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12 de novembro de 2012

Tengu

۞ ADM Sleipnir

Arte de Mickey Torres

Tengu (japonês 天狗, "cão celestial") são uma raça de criaturas lendárias pertencente ao folclore japonês, podendo ser considerados deuses (kamis) ou demônios (yokais). Originalmente acreditava-se que eles assumiam a forma de aves de rapina, e são tradicionalmente descritos e representados como seres possuindo características humanas e aviárias. No budismo, por muito tempo os tengu foram considerados demônios destruidores e arautos da guerra. Gradualmente, sua imagem foi sendo suavizada, sendo transformados em uma classe de espíritos protetores das florestas e montanhas, embora ainda sejam considerados perigosos. 

Iconografia

Tengus aparecem nas artes em uma variedade de formas. Geralmente, sua representação varia entre um pássaro grande e monstruoso e um ser totalmente antropomorfizado, com um rosto vermelho e um nariz anormalmente longo. As primeiras descrições de tengus mostram-nos como seres semelhantes a pássaros que podem assumir a forma humana, muitas vezes mantendo somente as asas, a cabeça ou o bico de pássaro. 

O nariz alongado do tengu parece ter sido concebido no século XIV, assim como a humanização de sua forma original de pássaro. Essa representação de nariz associa os tengus ao kami xintoísta Sarutahiko Ōkami, descrito no Nihon Shoki (日本書紀, "Crônicas do Japão", publicado em 720 d.C.) com um nariz medindo cerca de 40 cm de comprimento. Em festivais, as duas figuras são frequentemente retratadas com máscaras vermelhas portanto um nariz longo e fálico.

Numata Tengu Festival, realizado na prefeitura de Gunna

Algumas das primeiras representações de tengus apareceram em pergaminhos de imagens japoneses, como o Tenguzōshi Emaki (天狗草子絵巻), pintado em 1296 e zombando de monges de alto escalão ao representá-los com bicos de falcão semelhantes aos tengus.

Os tengus são freqüentemente retratados tomando a forma de algum tipo de sacerdote. A partir do século XIII, eles passaram a ser associados em particular aos yamabushi, ascetas da montanha adeptos do Shugendō (uma forma de budismo de origem nipônica, formado por filosofias sincretista de diversas tradições religiosas como: xintoismo, taoismo e formas esotéricas pré-budistas). Essa associação logo encontrou seu caminho na arte japonesa, onde os tengus são mais frequentemente retratados usando o traje único do yamabushi, que inclui uma touca distinta chamada tokin e uma espécie de faixa com bolas de lã chamada yuigesa (結袈裟). Devido à sua estética sacerdotal, eles costumam ser mostrados empunhando o khakkhara (sânscrito: खक्खर, japonês: 錫杖, shakujō), um cajado distinto usado pelos monges budistas.

Arte de MyCKs

Tengus são comumente representados segurando um leque de penas mágico, chamado hauchiwa (羽団扇). Em contos populares, esses leques às vezes têm a capacidade de aumentar ou diminuir o nariz de uma pessoa, mas geralmente é atribuído a eles o poder de produzir grandes rajadas de vento. Vários outros acessórios estranhos podem estar associados aos tengus, como uma espécie de sandália geta com um salto no meio, muitas vezes chamada de tengu-geta.

Origem

O termo tengu e os caracteres usados ​​para escrevê-lo foram emprestados do nome de um criatura do folclore chinês chamada Tiangou. A literatura chinesa atribui à essa criatura uma variedade de descrições, mas na maioria das vezes ela é descrita como um monstro canino feroz e antropófago, que se assemelha a uma estrela cadente ou cometa. O Tiangou produz um barulho semelhante a um trovão e sua presença é uma premonição de guerra. O 23º capítulo do Nihon Shoki contém a primeira menção a um tengu registrada no Japão, e nesse registro, uma grande estrela cadente aparece e é identificada por um monge budista como um "cão celestial" e, de maneira muito parecida com o Tiangou da China, a estrela precede um levante militar. 

