21 de julho de 2022

Furcas

۞ ADM Sleipnir

Arte de numero-7

Furcas (ou Fureasé de acordo com a demonologia um cavaleiro do inferno, possuindo vinte legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é o 50º dentre os 72 espíritos de Salomão. Ele normalmente costuma ser confundido e misturado com outro espírito goetiano, Foras.

Quando invocado, Furcas aparece diante de seu invocador na forma de um homem velho com uma longa barba e uma cabeça grisalha, montado em um cavalo de cor pálida e empunhando uma arma afiada. Sua especialidade é ensinar perfeitamente as artes da filosofia, astrologia, retórica, lógica, quiromancia e piromancia.

Selo de Furcas

Cultura Popular
  • No mangá e anime Beelzebub, há um personagem chamado Furcas Rachmaninoff. Ele é um médico imperial altamente qualificado da família real dos demônios;
  • No mangá e anime Mairimashita! Iruma-kun, Furcas é o nome de uma professora da Escola de Demônios Babyls.



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20 de julho de 2022

Pisadeira

۞ ADM Sleipnir

Arte de Francisco Andrade

A Pisadeira (ou Pesadeira) é uma criatura presente no folclore brasileiro, considerada a personificação do pesadelo e associada ao distúrbio conhecido como paralisia do sono. Sua lenda teria sido originária de Portugal, onde detém certa semelhança com o duende conhecido como Fradinho da Mão FuradaNo Brasil, tornou-se popular principalmente no estado de São Paulo e nos arredores de Minas Gerais. 

Ela é geralmente descrita como tendo o aspecto de uma bruxa medonha, aparentando ser uma velha muito magra e de cabelo desgrenhado, pernas curtas e possuindo um enorme nariz. Seus dedos e unhas são compridos e seus olhos descritos como sendo arregalados e de cor vermelho fogo. Seu queixo é revirado para cima e sua boca está sempre escancarada, com horrorosos dentes esverdeados à mostra. 

Arte de Everton (wakwhan)

De acordo com o folclore, a Pisadeira ronda sob os telhados das casas durante a noite, observando o movimento dentro delas e atacando sempre que vê uma oportunidade. Geralmente, o seu ataque ocorre após o jantar, quando sua vítima vai dormir de barriga cheia. Conseguindo uma brecha, a Pisadeira entrará na casa sem ser vista por nenhum morador, e irá até o quarto do seu alvo. Lá, ela sobe em cima da cama e pisa no peito do mesmo, deixando-o em um estado de paralisia. Enquanto o ataque ocorre, a vítima consegue acompanhar e ver tudo o que ocorre de forma consciente, porém totalmente impotente para gritar por socorro ou reagir fisicamente.

Apesar de sua aparência frágil e esquelética, a Pisadeira apresenta um peso descomunal, assim como uma força muito grande para alguém de seu porte físico. Relatos de pessoas que alegaram terem sido atacadas por ela afirmaram não terem visto nada, sentindo somente sua presença e seu peso sobre elas. Outros relataram terem sentido e visto a Pisadeira em toda a sua feiura característica. Alguns contam ainda que enquanto a Pisadeira os asfixiava, ela costumava emitir enormes gargalhadas de prazer, que para o pavor das vítimas, somente elas podiam escutá-la. As demais pessoas da casa não escutam nada, exceto o grito de desespero da vítima quando a Pisadeira cessa o seu ataque.

Arte de Douglas Nogueira (o Reticolo)

O tempo de duração do ataque da Pisadeira costuma variar bastante, de poucos segundos a alguns minutos, e em alguns casos até mesmo horas. Existem inclusive mortes de pessoas ocorridas enquanto estavam dormindo que foram associadas à ataques da Pisadeira. Tais pessoas teriam morrido afogadas com o próprio vômito, após terem seus estômagos cheios de comida pressionados fortemente pela criatura.

Mesmo aqueles que conseguiram se desvencilhar do seu ataque assustador não podem baixar a guarda nunca, já que ela se alimenta do medo deles. Portanto, a chance de ocorrer um segundo ataque é alta.

