4 de julho de 2026

Glycon

۞ ADM Sleipnir

Imagem: CristianChirita / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Glycon, também grafado Glykon, foi uma divindade-serpente venerada no mundo greco-romano durante o século II d.C. Seu culto ficou associado a Alexandre de Abonoteico, profeta ativo na Paflagônia, região da Ásia Menor. A principal fonte literária sobre Glycon é a obra  Alexandre, ou o Falso Profeta, de Luciano de Samósata, autor que descreve Alexandre de forma satírica e hostil. Além do relato de Luciano, moedas, inscrições e achados arqueológicos indicam que o culto teve existência histórica e alcançou certa difusão no mundo romano.



Origem do culto

Segundo Luciano, Alexandre anunciou a chegada de uma nova manifestação de Asclépio, deus associado à cura. A aparição teria sido encenada com uma pequena serpente escondida em um ovo de ganso, apresentada ao público como o nascimento do deus. Mais tarde, Alexandre teria exibido uma grande serpente adquirida na Macedônia, combinada com uma cabeça artificial de aparência humana. Dessa forma, Glycon foi apresentado como uma serpente divina com traços humanos, ligada à cura, à profecia e à autoridade religiosa de Alexandre.

O culto de Glycon se desenvolveu em Abonoteico, cidade que mais tarde passou a ser conhecida como Ionópolis. Diferentemente de alguns santuários tradicionais de Asclépio, voltados principalmente para cura e incubação ritual, o centro de Glycon destacou-se sobretudo como oráculo. Pessoas consultavam o deus sobre doenças, futuro, decisões pessoais e questões políticas. Luciano acusa Alexandre de manipular essas consultas e de usar recursos mecânicos para fazer parecer que o próprio deus respondia aos fiéis.

Difusão no mundo romano

Apesar do tom crítico de Luciano, o culto alcançou notoriedade fora de Abonoteico. No século II, há indícios de que fórmulas atribuídas ao oráculo de Glycon foram usadas contra a peste, em contexto compatível com a peste antonina. O culto também atraiu pessoas de posição elevada, como Públio Múmio Sisena Rutiliano, governador romano mencionado por Luciano como protetor do oráculo e genro de Alexandre.

Moedas provinciais, inscrições e pequenas imagens indicam que a veneração de Glycon se espalhou por diferentes regiões do mundo romano, especialmente entre áreas ligadas ao Danúbio, ao Mar Negro e à Ásia Menor. Essas evidências mostram que o culto sobreviveu à morte de Alexandre, ocorrida por volta de 170 d.C., e permaneceu ativo pelo menos até o século III.

A estátua de Tomis

Uma das representações mais conhecidas atribuídas a Glycon é a estátua de mármore encontrada em 1962 em Constanța, antiga Tomis, na atual Romênia. A peça, datada do fim do século II ou início do século III d.C., representa uma serpente com cabeça humana e integra o conjunto conhecido como Tesouro de Esculturas de Tomis, preservado pelo Museu de História Nacional e Arqueologia de Constanța.


Cultura Popular

Na cultura moderna, Glycon aparece principalmente em referências ligadas ao ocultismo contemporâneo e à cultura geek. O escritor britânico Alan Moore declarou interesse pela divindade e passou a tratá-la de forma simbólica e irônica em sua prática mágica. Glycon também aparece ligado ao projeto The Moon and Serpent Bumper Book of Magic, obra de Alan Moore e Steve Moore sobre magia e ocultismo, que inclui uma narrativa relacionada a Alexandre de Abonoteico e ao deus-serpente.

Nos jogos eletrônicos, o nome Glykon aparece em Destiny 2, na nave Glykon Volatus, cenário da missão Presage. Já em Marvel Contest of Champions, o personagem Glykhan, líder da organização Ouroboros, tem seu nome inspirado em Glycon. 

Glykhan (Marvel Contest of Champions)


fontes:
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