Itsumade (japonês: 以津真天, literalmente "até quando?") é um dos yokais ilustrados no Konjaku Gazu Zoku Hyakki (今昔画図続百鬼, "Os Cem Demônios Ilustrados do Presente e do Passado"), publicado em 1779 por Toriyama Seiken e sendo o 2º livro de sua famosa série, Gazu Hyakki Yagyō . Ele é uma espécie de pássaro com um corpo de cobra, um rosto humano com um bico pontiagudo e com garras afiadas. Ele possui também uma envergadura de quase 5 metros.
Itsumade aparece no céu noturno durante tempos de dificuldades, como pragas e desastres, ou voando sobre campos de batalha onde muitos morreram. Em particular, ele voa sobre lugares onde há sofrimento ou morte, mas pouco foi feito para aliviar a dor dos vivos ou pacificar os espíritos dos mortos. Ele voa em círculos durante toda a noite, gritando com uma voz terrível.
Antes de ser ilustrado por Toriyama Seiken em sua obra, o Itsumade fez sua primeira aparição no Taiheiki, uma história de ficção do Japão escrita no século XIV, como um pássaro sinistro sem nenhum nome distintivo. Seu nome só seria dado por Sekien em sua obra três séculos depois.
Seiken nomeiou este yokai baseado em seu choro horrível de "Itsumademo", que significa "até quando?". Ele parece estar perguntando aos que estão abaixo dele por quanto tempo esse sofrimento passará despercebido. Pensa-se que os espíritos dos mortos se transformam em onryō (espíritos vingativos), que por sua vez tomam a forma desses pássaros e exigem o reconhecimento de seus sofrimentos e tormentos.
Lenda
Uma noite durante o outono de 1334, um Itsumade apareceu de repente acima do salão de cerimônias do estado, gritando: "Itsumademo? Itsumademo?", e o pânico se instaurou entre os habitantes da capital. Ele voltou na noite seguinte e em todas as noites depois dela. Depois de muito pesar, a corte imperial decidiu que algo tinha que ser feito. Eles recordaram o triunfo de Minamoto no Yorimasa contra o Nuemuitos anos antes, e decidiram convocar o guerreiro Oki no Jirouzaemon Hiroari. Hiroari era um arqueiro muito habilidoso, e atirou uma kabura- ya (uma espécie de flecha sinalizadora, que emite um barulho sibilante enquanto voa), atingindo e matando o monstro no céu. Mais tarde, Hiroari recebeu o nome de Mayumi, que significa "arqueiro verdadeiro".
Após o feito, Mayumi Hiroari se tornou um guerreiro famoso e estabeleceu-se no que é agora Mayumi, cidade de Miyama, na prefeitura de Fukuoka, onde seu túmulo está localizado. A área foi renomeada em sua homenagem após sua morte.
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Grannos (também Granus, Grannus ou Grano) era um deus romano-gaulês associado a cura através das fontes e nascentes termais ou minerais. Amplamente adorado na Europa Continental, seu culto se estendia desde o Reno até a Escócia e da Suécia à Espanha. Grannos era adorado por aqueles que padeciam doentes, e rezavam para que ele os curasse.
Por conta das águas quentes sobre as quais exercia seu poder, Grannos também era considerado uma divindade solar. Quando os romanos construíram templos dedicados ao deus na Gália, ele passou a ser associado ao deus Apolo, recebendo o epiteto Apolo Grannos. Grannos também era associado à Sirona, uma deusa galesa também associada à cura e às fontes termais. e costumavam ser representados juntos.
Sirona e Grannos, escultura datada do séc II d.C, localizada no Museu Arqueológico de Dijon, na França
fontes:
"Celtas", Coleção Mundo em Foco - Ano 1 N°1;
Celtic Mythology A to Z - 2º Edição, de Gienna Matson e Jeremy Roberts.
