۞ ADM Sleipnir

Vanmegaprána é uma figura mítica da tradição oral do povo Apinajé, identificada em alguns relatos com o imperador brasileiro Dom Pedro II. A lenda teria surgido em um período de intenso contato entre os Apinajé e os colonizadores, marcado sobretudo pela política de aldeamentos do governo imperial. Nesse contexto, a imagem do imperador foi reinterpretada e absorvida pelo imaginário indígena, convertendo-se em um ser sobrenatural que simboliza tanto a adaptação cultural quanto a resistência diante da dominação externa. Entre os Ramkokamékra (Krahô), essa mesma figura é conhecida como Aukê.
Lenda
Vanmegaprána era filho de Niimogo, uma mulher que o povo considerava de "maus costumes". Desde o ventre materno, o menino revelava sua natureza divina: durante os banhos de Niimogo no rio, o feto transformava-se em uma ágil paca, nadava em círculos ao redor da mãe e depois retornava ao seu útero.

Após seu nascimento, suas habilidades sobrenaturais se manifestavam de maneira ainda mais surpreendente. Quando deixado à sombra das árvores enquanto a mãe trabalhava, Vanmegaprána assumia a forma de um menino vigoroso e belo, que instantaneamente voltava a ser um frágil bebê ao sentir a aproximação de alguém. Nas caminhadas até o rio, crescia misteriosamente para correr ao lado de Niimogo, apenas para retornar ao tamanho infantil quando se aproximavam da aldeia.
A existência do menino despertava o ódio de seu tio materno, que pedia a Niimogo que o matasse. Diante da recusa da irmã em por um fim na vida do menino, ele próprio resolveu fazê-lo. Primeiro, ele fez um buraco, onde colocou o sobrinho e o enterrou vivo. Mas Vanmegaprána, desafiando a morte, escapou do buraco e retornou aos braços da mãe para mamar. Enfurecido, o tio lançou-o de um penhasco, só para ver o menino transformar-se numa folha seca que dançou suavemente no ar até pousar no solo.

Numa última tentativa, o tio pegou a folha e a queimou, convencido de ter finalmente matado o sobrinho. Porém, das cinzas surgiu um milagre: Vanmegaprána renasceu como um homem branco. Às margens do rio, realizou seu ato mais impressionante - ao jogar farinha de mandioca sobre as águas, transformou os peixes brancos em homens brancos e os peixes negros em homens negros. Como senhor de um novo mundo, ergueu uma majestosa morada, introduziu animais domésticos como cavalos e gado, e revelou aos Apinajé os segredos de novos alimentos, incluindo o arroz e a carne bovina.
Vanmegaprána então se apresenta para seu tio e diz a ele que se não o tivesse perseguido, seu tio seria um homem rico. Depois, pergunta a sua mãe se ela o reconhecia, e Niimogo respondeu que não. Mas, após ele revelar sua identidade, ela desabou em lágrimas. Niimogo chorou muito. Por fim, Vanmegaprána encheu a mãe e o tio de presentes e os mandou embora em paz.

fontes:
- ALVIM SANTOS , C. Os Apinajé e a História. Reflexões sobre a historicidade apinajé na documentação histórica e na literatura antropológica. Pág. 29 e 30. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO, 2018. Disponível em: <https://repositorio.unifesp.br/server/api/core/bitstreams/e7115c17-6354-4cd5-8f01-92e314146182/content>;
- BALDUS, H. Estórias e Lendas dos Índios. Pág. 148-150. Disponível em: <https://etnolinguistica.wdfiles.com/local--files/biblio%3Abaldus-1960-estorias/Baldus_1960_EstoriasELendasDosIndios.pdf>.
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Vcs já ouviram falar sobre o Nahuará ?
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