5 de dezembro de 2016

Anjos: Parte II - Hierarquia Angelical

۞ ADM Dama Gótica



No cristianismo, os anjos foram estudados de acordo com diversos sistemas de classificação em coros ou hierarquias angélicas. A mais influente de tais classificações foi estabelecida pelo Pseudo-Dionísio, o Areopagita (autor de um conjunto de textos que exerceram, uma forte influência em toda a mística cristã ocidental na Idade Média) entre os séculos IV e V, em seu livro De Coelesti Hierarchia.

A fonte primária ao estudo dos anjos são as citações bíblicas, como quando três anjos apareceram a Abraão em Gênesis 6:1, e Isaías fala de serafins Isaías 6:2; outro anjo acompanhou Tobias; a Virgem Maria recebeu uma visita angelical na Anunciação do futuro nascimento de Cristo, e o próprio Jesus fala deles em vários momentos, como quando sofreu a Tentação no deserto e na cena do Horto das Oliveiras, quando um anjo lhe fortaleceu antes da Paixão.

São Paulo faz alusão a cinco ordens de anjos em Efésios 1:21. Depois foi Dionísio, o Areopagita, um dos primeiros a propor um sistema organizado do estudo dos anjos e seus escritos tiveram muita influência, mas foi precedido por outros escritores, como São Clemente, Santo Ambrósio e São Jerônimo. Na Idade Média surgiram muitos outros esquemas, alguns baseados no de Dionísio, outros independentes, sugerindo uma hierarquia bastante diferente. Alguns autores acreditavam que apenas os anjos de classes inferiores interferiam nos assuntos humanos. 

As classificações propostas na Idade Média são as seguintes: 
  • São Clemente, em Constituições Apostólicas, século I:
1. Serafins, 2. Querubins, 3. Éons, 4. Hostes, 5. Potestades, 6. Autoridades, 7. Principados, 8. Tronos, 9. Arcanjos, 10. Anjos, 11. Dominações. 
  • Santo Ambrósio, em Apologia do Profeta David, século IV:
1. Serafins, 2. Querubins, 3. Dominações, 4. Tronos, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Anjos, 9. Arcanjos. 

  • São Jerônimo, século IV:
1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Dominações, 5. Tronos, 6. Arcanjos, 7. Anjos. 
  • Pseudo-Dionísio, o Areopagita, em De Coelesti Hierarchia, c. século V:
1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos. 
  • São Gregório Magno, em Homilia, século VI:
1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Arcanjos, 9. Anjos. 
  • Santo Isidoro de Sevilha, em Etymologiae, século VII:
1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Principados, 5. Virtudes, 6. Dominações, 7. Tronos, 8. Arcanjos, 9. Anjos 
  • São João Damasceno, em De Fide Orthodoxa, século VIII:
1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Potestades, 6. Autoridades (Virtudes), 7. Governantes (Principados), 8. Arcanjos, 9. Anjos. 

  • São Tomás de Aquino, em Summa Theologica (1225-1274):
1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos. 
  • Dante Alighieri, na Divina Comédia (1308-1321):
1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Arcanjos, 8. Principados, 9. Anjos. 

De todas estas ordenações, a mais corrente, derivada do Pseudo-Dionísio e de Tomás de Aquino, divide os anjos em nove coros, agrupados em três tríades. 

Primeira Tríade: A primeira tríade é composta pelos anjos mais próximos de Deus, que desempenham suas funções diante do dele.



  • Serafins 
O coro dos serafins são uma categoria de anjos, que segundo a tradição cristã, são considerados os mais elevados de todos os anjos, mais próximos de Deus e que emanam a essência divina em mais alto grau. São os mais sábios e "responsáveis". A palavra hebraica Saraf significa "queimar" ou "incendiar", talvez uma alusão a tradições bíblicas onde Deus é comparado a um "fogo" ou mesmo a um "fogo consumidor"

Dizem que as canções dos Serafins regulam o movimento dos céus com seus cantos de criação e celebração. Da mesma forma que os querubins, os serafins sempre estão ligados a glorificação da majestade e grandeza de Deus. O príncipe dos Serafins é o Anjo Metatron. Ele governa globalmente todas as forças da criação em benefício dos habitantes da Terra. 

Segundo uma tradição cristã, o líder dos anjos caídos teria sido o mais elevado dos anjos, portanto um serafim. Porem Tomás de Aquino, argumentou que isso seria impossível, pois os serafins ardem em caridade, incompatível com o pecado mortal. E que o responsável pela Queda teria sido um dos querubins, pois estes são os anjos mais identificados com o conhecimento e, portanto, os mais propensos ao pecado do orgulho. Na tradição judaica, os serafins estão em um patamar intermediário da hierarquia angélica.
  • Querubins
O coro dos Querubim são mencionados várias vezes no Antigo Testamento, em livros apócrifos e em muitos escritos judaicos. Segundo a tradição cristã, os querubins seriam anjos em segundo lugar na hierarquia celeste, logo abaixo dos Serafins. O príncipe dos Querubins é Raziel, o anjo dos mistérios, o príncipe do conhecimento e guardião da originalidade. 