Embora os caracteres chineses para tengu sejam usados ​​nesse registro, os caracteres fonéticos de furigana que o acompanham são interpretados como amatsukitsune ("raposa celestial"). O sinologista M. W. de Visser (1875-1930) especulou que os primeiros tengu japoneses podem representar um junção de dois espíritos chineses: o tiangou e o espírito raposa chinês chamado huli jing

Como a aparência do tengu mudou de um cão-meteoro para um homem-pássaro não é claro. Alguns estudiosos japoneses apoiaram a teoria de que a imagem do tengu seria derivada da divindade hindu Garuda, que foi pluralizada nas escrituras budistas como uma das principais raças de seres não-humanos. Como os tengus, os garudas são freqüentemente retratados em uma forma semelhante à humana, com asas e bico de pássaro O nome tengu parece ter sido escrito no lugar de garuda em um sutra japonês chamado Emmyō Jizō-kyō (延命地蔵経), mas este provavelmente foi escrito durante o período Edo (1603-1868), muito depois do estabelecimento da imagem dos tengus. 

Arte de Invee

Uma história presente no Konjaku Monogatarishū (今昔物語集, "Antologia de Contos do Passado"), uma coleção de histórias publicadas no final do período Heian (794-1185), descreve um tengu combatendo um dragão, o que lembra a rivalidade do Garuda com as serpentes naga. Em outros aspectos, no entanto, o comportamento original do tengu difere do Garuda, que normalmente é amigável com o budismo. 

Uma versão posterior do Kujiki, um antigo texto histórico japonês, escreve o nome de Amanozako, uma monstruosa divindade feminina nascida da ferocidade e dos sentimentos ruins do deus Susanoo, cujos caracteres de seu nome (天狗神) significam "divindade tengu". O Kujiki descreve Amanozako como uma criatura furiosa capaz de voar, tendo corpo humano, cabeça de besta, um nariz e orelhas compridos, e dentes enormes capazes de mastigar espadas. Um livro do século XVIII chamado Tengu Meigikō (天狗名義考) sugere que esta divindade pode ser a verdadeira predecessora dos tengus, mas a data e autenticidade dessa versão posterior do Kujiki são contestadas.

Amanozako

Tengus como espíritos malignos e fantasmas furiosos 

O Konjaku Monogatarishū contém alguns dos primeiros contos envolvendo tengus, já trazendo características que os definiriam nos séculos seguintes. Esses tengus são os grandes antagonistas do budismo, que enganavam os devotos com falsas imagens de Buda, arrebatavam monges e os largavam  em lugares remotos, possuíam mulheres na tentativa de seduzir homens santos, roubavam templos e dotavam aqueles que os adoravam com poderes profanos. Muitas vezes se disfarçavam de monges ou monjas, mas sua verdadeira forma era a de um pássaro. 

Ao longo dos séculos XII e XIII, continuaram os relatos de tengus causando problemas no mundo. Nesse período, eles foram estabelecidos como fantasmas de sacerdotes zangados, vaidosos ou heréticos que haviam caído no "reino dos tengu" (天狗道, tengudō). Eles possuíam pessoas, principalmente mulheres e meninas, e falavam por intermédio de suas bocas (através de uma habilidade chamada kitsunetsuki). 


Ainda inimigos do budismo, os tengus também voltaram sua atenção para a família real. O Kojidan (古事談, "Conversas sobre Assuntos Antigos", datado de 1212-1215) conta sobre uma Imperatriz que foi possuída, e o conto Ōkagami (大鏡, "Grande Espelho", escrito por volta de 1119) relata que o Imperador Sanjō foi cegado por um tengu, que era o fantasma de um monge que guardava rancor dele.