Arte de Gustavo Rinaldi


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19 de julho de 2022

Gata Carogna

۞ ADM Sleipnir

Arte de Alessandro Russo


A Gata Carogna é uma monstruosa criatura felina pertencente ao folclore da região italiana da Lombardia, mais precisamente das províncias de Bérgamo e Cremona. Descrita como um enorme gato vermelho com pelos desgrenhados e um olhar raivoso, dizem que a Gata Carogna ataca crianças e rouba suas almas, sendo portanto considerada uma espécie de bogeyman (bicho papão).

Curiosamente, a região possui outras criaturas análogas a ela, como o Gatto Mammone e o Gigàt, que também são conhecidas por atacar pessoas que vagam sozinhas pelas ruas.

fontes:

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18 de julho de 2022

Pincoya

۞ ADM Sleipnir

Arte de Feig

Pincoya (ou La Pincoya) é um espírito feminino das águas pertencente à mitologia chilota. Ela é descrita como uma mulher jovem de beleza incomparável, possuindo cabelos dourados e surgindo praticamente nua em meio ao mar, tendo seu corpo coberto apenas por algas. Ela é filha de Millalobo, o governante dos mares e Huenchulaum jovem que certo dia foi sequestrada por ele e levada ao seu reino marinho, posteriormente tornando-se a guardiã da fecundidade do oceano. Juntamente com sua irmã, a Sirena Chilota (uma sereia encarregada de cuidar de todos os peixes) e seu irmão (e marido) Pincoy, a Pincoya ajuda a transportar as almas dos marinheiros mortos para o navio fantasma Caleuche, onde os mesmos retornam à vida e se tornam seus eternos tripulantes.

A Pincoya é também um ser que personifica a fertilidade do mar. Dizem as lendas que ela costuma aparecer nas regiões costeiras de Chiloé, e nessas ocasiões ela executa uma espécie de dança ritualística, embalada por uma bela e estranha canção cantada por Pincoy. Se ela executar essa dança virada de frente para o mar, o mesmo proverá aos pescadores uma abundância de peixes, mas caso ela dance virada para a terra firme, haverá escassez dos mesmos.

Arte de Chris Vares

Mitos

O Sequestro de Huenchula

Huenchula era um jovem pertencente ao povo huilliche, nascida da união de uma machi chamada Huenchur e um lenhador. Sua família vivia na costa do Pacífico da Ilha Grande de Chiloé, em um lugar localizado entre o lago Huelde e o lago Cucao, e ela em particular era reconhecida nos arredores por sua beleza. 

Como parte de suas tarefas domésticas, Huenchula tinha que buscar água todos os dias no lago Huelde. Um dia, ao voltar de seus afazeres, ela disse à mãe que não gostava de ir até o lago buscar água, não pelo esforço que ela tinha que fazer, mas por medo de alguém que todos os dias a observava enquanto o fazia. Ela descreveu esse alguém como sendo uma espécie de homem com forma ou feições de um leão marinho, e que o mesmo costumava contemplá-la das águas.

Sua mãe então alertou-a para não olhasse diretamente para a água do lago, pois ela poderia não ver mais seu reflexo, e sim o Millalobo, que tomaria seu reflexo como disfarce para continuar observando-a sem ser notado. Huenchur também lhe alertou que caso ela seguisse seu conselho, não teria o que temer, pois o Millalobo não costuma pisar em terra firme (fazê-lo lhe provocava tremores terríveis em seu corpo, como se ele sentisse muito frio). Apesar dos conselhos da mãe, Huenchula acabou olhando seu reflexo nas águas, e então acabou sendo seduzida pelo Millalobo.

Certo dia, Huenchula saiu para buscar água como fazia todos os dias, porém desta vez ela não retornou. Preocupada, Huenchur  foi até o lago procurá-la, mas apenas conseguiu encontrar abandonado o recipiente que sua filha usava para pegar água. Supondo que Huenchula havia sido de fato sequestrada pelo Millalobo, a mulher começou a chorar, pois tinha certeza de que jamais veria a filha novamente.

