18 de julho de 2016

San La Muerte

۞ ADM Sleipnir



San La Muerte ("São Morte") é um popular santo pagão venerado no Paraguai, no nordeste da Argentina (principalmente na província de Corrientes, mas também em Misiones, Chaco e Formosa), além do sul do Brasil (especificamente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Ele também é conhecido como Senhor da Boa Morte e Senhor da MorteNão deve ser confundido com a Santa Muerte, santa popular venerada no México, que apesar de possuir rituais e poderes semelhantes, é uma santa a parte.

Origem

A origem de San La Muerte remonta à época das Missões Jesuíticas do século XVI. Conta a lenda que este santo foi um monge franciscano ou jesuíta que curava as pessoas de várias enfermidades principalmente de Lepra. Como ele atuava de forma independente da igreja, e se tornava cada vez mais popular, seus superiores lhe advertiram inúmeras vezes para não fazê-lo. Como ele não pois um fim em suas atividades, acabou sendo preso, e em protesto, se manteve em jejum de pé dentro de sua cela. Após um tempo, ele foi encontrado morto na mesma posição em que estivera jejuando, já completamente esquelético, vestindo seu manto e um cajado que usava para caminhar.

Representações

As representações de San La Murte variam, mas a figura clássica é a de um esqueleto humano, de pé, com recursos simples, minimalistas. O esqueleto geralmente carrega uma foice, em alguns casos com gotas de sangue na ponta. Outras representações incluem um esqueleto de pé sem uma foice, ou sentado em um caixão.


Suas esculturas podem ser esculpidas em madeira, ossos, metal (especialmente balas) e, geralmente, se situam entre 3 e 15 centímetros de altura. O aumento dos poderes são atribuídos às esculturas que são criadas a partir de materiais de origem significativa, como a falange do dedo mínimo, um osso de bebê morto, a madeira retirada do caixão de uma pessoa morta, ou um crucifixo que pertencia a alguém falecido recentemente. Outras matérias-primas mais comuns incluem madeira de cedro.

De acordo com os crentes, a escultura, a fim de ser capaz de conceder favores, precisa ser consagrada por um padre católico sete vezes. Se a escultura é esculpida em osso de um homem católico ele só precisa ser consagrado cinco vezes, pois o osso já foi consagrado duas vezes. Para obter esculturas abençoadas, os fiéis recorrem a subterfúgios, tais quais, esconder uma imagem debaixo de uma de um santo convencional. Quando um padre abençoa a imagem normal, considera-se que a outra também foi abençoada.

Além das esculturas que são normalmente mantidas em um altar ou em um lugar fixo em casa, há uma série de formas pessoais do ritual que envolvem representações na forma de amuletos e tatuagens ou no corpo sob a forma de entalhes inseridos sob a pele do fiel. Tatuagens, amuletos e inserções do corpo ofereceriam proteção especial da morte e evitariam lesão corporal e prisão. Entre os devotos, as balas disparadas, de preferência as que tenham ferido ou matado um homem cristão são consideradas matéria-prima mais eficiente para amuletos.




Culto

Para seus devotos, San La Muerte existe no contexto da fé católica e é comparável a outros seres puramente sobrenaturais como arcanjos. A devoção envolve orações, rituais e oferendas, que são dadas diretamente ao santo na expectativa do atendimento de solicitações específicas. As ofertas podem incluir sangue, bebidas alcoólicas, velas e outros objetos valiosos. O santo recebe oferendas em troca de favores relacionados a uma ampla gama de problemas pessoais. Pode ajudar a restaurar o amor, saúde e fortuna, proteger os adoradores de feitiçaria, eliminar o mau-olhado e conceder boa sorte em jogos de azar. Além desses poderes, que são comumente atribuídos aos santos populares, em geral, seria capaz de conceder uma série de pedidos que estão ligados ao crime e à violência. Por exemplo, acredita-se que o santo esquelético pode trazer a morte sobre os inimigos de seus devotos, pode impedir as pessoas de serem enviadas para a prisão e ainda encurtar a prisão de detentos, além de ajudar na recuperação de itens roubados e desviados.




Sua devoção é caracterizada por um código moral que deve ser obedecido. Seus devotos têm numerosas obrigações para com o santo. A comunicação ocorre por meio de orações que são passadas ​​entre os crentes. O culto também se baseia na punição e submissão ao ter concedido um favor ou graça. Quando as graças são concedidas, o santo é recompensado, mas nunca totalmente, a fim de aumentar as chances dele em breve estar disposto a conceder outra graça.

