6 de maio de 2016

Tempo do Sonho

۞ ADM Sleipnir


Na mitologia dos povos aborígines australianos, o Tempo do Sonho ou somente O Sonho (TjukurrtjanaAltjeringa ou Alcheringa, em inglês: Dreamtime), é o período da criação, durante o qual o mundo tomou forma e toda a vida teve início. Durante o Tempo do Sonho, seres ancestrais criaram a paisagem, fizeram os primeiros humanos e os ensinaram como viver.

Espíritos do passado, presente e futuro

Os aborígines acreditam que os espíritos dos seres ancestrais que dormem sob o solo emergiram da terra durante o Tempo do Sonho. Enquanto andavam pela terra, estes seres ancestrais assumiram as formas de seres humanos, animais, plantas, estrelas, vento ou chuva. Durante sua jornada, eles criaram as colinas, planícies, e outras formações naturais. Alguns dos seres trouxeram chuva. Alguns criaram as primeiras pessoas, e alguns estabeleceram as leis sob as quais as pessoas vivem.



Quando os seres ancestrais deitavam-se sobre as rochas macias e ainda úmidas, eles muitas vezes deixavam marcadas nelas impressões de si mesmos. Os aborígines acreditam que esses seres ancestrais continuam a viver nos lugares que levam a sua marca. Lá, nas profundezas da terra, eles deixaram várias forças, incluindo "espíritos-criança", que tomam a forma humana por intermédio de um pai e uma mãe humanos na Terra. 

O Tempo do Sonho não terminou no momento da criação, porque os seres ancestrais e os espíritos-crianças são eternos. Quando uma vida termina, o espírito-criança retorna à terra e permanece lá até que ele volte novamente em outra forma humana. Além disso, através da participação em certos rituais, os indivíduos podem encenar novamente a jornada de seus antepassados. Seres ancestrais e seres humanos são, assim, intimamente ligados para sempre.

Histórias do Tempo do Sonho

Diferentes grupos aborígenes contam várias histórias do Tempo do Sonho sobre seus seres ancestrais. Um dos grupos aborígenes do norte da Austrália descreve como um ser ancestral na forma de uma cobra enviou morcegos para os seres humanos comerem durante o Tempo do Sonho. No entanto, os morcegos voavam tão alto que as pessoas não eram capazes de capturá-los. A cobra então arrancou uma de suas próprias costelas para criar o bumerangue. Usando esta arma, as pessoas puderam caçar e comer os morcegos.

Já o povo Aranda, da Austrália Central, conta sobre um grande espírito ancestral lagarto. Eles descrevem como o lagarto criou as primeiras pessoas durante o Tempo do Sonho, e como este lhes deu inúmeras ferramentas para a sobrevivência, como facas de pedra e lanças. Os Aranda, que consideram o lagarto sagrado, acreditam que certos poços e formações rochosas marcam os locais onde o grande lagarto fez o seu trabalho.



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4 de maio de 2016

Papinijuwari

۞ ADM Sleipnir

Papinijuwari, arte do game Guardian Cross

De acordo com a mitologia dos povos aborígines do norte da Austrália (especificamente, o povo Tiwi), os Papinijuwaris são uma raça de ciclopes gigantes que vivem em uma grande cabana localizada "no lugar onde o céu termina". Estrelas cadentes são ditas serem Papinijuwaris à espreita nos céus, carregando uma tocha em uma das mãos e uma clava na outra.

Arte de Traci Shepard

Papinijuwaris são temidos devido a sua dieta peculiar: eles se alimentam dos corpos dos mortos e do sangue de pessoas enfermas. Eles são capazes de localizar pessoas doentes pelo cheiro, e quando encontram uma, se tornam invisíveis e sugam seu sangue sem deixar nenhuma marca ou ferida. À medida que a pessoa doente enfraquece, o Papinijuwari se torna pequeno o suficiente para entrar no corpo da mesma através da boca, e então passa a sugar o resto do sangue dela a partir do interior. 



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2 de maio de 2016

Néftis

۞ ADM Sleipnir



Néftis (Nephthys, Nebthwt, Nebhhwt ou Nebthet, "Senhora da Casa") é uma deusa egípcia associada aos ritos funerários e a morte, e um dos membros da Enéade de Heliópolis. Ela é filha dos deuses Geb e Nut, e irmã de Osíris, Ísis e Seth, que também é seu consorte. 