Um tengu notório do século XII era ele próprio o fantasma de um imperador. O Hōgen Monogatari (保元物語, "Conto de Hōgen") conta a história do Imperador Sutoku, que foi forçado por seu pai a abandonar o trono. Mais tarde, ele levantou a Rebelião Hōgen para retomar o país do comando do Imperador Go-Shirakawa, porém acabou sendo derrotado e exilado na província de Sanuki em Shikoku. De acordo com a lenda, ele morreu cheio de fúria e angústia, tendo jurado assombrar a nação do Japão após sua morte como um grande demônio. Assim, segundo algumas histórias, ele se tornou um temível tengu com unhas compridas e olhos de pássaro.


Em histórias do século XIII, os tengu começaram a sequestrar meninos além dos monges que eles sempre alvejavam. Os meninos eram frequentemente devolvidos, enquanto os monges eram encontrados amarrados às copas das árvores ou em outros lugares altos. Todas as vítimas dos tengus, no entanto, retornavam em um estado de quase morte ou loucura, uma vez que eram levados por engano a comer esterco animal. 

Os tengus desse período eram frequentemente concebidos como os fantasmas dos arrogantes e, como resultado, tornaram-se fortemente associados à vaidade e ao orgulho. Hoje, a expressão japonesa tengu ni naru ("tornar-se tengu") ainda é usada para descrever uma pessoa vaidosa. 

Grandes e pequenos demônios: Daitengu e Kotengu

Arte de Alex Eng

No Genpei Jōsuiki (源平盛衰記), escrito no final do período Kamakura (1192-1333), um deus aparece para o imperador Go-Shirakawa e faz um relato detalhado dos fantasmas tengu. Ele diz que as pessoas se tornam tengus porque, como budistas, não poderiam ir para o inferno; mas como foram más durante a vida, não poderiam ir para o céu. 

O deus também descreve a aparência de diferentes tipos de tengu: os fantasmas de monges e monjas, de homens e mulheres comuns, todos os quais em vida possuíam excesso de orgulho. Ele introduz ainda a noção de que nem todos os tengus são iguais; pessoas instruídas tornam-se Daitengu (大天狗, "grande tengu"), enquanto as ignorantes tornam-se Kotengu (小天狗, "pequeno tengu"). 

O filósofo Hayashi Razan lista os Daitengu mais poderosos, como Sōjōbō do Monte Kurama, Tarōbō do Monte Atago e Jirōbō do Monte Hira. Sōjōbō e Tarōbō em particular estão entre os tengus mais famosos do folclore. 


Uma seção do Tengu Meigikō, mais tarde citado pelo filósofo Inoue Enryō (1858 -1919), lista os Daitengu nesta ordem:
  • Sōjōbō (僧正坊) do Monte Kurama;
  • Tarōbō (太郎坊) do Monte Atago;
  • Jirōbō (二郎 坊) das montanhas Hira;
  • Sanjakubō (三尺坊) do Monte Akiha;
  • Ryūhōbō (笠鋒坊) do Monte Kōmyō;
  • Buzenbō (豊前坊) do Monte Hiko;
  • Hōkibō (伯耆坊) do Monte Daisen;
  • Myōgibō (妙義坊) do Monte Ueno ;
  • Sankibō (三鬼坊) de Itsukushima;
  • Zenkibō (前鬼坊) do Monte Ōmine;
  • Kōtenbō (高天坊) de Katsuragi;
  • Tsukuba-hōin (筑波法印) da província de Hitachi;
  • Daranibō (陀羅尼坊) do Monte Fuji;
  • Naigubu (内供奉) do Monte Takao;
  • Sagamibō (相模坊) de Shiramine;
  • Saburō (三郎) do Monte Izuna;
  • Ajari (阿闍梨) da província de Higo. 
Os Daitengu são frequentemente retratados em uma forma mais humana do que seus subordinados e, devido a seus narizes longos, também podem ser chamados de Hanatakatengu (鼻高天狗, "tengu de nariz alto"). Já os Kotengu são retratados como uma aparência mais aviária. Às vezes, Kotengu são chamados de Karasu-Tengu (烏天狗, "corvo tengu") ou Koppa/ Konoha-tengu (木葉 天狗, 木の葉天狗, "tengu de folhagem"). 