Para a maioria dos devotos, o santo oferece proteção pessoal e intransferível que só será acessível para os outros quando, após a morte do proprietário original, outro adquira a sua escultura. Há também os intermediários, tais como curandeiros e médicos tradicionais que invocam o seu poder, em nome de seus clientes. Em outros casos São Morte é mantido escondido em casa, estendendo sua proteção a todos os membros da família, sem distinção. Uma série de altares públicos também podem ser encontrados. Eles são executados por devotos que atuam como guardiões de cuidadores. As festas públicas ocorrem em 15 de agosto, dia do santo. Já que não é reconhecido e incluído no calendário de santos da Igreja Católica, a data é contestada e, em alguns casos, é festejada em 13 de agosto.


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15 de julho de 2016

Wishpooshi

۞ ADM Sleipnir


Wishpooshi é um castor gigante originário do folclore da tribo Nez Perce, que vivem na região do noroeste pacífico dos Estados Unidos. Ele é dito habitar o lago Cle Elum, e de acordo com o folclore, não permitia que nenhum animal pegasse peixes em seu lago. Ele ameaçava todos que se aproximavam do lago, e aqueles que não deixassem o local eram arrastados para  dentro do mesmo, morrendo afogados.

Coyote, o deus malandro, não gostava da maneira como Wishpooshi tratava os animais. e decidiu por um fim nessa situação. Ele foi até o lago Cle Elum armado com sua lança amarrada em seu pulso e então começou a pescar. Assim que avistou o deus, Wishpooshi o atacou. Coyote atirou a lança e perfurou o castor. Imediatamente, Wishpooshi mergulhou para o fundo do lago, arrastando Coyote com ele.

Conforme lutavam, os dois remodelavam a região criando canais e desfiladeiros e eventualmente desviando toda a água do lago para outro local. Wishpooshi era monstruoso, e por um momento Coyote ficou assustado com sua demonstração de poder. Mas como era o mais astuto de todos os animais, Coyote arquitetou um plano. Transformando-se em um galho de árvore, Coyote flutuou entre os peixes até Wishpooshi o engolir. Voltando à sua forma natural, Coyote pegou uma faca e cortou os tendões no interior do castor gigante. Wishpooshi deu um grande grito e depois pereceu. Vencedor, Coyote usou então a carcaça de Wishpooshi para criar as tribos de homens.

Arte de Melissa Mitchel

fonte:
  • Livro "Encyclopedia of Beasts and Monsters in Myth, Legend and Folklore", de Theresa Bane

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13 de julho de 2016

Narciso

۞ ADM Sleipnir

Na mitologia grega, Narciso (do grego Narkissos) era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. De acordo com o mito, ele era um jovem famoso por sua extrema beleza, que despertava a paixão de muitos homens e mulheres. Porém, por ser tão belo, Narciso era arrogante, e rejeitava a todos que tentavam se aproximar dele, e isto foi a sua ruína. 

A história de Narciso possui várias versões. A versão mais famosa é a escrita pelo poeta Ovídio, do 3º livro de sua obra Metamorfoses. Nesta versão, quando Narciso ainda era pequeno, sua mãe procurou o profeta Tirésias para consulta-lo em relação ao futuro de seu filho, pois temia que ele tivesse problemas por causa de sua extraordinária beleza. Após vê-lo, Tirésias predisse a sua mãe que ele iria desfrutar de uma vida longa, desde que ele nunca visse o seu próprio reflexo. 

Como o profeta havia predito, Narciso cresceu e a cada dia tornava-se mais belo, atraindo todo o tipo de pretendentes. Um dia, quando Narciso caminhava pela floresta, a ninfa Eco o viu e ficou loucamente apaixonada por ele. Ela começou a segui-lo, e ao sentir que alguém o seguia, Narciso perguntou: -"Quem está aí?". Eco respondeu-lhe repetindo sua pergunta: -"Quem está aí?", e isso se prolongou por algum tempo até que Eco decidiu aparecer perante ele. Eco tentou abraça-lo, mas Narciso se afastou, dizendo-lhe para deixá-lo sozinho. Eco ficou inconsolável e em seu desespero acabou desaparecendo, não deixando nada para trás, além da assombrosa voz de seu eco. 