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Gaasyendietha (ou Dragão Meteoro) é um dragão pertencente a mitologia do povo seneca, e dito habitar as áreas mais profundas dos rios e lagos do Canadá, especialmente o Lago Ontário. Ele é descrito como um enorme dragão serpentino, capaz de cuspir fogo e atravessar o céu sob uma trilha de chamas. Ele também é conhecido como o Dragão Meteoro, pois segundo uma história, ele teria surgido de um meteorito que atingiu a Terra.
O nome Gaasyendietha foi proposto pelos povos nativos ao explorador francês Jacques Cartierquando ele perguntou sobre uma criatura vista por ele e sua tripulação durante uma expedição sobre o rio St. Lawrence. Eles descreveram a criatura como "uma cobra gigante" que se movia como uma lagarta.
O Patetarro é um personagem folclórico colombiano característico das zonas mineiras de Antioquia, Chocó e Cundinamarca. Trata-se de uma espécie de gigante terrivelmente feio, sujo e desgrenhado, e que possui uma das pernas podres (em algumas versões da lenda, ele não possui uma das pernas). Para se locomover, ele encaixa sua perna podre (ou o que sobrou dela) em uma espécie de balde de bambu, o qual ele também usa para fazer suas necessidades. Quando o balde está cheio de imundícies, ele o derrama em alguma plantação, e no local surgem todos os tipos de pragas. Como conseqüência, a plantação é danificada.
Além de prejudicar plantações, conta-se que a presença do Patetarro é o anúncio de que algo ruim vai acontecer, como a morte de alguém ou uma inundação. Quando o Patetarro aparece, os cães começam a uivar, as árvores começam a balançar fortemente, e as pessoas podem ouvir gritos macabros ou risos histéricos emitidos pelo gigante.
Uma história diz que o Patetarro era originalmente um homem que costumava ir às fazendas todas as noites para roubar galinhas. Os fazendeiros achavam que era um tigre ou um cachorro selvagem, e uma certa noite esperaram que o animal chegasse para caçá-lo. Já estava muito tarde e escuro, quando os fazendeiros ouviram o barulho das galinhas. Eles correram para capturar o animal, mas de dentro do galinheiro saiu um homem correndo e este, durante a fuga, acabou enfiando um dos pés dentro de um balde de estrume. Desde então, o homem vaga pelos campos arruinando as plantações.
Cian (irlandês: "distante", também conhecido como Scal Balb) era um deus guerreiro celta membro dos Tuatha Dé Danann, e mais conhecido por ser pai do grande deus Lugh. Ele possuía uma fabulosa vaca mágica chamada Glas Ghoibhneann, que era capaz de produzir quantidades inimagináveis de leite, sem nunca ficar seca. Eram tantas as pessoas que tentavam roubar sua vaca, que Cian era forçado a guardá-la noite e dia. O próprio rei fomoriano Balordesejava ter a posse da vaca, e se disfarçou muitas vezes para tentar roubá-la. Para prevenir o roubo de Glas Ghoibhneann, Cian colocou um cabresto nela, e a levava para todos os lugares onde ia.
Um dia, Cian visitou seu irmão Goibniuem sua forja para falar com ele sobre a confecção de algumas armas novas. Antes de entrar na forja para conversar com o irmão, ele deixou sua vaca do lado de fora sob o cuidado de Samthain, outro de seus irmãos, que também aguardava para falar com Goibhniu. Balor aproveitou essa oportunidade, transformando-se em um menino ruivo. Ele se aproximou de Samthain e disse-lhe que Cian e Goibhniu planejavam usar todo o aço da forja para fazer armas para si, e não sobraria nada quando chegasse a sua vez. Furioso, Samthain deixou o menino ruivo cuidando da vaca e entrou na forja para protestar contra seus irmãos. Cian logo entendeu que era um truque e correu para fora da forja, mas já era tarde demais: Balor já havia fugido com a vaca.