Os Konoha-tengu são mencionados em um livro de 1746 chamado Shokoku Rijin Dan (諸国里人談, "Histórias de Folclore Comum"), como criaturas parecidas com pássaros, com asas medindo dois metros de largura e que foram vistas pescando no rio Ōi, na província de Shizuoka, mas esse nome raramente aparece em outras obras literárias.

Algumas criaturas que não se enquadram na imagem clássica de um pássaro ou yamabushi são às vezes chamadas de tengu. Um exemplo são os espíritos da floresta conhecidos como guhin (狗賓, "cães visitantes", ocasionalmente escrito kuhin), mas essa palavra também pode se referir a tengus com bocas ou outras características caninas. O povo da província de Kōchi, na ilha de Shikoku, acredita em uma criatura chamada Shibaten ou Shibatengu (シバテン, 芝天狗, "tengu da relva"), um pequeno ser infantil que adora lutar sumō e às vezes mora na água, e é geralmente considerado um dos muitos tipos de kappa

Outra espécie de tengu dito viver próximo à fontes d'água é o kawatengu (川天狗, "rio tengu") da região da Grande Tóquio. Kawatengus raramente são vistos, mas acredita-se que eles sejam responsáveis por criar estranhas bolas de fogo chamadas tengubi, que flutuam sobre a água e agem como iscas, além de serem um incômodo para os pescadores,sobre os quais costumam aplicar todo o tipo de peças. Alguns moradores deixam oferendas de peixes recém-pescados à beira do rio ou lavam as grandes pedras ao longo das margens. Depois de fazer isso, os kawatengus os deixam em paz.

Kawatengu


Tengus como espíritos e divindades protetoras 

Shasekishū (沙石集 "Areia e Cascalhos"), um livro de parábolas budistas do período Kamakura (1192-1333), faz uma distinção entre tengus bons e maus. O livro explica que os tengus bons são os protetores, e não inimigos, do Budismo - embora seu orgulho ou ambição os tenha feito cair no caminho demoníaco, eles permanecem essencialmente bons, sendo obedientes ao dharma da mesma maneira que eram em vida. 

A imagem desagradável dos tengus continuou a se dissipar no século XVII. As histórias agora passavam a apresentá-los menos maliciosos, protegendo e abençoando as instituições budistas em vez de ameaçá-las. De acordo com uma lenda presente no Kaidan Toshiotoko (怪談登志男) datado do séc XVIII, um tengu assumiu a forma de um yamabushi e serviu fielmente ao abade de um mosteiro Zen, até que o abade descobriu a verdadeira forma de seu assistente. As asas e o nariz enorme do tengu então reapareceram. O tengu pediu um pouco de sabedoria a seu mestre e foi embora, porém continuou, sem ser visto, a fornecer ao mosteiro uma ajuda milagrosa.

Nos séculos XVIII e XIX, os tengus passaram a ser temidos como os vigilantes protetores de certas florestas. Na coleção de contos Sanshu Kidan (三州奇談), de 1764, um desses contos fala sobre um homem que caminhava por um vale enquanto coletava folhas, quando se depara com uma súbita e feroz tempestade de granizo. Um grupo de camponeses mais tarde lhe disse que ele estava em um vale onde vivia um guhin, e que qualquer pessoa que pegasse uma única folha do local teria morte certa. 

