۞ ADM Sleipnir
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| Arte de Maria Trofimova |
Heryshef (também grafado Herishef, Heryshaf ou Hershef; em grego: Arsaphes ou Harsaphes) foi um antigo deus egípcio associado à criação, à fertilidade, à força vital e às águas fluviais, venerado principalmente em Hwt-nen-nesu (conhecida pelos gregos como Heracleópolis Magna). Seu nome significa “aquele que está sobre seu lago”, indicando uma ligação simbólica com a água, a fertilidade e o ciclo do Nilo.
Iconografia, atributos e associações
Heryshef era geralmente representado como um homem com cabeça de carneiro, animal associado à fertilidade, potência criadora e renovação. Em contextos solares, podia portar o disco solar, refletindo sua associação com Rá; quando ligado a Osíris, aparecia usando a coroa Atef, tradicionalmente relacionada ao poder régio e à vida após a morte.

Em textos religiosos, Heryshef era descrito como o Ba (manifestação espiritual ou alma) de Rá e de Osíris, reforçando seu caráter híbrido entre criação, realeza e renascimento. Em algumas tradições, também foi associado a Atum, possivelmente devido à sua ligação com a árvore sagrada naret, cultuada em seu principal centro religioso.
Entre seus títulos estão “Senhor do Sangue”, “Senhor do Temor” e “Rosto Terrível”, expressões que refletem tanto seu poder criador quanto seu aspecto ameaçador e destrutivo. Nessa dimensão mais violenta, Heryshef era ocasionalmente associado a Shesmu, divindade ambígua ligada ao vinho, ao sangue e ao sacrifício.
Heryshef aparece com frequência em amuletos, objetos votivos e varinhas mágicas de marfim, geralmente ao lado de outras figuras consideradas protetoras. Nessas representações, desempenha um papel apotropaico, afastando forças malignas e perigos espirituais.
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| Amuleto de Harsafes (Heryshef), datado de 740–725 a.C., Egito Antigo |
Sincretismo e interpretação grega
Durante o período greco-romano, Heryshef foi identificado pelos gregos com Héracles (Hércules). Essa associação provavelmente resultou tanto da semelhança fonética entre Arsaphes e termos ligados à força quanto da percepção de Heryshef como uma divindade de grande vigor, fertilidade e poder protetor.
Textos e fontes literárias
Heryshef é mencionado em diversas fontes da literatura egípcia. No Conto do Camponês Eloquente, o templo de Heryshef é apresentado como local onde o camponês busca justiça, sugerindo que o deus também estava ligado à ordem moral e à escuta das queixas humanas.
Uma estela originalmente proveniente de Heracleópolis, posteriormente encontrada no templo de Ísis em Pompeia, descreve Heryshef concedendo proteção ao sacerdote Somtutefnakht, do Período Tardio. Nessa inscrição, o deus recebe os títulos de “Rei das Duas Terras” e “Governante das Margens do Rio”, evidenciando sua importância política e simbólica.
Durante o primeiro milênio a.C., Heryshef passou a ser interpretado como uma divindade cósmica, com os olhos simbolizando o sol e a lua, reforçando suas associações celestes.
Culto
O principal centro de culto de Heryshef foi Heracleópolis Magna, onde ele era venerado desde pelo menos a Primeira Dinastia, conforme registros atribuídos à Pedra de Palermo. Durante o Primeiro Período Intermediário, quando a cidade se tornou capital de um dos reinos egípcios rivais, Heryshef adquiriu status de divindade estatal.
Seu templo em Hwt-nen-nesu foi ampliado no Novo Império, especialmente durante o reinado de Ramsés II, que mandou erguer grandes colunas de granito com capitéis em forma de folhas de palmeira. O culto a Heryshef continuou ativo até o Período Ptolemaico.
Além de Heracleópolis, Heryshef também foi ocasionalmente identificado como governante de Iunu (Heliópolis), o que reforça sua integração a diferentes tradições religiosas do Egito Antigo.

Heryshef




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