Decidido a recuperar Glas Ghoibhneann, Cian foi até um druida buscar auxílio, mas o mesmo se recusou a ajudá-lo, advertindo-o de que ninguém seria capaz de se aproximar de Balor sem arriscar a vida, devido ao poder de seu olho malígno. Ainda determinado, Cian encontrou uma druidisa chamada Birog, conhecida como a mais poderosa e sábia dentre os druidas. Birog disse a Cian que o outro druida estava certo sobre Balor, porém ela tinha um plano que iria levar Balor à morte e para que desse certo, Cian teria que fazer exatamente o que ela dissesse. Cian concordou em fazer tudo o que fosse necessário; assim, Birog o disfarçou como uma mulher e conjurou um forte vento para levá-los até a ilha de Balor.
Cian e Birog atravessaram o mar, indo parar atrás da torre de vidro onde Eithne, filha de Balor, vivia trancafiada e era atendida por 12 mulheres. Birog gritou para as servas de Eithne que diante delas estava uma rainha dos Tuatha de Dannan, que estava sendo perseguida por seus inimigos e buscava abrigo. Eithne instruiu suas servas a abrirem a porta, e assim que Birog entrou, colocou um feitiço de sono nelas e removeu o disfarce de Cian.
Cian subiu as escadas e encontrou Eithne no topo da torre, olhando para o mar. Ele se apaixonou por sua beleza e sua tristeza naquele momento, e quando Eithne olhou para ele, viu o rosto que ela sonhara com toda a vida. Eles se apaixonaram e fizeram amor na torre. Cian implorou a Birog que levasse Eithne de volta para a Irlanda com eles, mas Birog estava com muito medo de Balor. Antes que Cian pudesse mudar de idéia, ela chamou o vento mágico para os levar de volta ao continente, deixando Eithne para trás.
Eithne ficou muito triste por ter sido deixada para trás, mas sua tristeza foi aliviada quando ela descobriu que estava grávida (alguns contos dizem que era de uma criança apenas, outros dizem que era de três). Ela deu à luz um filho; aquele que segundo a profecia acabaria com a vida de Balor.
Quando Balor tomou conhecimento sobre a invasão de Cian à torre e sobre a gravidez de Eithne, ordenou que a criança fosse jogada no mar. Logo após o bebê nascer, Eithne o enrolou em um manto e apertou-o com um alfinete, e Balor o lançou nas águas. Felizmente, Birog observava de longe a situação, e conseguiu resgatar o bebê, conjurando outro vento mágico que o levou direto para os braços de Cian.
Cian nomeiou seu filho Lugh, e cuidou para que ele crescesse sob a tutela das melhores pessoas. Lugh tornou-se um grande homem, e um grande guerreiro, e com o tempo, ele cumpriu a profecia, matando Balor e derrotando os formorianos em definitivo na Segunda Batalha de Moytura.
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Tiangou (chinês: 天狗; lê-se tien kou; literalmente: "cão celestial") é uma criatura lendária da mitologia chinesa, dita perseguir e devorar a lua durante um eclipse. Tiangou assemelha-se a um enorme cão negro ou segundo algumas descrições, uma raposa ou um meteoro. Acredita-se que o tengu do folclore japonês e do budismo tenha sido derivado desta criatura.
Lenda
Após o arqueiro divino Hou Yi ter derrubado nove dos dez sóis no céu, ele e sua esposa Chang'e foram banidos do céu para a Terra e tiveram sua divindade e imortalidade removidas. Posteriormente, Hou Yi foi presenteado pela deusa Xi Wang Mu com um elixir que poderia devolver a ele e sua esposa a sua imortalidade. Hou Yi e Chang'e deveriam dividir o elixir, de forma que recuperariam sua imortalidade e viveriam na Terra para sempre, mas Chang'e acabou bebendo o elixir sozinha. Ela recuperou sua imortalidade e também sua divindade, sendo arrebatada de volta para os céus.
Uma história conta que no momento em que Chang'e flutuava em direção aos céus, um cão negro que Hou Yi criava entrou na casa dele e acabou lambendo os restos do elixir. Ele então perseguiu Chang'e em direção ao céu, e conforme subia, ficava cada vez maior. Aterrorizada, Chang'e se escondeu na lua, mas o cão a seguiu até lá e a devorou juntamente com a lua.
