8 de setembro de 2026

Nkala

۞ ADM Sleipnir

Arte de Veronica Mazzaro

O Nkala é uma entidade sobrenatural das tradições dos Lunda e de povos relacionados da atual Zâmbia. É descrito como uma criatura semelhante a um enorme caranguejo, associada à feitiçaria e ligada a uma pessoa que poderia utilizá-la para causar a morte de outras.

Uma das descrições mais detalhadas do Nkala foi registrada em 1923 por Frank Hulme Melland, a partir das informações fornecidas por um ng'anga, especialista ligado a práticas rituais e de adivinhação. Embora a obra de Melland trate principalmente dos Kaonde, o autor atribui especificamente essa crença aos Lunda. Segundo o relato, o Nkala viveria nos rios e seria capaz de matar uma pessoa ao devorar sua sombra.

Aparência e comportamento

De acordo com Melland, o Nkala teria cerca de 1,2 metro de comprimento e seria quase tão largo quanto comprido. Apesar de ser comparado a um caranguejo, possuiria características incomuns. A criatura teria uma cabeça em cada extremidade do corpo, semelhantes às de um hipopótamo e com protuberâncias próximas aos olhos, além de grandes pinças.

Os Nkala viveriam nos rios e poderiam ser usados para matar pessoas por meios sobrenaturais. Ao encontrar uma vítima, a criatura utilizaria suas duas cabeças para devorar sua sombra pelas duas extremidades. A pessoa morreria depois que a sombra fosse consumida. Os detalhes desse ataque são conhecidos principalmente pelo relato recolhido por Melland.

Relação com a feitiçaria

Nas fontes, o Nkala aparece como uma entidade ligada a uma pessoa que poderia utilizá-la para praticar magia destrutiva. Alguns pesquisadores classificaram seres desse tipo como “familiares”, termo usado para entidades sobrenaturais vinculadas a alguém e capazes de agir em seu benefício ou cumprir suas ordens.

Em 1948, C. M. N. White mencionou o Nkala em um estudo sobre crenças relacionadas à feitiçaria e à magia entre povos da região de Balovale. O antropólogo Victor Turner também o associou a esse tipo de familiar sobrenatural. Segundo as crenças descritas por Turner, entidades como o Nkala poderiam ser criadas por meios mágico-rituais e depois adquirir existência própria, mantendo uma ligação estreita com a vida de seu proprietário.

Como o Nkala era combatido

Melland também registrou uma forma de localizar e matar um Nkala. Segundo o ng'anga consultado por ele, eram preparadas substâncias contendo partes de outros Nkala e colocadas dentro de chifres de duíquer, um pequeno antílope africano. Um dos chifres seria fechado com cera, enquanto outro, preenchido apenas parcialmente, seria utilizado como uma espécie de instrumento de sopro. O som produ
zido serviria para atrair o Nkala para fora do rio.

Quando a criatura aparecesse, os homens que acompanhavam o especialista deveriam matá-la. Depois disso, partes de seu corpo, especialmente as grandes pinças e algumas protuberâncias das cabeças, seriam recolhidas e utilizadas na preparação de substâncias destinadas a localizar outros Nkala.


fontes:

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