Os Querubins são descritos tanto no Cristianismo como em tradições mais antigas mostrando formas híbridas de homem ou animal. A origem do nome "querubim" (keruv em Hebraico) ainda é obscura. Alguns pesquisadores defendem que sua raiz está na palavra babilônica "karabu", significando "um ser abençoado, bendito". Outros defendem que sua origem está no nome do deus assírio "Kirabu", cuja representação é de um ser com aparência humana com corpo de um touro alado. 

No Gênesis aparece um querubim como guardião do Jardim do Éden, expulsando Adão e Eva após o pecado original (Gênesis 3:23-24). Ezequiel os descreve como guardiães do trono de Deus e diz que o ruflar de suas asas enchia todo o templo da divindade e se parecia com som de vozes humanas; a cada um estava ligada uma roda, e se moviam em todas as direções sem se voltar, pois possuíam quatro faces: leão, touro, águia e homem.
  • Tronos ou Ofanins
O coro dos Tronos têm seu nome derivado do grego thronos, que significa "anciãos". São chamados também de "erelins" ou "ofanins", ou algumas vezes de Sedes Dei (Trono de Deus), e são identificados com os 24 anciãos que perpetuamente se prostram diante de Deus e a seus pés lançam suas coroas (Apocalipse 11:16-17). São os símbolos da autoridade divina e da humildade, e da perfeita pureza, livre de toda contaminação.

Segunda tríade: A segunda tríade é composta pelos príncipes da corte celestial.


  • Dominações
O coro das Dominações tem a função de regular as atividades dos anjos inferiores, distribuindo a estes as suas funções e seus mistérios. São anjos que auxiliam nas emergências ou conflitos que devem ser resolvidos logo. Também atuam como elementos de integração entre os mundos material e espiritual, embora raramente entrem em contato com as pessoas. Acredita-se que as Dominações possuam uma forma humana alada de beleza inefável, e são descritos portando orbes de luz e cetros indicativos de seu poder de governo.

  • Virtudes
O coro das Virtudes são os responsáveis pela manutenção do curso dos astros para que a ordem do universo seja preservada. Seu nome está associado ao grego dunamis, significando "poder" ou "força", e traduzido como "virtudes". Orientam as pessoas sobre sua missão. São encarregados de eliminar os obstáculos que se opõe ao cumprimento das ordens de Deus, afastando os anjos maus que assediam as nações para desviá-las de seu fim, e mantendo assim as criaturas e a ordem da Divina providência. Eles são particularmente importantes porque têm a capacidade de transmitir grande quantidade de energia divina. Imersas na força de Deus, as Virtudes derramam bênçãos do alto, frequentemente na forma de milagres. São sempre associados com os heróis e aqueles que lutam em nome de Deus e da verdade. São chamados quando se necessita de coragem.
  • Potestades
O coro dos Potestades ou Potências são também chamadas de "condutores da ordem sagrada". Executam as grandes ações que tocam no governo universal. Também são descritos como anjos guerreiros completamente fiéis a Deus. Seus atributos de organizadores e agentes do intelecto iluminado são enfatizados pelo Pseudo-Dionísio, e acrescenta que sua autoridade é baseada no espelhamento da ordem divina e não na tirania. Eles têm a capacidade de absorver e armazenar e transmitir o poder do plano divino, donde seus nomes. Os anjos do nascimento e da morte pertencem a essa categoria. São também os guardiões dos animais.

Terceira tríade: A terceira tríade é composta pelos anjos ministrantes, que são encarregados dos caminhos das nações e dos homens e estão mais intimamente ligados ao mundo material.

  • Principados
O coro dos Principados, do latim principatus, são os anjos encarregados de receber as ordens das Dominações e Potestades e transmiti-las aos reinos inferiores, e sua posição é representada simbolicamente pela coroa e cetro que usam. Guardam as cidades e os países. Protegem também a fauna e a flora. Como seu nome indica, estão revestidos de uma autoridade especial: são os que presidem os reinos, as províncias, e as dioceses, e velam pelo cultivo de sementes boas no campo das ideologias, da arte e da ciência.
  • Arcanjo
O nome de arcanjo vem do grego αρχάγγελος, arkangélos, que significa "anjo principal" ou "chefe", pela combinação de archō, o primeiro ou principal governante, e άγγελος, aggělǒs, que quer dizer "mensageiro". Este título é mencionado no Novo Testamento por duas vezes e a esta ordem pertencem os únicos anjos cujos nomes são conhecidos através da Bíblia: Miguel, Rafael e Gabriel. Miguel é especificamente citado como "O" arcanjo, ao passo que, embora se presuma pela tradição que Gabriel também seja um arcanjo, não há referências sólidas a respeito. Rafael descreve a si mesmo como "um dos sete que estão diante do Senhor" em Tobias 12:15, uma classe de seres mencionada também Apocalipse 1:5.

