2 de junho de 2017

Diarmuid Ua Duibhne

۞ ADM Sleipnir


Diarmuid Ua Duibhne (ou Diarmid O'Dyna, "A mancha do amor", ou ainda Diarmait) é um herói da mitologia celta/irlandesa, filho de Donn e filho adotivo do deus Angus Og. Segundo as lendas, Diarmuid foi um dos mais hábeis e valorosos guerreiros da tribo Fianna. Conta-se que em uma determinada batalha, ele foi capaz de matar sozinho mais de 3000 inimigos, salvando Fionn mac Cumhaill (líder da tribo Fianna) e o restante da tribo. Ele é mais conhecido por sua história amorosa com Gráinne, prometida de Fionn.

Armas lendárias

Diarmuid possuía uma espada mortal chamada Móralltach ou Nóralltach ("A grande fúria"), dada a ele por seu pai adotivo Angus, que por sua vez havia recebido do deus do mar Manannán mac Lir. Angus também lhe deu outra espada, chamada Beagalltach ("A pequena fúria"). Além dessas duas espadas, Diarmuid também possuía duas lanças, chamadas Gae Buidhe ("Lança Amarela") e Gae Dearg ("Lança Vermelha"), que causavam feridas que não podiam ser curadas. Diarmuid costumava usar Gae Dearg e Moralltach em batalhas que eram questões de vida e morte, e Gae Buidhe e Beagalltach em batalhas de menor importância.





Lendas 

A Maldição Mortal

Antes de Diarmuid nascer, Donn (seu pai biológico) havia matado o filho de sua esposa com seu amante, Roc, mordomo de Angus Og. Angus ressuscitou o filho de Roc sob a forma de um javali, mas Roc exigiu que Fionn mac Cumhaill intervisse no caso e descobrisse a verdade. Após descobrir que o pai biológico de Diarmuid era o assassino de seu filho, o servo de Angus lançou uma maldição sobre Donn: seu filho (Diarmuid) seria morto no futuro pelo seu filho-javali.

A "Mancha do Amor" de Diarmuid

Diarmuid era famoso por sua beleza e por sua "mancha do amor", uma pinta em seu rosto que o tornava irresistível as mulheres. Durante uma caçada noturna, Diarmuid conheceu uma misteriosa mulher que era a personificação da juventude. Após dormir com ele, a mulher colocou sobre ele uma maldição sob a forma de uma pinta em sua testa. Daquele dia em diante, qualquer mulher que olhasse para ele se apaixonava de imediato. Alguns contos descrevem Diarmuid escondendo essa pinta sob franjas ou cobrindo-a de alguma outra forma, para que ele pudesse continuar tendo uma vida normal sem impedimentos por desejos de mulheres.


A Mulher Repugnante

Em uma noite fria de inverno, uma mulher com uma aparência repugnante entrou no alojamento dos Fianna, onde todos haviam acabado de ir dormir após uma expedição de caça. Toda suja e encharcada, a mulher se ajoelhou ao lado de cada um dos guerreiros e pediu um cobertor, começando por Fionn. Todos se recusaram a ceder um cobertor a mulher, exceto o jovem Diarmuid. Como o seu leito era o mais próximo da lareira, ele teve pena da mulher e cedeu-lhe não só o seu cobertor, como a sua cama também. Ela notou a mancha do amor de Diarmuid e disse-lhe que ela tinha vagado o mundo sozinho durante sete anos. Diarmuid disse que ela poderia dormir a noite toda e ele iria protegê-la. 

