29 de julho de 2026

Monstro da Panela do Candal

۞ ADM Sleipnir

Arte de Arthur Porto Alegre

O Monstro da Panela do Candal é uma criatura lendária do folclore de Bagé, no estado do Rio Grande do Sul. Segundo a tradição popular, trata-se de uma gigantesca cobra que habitaria a Panela do Candal, uma depressão natural situada nas proximidades da atual Catedral de São Sebastião. A lenda faz parte das narrativas sobre a fundação e o desenvolvimento da cidade, atribuindo ao monstro diversos desaparecimentos ocorridos na região.

A lenda

De acordo com a tradição, a criatura vivia originalmente em um grande rio localizado nos cerros de Bagé. Apesar de seu enorme tamanho, era descrita como um animal pacífico, que não atacava pessoas nem outros seres vivos. A narrativa afirma que não possuía dentes nem garras e permanecia quase sempre nas partes mais profundas dos rios, onde seu corpo encontrava espaço suficiente. Quando se movia sob a água, provocava fortes ondulações que faziam o rio parecer estremecer.

A tranquilidade do animal teria chegado ao fim quando passou a ser perseguido pelos soldados do tenente-general Dom Diogo de Sousa. Para escapar da caça, refugiou-se na Panela do Candal, nas proximidades do arroio Bagé, onde escavou um grande túnel subterrâneo para servir de abrigo.

Enquanto isso, o povoado crescia ao redor da região. Com a formação da freguesia, foi construída uma pequena capela dedicada a São Sebastião no local onde mais tarde seria erguida a atual catedral. Segundo a lenda, a expansão da ocupação humana reduziu o espaço disponível para a criatura, dificultando sua permanência em liberdade. Em determinado momento, o monstro teria emergido de seu esconderijo, derrubado as portas da capela e destruído tudo o que encontrou pelo caminho. Durante o confronto com os moradores, um jovem soldado o feriu com uma lança, atingindo um de seus olhos. Ferida, a criatura fugiu e retornou à Panela do Candal.

Após esse episódio, a cobra passou a permanecer quase sempre dentro do túnel, deixando apenas a cabeça para fora da água para respirar. A tradição afirma que, sentindo-se constantemente ameaçada, continuou ampliando a passagem subterrânea para acomodar seu enorme corpo.

Com o passar do tempo, a criatura teria deixado de ser pacífica e começado a atacar pessoas e animais. O primeiro desses ataques teria vitimado uma carroça puxada por dois cavalos e conduzida por um jovem, que desapareceram nas águas sem deixar vestígios. A partir de então, passaram a ser atribuídos ao monstro diversos outros desaparecimentos, entre eles os de uma lavadeira, uma criança de um circo, dois militares, um pescador, tropeiros, além de bois, cavalos, novilhos, vacas e terneiros. A lenda também menciona o desaparecimento de embarcações, carroças e carretas, cujos destroços jamais teriam sido encontrados.

Tradição popular

Segundo a crença popular, o Monstro da Panela do Candal continua vivendo em um extenso túnel sob a Catedral de São Sebastião. A lenda permanece como uma das mais conhecidas tradições folclóricas de Bagé, sendo transmitida entre gerações como parte do patrimônio cultural e do imaginário popular do município.


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