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A Velha Barrageira é uma personagem de uma lenda urbana brasileira associada ao município de Ilha Solteira, no estado de São Paulo. Segundo a tradição popular, trata-se do espírito de uma mulher idosa que aparece em estradas da região, sobretudo durante a noite, e desaparece misteriosamente após receber carona de motoristas. Sua história está ligada à construção da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, empreendimento iniciado na década de 1960 que provocou profundas transformações na paisagem e na ocupação do território.
A lenda
Uma das versões mais conhecidas conta que a Velha Barrageira teria sido uma mulher idosa que vivia em uma propriedade rural situada nas terras destinadas à implantação da usina hidrelétrica. Com o avanço das obras, ela teria se recusado a abandonar o lugar onde havia passado grande parte da vida. Algumas narrativas afirmam que acabou sendo retirada de sua propriedade, enquanto outras sustentam que permaneceu no local e morreu afogada quando as águas do reservatório inundaram a região.
Desde então, segundo a tradição, seu espírito passou a vagar pelas estradas próximas a Ilha Solteira. Os relatos descrevem encontros com uma senhora de aparência humilde, geralmente vestida com roupas simples e, em determinadas versões, inteiramente de branco. Suas aparições ocorreriam principalmente em trechos pouco movimentados, onde costuma pedir carona a caminhoneiros e outros motoristas que viajam sozinhos.

O acontecimento mais característico da lenda ocorre durante o trajeto. Após entrar no veículo e permanecer algum tempo ao lado do motorista, a mulher desaparece repentinamente, sem abrir a porta ou deixar qualquer vestígio de sua presença. Em algumas narrativas, o desaparecimento acontece quando o veículo se aproxima dos acessos à cidade.
Origem e registros da tradição
A origem da lenda está associada ao período de construção da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, no rio Paraná. Iniciada na década de 1960, a obra mobilizou um grande contingente de trabalhadores, conhecidos como barrageiros, e contribuiu diretamente para a formação do núcleo urbano que deu origem ao município. As mudanças provocadas pelo empreendimento, incluindo a ocupação de novas áreas e a transformação da paisagem, constituem o contexto histórico em que a narrativa se desenvolveu. Entretanto, não existem registros independentes que permitam identificar a mulher descrita na lenda ou comprovar as circunstâncias atribuídas à sua morte.
Um dos relatos escritos foi publicado em 2011 pelo escritor Oldack Mendes, no portal Recanto das Letras. O autor descreve uma experiência que afirma ter vivido em junho de 1970, quando trabalhava na região durante a construção da usina. Segundo seu testemunho, uma figura feminina idosa teria aparecido misteriosamente em seu veículo e desaparecido pouco depois.

Outras versões da lenda
Como ocorre com diversas narrativas transmitidas oralmente, a história da Velha Barrageira apresenta variações que modificam aspectos de sua origem, aparência e comportamento. Em certos relatos, a personagem teria morrido durante a inundação das terras; em outros, seu desaparecimento estaria relacionado à retirada de moradores das áreas ocupadas pelas obras.
Uma narrativa de características semelhantes também foi divulgada em Manaus, no Amazonas, associada ao antigo Tropical Hotel, localizado na região da Ponta Negra, às margens do rio Negro. Segundo essa versão, uma mulher teria vivido no terreno onde o estabelecimento foi posteriormente construído. Após sua morte, seu espírito passaria a aparecer para hóspedes e funcionários, manifestando-se ocasionalmente com a aparência de uma mulher jovem. A história foi registrada em publicações populares, entre elas uma matéria divulgada em 2017 pelo portal No Amazonas é Assim.
Representações na cultura popular
A Velha Barrageira ultrapassou os limites da tradição oral e passou a integrar diferentes manifestações artísticas, especialmente na música, na literatura e no teatro. O compositor e escritor Hugo Brasarock, natural de Ilha Solteira, dedicou à personagem a canção Velha Barrageira, na qual a narrativa tradicional recebe elementos de fantasia e suspense. A composição apresenta uma interpretação mais ameaçadora da figura sobrenatural, atribuindo-lhe, entre outras características, a capacidade de hipnotizar suas vítimas.
No teatro, a personagem aparece entre as histórias incorporadas ao espetáculo Terra Abaixo, Rio Acima, da Cia. Cênica, de São José do Rio Preto. Concebida em 2016, a montagem aborda acontecimentos e memórias ligados à construção da usina, combinando referências históricas com relatos transmitidos pela população. O espetáculo integrou a programação do Circuito Sesc de Artes de 2019.
A lenda também inspirou o livro infantojuvenil A Lenda da Velha Barrageira, publicado pelo autor em 2021, pela Editora Autografia. A obra acompanha um grupo de sete garotos envolvidos na investigação do mistério, utilizando a história regional como ponto de partida para uma narrativa de aventura e suspense.

fontes:
- Circuito Sesc de Artes. A velha barrageira terra abaixo. 2019. Disponível em: https://circuito2019.sescsp.org.br/historias-da-cidade/2019/ilha-solteira/a-velha-barrageira-terra-abaixo/
- MENDES, Oldack. A Velha Barrageira. Recanto das Letras, 2011. Disponível em: https://www.recantodasletras.com.br/causos/3376446
- BRASAROCK, Hugo. A Lenda da Velha Barrageira. Editora Autografia, 2021.
- Blog do Alex. A Velha Barrageira. 2011. Disponível em: https://alpalombo.blogspot.com/2011/10/velha-barrageira.html
- VALIO, Luiza. A lenda da velha barrageira. Portal Terra dos Passarinhos, 17 out. 2017. Disponível em: https://maesertaneja.blogspot.com/2017/10/a-lenda-da-velha-barrageira.html
- MELO, Jussara. Lenda urbana: a velha barrageira do Tropical Hotel de Manaus. No Amazonas é Assim, 12 nov. 2017. Disponível em: https://noamazonaseassim.com/lenda-urbana-a-velha-barrageira-do-tropical-hotel-de-manaus/
Velha Barrageira
a e legal e diverdida
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