Arte de totto.art

O Nascimento de Pincoya

Após um ano, Huenchula retornou à casa de sua mãe carregando em seus braços um embrulho que aparentava se tratar de uma criança, embora não fosse possível ver o que havia dentro dele. Ela cumprimentou a mãe com naturalidade, como se ela nunca tivesse se separado dela e então lhe contou que havia se casado com um peixe. Huenchula também lhe disse que tinha convidados para o jantar, os quais eram pessoas muito importantes e amigos de seu marido, e que sairia para recebê-los. Ela então pediu à mãe que embelezasse a casa para eles, e também pediu que cuidasse do embrulho que ela trouxe consigo, mas avisando-lhe para que não o abrisse sob nenhum motivo enquanto ela estivesse fora.

No entanto, Huenchur não resistiu à curiosidade e desembrulhou o embrulho, na esperança de encontrar a neta dentro. Para o seu espanto, o que ela encontrou foi apenas uma poça de água, enquanto avistou uma pequena forma luminosa que emitia um um som similar a um apito sair da casa. Alertada pelo som, Huenchula voltou para casa e repreendeu sua mãe por não ter sido paciente, e dizendo-lhe que ela havia perdido a oportunidade de conhecer sua neta. Insatisfeitos, os convidados de Huenchula também se foram, e ela se foi junto com eles, para nunca mais voltar.

Ao chegar ao mar, Huenchula foi chorando até seu marido, o Millalobo, e contou-lhe o que havia acontecido. Millalobo então a tranquilizou dizendo para que ela parasse de chorar, pois sua filha não estava morta. Logo depois de dizer isso, uma bela jovem chamada Pincoya surgiu. Muito feliz, Huenchula se uniu ao marido e a filha, e assim todos passaram a viver no palácio que Millalobo tem no fundo do mar. Com o passar dos anos, Huenchula e Millalobo teriam mais dois filhos: o Pincoy e a Sereia Chilota.

Arte de Sol Devia
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15 de julho de 2022

Tunda

۞ ADM Sleipnir

Arte de octaviogfx

A Tunda (La Tunda em espanhol) é uma perigosa e perversa criatura das florestas, pertencente ao folclore da região costeira do Pacífico colombiana (em particular, na comunidade afro-americana do departamento de Chocó) e também do Equador. De acordo com as lendas, ela atrai pessoas para dentro das florestas e as mantém em cativeiro enquanto se alimenta continuamente de seu sangue.

Uma entidade metamórfica, a Tunda assemelhasse normalmente a uma mulher humana bastante feia, com um molinillo (um utensílio doméstico, mais especificamente uma espécie de batedor) no lugar de uma das pernas. Para atrair suas vítimas, ela primeiramente assume uma forma mais agradável para elas, como uma pessoa conhecida ou amada, ou ainda a forma de uma bela e sedutora mulher. Depois, as convence a acompanha-la até a floresta, onde acabam sendo capturadas e presas. Uma vez em seu cativeiro, suas vítimas são mantidas vivas e alimentadas com camarões, dieta essa que com o tempo vão deixando-as menos agitadas e mais dóceis, processo esse conhecido como entundamiento. Os "entundados" aprendem a amar a Tunda e rejeitar os seres humanos. Enquanto isso, a Tunda se alimenta de seu sangue sem qualquer reação por parte deles.


Dizem que a metamorfose da Tunda não é perfeita, já que embora ela consiga imitar a aparência e até a voz das pessoas, ela não consegue transformar o molinillo que possui no lugar de uma das pernas. Assim, perceber esse detalhe pode fazer com que a pessoa consiga rejeitar seu convite e fugir dela enquanto há tempo. Outra tática que evita a abordagem da Tunda é andar acompanhado de um cão. No caso de alguém que já está entundado, para reverter o processo é preciso realizar um ritual onde tocam-se bombos e cununos, ministram-se algumas ervas e rezas. Durante todo o processo, o padrinho e a madrinha do entundado deve estar presente para que o ritual surta efeito.


fontes:
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14 de julho de 2022

Amy

 ۞ ADM Sleipnir


Amy (ou Avnas) é de acordo com a demonologia um anjo caído, anteriormente pertencente à ordem das Potestades, e agora ranqueado como um grande presidente do inferno, possuindo trinta e seis legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é o 58º dentre os 72 espíritos de Salomão. 

