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8 de junho de 2022

Tamba-tajá

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

O mito de origem do Tamba-tajá é um mito amazônico comumente atribuído à tribo indígena Macuxi, e narra a história de um casal indígena que, mesmo após a morte, permaneceria unido. 

Segundo o mito, a muito tempo viveu um forte e inteligente índio guerreiro macuxi, que se apaixonou por uma bela índia de sua tribo. Ela correspondeu aos seus sentimentos, e logo tornaram-se marido e mulher. Os dois se amavam tanto que eram inseparáveis: se ele ia pescar, caçar ou roçar, ela ia junto; se ele ia se banhar, ela também ia para se banharem juntos. Eles viveram felizes por um tempo, até que uma grave doença acometeu a índia e a tornou paralítica. Para não se separar de sua amada, o índio teceu uma tipóia e a usou para carregar a índia em suas costas, podendo assim levá-la para todos os lugares que ele fosse.

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Certo dia, o índio sentiu que sua carga estava mais pesada que o normal e, ao parar um pouco para descansar, percebeu que sua amada esposa havia falecido. Carregando-a uma última vez em seus braços, o triste índio foi até a beira de um igarapé e cavou uma enorme cova. Nela, depositou não só o corpo de sua amada, mas também o seu próprio, pois para ele não havia mais razão para continuar vivendo.

Passadas nove luas, no local onde jazia o casal, surgiu uma planta nunca antes vista até então. Era a Tamba-tajá, uma planta de folhas triangulares, de cor verde escura, e que traz em seu verso uma outra folha de tamanho reduzido, cujo formato se assemelha ao órgão genital feminino. A união das duas folhas simboliza o grande amor existente entre o casal.

Ao Tambá-tajá costumam ser atribuídos poderes místicos, como uma espécie de talismã do amor. Dizem que se em uma determinada casa a planta crescer viçosa com folhas exuberantes, trazendo no seu verso a folha menor, é sinal que ali existe muito amor. Porém, se nas folhas grandes não existirem as pequeninas, é porque não há amor. Ainda, se a planta apresentar mais de uma folhinha em seu verso, acredita-se então que existe infidelidade entre o casal.


Cultura Popular

O maestro Waldemar Henrique (1905-1995) compôs no ano de 1934 uma canção inspirada nesse mito. Essa canção foi gravada posteriormente pela cantora Fafá de Belém em seu álbum de estréia, "Tambá-Tajá" (1976).

"Tamba-Tajá

Me faz feliz

Que meu amor me queira bem...

Que seu amor seja só meu, 

De mais ninguém,

Que seja meu,

Todinho meu,

De mais ninguém...


Tamba-Tajá,

Me faz feliz

Assim o índio carregou sua Macuxi

Para o roçado, para a guerra, para a morte...

Assim carregue o nosso amor a boa sorte...

Tamba-Tajá...


Tamba-Tajá,

Me faz feliz,

Que mais ninguém possa beijar o que beijei,

Que mais ninguém escute aquilo que escutei

Nem possa olhar dentro dos olhos que olhei

Tamba-Tajá..."

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

fontes:

  • https://portalamazonia.com/amazonia-az/letra-l/lenda-da-tamba-taja
  • http://vozativamadrigal.blogspot.com/2008/11/o-compositor-paraense-waldemar-henrique.html
  • http://sacizaldospereres.blogspot.com/2016/03/tamba-taja.html

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