5 de fevereiro de 2016

Cosmogonia Egípcia

۞ ADM Sleipnir


A criação do mundo descrita na mitologia egípcia possui diversas “variações regionais”. Apesar de todas as versões regionais estarem entrelaçadas e terem semelhanças, em alguns casos até o panteão de deuses possuía divergências. Essas divergências, originadas por diferenças em contextos sociais e econômicos, não podem ser deixadas de lado.Por conta disso, falaremos da cosmogonia aqui em partes, dividindo pela região e caracterizando-as.

Cosmogonia de Heliópolis


A cosmogonia de Heliópolis estava centrada em uma Enéade (termo grego para um agrupamento de nove divindades).

No começo de tudo só havia as águas do caos, Nun. Certo dia, uma colina de lodo elevou-se dessas águas e no cume da colina estava Atum, o deus criador. Atum tossiu e surgiu Shu e Tefnut (respectivamente: deus do ar e deusa da umidade). Shu e Tefnut tiveram dois filhos: Geb (deus da Terra) e Nut (deusa do céu). Geb e Nut, por sua vez, geraram Osíris, Isís, Seth e Néftis. Com isso tínhamos os 9 deuses que compunham e Enéade e o mundo estava finalmente formado. 

É importante salientar que o deus criador -Atum- estava intrinsecamente associado à Rá, sendo este uma expressão do poder de Atum. 

A composição da Enéade era feita da seguinte maneira: 
  • Atum-Rá, Shu, Tefnut, Geb e Nut (05 deuses);
  • Osíris, Seth, Ísis e Néftis (04 deuses).
Cosmogonia de Hermópolis

Em Hermópolis dominava uma Ogdoáde, um panteão de oito deuses. Esse panteão era agrupado em quatro casais. 
  • Nun e Nunket, o oceano primordial;
  • Hek e Heket, o infinito;
  • Kek e Keket, as trevas; 
  • Amon e Amunet, o oculto.
A Ogdoáde era vista como uma expressão do poder egípcio que depois foi tomando a forma de animais. Com a evolução, então, é que eles passaram a ser agrupados em casais. 

Existem diversas versões do mito da Ogdoáde. Em uma dela os oito deuses se uniram para formar um ovo cósmico que foi fertilizado por Amun -quando este ainda era uma serpente- e deste ovo nasceu Rá, o deus do sol. Rá, então, deu forma ao mundo.


Em outra versão, diz-se que das águas primordiais emergiu uma ilha. Nesta ilha existia um poço, no qual flutuava uma flor de lótus e onde viviam os oito deuses. As divindades masculinas, então, teriam ejaculado sobre a flor e a fecundado. A flor, então, se fechou durante a noite e quando a manhã chegou ela se abriu, saindo dela o deus Rá.


Cosmogonia de Mênfis

Na cidade de Mênfis predominava uma tríade composta pelos deuses Ptah, Sekhmet (esposa de Ptah)e Nefertum, filho dos dois. 

Neste sistema, Ptah era o deus criador. Ele era uma divindade associada aos artesãos e era representado por um homem mumificado. 

Dizia-se que Ptah era ao mesmo tempo Nun e Naunet (ver outras cosmogonias). Ptah, então, gerou Atum a partir de seu coração e de sua língua, gerando assim toda a já conhecida Enéade. 

É importante destacar que o sistema de Mênfis não rejeita a Enéade de Heliópolis, só considera Ptah como criador desse panteão.


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