Durante a madrugada, a mulher se transformou em uma bela jovem, e ao amanhecer, recompensou a bondade de Diarmuid, oferecendo-lhe o que ele mais desejava: uma casa com vista para o mar. Muito feliz, Diarmuid pediu para que a mulher vivesse com ele. Ela concordou com uma condição: ele deveria prometer que nunca mencionaria como ela aparentava ser feia na noite em que se encontraram. Após três dias juntos, Diarmuid começou a ficar inquieto. Ele decidiu sair para caçar, e a mulher se ofereceu para tomar conta de seu cão cinza e seus filhotes. Em três ocasiões diferentes, amigos de Diarmuid, invejosos de sua sorte, visitaram sua casa enquanto ele não estava e e pediram a mulher um dos filhotes. Em cada uma das vezes, ela honrou o pedido, e a cada vez que chegava e via que faltava um filhote, Diarmuid ficava com raiva e lhe perguntava como ela poderia ser tão mesquinha com ele, se ele ignorou o quanto ela era feia quando se conheceram. Na terceira vez em que ele mencionou o fato, a mulher e a casa desapareceram e o seu amado cão cinza morreu.


Percebendo que sua ingratidão o levou a perder tudo o que valorizava, Diarmuid partiu à procura de sua mulher. Ele usou um navio encantado para atravessar um mar tempestuoso em direção ao Outro Mundo, onde ele a procurou através dos prados ocupados por cavalos brilhantemente coloridos e por árvores de prata. Enquanto procurava, em três ocasiões ele viu uma gota de sangue, e ele as reuniu em seu lenço. Quando um estranho lhe revelou que a filha gravemente doente do rei tinha acabado de voltar depois de sete anos, Diarmuid percebeu que devia ser sua mulher. Apressando-se para estar novamente ao lado dela, ele descobriu que ela estava morrendo. As três gotas de sangue coletadas por Diarmuid eram de seu coração, e eram derramadas cada vez que ela pensava em Diarmuid. A única cura para a sua doença era uma taça de água de cura da Planície da Maravilha, guardada por um rei ciumento e seu exército. Diarmuid prometeu trazer de volta a taça e curar sua mulher. 

Em um rio intransponível, Diarmuid foi ajudado pelo "Homem Vermelho de Todo o Conhecimento", que tinha cabelo vermelho e olhos como brasas. Ele ajudou a Diarmuid a atravessar o rio e guiou-o ao rei do país da taça de cura. Diarmuid gritou que a taça deve ser trazida para fora do castelo do rei, para ele, ou então que campeões fossem trazidos para lutar com ele. Duas vezes oitocentos homens de combate foram enviados para fora, e em três horas não havia sobrado nenhum para se opor a ele. Em seguida, duas vezes novecentos lutadores melhores foram enviados contra ele, e dentro de quatro horas não havia sobrado nenhum deles. O rei deu-lhe a taça de cura. Na viagem de volta, o Homem Vermelho aconselhou Diarmuid sobre como curar a sua dama. Ele também alertou o herói que, quando a doença dela terminasse, o amor de Diarmuid para ela iria acabar também. 

Tendo curado sua amada, Diarmuid embarcou sozinho em seu navio encantado e retornou para a tribo dos Fianna, onde ele foi saudado por seus amigos e, para a sua surpresa, por seu cão cinza, que foi trazido de volta à vida por sua ex-mulher, como um último presente seu para ele.

Diarmuid e Gráinne 

A Perseguição de Diarmuid e Gráinne (em irlandês: Tóraigheacht Dhiarmada agus Ghráinne) é uma narrativa irlandesa em prosa que trata de um triângulo amoroso entre o grande guerreiro Fionn mac Cumhaill, a bela princesa Gráinne, e seu amante Diarmuid Ua Duibhne. 

Fionn, muito mais velho do que em suas outras aventuras, teve várias esposas ao longo dos anos. Após a morte de sua última esposa, seu filho Oisín e seus companheiros lhe perguntaram quando ele iria se casar novamente. Diorruing, amigo e atendente de Fionn, sugeriu que a melhor mulher para Fionn seria Gráinne, filha de Cormac Mac Art, o grande rei da Irlanda na época. 

Gráinne achava que iria se casar com o filho de Fionn, Oisín ou o seu neto, Oscar, e não com o já envelhecido Fionn. Desapontada ao descobrir que seu noivo tinha idade suficiente para ser seu avô, ela decidiu não se casar com Fionn, e fugir com um dos campeões dos Fianna. 