Néftis era geralmente representada como uma mulher, vestindo um longo vestido e em sua cabeça usa um hieróglifo de seu nome como coroa. Ela também poderia ser descrita como uma mulher de luto, e seu cabelo podia ser comparado com as tiras de pano usados na mumificação. Ela também aparece ocasionalmente como um falcão, um papagaio ou uma deusa alada em seu papel como um protetor dos mortos. Seus principais centros de culto eram Heliópolis (Iunu, no 13º nomo do Baixo Egito), Senu, Hebet, (Behbit), Per-mert, Re-nefert, Het-sekhem, Het-Khas, Ta-kehset, e Diospolites.


Néftis parece ter sido originalmente concebida como a contraparte feminina de Seth. Enquanto ele representava o deserto, ela representava o ar. Seth era infértil e era frequentemente descrito como sendo bissexual ou gay, e por isso, Néftis foi muitas vezes considerada estéril. Como uma deusa do ar, ela poderia assumir a forma de um pássaro, e porque ela era estéril, ela foi associada com o abutre - um pássaro que os egípcios acreditavam não ter filhos. Os egípcios acreditavam que todos os abutres eram do sexo feminino, e que nasciam espontaneamente a partir do ar. Enquanto o cuidado demonstrado por um abutre mãe por seu filho era muito respeitado, os egípcios também reconheciam que urubus se alimentavam de carniça, e os relacionavam com a morte e decadência. Como resultado, Néftis tornou-se uma deusa da morte e do luto.

Carpideiras eram conhecidas como os "falcões de Néftis", em reconhecimento do seu papel como uma deusa de luto. Acreditava-se também que ela protegia Hapi em seu papel como um dos Filhos de Hórus (que guardavam os órgãos armazenados nos quatro vasos de vísceras). Hapi protegia os pulmões, e como uma deusa do ar, Néftis era a sua guardiã. 

Ela também era uma das quatro deusas que guardavam o santuário enterrado com o Faraó. Ela aparece com Ísis, Serket e Neith no santuário dourado de Tutankhamon, mas foi muitas vezes representada ao lado de Ísis, Bastet e Hathor neste papel. Ela ainda foi dita ser a fonte da chuva e do rio Nilo (associando-a com Anuket) e tida também como protetoradas mulheres em trabalho de parto (com a ajuda de sua irmã, Isis). Desta forma, ela era intimamente associada com a morte e a vida.


Embora fosse tecnicamente infértil, mitos posteriores alegam que Néftis era a mãe de Anúbis com Osíris ou Set (dependendo do mito). Isso aconteceu porque a posição de Anúbis como o deus dos mortos foi usurpada por Osíris quando as teologias da Enéade e da Ogdóade foram mescladas. De acordo com um mito, Néftis se disfarçou como Ísis para chamar a atenção de seu negligente marido Seth, mas em vez disso seduziu Osíris (que, aparentemente, não percebeu que ela era na verdade Néftis). Um mito alternativo deixa claro que Néftis teve a intenção de seduzir Osíris desde o início, e drogou seu vinho para tornar sua tarefa mais fácil. 

Néftis e Ísis eram muito próximas, apesar de sua suposta infidelidade com Osíris (consorte de Ísis) e seu casamento com Seth (o assassino de Osíris). Néftis protegeu o corpo de Osíris e ajudou Ísis enquanto ela tentava ressuscitá-lo. As deusas são tão semelhantes na aparência que apenas seus cocares podem distingui-las e elas sempre aparecem juntas em cenas funerárias. Juntas, podia dizer-se que  Ísis e Néftis representam dia e noite, vida e morte, crescimento e decadência. Em Heliópolis, as duas foram representados por duas sacerdotisas virginais que depilavam todos os pelos do corpo e eram ritualmente puras.


Néftis e Ísis - Tumba de Nefertari

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29 de abril de 2016

Macária

۞ ADM Sleipnir

Arte de Neith

Macária (ou Makaria, do grego Μακαρία, "aquela que é abençoada"), segundo a obra bizantina "Suda", é a deusa grega associada à "boa morte". Ela protegia as pessoas que morriam durante o sono, ou então que morriam rindo ou em um grande estado de alegria. O Suda a trata como filha do deus do mundo dos morto, Hades, sem mencionar o nome de sua mãe, que é comumente dita ser a deusa Perséfone.

Macária sentia grande compaixão pelos mortais, especialmente os de bom coração, que viviam uma vida justa. Esses em especial, a deusa não permitia que Tânatos, o deus da morte, levasse, indo pessoalmente buscá-los. Macária tinha a habilidade de caminhar entre os mortais sem ser vista ou percebida, a não ser pelo moribundo. Era representada como uma mulher atraente, de pele branca e cabelos negros e, junto com ela, dizem, vem um perfume de flores da primavera. Ela sempre levava o moribundo com muita gentileza, colocando-o num estado de profunda paz e tranquilidade, algumas vezes, levava-o durante um sono tranquilo. Além disso, Macária nunca abandonava as almas. Depois da morte, acompanhava os ritos funerários, caminhava ao lado do morto até o submundo e ficava com a alma durante o julgamento. Quase sempre, as almas acompanhadas por Macária eram levadas para a Ilha dos Abençoados.