Quando invocado, Amy aparece diante de seu invocador inicialmente como uma chama flamejante, assumindo depois a forma de um homem. Ele possui perfeito conhecimento das ciências liberais e da astrologia. Ele também concede excelentes familiares e revela a localização de tesouros escondidos guardados por outros espíritos.

Selo de Amy

Cultura Popular
  • Assim como outros espíritos goetianos, Amy aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei;
  • No mangá e anime Mairimashita! Iruma-kun, Amy Kirio é um ex-aluno do terceiro ano da Escola de Demônios Babyls e ex-representante dos Batalhadores de Aparatos Mágicos. Enquanto sua classificação de demônio é Beth (2) e ele é considerado um demônio fisicamente e magicamente fraco, ele foi o cérebro por trás do ataque durante a Festa de Batalhadores e o principal antagonista desse arco.
Arte de Jim Pavelec



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13 de julho de 2022

A Baleia Adormecida de Valença-PI

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

A lenda da Baleia Adormecida, também conhecida como a Baleia Azul, é uma lenda famosa presente na cidade de Valença, no Piauí. A lenda fala sobre uma baleia gigante dos tempos da Arca de Noé, que nadou mundo afora até chegar na região onde hoje fica a cidade de Valença. Cansada de tanto nadar e com muita sede, a baleia bebeu toda água do rio Caatinguinha e depois caiu em num sono profundo, permanecendo adormecida até os tempos atuais. 

O tamanho da baleia adormecida impressiona, pois segundo as histórias sua cabeça está localizada debaixo da Igreja de São Benedito, em Valença, enquanto sua cauda repousa abaixo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no município de Aroazes-PI, oque dá uma distância de cerca de 40 km.

Dizem que no dia em que a baleia acordar, ela irá expelir toda a água que ingeriu do rio Caatinguinha, e com isso toda a cidade será inundada. Alguns afirmam que, ao se aproximar da igreja, às vezes sentem tremores (que seriam da baleia se remexendo por se sentir incomodada com algo) e dizem que, às seis da tarde, no silêncio, no altar, pode-se escutar o coração da baleia, bem como o movimento das águas subterrâneas.

Outras baleias adormecidas

A lenda da baleia adormecida em Valença, embora seja a mais famosa, não é a única do estado, possuindo variações em outros municípios do mesmo. Em Amarante, uma baleia teria ido parar embaixo da igreja matriz da cidade ao sair do mar e descer o Rio Parnaíba durante uma enchente em tempos passados.

No município de Oeiras-PI, atribui-se as constantes rachaduras na igreja aos movimentos de uma baleia que habitaria o subterrâneo da igreja de Nossa Senhora da Conceição. Em Pedro II, também conta-se sobre uma baleia que no fim dos tempos aflorará no altar da igreja, vinda de Parnaíba.

Contam que em Picos existe uma baleia sob a Igrejinha do Sagrado Coração de Jesus. A lenda da baleia existiria, ainda, em Cristino Castro-PI. O mesmo ouvi falar em Campo Maior. Alguns dizem que o terremoto ocorrido em janeiro de 2017 em Teresina, teria sido obra de uma baleia se mexendo embaixo da igreja São Benedito.

Arte de Douglas Viana

fontes:


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12 de julho de 2022

A Pedra Filosofal

۞ ADM Sleipnir

Arte de rzanchetin

A Pedra Filosofal é uma substância lendária, supostamente capaz de transformar metais baratos em ouro ou prata. Acreditava-se também que ela era um elixir da vida, útil para obter o rejuvenescimento, curar doenças e possivelmente, alcançar a imortalidade. Outras propriedades mencionadas incluem ainda: a criação de lâmpadas de queima perpétua, a transmutação de cristais comuns em pedras preciosas e diamantes, reviver plantas mortas, a criação de vidro flexível ou maleável e a criação de um clone ou homúnculo. Durante muito tempo, sua criação foi o objetivo mais almejado pela alquimia ocidental. Do ponto de vista da alquimia espiritual, criar a pedra filosofal traria iluminação sobre o seu fabricante e concluiria a "Grande Obra"