Grainne pôs remédio para dormir no vinho dos convidados, exceto nos de Oisín, Oscar, Diarmuid, Cailte e Diorruing. Ela se aproximou de Oisín, que indeferiu o seu pedido, e em seguida, ela se aproximou de Diarmuid. Diarmuid também se opôs aos seus avanços porque Fionn era seu líder e amigo. Grainne então impôs um encantamento em Diarmuid que obrigava ele a seguí-la. Seus amigos ficaram tristes, pois sabiam que Diarmuid morreria se ele ficasse entre Fionn e sua esposa pretendida. Diarmuid deixou o palácio, sabendo que apesar de ser um amigo e seguidor de Fionn, ele iria caçá-lo pela traição.

Ao acordar, Fionn soube do ocorrido e enviou o clã O'Navnan para rastrear o casal fugitivo. Diarmuid e Gráinne cruzaram Ath Luain (Athlone), e esconderam-se na Floresta de Duas Tendas. Oisín, Oscar, Cailte e Diorruing estavam preocupados com o comportamento de Fionn e ajudaram secretamente Diarmuid sempre que podiam.

Na Floresta de Duas Tendas, Diarmuid havia erguido uma cerca em volta dele e Gráinne com sete portas que levam a diferentes direções. Fionn disse a seus seguidores para cercar e capturar Diarmuid. Angus, o pai adotivo e protetor de Diarmuid, queria ajudá-lo, mas Diarmuid insistiu que ele o deixasse por conta própria. Angus levou Gráinne para longe para Floresta de Duas Tendas. Seus amigos se ofereceram para deixar os amantes passarem, mas Diarmuid se recusou a permitir-lhes a comprometer a sua honra ao fazê-lo, e escapou usando sua lança para saltar sobre a cerca. Ele então se encontrou com Angus e Gráinne e, depois de passarem um tempo juntos, os amantes se despediram de Angus e continuaram sua jornada.


Em um certo momento encontraram um jovem chamado Muadan, que os acompanhou. Ele providenciava a comida e os vigiava durante a noite, enquanto se abrigavam em numa caverna. Durante o dia, Diarmuid foi examinar a área e viu três navios de guerreiros se aproximando. Ele perguntou aos três chefes dos guerreiros o que eles tinham ido fazer lá e eles responderam que tinha ido atrás de Diarmuid a pedido de Fionn. Durante quatro dias Diamruid os enganou e matou vários do povo deles com suas façanhas. No quarto dia ele alegou estar protegendo Diarmuid e lutou contra os chefes dos guerreiros, derrotando-os. Voltou então para junto de Gráinne e Muadan e eles continuaram partiram do local. Os guerreiros, após serem informados que o homem com quem haviam estado era Diarmuid, partiram em perseguição e foram massacrados por Diarmuid. Após esse combate, Muadan partiu e o casal seguiu para a Floresta de Dubros.

Fionn recebeu notícias do massacre e se dirigiu ao local com os Fianna. Enquanto faziam os ritos funerários dos guerreiros, chegaram até até ele dois jovens que queriam fazer as pazes com ele e conseguirem os lugares de seus pais entre os Fianna. Fionn disse que só aceitaria se eles lhe trouxessem a cabeça de Diarmuid ou um punhado das bagas mágicas da sorveira da Floresta do Dubros que poderia restaurar a juventude de uma pessoa idosa, guardadas pelo gigante Searbhan sobre as instruções do Tuatha Dé Danan. Os dois jovens, contrariando as orientações de Oisín, foram atrás de Diarmuid. Eles o encontraram na floresta e contaram que tinham ido atrás dele ou das bagas da sorveira. Diarmuid disse que não seria fácil conseguir nenhum dos dois e lutou com os jovens, deixando-os amarrados. Gráinne ouviu sobre as bagas e ficou com desejo por elas e exigiu que Diarmuid as conseguisse para ela. Ele foi então atrás do Searbhan e rompeu seu acordo de pudessem viver e caçar na floresta com a condição de que não comesse das bagas, matando com sua própria clava. Ele entregou as bagas a Gráinne e aos dois jovens para que levassem a Fionn e dissessem que haviam sido eles os que mataram o gigante.

