15 de julho de 2026

Pé-de-anjo

۞ ADM Sleipnir

O Pé-de-anjo é uma assombração associada ao folclore de Teresina, no Piauí. A narrativa descreve um homem que surge durante a noite acompanhado por um jumento e duas malas, pede ajuda a quem passa pelo local e desaparece depois de revelar, de maneira enigmática, o conteúdo da bagagem. A história foi registrada por Luís da Câmara Cascudo em seu Dicionário do folclore brasileiro e também aparece em versões divulgadas por autores ligados ao estudo e à preservação das tradições populares piauienses.

Segundo o relato atribuído a Câmara Cascudo, o Pé-de-anjo aparecia nas ruas de Teresina diante de pessoas que voltavam para casa tarde da noite. A figura era descrita como um caboclo acompanhado por um jumento carregado de malas. Em uma versão mais recente, registrada pelo jornalista Rafael Nolêto, o personagem é apresentado como um sertanejo de chapéu de palha e pés descalços. Ele seria visto principalmente por homens que retornavam de festas e outros encontros noturnos. 

Ao encontrar alguém pelo caminho, o homem pedia ajuda para colocar as malas sobre o jumento:

— Moço, por favor, por sua delicadeza, me ajude a botar essa carga nesse jumento.

A pessoa geralmente aceitava o pedido, sem perceber que estava diante de uma assombração. Embora as malas não fossem grandes, eram muito difíceis de levantar. Surpreso com o peso, o ajudante perguntava o que havia dentro delas.

O desconhecido então respondia:

— Nesta mala aqui é pé de anjo; nessa outra aqui é o puro e sem mistura suco de uva roxa.

Logo depois, o homem, o jumento e as malas desapareciam. A pessoa ficava sozinha no local, sem compreender o que havia acontecido. A narrativa não explica o significado de “pé de anjo” nem esclarece por que a outra mala conteria “o puro e sem mistura suco de uva roxa”. A resposta aparentemente absurda é um dos elementos mais característicos da história.

Em outra versão popular, uma das malas seria extremamente leve, enquanto a outra teria um peso semelhante ao chumbo. Também há relatos que situam o encontro no início da manhã, durante o chamado “quebrar da barra do dia”, momento em que começa a amanhecer.

fontes:

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