Arte de q2jacek

A Pedra Filosofal também é conhecida por vários nomes, tais como "Matéria Prima", "a Pedra Branca Junto ao Rio", "a Espada na Pedra", “Tintura” ou “o Pó”, dentre muitos outros. Suas descrições também são numerosas e variadas. De acordo com os textos alquímicos, a pedra  vinha em duas variedades, preparadas por um método quase idêntico: branca (para fazer prata) e vermelha (para fazer ouro), sendo a pedra branca uma versão menos amadurecida da pedra vermelha. Alguns textos alquímicos antigos e medievais deixam pistas sobre a aparência física da Pedra Filosofal, especificamente a pedra vermelha. Costuma-se dizer que é laranja (cor de açafrão) ou vermelha quando moído em pó. Ou em forma sólida, um intermediário entre vermelho e roxo, transparente e vítreo. O peso é referido como sendo mais pesado que o ouro, e é solúvel em qualquer líquido e incombustível no fogo. 

Origens

A menção escrita mais antiga conhecida da Pedra Filosofal está em um dos livros mais antigos sobre alquimia, o Cheirokmeta, escrito por Zósimo de Panópolis (c. 300 d.C.). Outros escritores alquímicos porém atribuem a ela uma história mais longa. Elias Ashmole e o autor anônimo de Gloria Mundi (1620) afirmam que a origem da Pedra Filosofal remonta a Adão, que adquiriu o conhecimento da mesma diretamente de Deus. Dizia-se que esse conhecimento era transmitido pelos patriarcas bíblicos, e era o que lhes conferia longevidade. A lenda da pedra também foi comparada com a história bíblica do Templo de Salomão e a pedra angular rejeitada descrita no Salmo 118.

As raízes teóricas que delineiam a criação da pedra podem ser atribuídas à filosofia grega. Os alquimistas mais tarde usaram os elementos clássicos, o conceito de anima mundi e as histórias da Criação apresentadas em textos como o Timeu de Platão como analogias para seu processo. Segundo Platão, os quatro elementos são derivados de uma fonte comum ou prima materia (primeira matéria), associada ao caos. Matéria prima é também o nome que os alquimistas atribuem ao ingrediente inicial para a criação da pedra filosofal. A importância desta primeira questão filosófica persistiu ao longo da história da alquimia. No século XVII, Thomas Vaughan escreve, "a primeira matéria da pedra é a mesma que a primeira matéria de todas as coisas"

Arte de Incantata Art

Transmutação de metais 

O conceito da transmutação de metais aparentemente se originou das teorias do alquimista muçulmano do século VIII Jabir ibn Hayyan (latinizado como Geber). Ele analisou cada elemento aristotélico em termos de quatro qualidades básicas de calor, frio, secura e umidade. Assim, o fogo era quente e seco, a terra fria e seca, a água fria e úmida e o ar quente e úmido. Ele ainda teorizou que todo metal era uma combinação desses quatro princípios, dois deles interiores e dois exteriores.

A partir dessa premissa, foi fundamentado que a transmutação de um metal em outro poderia ser efetuada pelo rearranjo de suas qualidades básicas. Presumia-se que esta mudança poderia ser mediada por uma substância, que veio a ser chamada de al-Iksir em árabe (de onde vem o termo ocidental "elixir"). Essa substância foi muitas vezes imaginada como um pó seco, feito a partir de uma pedra mítica - a "pedra filosofal". Acreditava-se que a pedra seria composta por um elemento mítico chamado carmot

A teoria de Geber e o conceito de pedra filosofal podem ter sido inspirados pelo conhecimento de que metais como ouro e prata poderiam estar escondidos em ligas e minérios, dos quais poderiam ser recuperados através do tratamento químico adequado. Acredita-se ainda que o próprio Geber tenha sido o inventor da água régia (uma mistura de ácidos muriático e nítrico), que é uma das poucas substâncias que podem dissolver ouro (e ainda é frequentemente usada para recuperação e purificação de ouro).