Arte  de Arminy-ffy


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27 de abril de 2016

Erlik

۞ ADM Sleipnir

Arte de Volkanyenen

Erlik (em turco antigo: 𐰀𐰼𐰠𐰃𐰚; turco moderno: Erlik Han; mongol: Erleg ou Yerleg; húngaro: Ördög, também Erlig ou Erlik Khan) é o deus da morte, das trevas e o soberano do submundo (Tamag, o inferno ou “terra profunda”) na mitologia turca e mongol. Mencionado em fontes como as lendas altaicas e khakas, Erlik julga as almas dos mortos, envia pragas e espíritos malignos (kara körmös) e pode escravizar almas se não receber sacrifícios.

Mitologia

Filho de Kayra Han (Tengri Kayra Khan), a divindade suprema do céu na cosmologia tengrista, e irmão de Ülgen, o deus associado à criação, à luz e ao mundo superior, Erlik foi banido para a nona camada inferior da terra após reivindicar um poder divino igual ao de seu pai e tentar criar um mundo próprio. Na tradição de diversos povos da Sibéria e da Ásia Central, o universo é dividido em múltiplos níveis celestes e subterrâneos; Erlik passou a governar o mais profundo deles, conhecido como Tamag, o submundo. Em uma variante altaica do mito, ele não caiu sozinho: foi lançado do céu juntamente com seus espíritos İye, entidades espirituais ou forças tutelares que podem atuar como auxiliares ou servos sobrenaturais.

Outras tradições apresentam explicações diferentes para sua queda. Em uma delas, Erlik mata Maidere (ou Maydere), um mensageiro divino enviado pelo mundo superior — frequentemente identificado com uma figura celestial ou salvadora associada às tradições turco-mongóis e, em alguns casos, relacionado a influências budistas. Em outra versão, Ülgen, seu irmão e rival, concede a Erlik ferramentas sagradas — um martelo e uma bigorna — para que ele participasse da ordem da criação. Contudo, ao perceber que Erlik as utilizava para produzir forças maléficas e espíritos destrutivos, Ülgen retira seus poderes e o expulsa para o submundo.

Arte de Mustafa Uslu

Há ainda uma narrativa diferente, na qual Erlik não surge inicialmente como deus, mas como o primeiro ser humano criado. Durante a formação da Terra, ele teria escondido em sua boca parte do barro primordial usado na criação do mundo. Quando o barro começou a crescer e deformar a superfície da Terra, sua desobediência foi descoberta; como punição, ele foi transformado em Erlik e condenado a governar o reino subterrâneo.

Segundo algumas lendas, antes da interferência de Erlik os seres humanos eram imortais e não conheciam a morte. Essa condição teria mudado quando uma coruja, ave frequentemente associada ao presságio e ao mundo espiritual em tradições siberianas, invocou Erlik e o trouxe para o mundo dos homens. A partir desse momento, a morte passou a existir — embora o momento exato em que isso ocorreu teria sido ocultado por Tengri, o grande deus celeste e princípio supremo do céu na religião tengrista.

Aparência e Atributos

Erlik é descrito como um ser monstruoso com rosto e dentes de porco, corpo humano robusto de um ancião, olhos negros e longos bigodes e sobrancelhas. Em algumas tradições, ele é representado por meio de máscaras ou totens de urso. 

Entre os dolganos, acredita-se que Erlik levou mamutes para o submundo, e sempre que tentam voltar à superfície, congelam até à morte como castigo. Já entre os khakas, Erlik reside em um palácio de cobre adornado com ouro. Ele é considerado responsável pela propagação de doenças e calamidades; caso não receba sacrifícios ( geralmente animais) pode escravizar as almas dos mortos.

Descendência 

Erlik possui nove filhos, conhecidos como Karaoğlanlar (“meninos negros”):

  • Karash Khan — associado às trevas;
  • Matyr (Matır) Khan — associado à coragem;
  • Shingay (Shyngay) Khan — associado ao caos;
  • Komur Khan — associado ao mal;
  • Badish (Badysh) Khan — associado aos desastres;
  • Yabash Khan — associado à derrota;
  • Temir Khan — associado ao ferro e à mineração;
  • Uchar Khan — associado aos informantes;
  • Kerey Khan — associado à discórdia.