Ao tomar conhecimento da situação, Xi Wang Mu capturou o cão e o designou para proteger os portões dos céus, tornando-se então Tiangou. Ele cuspiu de volta a lua juntamente com Chang'e, que continuou a viver na lua.
Zhang Xian
Zhang Xian (chinês: 張仙) é um deus chinês do parto, que ajuda as mulheres a terem filhos. Uma história conta que ele impede Tiangou de devorar a lua e de roubar crianças durante um eclipse, e ele é muitas vezes retratado apontando uma flecha para o céu, esperando que o cão celestial apareça.
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Ahi At-Trab são espíritos do deserto pertencentes ao folclore dos tuaregues, um povo berbere constituído por pastores seminômades, agricultores e comerciantes, e os principais habitantes da região saariana.
Ahi At-Trab raramente são vistos em sua forma verdadeira. Eles vivem por baixo da camada mais alta de areia no deserto do Saara, e ao se manifestarem na superfície, surgem como tornados de areia, causando muitos problemas aos tuaregues. Eles bebem toda a água da região assim que o tuaregue alcança um oásis e fazem com que os camelos percam a estabilidade do solo e caiam enquanto caminham pelo deserto.
fonte:
Encyclopedia of Spirits and Ghosts in World Mythology, de Theresa Bane.
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Charía (ou Anhá) é um espírito maléfico pertencente a mitologia tupi-guarani. Os tupi-guaranis relatam os que os eclipses solares e lunares ocorrem porque este espírito, representado por uma onça celeste, sempre persegue os irmãos Guaracie Jaci (Sol e Lua), que o importunam. Chariá se localiza em dois lugares opostos do céu e seu olho direito é representado por duas estrelas vermelhas, Antares, da constelação do Escorpião, e Aldebaran, da constelação do Touro. Essas constelações ficam em oposição no zodíaco, onde passam o Sol, a Lua e os planetas, observados da Terra.
Uma noite por mês, a Lua aproxima-se de Antares e de Aldebaran, e o Sol chega perto dessas estrelas vermelhas um dia por ano, podendo ocorrer eclipses. Na ocasião dos eclipses, os tupi-guaranis fazem uma grande algazarra com o objetivo de espantar a onça celeste, pois acreditam que ela pode matar o Sol e a Lua. Se isso acontecer, a Terra cairá na mais completa escuridão e ocorrerá o fim do mundo.
No início do tempo e do espaço, antes de se fixarem no céu, Guaraci, o Sol e sua irmã mais nova, Jaci, a Lua, habitavam a Terra e viviam juntos diversas aventuras.Um dia, os irmãos Sol e Lua encontraram Charía, pescando em um rio. Com o objetivo de importunar a Onça, que não tinha percebido os dois irmãos, o Sol mergulhou e mexeu o anzol, imitando um peixe grande. Charía puxou o anzol vazio, caindo para trás. O Sol repetiu o seu gesto por três vezes e em todas elas Charía caiu de costas. "Agora é a minha vez", disse a Lua sorrindo.
Então, ela mergulhou e foi deslizando na direção do anzol. No entanto, Charía foi mais rápido: pescou a Lua e a matou com um bastão de madeira. Depois, ele a levou para casa, como se fosse um pescado, para comer com sua mulher. Quando Charía e sua mulher estavam cozinhando a Lua, o Sol chegou e foi convidado por Charía para comer o peixe com eles. O Sol agradeceu dizendo que aceitaria apenas um pouco de caldo de milho e pediu que não jogassem fora os ossos do peixe, pois gostaria de levá-los consigo. Depois, recolhendo os ossos, o Sol levou-os para longe e, utilizando a sua própria divindade, ressuscitou sua irmã mais nova.
Assim, um eclipse lunar representa a Lua sendo devorada pela Onça Celeste, sendo que a cor avermelhada é o próprio sangue da Lua que a oculta. A Lua só ressurge em toda a sua plenitude, como Lua-cheia, porque o seu irmão mais velho, o Sol, a ressuscita e salva.