma divindade malévola da mitologia aborígene australiana, associada especificamente às tradições do povo Arrernte, da região central da Austrália. Ele é descrito como um ser sobrenatural ligado ao fogo, aos relâmpagos e à morte de viajantes solitários, figurando como uma ameaça constante nas narrativas míticas transmitidas oralmente.

Segundo os relatos tradicionais, Wambeen habitava o céu e descia à Terra na forma de um relâmpago, provocando incêndios na vegetação. Era considerado o criador de uma fumaça de odor extremamente desagradável, característica pela qual podia ser reconhecido antes mesmo de ser visto. Wambeen tinha como principais vítimas os viajantes que caminhavam sozinhos. De acordo com o mito, ele utilizava corujas como sentinelas: quando essas aves avistavam um viajante isolado, emitiam pios que serviam de aviso para o deus. Em seguida, Wambeen aparecia sob a forma de um homem gigantesco, envolto ou seguido por fumaça fétida, e matava a vítima, deixando o corpo no local exato onde havia caído.


fonte:

  • MASSOLA, A. Bunjil’s Cave: myths, legends and superstitions of the aborigines of south-east Australia [s.l.] [Melbourne] : Lansdowne Press, 1968.

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26 de janeiro de 2026

Heryshef

۞ ADM Sleipnir

Arte de Maria Trofimova

Heryshef (também grafado Herishef, Heryshaf ou Hershef; em grego: Arsaphes ou Harsaphes) foi um antigo deus egípcio associado à criação, à fertilidade, à força vital e às águas fluviais, venerado principalmente em Hwt-nen-nesu (conhecida pelos gregos como Heracleópolis Magna). Seu nome significa “aquele que está sobre seu lago”, indicando uma ligação simbólica com a água, a fertilidade e o ciclo do Nilo.

Iconografia, atributos e associações

Heryshef era geralmente representado como um homem com cabeça de carneiro, animal associado à fertilidade, potência criadora e renovação. Em contextos solares, podia portar o disco solar, refletindo sua associação com ; quando ligado a Osíris, aparecia usando a coroa Atef, tradicionalmente relacionada ao poder régio e à vida após a morte. 


Em textos religiosos, Heryshef era descrito como o Ba (manifestação espiritual ou alma) de Rá e de Osíris, reforçando seu caráter híbrido entre criação, realeza e renascimento. Em algumas tradições, também foi associado a Atum, possivelmente devido à sua ligação com a árvore sagrada naret, cultuada em seu principal centro religioso.

Entre seus títulos estão “Senhor do Sangue”, “Senhor do Temor” e “Rosto Terrível”, expressões que refletem tanto seu poder criador quanto seu aspecto ameaçador e destrutivo. Nessa dimensão mais violenta, Heryshef era ocasionalmente associado a Shesmu, divindade ambígua ligada ao vinho, ao sangue e ao sacrifício.

Heryshef aparece com frequência em amuletos, objetos votivos e varinhas mágicas de marfim, geralmente ao lado de outras figuras consideradas protetoras. Nessas representações, desempenha um papel apotropaico, afastando forças malignas e perigos espirituais.

Amuleto de Harsafes (Heryshef), datado de 740–725 a.C., Egito Antigo


Sincretismo e interpretação grega

Durante o período greco-romano, Heryshef foi identificado pelos gregos com Héracles (Hércules). Essa associação provavelmente resultou tanto da semelhança fonética entre Arsaphes e termos ligados à força quanto da percepção de Heryshef como uma divindade de grande vigor, fertilidade e poder protetor.

Textos e fontes literárias

Heryshef é mencionado em diversas fontes da literatura egípcia. No Conto do Camponês Eloquente, o templo de Heryshef é apresentado como local onde o camponês busca justiça, sugerindo que o deus também estava ligado à ordem moral e à escuta das queixas humanas.

Uma estela originalmente proveniente de Heracleópolis, posteriormente encontrada no templo de Ísis em Pompeia, descreve Heryshef concedendo proteção ao sacerdote Somtutefnakht, do Período Tardio. Nessa inscrição, o deus recebe os títulos de “Rei das Duas Terras” e “Governante das Margens do Rio”, evidenciando sua importância política e simbólica.

Durante o primeiro milênio a.C., Heryshef passou a ser interpretado como uma divindade cósmica, com os olhos simbolizando o sol e a lua, reforçando suas associações celestes.

Culto

O principal centro de culto de Heryshef foi Heracleópolis Magna, onde ele era venerado desde pelo menos a Primeira Dinastia, conforme registros atribuídos à Pedra de Palermo. Durante o Primeiro Período Intermediário, quando a cidade se tornou capital de um dos reinos egípcios rivais, Heryshef adquiriu status de divindade estatal.

Seu templo em Hwt-nen-nesu foi ampliado no Novo Império, especialmente durante o reinado de Ramsés II, que mandou erguer grandes colunas de granito com capitéis em forma de folhas de palmeira. O culto a Heryshef continuou ativo até o Período Ptolemaico.

Além de Heracleópolis, Heryshef também foi ocasionalmente identificado como governante de Iunu (Heliópolis), o que reforça sua integração a diferentes tradições religiosas do Egito Antigo.


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25 de janeiro de 2026

Vampiros de Fogo de Fthaggua

۞ ADM Sleipnir

Os Vampiros de Fogo de Fthaggua são uma espécie alienígena fictícia pertencente aos Mitos de Cthulhu. Foram criados por Donald Wandrei para o conto The Fire Vampires (“Os Vampiros de Fogo”), publicado em 1933, e posteriormente incorporados ao universo ficcional associado à obra de H. P. Lovecraft e de outros autores do ciclo.