Nêmesis, a deusa da vingança, tomou conhecimento sobre Narciso e sobre o que havia acontecido a ninfa Eco, e então decidiu puni-lo. A deusa o atraiu até uma fonte, onde ele acabou se debruçando e vendo seu próprio reflexo.

Arte de Emanuella Kozas

Narciso ficou fascinado com sua visão, e acabou apaixonando-se pela imagem, sem saber que era a sua própria imagem refletida no espelho das águas. Por várias vezes Narciso tentou alcançar aquela imagem dentro da água mas inutilmente; não conseguia reter com um abraço aquele ser encantador. Olhando sem parar para o reflexo, ele lentamente definhou e foi transformado pelas ninfas em uma flor narciso. Outros, porém, dizem que ele ficou cheio de desespero e remorso e suicidou-se ao lado da fonte, e do sangue de sua vida se esvaindo a flor nasceu.

A versão do poeta grego Conon, contemporâneo de Ovídio, tem o mesmo fim, porém nela, não foi Eco o estopim para o fim de Narciso, mas sim um jovem chamado Ameinias. O jovem havia se apaixonado por Narciso, porém este o desprezou, como fazia com todos os outros. Devastado, Ameinias foi até a porta da casa de Narciso e se suicidou. Porém, antes de fazer isso, Ameinias clamou aos deuses para que punissem Narciso. Os deuses ouviram o seu clamor e rapidamente atenderam o seu pedido, fazendo Narciso se apaixonar por sua própria imagem refletida em uma fonte.



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11 de julho de 2016

Kinnaras

۞ ADM Sleipnir

Arte de Traci Shepard

Kinnaras (singular: Kinnara, feminino Kinnari) são fabulosas criaturas meio-pássaro, meio-humanas, originarias da mitologia budista e hindu. São criaturas celestiais, conhecidos por sua graça e beleza, assim como por sua habilidade musical e de dança. 

A parte superior de seus corpos é humana, enquanto a inferior é de um pássaro, geralmente um cisne. Também existe uma versão híbrida entre cavalo e humano. Muitas vezes aparecem com pouca roupa, e com seu corpo e penas enfeitado com inúmeros objetos coloridos, geralmente nas estátuas e desenhos onde a criatura é descrita elas aparecem com uma espécie de coroa, que em alguns casos lembra um gênero de flor, em sua cabeça.



Mitologia

Em inúmeras lendas indianas as Kinnaras são seres celestiais que pertencem ao coro que rodeia as principais divindades das crenças indianas e é um símbolo auspicioso.

No Hinduismo, elas são uma das míticas criaturas que habitam o Himavanta, que é uma floresta lendária situada na base de uma montanha sagrada chamada Monte Meru. Em outras descrições as Kinnaras vivem também nos Himalaias e muitas vezes cuidam do bem estar dos seres humanos quando eles estão com dificuldades ou em perigo 

No budismo, são geralmente descritas como deuses ou semi-deuses da musica, e por vezes como uma das 8 criaturas não humanas que ''protegem'' os ensinamentos de Buda, são criaturas de destaque em inúmeros textos budistas, incluindo o Lotus Sutra. Em algumas tradições budistas, é dito que 4 das reencarnações de Buda eram Kinnaras. Também é dito que elas protegem o Kalpavriksha, uma árvore lendária que aparece em muitas descrições do Budismo e Hinduísmo e por vezes descrita sendo a árvore divina da vida.

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8 de julho de 2016

Keythong

۞ ADM Sleipnir


O Keythong é um criatura semelhante a um grifo sem asas, descrito pela primeira vez em um manuscrito inglês sobre heráldica do séc XV. Assim como o grifo, ele possui o corpo de um leão e a cabeça e as patas dianteiras de uma águia, mas em vez de asas, ele ostenta espinhos em suas costas e ombros. Estes espinhos são muitas vezes dourados, o que provavelmente simboliza o sol, embora também possa ser por causa do uso comum da cor dourada para representar grifos na heráldica. Eventualmente é representado possuindo também chifres em sua cabeça.



Keythongs eram considerados grifos do sexo masculino, embora haja um debate dentro da comunidade heráldica quanto a saber se o termo "grifo masculino" é um termo impróprio para o keythong, tornando-se uma besta à parte. Quando apareceu pela primeira vez, não havia uma distinção adequada entre ele e o grifo, de forma que eles compartilhavam muitos atributos das lendas medievais. 

