16 de setembro de 2012

Grifo

۞ ADM Sleipnir

O Grifo é uma criatura lendária com cabeça e asas de águia,sua cabeça se assemelha muito com a águia Americana e corpo de leão. Fazia seu ninho em bolcacas (nome usado para o ninho do grifo, conforme a mitologia grega) e punha ovos de ouro sobre ninhos também de ouro. Outros ovos são freqüentemente descritos como sendo de ágata.

A cabeça pode ser de leão. As patas podem ser todas de leão ou todas de águia ou bem aparecer dois a dois. É possível também que o corpo de felino apareça alado e seja menor, do tamanho de um lobo, e ocasionalmente pode ter a cauda de serpente. Outras vezes se atribui corpo de leão, com cabeça e asas de águia, orelhas de cavalo e uma "cresta con aletas de pez". 

Por outra parte, a postura do grifo não é uniforme: aparece ameaçador e rampante, como guardião de um trono real, como montaria de um deus ou simplesmente, como um animal de presa. O mesmo se pode dizer a respeito de sua cor. 

De todo o anterior se deduz que o grifo reúne em si os caracteres físicos dos dois animais mais poderosos da terra e do ar, o leão e a águia. É o regente do ar e também da terra.

Ao passar do tempo

Com o passar do tempo, os caracteres do grifo se foram definindo. Ele foi convertido em uma ave quadrúpede de enormes garras, com unhas do tamanho de chifres de boi, capazes de aferrar o corpo de um cavalo ou de um homem com armadura e transportá-lo pelos ares (as garras são tão grandes que se pode fabricar uma taça ou um vaso com cada uma delas; durante a Idade Média se comerciou freqüentemente com supostas garras de grifo, na crença de que mudavam de cor caso se colocasse um veneno nelas). 

Quando o grifo começa a voar, o vento que produzem suas fortes asas basta para derrubar pessoas. Os grifos vivem nos montes Hiperbóreos, em algum ponto de Escitia, em luta constante com os arimaspos, aos quais tentam roubar-lhes o ouro e as esmeraldas que colocam em seu ninho como talismã contra as "alimañas" venenosas do monte. Os inimigos naturais do grifo são os homens, aos que não temem em absoluto, e os cavalos. De sua enorme hostilidade faz este animal da conta o feito de que Virgílio não encontra imagem mais significativa para descrever as bondades da Idade de Ouro que dizer que em esta época incluso os cavalos se mesclavam com os grifos (posteriormente esta ideia fará fortuna na figura do Hipogrifo). 

Lendas

É na Grécia onde aparece pela primeira vez o motivo da luta entre os homens e os grifos em um poema do século IV a.C., titulado Arimaspéia, do que por desgraça não se conservam mais que seis versos. O autor do relato, o poeta Aristea de Proconeso, conta sua viagem até o país dos hiperbóreos, a terra do deus Apolo, quem o havia inspirado em sua obra. Durante o caminho se havia encontrado aos arimaspos, uns estranhos seres ciclópeos, em luta perpétua com os grifos para apoderar-se do ouro que estes guardavam. Um século mais tarde o historiador Heródoto retomou a história e escreveu que os grifos construíam ninhos de ouro. 

A segunda lenda relacionada com o grifo aparece já na época medieval, no Livro de Alexandre, reconstrução fantástica da vida do imperador Alexandre Magno, na qual o macedônio se converte em um herói no que confluem motivos religiosos, cavalerescos, legendários, etc., capaz de realizar numerosas proezas. Entre elas está a de enganchar em sua carruagem dois grandes grifos. O macedônio, já conquistada a terra, decide a empreender a conquista do céu; ascende a uma elevada montanha perto do Mar vermelho e ordena construir uma especie de cesto que "sujeta con cadenas" a uns grifos. Alexandre pensa então um meio para conseguir que os grifos levantem vôo. Sentado no interior do cesto, segura em suas mãos duas largas pértigas de madeira em cujo extremo havia colocado uns pedaços de carne que se colocavam justo diante do bico dos animais; assim pois, estos, em seu afã de alcançar-la, começam a voar. Depois de sobrevoar a terra durante o tempo suficiente para ver-la como uma ilha rodeada do oceano, a estranha aeronave caiu na água, no que parece sem consequências trágicas para o rei. Se trata este de um motivo recorrente na iconografia mundial ao largo da historia que, como o anterior, não permaneceu no imaginário coletivo.

Simbolismo

Os antigos hebreus consideraram que o grifo representava a Pérsia e sua religião binaria, o zoroastrismo, basicamente o grifo foi sempre - como tantos outros híbridos - uma figura guardiã.Em Creta representava a valentia vigilante, e também o consideraram os antigos gregos, convencidos de que os grifos protegiam os tesouros de ouro em Escitia e Índia. Para os romanos, foi o emblema de Apolo, o deus do sol, e esteve relacionado com Atena, deusa da sabedoria e com Nêmesis, deusa da vingança.

Com a chegada do cristianismo, o grifo se converteu na imagem de vingança e a perseguição e, já na época medieval, foi um dos pilares do simbolismo cristão, pois passou a simbolizar a natureza dual (humana e divina) de Cristo. Em qualquer caso, o grifo sempre manteve seu caráter guardião pois imagens suas em pedra (como gárgulas) guardam freqüentemente os templos e palácios na arquitetura gótica da Baixa Idade Média.

Na realidade, toda esta enorme difusão do grifo parece dever-se a seu aspecto formal, elegante e vigoroso, no qual se presta a um papel emblemático e simbólico, antes que a uma fabulação mítica. Esta é quiçá a razão que explica o dilatado uso desta figura na heráldica, donde sempre tem representado a força e a vigilância.



Agradecemos sua visita e se gostou da leitura, fique a vontade e deixe seu comentário nas postagens, pois ele é o nosso maior incentivo!

Nenhum comentário:



Seu comentário é importante e muito bem vindo. Só pedimos que evitem:

-Xingamentos / Ofensas;
-Incitar o ódio e o preconceito;
-Spam;
-Publicar referências e links de pornografia;
-Comentários que nada tenham a ver com a postagem.

Reservamo-nos ao direito de remover qualquer comentário nessas condições.

De preferência, faça login com uma conta do Google, assim poderá entrar no ranking dos top comentaristas do blog.