Guhin

No Sōzan Chomon Kishū (想山著聞奇集), escrito em 1849, o autor descreve os costumes dos lenhadores da província de Mino, que usavam uma espécie de bolo de arroz chamado kuhin-mochi para aplacar tengus, que quando não recebiam essa oferta, causavam todo tipo de travessuras e infortúnios. Em outras províncias, um tipo especial de peixe chamado okoze era oferecido aos tengus por lenhadores e caçadores, em troca de um dia de trabalho bem-sucedido. O povo da província de Ishikawa acreditava até recentemente que os tengus detestavam o peixe cavala, e usavam este peixe como amuleto contra sequestros e assombrações provocados por estes.

Em vários cultos religiosos japoneses, os tengus são adorados como deuses benéficos. Um exemplo é o tengu Saburō, adorado no monte Izuna, sendo mais conhecido como Izuna Gongen (飯綱権現, "encarnação de Izuna"). Ele é uma das principais divindades do culto Izuna Shugen, possuindo um templo no topo do monte dedicado a ele.

Izuna Gongen é descrito e representado como uma figura alada com serpentes enroladas em seus membros, cercada por um halo de chamas, cavalgando nas costas de uma raposa e brandindo uma espada. Adoradores de tengus em outras montanhas sagradas adotaram imagens semelhantes para suas divindades, como Sanjakubō (三尺 坊) ou Akiba Gongen (秋葉権現) em Akiba, e Dōryō Gongen (道了権現) do Templo Saijō-ji em Odawara. 

Izuna Gongen


Tengus e as Artes Marciais

Durante o século XIV, os tengus começaram a perturbar o mundo fora do clero budista e, como seus ancestrais tiangou, tornaram-se criaturas associadas à guerra. Algumas lendas os relatam como grandes mestres e conhecedores das artes do combate.

Essa reputação parece ter suas origens em uma lenda em torno de um famoso guerreiro chamado Minamoto no Yoshitsune. Quando ainda era um bebê, Yoshitsune teve seu pai, Yoshitomo, assassinado pelo clã Taira. Taira no Kiyomori, o líder do clã Taira, poupou sua vida, e ele foi enviado aos cuidados dos monges do templo do Monte Kurama. Lá, Yoshitsune cresceu, e mais tarde encontraria o mítico rei tengu Sōjōbō, de quem aprendeu a arte do combate e da esgrima. Com essas técnicas, Yoshitsune busca a vingança contra o clã Taira.

"Yoshitsune e o rei Tengu", de Tsukioka Yoshitoshi

Originalmente, as ações de Sōjōbō em ensinar Yoshitsune foram retratadas como outra tentativa dos tengus de lançar o mundo no caos e na guerra, mas conforme a fama de Yoshitsune como um guerreiro lendário aumentava, Sōjōbō passou a ser retratado sob uma ótica muito mais simpática e honrada. 

Em uma das mais famosas interpretações dessa história, a peça Nô Kurama Tengu, Yoshitsune é a única pessoa do templo que não tinha nojo e nem rejeitava estar na presença de um estrango monge yamabushi. Por isso, Sōjōbō simpatiza com ele e decide ensiná-lo para que pudesse enfrentar situações díficeis.

Duas histórias do século XIX dão continuidade a esse tema: No Sōzan Chomon Kishū, um menino é sequestrado por um tengu, com quem viveu durante três anos. Ao retornar para casa, o jovem traz consigo uma arma mágica que nunca errava seu alvo. Uma história da província de Inaba, contada por Inoue Enryō, conta a história de uma garota com pouca destreza manual que é repentinamente possuída por um tengu. O espírito desejava reacender a arte decadente da esgrima no mundo. Pouco tempo depois, um jovem samurai aparece diante da garota dizendo que um tengu havia aparecido diante dele em um sonho, e a garota, possuída pelo tengu, ensina ao samurai a arte da espada. Alguns rumores em torno dos ninjas indicam que eles também foram treinados pelos tengus.