Considerado canônico somente pela Igreja Ortodoxa da Etiópia, o "Livro de Enoque" fala de mais quatro arcanjos, Uriel, Ituriel, Amitiel e Samuel, responsáveis pela vigilância universal durante o período dos nefilim, os "anjos caídos". Contudo em outras fontes apócrifas estes são por vezes chamados de querubins. A igreja Ortodoxa faz de Uriel um arcanjo e o festeja com Rafael, Gabriel e Miguel na festa de "Miguel e os outros Poderes Incorpóreos", em 21 de novembro.

Seu caráter de mensageiros, ou intermediários, é assinalada pelo seu papel de elo entre os Principados e os Anjos, interpretando e iluminando as ordens superiores para seus subordinados, além de inspirar misticamente as mentes e corações humanos para execução de atos de acordo com a vontade divina. Atuam assim como arautos dos desígnios divinos, tanto para os Anjos como para os homens, como foi no caso de Gabriel na Anunciação a Maria. A cultura popular faz deles protetores dos bons relacionamentos, da sabedoria e dos estudos, e guerreiros contra as ações do Diabo..
  • Anjos
Os anjos são os seres angélicos mais próximos do reino humano, o último degrau da hierarquia angélica acima descrita e pertencentes à sua terceira tríade. A tradição hebraica, de onde nasceu a Bíblia, está cheia de alusões a seres celestiais identificados como anjos, e que ocasionalmente aparecem aos seres humanos trazendo ordens divinas. São citados em vários textos místicos judeus, especialmente nos ligados à tradição Merkabah. Na Bíblia são chamados de מלאך אלהים (mensageiros de Deus), מלאך יהוה (mensageiros do Senhor), בני אלוהים (filhos de Deus) e הקדושים (santos). São dotados de vários poderes supernaturais, como o de se tornarem visíveis e invisíveis à vontade, voar, operar milagres diversos e consumir sacrifícios com seu toque de fogo. Feitos de luz e fogo (Jó 15:15; Salmos 104:4), sua aparição é imediatamente reconhecida como de origem divina também por sua extraordinária beleza.

Anjos especiais
  • Anjo da guarda

Dentre os anjos da tradição cristã está o tipo do anjo da guarda, chamado "fravashi" pelos seguidores de Zoroastro, e ao anjo da guarda, como o nome diz, é confiada individualmente cada pessoa ao nascer, protegendo-a do mal até onde a ordem divina o permita, fortalecendo corpo e alma e inspirando-a à prática das boas ações.
  • O Anjo do Senhor
Na Bíblia, sobretudo no Antigo Testamento há várias menções à aparição do Anjo do Senhor. A expressão "Anjo do Senhor" causa curiosidade por tratar-se não apenas de mais um anjo e sim de um anjo específico, considerando a antecedência do artigo definido.

De acordo com algumas posições teológicas, o Anjo do Senhor que fez vários contatos com personagens bíblicos, entre os quais Abraão, Hagar, Gideão, sendo aparições do próprio Deus e constituindo, portanto, uma espécie de teofania ou até mesmo uma cristofania.

Também é conhecido como o "Anjo da Presença", embora este termo tenha em certas filosofias um significado bem específico. O Anjo da Presença, segundo o pensamento gnóstico e cristão esotérico, não é um ser com vida própria, mas sim uma forma-pensamento que representa Cristo durante o sacramento da Eucaristia e é um veículo da Sua consciência e das Suas bênçãos.
  • Lúcifer
Segundo diversas tradições, Lúcifer seria um Querubim que se rebelou contra o Arcanjo Miguel, e contra o próprio Deus, sendo posto por Miguel para fora do Céu. Com Lúcifer foram todos seus seguidores.


Outros teólogos e alguns grupos cristãos como as Testemunhas de Jeová, afirmam que "a única referência a Lúcifer na Bíblia aplicava-se a Nabucodonosor, rei de Babilônia. E embora a arrogância dos governantes babilônicos realmente refletisse a atitude de Satanás que também anseia ter poder e deseja colocar-se acima de Deus, a Bíblia não atribui claramente o nome Lúcifer a Satanás".




Fontes: 
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