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6 de julho de 2016

O Dragão de Beaucaire

۞ ADM Sleipnir


Beaucaire é uma bonita aldeia da Provença, localizada na margem direita do Ródano, no departamento francês de Gard, na região de Languedoc-Roussillon. Este antigo povoado, fundado no século VI a.C., possui uma grande quantidade de lendas ancestrais, das quais a mais famosa é sem dúvida a do Drac (dragão em francês), um terrível dragão aquático que outrora vivia no Ródano. Escondido nas profundezas do rio, atraía as crianças, fazendo brilhar ouro e pedras preciosas debaixo d'água. O Drac também conseguia tornar-se invisível e assim percorria as ruas de Beaucaire para apanhar as presas à vontade. Pobre de quem caísse na armadilha! O Drac acabava impiedosamente com suas presas.

Uma das lendas mais famosas sobre o Dragão de Beaucaire conta que um dia, uma jovem lavadeira foi lavar a roupa nas margens do Ródano. Enquanto trabalhava, a jóvem ouviu uma voz suave que a convidava a se aproximar da água e, ao olhar, conseguiu ver o brilho de milhares de jóias no fundo... A jovem começou a ficar com sono, e sob hipnose, acabou entrando no rio. Então o dragão a pegou e e a levou para o fundo, até chegar no seu esconderijo. Uma vez em seu esconderijo, o dragão não matou a jovem. Ao invés disso, entregou-lhe seu filho, que tivera a pouco tempo com uma donzela, para que ela cuidasse dele.

Passaram-se assim sete anos, sem que ninguém em Beaucaire fizesse a minima ideia do paradeiro da lavadeira, até que um belo dia, ela reapareceu na cidade, Entre abraços e manifestações de alegria, a lavadeira retomou a sua vida. Mas depois de algum tempo, na praça do mercado, ela avistou o dragão e foi cumprimentá-lo. O dragão, percebendo que a lavadeira havia adquirido o poder de vê-lo, a cegou instantaneamente. Assim, ele pode continuar sua rotina de caça sem ser notado por ninguém.

Estátua do Drac de Beaucaire, localizada na Place de la République, em Paris

fonte:

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4 de julho de 2016

Patupaiarehe

۞ ADM Sleipnir


Os Patupaiarehe, também referidos como TurehuNgati Hotu e Urukehu ("cabeças vermelhas"), são seres espirituais semelhantes a elfos/fadas originários da mitologia maori, ditos habitarem as partes mais profundas das florestas e o topo das montanhas da Nova Zelândia. Eles são geralmente descritos como pequenos seres de cabelos vermelhos e pele pálida, porém alguns contos relatam que eles possuem a altura de um ser humano, ou até mesmo gigantes.

Eles raramente são vistos, e quando o são, costumam ser hostis aos seres humanos. Eventualmente eles podem aparecer para os mesmos envoltos em névoas e até mesmo ensinar-lhes magia. De acordo com algumas histórias, eles são ininteligíveis, porém de alguma forma aqueles que os encontram são capazes de entender sua língua.

Os sons de seu canto, misturado ao som de músicas de flauta podem ser ouvidos a distância do local onde vivem, porém qualquer mortal que resolver seguir o som corre o risco de acabar perdido em meio a floresta.


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1 de julho de 2016

Adad

۞ ADM Sleipnir


Adad (provavelmente derivado da palavra árabe haddat, "trovão") era o deus acadiano do clima, sendo um deus popular nas regiões norte da Síria e da Babilônia. Outras culturas na região chamavam o deus de Ishkur, Remon, Addu, Hadad ou Baal-Hadad. Sua consorte é usualmente apontada como sendo a deusa síria Atargatis.

Tido como filho do deus do céu Anu, Adad detinha o poder sobre as tempestades e a chuva. Ele foi muitas vezes retratado como um guerreiro segurando um raio bifurcado ou um clube, e sua montaria era um touro, cujos berros e rugido eram como o som do trovão.

Como o próprio tempo, Adad tinha dois lados: um benéfico e outro destrutivo. Como o portador da chuva, Adad era saudado como o "Senhor da Abundância", cujo dom tornava as colheitas férteis e a terra nutrida. Pessoas de muitas terras áridas da Mesopotâmiao adoravam por este motivo. Como o portador de seca ou de temíveis tempestades, no entanto, Adad podia atacar seus inimigos com a fome, inundações, escuridão e morte.

Arte de Gonzo Snow


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