۞ ADM Sleipnir
O Pé-de-anjo é uma assombração associada ao folclore de Teresina, no Piauí. A narrativa descreve um homem que surge durante a noite acompanhado por um jumento e duas malas, pede ajuda a quem passa pelo local e desaparece depois de revelar, de maneira enigmática, o conteúdo da bagagem. A história foi registrada por Luís da Câmara Cascudo em seu Dicionário do folclore brasileiro e também aparece em versões divulgadas por autores ligados ao estudo e à preservação das tradições populares piauienses.
Segundo o relato atribuído a Câmara Cascudo, o Pé-de-anjo aparecia nas ruas de Teresina diante de pessoas que voltavam para casa tarde da noite. A figura era descrita como um caboclo acompanhado por um jumento carregado de malas. Em uma versão mais recente, registrada pelo jornalista Rafael Nolêto, o personagem é apresentado como um sertanejo de chapéu de palha e pés descalços. Ele seria visto principalmente por homens que retornavam de festas e outros encontros noturnos.

Ao encontrar alguém pelo caminho, o homem pedia ajuda para colocar as malas sobre o jumento:
— Moço, por favor, por sua delicadeza, me ajude a botar essa carga nesse jumento.
A pessoa geralmente aceitava o pedido, sem perceber que estava diante de uma assombração. Embora as malas não fossem grandes, eram muito difíceis de levantar. Surpreso com o peso, o ajudante perguntava o que havia dentro delas.
O desconhecido então respondia:
— Nesta mala aqui é pé de anjo; nessa outra aqui é o puro e sem mistura suco de uva roxa.
Logo depois, o homem, o jumento e as malas desapareciam. A pessoa ficava sozinha no local, sem compreender o que havia acontecido. A narrativa não explica o significado de “pé de anjo” nem esclarece por que a outra mala conteria “o puro e sem mistura suco de uva roxa”. A resposta aparentemente absurda é um dos elementos mais característicos da história.
Em outra versão popular, uma das malas seria extremamente leve, enquanto a outra teria um peso semelhante ao chumbo. Também há relatos que situam o encontro no início da manhã, durante o chamado “quebrar da barra do dia”, momento em que começa a amanhecer.

fontes:
- CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 12. ed. São Paulo: Global, 2012. 773 p.
- TERCEIRO, José Gil Barbosa. Pé de Anjo. In: Causos Assustadores do Piauí. [S. l.], 18 maio 2019. Disponível em: <https://causosassustadoresdopiaui.wordpress.com/2019/05/18/pe-de-anjo/>;
- NOLÊTO, Rafael. A lenda do Pé-de-Anjo. In: Piauí Pagão. [S. l.], 24 ago. 2010. Disponível em: <https://piauipagao.blogspot.com/2010/08/pe-de-anjo.html>;
- LOPES, Gabriela Hoffmann. Entre assombrações e fantasminhas: estudo do sobrenatural em narrativas infanto-juvenis. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2008. Disponível em: <https://tede2.pucrs.br/tede2/bitstream/tede/1904/1/411272.pdf>;
- ANDRADE, Maria do Carmo Gomes de. Assombrações. Fundação Joaquim Nabuco. Disponível em: <https://pesquisaescolar.fundaj.gov.br/pt-br/artigo/assombracoes/>;
- Pé de Anjo. Portal São Francisco. Disponível em: <https://www.portalsaofrancisco.com.br/folclore/pe-de-anjo>.
Pé-de-anjo

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