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22 de janeiro de 2018

Datsueba & Keneō

۞ ADM Sleipnir

Arte de Matthew Meyer

Datsueba 
(japonês 奪衣婆, literalmente "Velha que rouba roupas") e seu consorte Keneō (japonês 懸衣翁; literalmente "Velho que suspende roupas") são um terrível par de Onis (demônios) que, de acordo com a mitologia budista, guardam a ponte e as margens do rio Sanzurio este que separa o mundo dos vivos do submundo (Meido). 
Todas as almas passam por eles antes de se mudarem para o Meido para serem julgadas.

Tradicionalmente, quando uma pessoa morre, acredita-se que sua alma pode atravessar o rio Sanzu em três pontos diferentes, dependendo de sua experiência de vida. As almas de pessoas inocentes atravessam uma ponte sobre o rio, pessoas com pecados mais leves enfrentam as corredeiras do rio e pessoas carregadas de pecados graves devem atravessar a parte mais funda do rio, onde há ninhos de serpentes.


Após atravessar o rio, cada alma encontra Datsueba, que recolhe delas o pedágio (em funerais tradicionais japoneses, o morto é enterrado com seis moedas para poder pagar sua travessia) e também suas roupas. Datsueba entrega as roupas ao seu parceiro, Keneō, que as pendura em uma árvore à beira do rio. Quanto mais baixo o ramo da árvore dobra com o peso da roupa, maior o pecado da alma, e maior a punição que ela receberá. Se uma alma chega até eles sem roupas, Datsueba esfola sua pele e Keneō a pendura na árvore em vez disso. A partir deste ponto, Datsueba e Keneō torturam as almas pecadoras das mais variadas formas, como por exemplo, quebrar os dedos dos culpados de roubo.

Eles também perambulam pelas margens do rio, atormentando as almas de crianças, que não podem atravessar o rio pois não acumularam boas ações o suficiente e também causaram sofrimento a seus pais. Datsueba as instrui a construírem uma pilha de pedras, através da qual elas poderão subir e alcançar o paraíso. No entanto, antes que a pilha atinja uma altura significativa, Datsueba e Keneō a derruba. A única forma dessas almas deixarem a margem do rio e seguirem seu caminho é por meio da intercessão de Jizō Bosatsu, a deidade guardiã das crianças. 


De acordo com alguns contos, Datsueba é a esposa do rei Enma. Durante o período Edo, ela se tornou um objeto popular de adoração popular, e templos dedicados a ela começaram a surgir em torno do Japão. Orações e encantamentos dedicados a Datsueba foram utilizados como defesas contra doenças e tosses, em particular as infantis.



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