Arte de Daniel Herrera

Tengus em contos folclóricos populares

Tengus aparecem com frequência em contos da tradição oral coletados por folcloristas japoneses. Esses contos costumam ser ter um tom cômico, e tendem a retratar os tengus como criaturas estúpidas, que são facilmente enganadas ou confundidas pelos humanos. Alguns contos populares em que tengus aparecem incluem:
  • Tengu no Kakuremino (天狗の隠れみの, "A Capa Mágica Tengu"): Um menino olha através de um pedaço de bambu e finge conseguir enxergar lugares distantes. Um tengu, movido pela curiosidade, oferece ao menino um acordo onde ele trocaria seu bambu por uma capa mágica que o deixaria invisível. O menino aceita a troca, e usando a capa da invisibilidade, pratica todo o tipo de travessuras. Outra versão desta história conta sobre um homem que engana o tengu para obter sua capa mágica, e com ela causa muitas confusões em sua vila. No final desta história, o tengu recupera sua capa em um jogo de azar contra o homem, além de puní-lo transformando-o em lobo.
  • Kobu-tori Jiisan (瘤取り爺さん, literalmente"O Caroço Removido do Vovô"): Um idoso, que tinha um caroço em seu rosto, certo dia encontra nas montanhas um bando de tengus dançando, e se junta a eles. Sua dança os agrada de tal forma que eles lhe dão um presente. Além disso, removem o caroço de seu rosto, acreditando que ele o desejaria de volta e assim voltaria na noite seguinte para festejar com eles novamente. Um vizinho do idoso, que também tinha um caroço em seu rosto, ouve dele as histórias de seu encontro com os tengus e então tenta repetir o trajeto dele, inclusive roubando-lhe o presente que os tengus haviam lhe dado. Ao encontrar os tengus dançando, o impostor tentou dançar com eles, entretanto, os tengus não só não gostaram de sua dança como colocaram nele o caroço que haviam removido do outro idoso;
  • Tengu no Hauchiwa (天狗 の 羽 団 扇  "O Leque do Tengu"): Um malandro ganha um leque mágico de tengu, capaz de fazer o nariz de qualquer um crescer ou ficar pequeno. Ele secretamente usa esse item para deixar crescer o nariz da filha de um homem rico e depois promete devolvê-lo ao tamanho normal em troca da mão da jovem em casamento. Mais tarde, ele acidentalmente usa o leque em si mesmo e seu nariz cresce até atingir o céu, resultando em um grande infortúnio para ele;
  • Tengu no Hyōtan (天狗の瓢箪, "A Cabaça Tengu"): Um homem encontra um tengu, o qual lhe pergunta do que ele tem mais medo. O homem mente para o tengu dizendo que tinha muito medo de ouro e  de mochi (bolinhos de arroz). O tengu então faz chover ouro e bolinhos de arroz sobre o homem, certo de que estava aplicando uma grande pegadinha, mas para a sua supresa, o homem ficou muito feliz e isso assustou o próprio tengu. O tengu acaba fugindo, pois a felicidade das pessoas era a coisa que ele próprio temia, e em sua fuga, acabou deixando para trás uma cabaça mágica (ou outro item mágico, conforme a versão da história), a qual o homem também fica para si;
  • "O Tengu e o Lenhador": Um tengu irrita um lenhador, demonstrando suas habilidades sobrenaturais ao adivinhar tudo o que o lenhador está pensando. O lenhador usa seu machado para partir um pedaço de madeira e uma farpa acaba atingindo o nariz do tengu. O tengu foge aterrorizado, exclamando que os humanos são criaturas perigosas que não pensam nas consequências de suas ações.