Fionn não acreditou nos jovens, reuniu os Fianna e viajou para a floresta onde ele armou um tabuleiro de fidchell, e jogou com seu filho Oisín. Oscar e Cailte assistiam Oisín no jogo, uma vez que ninguém, exceto Diarmuid era páreo para Fionn neste jogo. Diarmuid assistiu ao jogo de cima, e não pode resistir a auxiliar Oisín no jogo, atirando bagas sobre as peças que deviam ser movidas. Fionn perdeu três partidas consecutivas para seu filho. Fionn percebeu que o casal estava se escondendo na árvore e ordenou seus homens para matar seu rival. Diarmuid matou sete guerreiros chamados Garbh. Oscar, o neto de Fionn, advertiu que qualquer um que prejudicasse Diarmuid iria enfrentar sua ira, e escoltou o casal a uma distância segura da floresta, para junto de Aengus.

Fionn foi até a Terra da Promessa pedir para sua velha ama Bodhmall matar Diarmuid. Diarmuid estava caçando na floresta ao lado do rio Boyne e Bodhmall voou pelo ar montada em um nenúfar voador e lançou contra Diarmud dardos envenenados, que foram capazes de penetrar seu escudo e sua armadura. Diarmuid, mesmo sofrendo dores agoniantes no local onde dardos o feriram, matou Bodhmall usando a sua lança Gae Derg.

Após a intercessão de Angus Óg, Fionn perdoou o casal. Diarmuid e Gráinne viveram em paz em Ceis Chorainn em Sligo por vários anos. Eles tiveram cinco filhos, quatro filhos e uma filha. Diarmuid construiu uma fortaleza, Rath Gráinia. No entanto, eles ficaram durante anos sem visitar o pai de Grainne, Cormac Mac Art e antigos companheiros de Diarmuid. Gráinne convenceu Diarmuid a convidar seus amigos e parentes para uma festa, incluindo Fionn e os Fianna. Fionn atraiu Diarmuid a uma caça ao javali na charneca de Benn Gulbain; Diarmuid só levou sua espada curta Beagalltach e sua lança amarela Gáe Buide, não suas melhores armas. Ele foi ferido pelo javali gigante que já havia matado um número de homens e cães.


A água bebida das mãos de Fionn tinha o poder de cura. Agonizando, Diarmuid relembrou várias de sua aventuras nas quais ajudou Fionn e os Fianna, na tentativa de convencer Fionn a lhe dar um gole, mas quando Fionn recolheu água, por duas vezes deixou-a escorrer por entre os dedos antes que ele pudesse trazê-la para Diarmuid beber. Ameaçado por seu filho Oisín e seu neto Oscar, Fionn foi buscar água uma terceira vez, mas desta vez era tarde demais: Diarmuid já estava morto.

Após a morte de Diarmuid, Angus levou o seu corpo para o Vale do Boyne, onde ele soprava-lhe fôlego de vida sempre que queria falar com o herói. 

Tóraigheacht Dhiarmada agus Ghráinne tem sido muitas vezes comparado com o triângulo anterior amor entre Deirdre, Noísi e o rei Conchobar de Ulster, Longes mac nUislenn (O Exílio dos Filhos de Uisliu), que faz parte do Ciclo de Ulster. 

Diarmuid Ua Duibhne é dito ser o fundador do clã escocês Campbell. O símbolo do clã Campbell é uma cabeça de javali, uma referência ao geis e a morte de Diarmuid.



fontes:

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4 comentários:

  1. Parabéns pela ótima postagem!!! Já faz um tempo que eu acompanho o blog e não tenho do que reclamar, todas as postagem são incríveis, parabéns a todos, e um parabéns em especial para quem fez essa postagem, se superou.

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    1. Muito obrigado, esta postagem foi bem difícil de fazer, e demorou muito tempo pra ficar pronta.

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