No século XIII, o cientista e filósofo Albertus Magnus teria descoberto a pedra filosofal. Magnus não confirma que descobriu a pedra em seus escritos, mas registrou que testemunhou a criação de ouro por "transmutação". 


A pedra como uma metáfora espiritual 

A Alquimia sempre fez uso extensivo de analogias e simbolismos para relacionar conceitos químicos e físicos com os esotéricos e místicos. Em algumas épocas e contextos, estes aspectos metafísicos eram predominantes, e os processos químicos eram então vistos como meros símbolos de processos espirituais. 

Neste lado hermético da alquimia, imaginava-se que a pedra filosofal fosse a mais tangível e densa cristalização ou condensação de uma substância sutil, tornando-se uma metáfora para um potencial oculto do espírito e o meio para evoluí-lo de um estado inferior de imperfeição e vício (simbolizada pelos metais de base) para um estado mais elevado de iluminação e perfeição (simbolizado pelo ouro). Nesta visão, a elevação espiritual, a transmutação dos metais, e a purificação e rejuvenescimento do corpo eram vistos como manifestações de um mesmo conceito. 

O renascimento místico no final do século XX renovou o interesse público sobre alquimia e, particularmente, sobre a concepção metafísica e filosófica da pedra filosofal - que agora é subscrita por muitas pessoas, especialmente dentro de vários movimentos da Nova Era. 

Arte de Alex Boyarchenko

Pedra Filosofal e a ciência moderna 

Embora a noção de uma simples pedra filosofal do sentido alquímico tenha caído fora da concepção científica pelo menos desde o século XIX, suas metáforas e imagens persistiram  na tentativa do homem de descobrir o segredo essencial do universo, transformando não apenas chumbo em ouro, mas morte em vida. 

Em 1901, os químicos Ernest Rutherford e Frederick Soddy descobriram que a radioatividade era uma manifestação de mudanças fundamentais dentro elementos, e foi Soddy que rapidamente fez a conexão entre esse fato e a antiga busca pela pedra filosofal (Soddy havia estudado alquimia extensivamente como um hobby). Durante um experimento, Soddy percebeu que seu tório radioativo estava se convertendo em rádio, pouco a pouco, quando teria gritado: "Rutherford, isso é transmutação!", ao que Rutherford retrucou: "Pelo amor de Deus, Soddy, não chame isso de transmutação. Eles vão arrancar nossas cabeças como alquimistas." No entanto, o termo pegou, em parte porque atraiu as novas descobertas da física nuclear para uma longa teia cultural e mística.

Quando se descobriu que a radioatividade também explorava uma fonte latente de energia ligada aos átomos, isso promoveu o pensamento de que o decaimento radioativo poderia ser a pedra filosofal definitiva. Mais tarde, a descoberta da fissão nuclear se tornaria conscientemente conectada à mesma narrativa, especialmente com esperanças otimistas de energia "barata demais para medir" e grandes cidades utópicas do futuro movidas a energia nuclear.

Soddy (esq) e Rutherford (dir)

Cultura Popular

A Pedra Filosofal tem sido tema, inspiração ou enredo de inúmeras obras artísticas – romances, histórias em quadrinhos, filmes, animações e até composições musicais. Também é um item popular em muitos videogames.

Na franquia de livros e filmes Harry Potter, ela foi criada alquimista francês Nicolas Flamel, em algum momento do século XIV ou mais tarde. Flamel usou o Elixir da Vida derivado da pedra para prolongar a vida útil dele e de sua esposa Perenelle por mais de seis séculos. Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, ela foi alvo do vilão Voldemort, que pretendia usá-la para criar um novo corpo para sua alma mutilada, tendo seu objetivo frustrado por Potter e seus amigos.

No anime e mangá Fullmetal Alchemist, a Pedra Filosofal é um poderoso amplificador de transmutação, e sua obtenção é um dos principais objetivos dos irmãos Elric e também dos vilões Homúnculos para realização de seus próprios desejos. Na obra, o ingrediente principal para a criação de uma pedra filosofal são seres humanos em grande quantidade.


fontes:
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