Ele também possui nove filhas chamadas Karakızlar (“meninas negras”), cujos nomes não são conhecidos. Diz-se que elas seduzem xamãs para impedir que estes entrem em contato com Ülgen.

Culto e Práticas

Os xamãs conhecidos como kara kam (“xamãs negros”) negociam com Erlik para obter curas ou status no submundo. Sacrifícios são oferecidos para evitar a ação dos körmös (fantasmas ou espíritos malignos), que disputam as almas dos mortos com os emissários celestiais.

Segundo a tradição, apenas as almas más pertencem a Erlik. Tengri teria advertido: os pecadores seriam entregues a ele, enquanto os justos permaneceriam sob proteção divina. Assim, o sistema religioso tengrista não apresenta um dualismo absoluto, mas sim um equilíbrio entre forças opostas. O culto a Erlik foi registrado entre povos como os altaicos e buryats.

Curiosidades

O dinossauro Erlikosaurus andrewsi, descoberto na Mongólia e datado do período Cretáceo, foi nomeado em homenagem a Erlik. A figura da divindade também influenciou mitos regionais, como o demônio Ördög no folclore húngaro.

Arte de Yiğit Yerlikaya

fontes:


Postagem revisada e atualizada em 12/03/2026
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25 de abril de 2016

Abrahel

۞ ADM Sleipnir

Abrahel, arte de Genzoman
Abrahel é um demônio medieval, cujas características são associadas com os demônios noturnos conhecidos como súcubos. Seu nome ganhou certa popularidade quando o demonologista Remy Nicholas o descreveu em sua obra Daemonolatreiae libri tres ("Demonolatria"), publicado em Lyon no ano de 1595. Abrahel sempre toma a forma de uma mulher alta e de formas delicadas, porém não consegue ocultar completamente sua natureza demoníaca. 

Segundo uma história escrita em Demonolatria, em 1581, um homem chamado Petrone Armenterious de Dalheim, Luxemburgo, foi seduzido por Abrahel e persuadido por ela  a matar seu próprio filho. Ele ficou extremamente abalado, e em seu desespero tentou o suicído. Abrahel apareceu novamente a Petrone, prometendo ressucitar seu filho, se ele a adorasse como uma deusa. Assim Petrone o fez, e viu seu filho voltar a vida, porém com uma aparência triste. Algum tempo depois, o menino caiu fulminado no chão, e exalando um forte odor de podridão. Ele jamais havia sido ressucitado, era tudo uma ilusão criada por Abrahel.



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22 de abril de 2016

Capcaun

۞ ADM Sleipnir


Capcaun (Căpcăun, algo como "cabeça de cão") é um temível ogro presente no folclore romeno, sendo conhecido por raptar crianças e jovens donzelas (principalmente princesas) para devorá-las. Ele costuma ser representado como um enorme e bruto ogro usando uma cabeça de cão como capuz e carregando um porrete nas mãos. Algumas vezes é descrito como tendo quatro olhos e até mesmo quatro pernas.

O termo căpcăun também significa "chefe tartar" ou "chefe turco", assim como "pagã". Alguns linguistas consideram o termo como sendo um cognato do termo turco kapkan (kaphan, kapgan), que em alguns povos turcos na era das migrações, era um rank de alta nobreza.

Arte de Alex Tilica
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20 de abril de 2016

Eikthyrnir

۞ ADM Sleipnir

Arte de Nasaych

Eikthyrnir (nórdico antigo Eikþyrnir, "carvalho espinhoso") é na mitologia nórdica um cervo que reside no topo do palácio de Odin, Valhala, juntamente com a cabra Heidrun. Lá, Eikthyrnir passa os dias mordendo as folhas da grande árvore Laerad, em torno da qual Valhala foi construída.

De acordo com o Grimnismal (cap. 26) e também com o Gylfaginning (cap. 39), gotas de um fluído sem nome pingam dos chifres de Eikthyrnir, em um volume tão grande que enchem Hvergelmir, a grande fonte de onde fluem todos os grandes rios do mundo. 


Cultura Popular
  • No anime Saint Seiya Soul of Gold, Eikthyrnir aparece como a robe divina do guerreiro deus Surt;
  • Eikthyrnir foi um boss de um evento do mobile game Seven Deadly Sins Grand Cross;
  • Eikthyrnir é um dos bosses do game Valheim;
  • Eikthyrnir batiza um dos clãs do game Northgard;
  • Possivelmente foi a inspiração para o pokémon lendário Xerneas.


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