Descrição e comportamento

Vampiros de Fogo manifestam-se como redes estriadas de energia elétrica viva, semelhantes a relâmpagos ou chamas animadas. A maioria apresenta coloração avermelhada, com exceção de Fthaggua, que é descrito como azul. A espécie constitui, na verdade, um vasto superorganismo gestalt, no qual todos os indivíduos estão ligados a uma única consciência coletiva centrada em Fthaggua. Caso Fthaggua seja destruído, todos os Vampiros de Fogo perecem, uma vez que não passam de extensões fragmentárias da entidade central.

Os Vampiros de Fogo alimentam-se da energia vital de criaturas sencientes. O ataque ocorre de forma súbita, semelhante a um raio, fazendo com que o corpo da vítima entre em combustão quase instantânea, restando apenas ossos carbonizados. Além da força vital, essas entidades também absorvem o conhecimento e as memórias de suas vítimas. Essa capacidade lhes permite aprender idiomas, compreender culturas alienígenas e reunir informações estratégicas sobre um planeta antes de sua conquista.

Ktynga, o Cometa de Norby

Os Vampiros de Fogo habitam o cometa Ktynga, também conhecido como Cometa de Norby, em referência ao cientista Gustav Norby, seu descobridor. Ktynga é descrito como um corpo celeste ígneo, com temperatura superficial estimada em cerca de 1.100 °C, capaz de deslocar-se pelo espaço a velocidades superiores à da luz. Animado e “pilotado” pela vontade de Fthaggua e de seus servos, Ktynga funciona como um mundo móvel, permitindo à espécie viajar entre sistemas estelares.

O plot de "The Fire Vampires"

Na narrativa original de The Fire Vampires, o cientista Gustav Norby, especialista em formas de vida cósmicas, alerta a humanidade sobre a ameaça representada pelo cometa Ktynga, cuja trajetória e comportamento desafiam as leis naturais. Após sua primeira aproximação da Terra em 2321, o cometa demonstra capacidade de alterar livremente seu curso, orbitando o planeta e provocando mortes por combustão espontânea associadas a descargas elétricas.

Anos depois, Norby e seu assistente Hue identificam a presença de entidades ígneas sencientes — os Vampiros de Fogo — ligadas ao cometa. Essas criaturas passam a atacar a população mundial, enquanto o próprio Ktynga transmite uma mensagem ameaçadora em nome de Fthaggua, exigindo sacrifícios humanos periódicos sob pena de extermínio em massa. A entidade revela-se capaz de absorver não apenas a energia vital, mas também o conhecimento de suas vítimas, o que explica sua comunicação com os humanos.

Em 2339, após anos de preparação e colapso social global, Norby executa um plano baseado na descoberta de que Fthaggua constitui a consciência unificada de todos os Vampiros de Fogo. Utilizando um dispositivo que canaliza energia pura, ele consegue destruir Fthaggua, o que resulta na extinção imediata de todos os Vampiros de Fogo ligados a ele, encerrando a ameaça representada por Ktynga.

Relação com Cthugha

Os Vampiros de Fogo são frequentemente confundidos com as Criaturas Flamejantes de CthughaA identificação entre as duas espécies foi formalizada pelo autor Lin Carter, que também sugeriu que o próprio Fthaggua teria sido originado por Cthugha. Em The Horror in the Gallery ("O Horror na Galeria"), o fictício ocultista Friedrich von Junzt, autor do Unaussprechlichen Kulten, refere-se às “criaturas flamejantes, ou Vampiros de Fogo, como os chama o Necronomicon”, associando-as ao cometa Ktynga. Essa interpretação, contudo, introduz uma inconsistência cronológica, uma vez que o Cometa de Norby teria sido descoberto apenas em 2321, enquanto a obra de von Junzt data do século XIX.


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24 de janeiro de 2026

Homem do Chapéu de Ferro

۞ ADM Sleipnir


O Homem do Chapéu de Ferro é uma criatura mítica do folclore português, especialmente associada à região do Algarve. Descrito como um ser colossal e maléfico, destaca-se pelo enorme chapéu de ferro cravado em sua cabeça, como se estivesse enterrado em seu crânio. Sua boca é descomunal e, quando tomado pela fúria, cospe chamas. Sua pele, de tonalidade semelhante ao bronze, reforça sua aparência sobrenatural e ameaçadora.

Segundo a tradição, o Homem do Chapéu de Ferro surge sempre à meia-noite, quando o galo canta. É avistado à beira de estradas, sob oliveiras e figueiras, ou junto a fontes. Sua aparição repete-se durante três noites consecutivas, e a cada noite ele é acompanhado por um animal diferente: um porco preto de grunhidos lúgubres, um veado gigantesco cujos chifres parecem tocar o alto das torres, ou ainda um galo negro, sombrio como a tempestade. Reza a lenda que tais criaturas seriam manifestações do próprio Diabo, que assume essas formas para segui-lo.

Detentor de poderes extraordinários, o Homem do Chapéu de Ferro é capaz de enfrentar tempestades, deter raios e, se provocado, desencadear catástrofes capazes de destruir o mundo. Cruel e vingativo, persegue aqueles que odeia: rouba, mata e deixa atrás de si apenas fumaça e labaredas que brotam da terra, como se vulcões despertassem sob seus passos. Contudo, ele não é invencível. Seu único ponto fraco é a Velha da Égua Branca, outra figura mítica do imaginário popular português, diante da qual ele recua em temor.

Algumas versões populares remontam a origem do Homem do Chapéu de Ferro ao tempo de Cristo. De acordo com essas narrativas, ele teria sido um soldado romano que teria torturado Jesus antes da crucificação. Como castigo, foi condenado a vagar eternamente sob essa forma monstruosa, espalhando medo e destruição pelas noites do Algarve.



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Ruby