Cultura Popular 

Tengus são extremamente populares na cultura popular, e sempre presentes em todo o tipo de mídia. Abaixo um resumo das aparições e citações de tengus em animes, filmes, jogos e outras mídias:

Animes e Mangás
  • Tengus aparecem em inúmeros animes e mangás. Alguns exemplos genéricos são Shijou Saikyou no Deshi Kenichi, Rosario to VampireTacticsBlack Bird e Nurarihyon no Mago;
  • Em One Punch Man, um monstro de nível demônio chamado Rei do Céu tinha a aparência de um tengu; 
  • Em Demon Slayer, o personagem Sakonji Urokodaki usa uma máscara tengu;
  • Em One Piece, o personagem Tenguyama Hitetsu é totalmente caracterizado como um tengu, usando uma máscara com nariz longo, um par de asas, a roupa típica dos monges yamabushi, além das sandálias geta extremamente altas.
Tenguyama Hitetsu 


Quadrinhos
  • Nos quadrinhos do Batman, logo após o arco "A queda do morcego", Bruce Wayne - já fora de forma e sem os reflexos necessários para ser Batman - procura Lady Shiva para treiná-lo. Usando uma máscara Tengu, ela mata um mestre de artes marciais chamado Mestre Sem Braços, o qual possuía sete discípulos que buscariam vingar sua morte. Lady Shiva posteriormente entrega essa máscara à Bruce Wayne, que se torna alvo dos sete discípulos do Mestre Sem Braços. Bruce derrota o sete guerreiros e recupera sua forma e reflexos, retornando a ser o homem morcego. 
  • A história em quadrinhos Tengu Kamen, de Robert Moreau (escritor) and Jenna Bastian (artista), narra as aventuras de uma jovem heroína que resolve crimes em um Japão alternativo no ano 1968, utilizando uma roupa com uma máscara Tengu;
  • O quadrinho/mangá francês Tengu-do conta a história de um garoto que sonhava em aprender o caminho da espada. Após ver seu mestre ser assassinado por Tengu, o demônio, e contrariando sua família, o jovem Ronin parte para uma jornada no tempo em busca de vingança;
  • Karasu-Tengu e Sojobo-Tengu são dois irmãos mutantes com poderes psiquico-telepáticos presentes na Marvel, aparecendo pela primeira vez na HQ X-Men: Legacy (Vol. 2) #2, publicada em Novembro, de 2012.
Karasu-Tengu e Sojobo-Tengu (Marvel)


Games
  • No MMORPG Eve Online, Tengu é o nome dado a uma espaçonave de terceira geração da classe Cruiser;
  • Um tengu chamado Gohyakumine Bankotsubo aparece como um chefe no jogo de luta Dead or Alive 2 (1999);
  • Em  Mega Man 8 e Mega Man & Bass, existe um robô chamado Tenguman, com seu design baseado em um tengu. Ele também possui uma arma-leque com a qual produz poderosas rajadas de vento;
  • Em Sekiro: Shadows Die Twice, um personagem chamado Tengu aparece, usando uma máscara de madeira vermelha com um nariz comprido e um manto que parece feito de penas de pássaro;
  • Em Ghost Of Tsushima, há um chefe Tengu na história "A Maldição de Uchitsune";
  • Na série de jogos Touhou Project, Aya Shameimaru é uma Karasu Tengu fotógrafa, que vive numa montanha e carrega um leque capaz de produzir vento;
  • Tengus também aparecem como monstros nos jogos Ragnarok Online e AdventureQuest Worlds.

Filmes
  • Um filme mudo de 1928, chamado Kurama Tengu, foi baseado em uma série de romances históricos escritos por Jiro Osaragi nos períodos Taisho e Showa. Esses romances inclusive geraram várias outras adaptações cinematográficas posteriores.
  • Em Tengu (2013), um cara é acusado de perseguir uma senhora em uma delegacia de polícia, mas esses eventos tomam um rumo distorcido quando uma senhora começa a sofrer de alucinações psicóticas. No entanto, as coisas podem não ser o que parecem;
  • Em Tengu, Birdmen of the Mountains (2017),  um pai luta para proteger sua família contra o terror dos Tengu;
  • Um grupo de guerreiros tengus aparecem no filme Mighty Morphy Power Rangers - The Movie, de 1995.
Arte de Zeen Chin


fontes:
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