10 de dezembro de 2012

Gilgamesh, Rei dos Heróis da Babilônia

۞ ADM Berserker
"Quero ao país dar a conhecer aquele que tudo viu que conheceu os mares, que soube todas as coisas, que analisou o conjunto de todos os mistérios, Gilgamesh, o sábio universal que conheceu todas as coisas: ele viu as coisas secretas, trouxe o que estava escondido, e transmitiu-nos o saber mais antigo que o Dilúvio."
(Epopeia de Gilgamesh - Tábua I, 1-6)

Gilgamesh, cujo nome significa "o velho que rejuvenesce", foi um rei sumério que viveu e governou em Uruk (antiga cidade que se situava a 270 km a sul de Bagdade), foi o maior de todos monarcas mesopotâmicos, distinguindo-se dos demais chefes das cidades da Suméria pela coragem e sucesso nas suas iniciativas. Um homem de caráter semi-lendário que ficou conhecido em todo o mundo por ser o personagem principal da Epopeia de Gilgamesh. 

Em suas lendas, o Rei-herói é sempre descrito como sendo um semideus dotado de força sobre humana. Era superior a outros semideuses por ser dois terços deus e um terço homem, devido ao fato de ter sido gerado em útero divino, pois sua mãe era a deusa Ninsuna (ou Nimat Ninsun) e seu pai o sacerdote e antigo rei de Uruk, Lugalbanda. Dela, Gilgamesh herdou grande beleza, força e inquietude. Dele herdou a mortalidade.



Segundo a Lista de reis da Suméria, um antigo texto sumério datado da Idade do Bronze, Gilgamesh foi o quinto monarca da primeira dinastia pós-diluviana de Uruk, tendo reinado por 126 anos e sendo sucedido por seu filho, Ur-Nungal, que reinou por 30 anos. Outro documento, a Inscrição de Tummal, aponta Gilgamesh como o segundo reconstrutor do templo de Tummal, dedicado à deusa Ninlil, na cidade santa de Nippur. Essas e outras, evidenciam arqueologicamente a existência de um rei chamado Gilgamesh que viveu e reinou em Uruk, em aproximadamente 2750 A.C.

Após seu reinado, e assumindo que tenha sido um personagem histórico real, Gilgamesh foi considerado o mais ilustre antecessor dos reis sumérios, tornando-se objeto de lendas e poemas e sendo venerado como deidade. Vários relatos sobre seus feitos são conhecidos de maneira fragmentária a partir do segundo milênio A.C., os mais antigos em sumério e os mais recentes em acádio. Numa destas lendas, Gilgamesh enfrenta e vence Aga, rei de Kish, consolidando a independência de Uruk. Essa lenda, assim reflete as lutas pela supremacia entre as cidades mesopotâmicas no início da história da suméria. Na história da luta contra Aga um dos guerreiros mais destacados de Gilgamesh é Enkidu, que é retratado como sendo um grande amigo do Rei-herói.

O texto mais importante sobre o personagem é a Epopeia de Gilgamesh, originalmente chamada de "Aquele que Viu a Profundeza (Sha naqba īmuru)" ou "Aquele que se Eleva Sobre Todos os Outros Reis (Shūtur eli sharrī)", trata-se de um épico mesopotâmico preservado em tabuletas de argila, escritas com caracteres cuneiformes, é provavelmente o mais antigo texto literário escrito pelo homem, trata-se de um longo poema cuja versão "padrão" foi compilada no último terço do segundo milênio A.C. em acádio, baseada em histórias mais antigas. A tragédia do poema é o conflito entre os desejos do deus e o destino do homem.



No início do poema, o Rei-herói é apresentado como o protetor de Uruk e construtor da magnífica muralha da cidade. Chamado de "Aquele que descobriu a origem" ou "Aquele que viu tudo", Gilgamesh era tido com um líder sensato, porém despótico. De personalidade extremamente arrogante e tirânica, ele recrutava violentamente os jovens para o serviço militar, matando muitos no processo, sua luxúria desmedida o fazia tomar para si qualquer mulher que lhe agradasse, solteira ou casada e violar todas as virgens do reino. O povo, descontente com o seu comportamento, apelou à deusa Aruru para que criasse um homem que o derrotasse em combate, devolvendo a paz à cidade. Em resposta Aruru fez, a partir do barro, um homem selvagem que era o oposto moral de Gilgamesh, Enkidu o “homem natural” foi criado entre os animais selvagens e era possuidor de imensa força e agilidade descomunal. 


Enkidu tornou-se muito temido fazendo com que Gilgamesh elaborasse um plano para atrai-lo ate o palácio no intuito de acabar com ele. Resolveu assim, enviar-lhe uma cortesã para seduzi-lo. Cedendo a desejos carnais e perdendo sua inocência, Enkidu foi rejeitado pelos animais e convencido pela cortesã a acompanhá-la ao palácio de Gilgamesh. Enquanto isso o jovem rei tinha sido perturbado por um sonho no qual combatia um homem invencível. Preocupado, Gilgamesh pediu conselhos à sua mãe, a deusa Ninsun, "a que possuía todo o conhecimento", que lhe disse que o sonho significava que Enkidu se tornaria o seu melhor amigo, o que de fato aconteceu. Quando Enkidu chegou ao palácio e após um violento combate corpo a corpo em que não houve vitorioso, Gilgamesh recebeu-o com amizade e Enkidu tornou-se seu companheiro inseparável em muitas aventuras e batalhas.


A amizade dos dois é o elo que liga todos os episódios da história. É Enkidu quem traz notícias sobre a misteriosa floresta de cedros e seu terrível sentinela. Esse é o tema do segundo episódio: os dois heróis partem em busca da montanha e dos cedros, na obscura floresta da alma, um lugar sombrio onde localizam-se poderes sobrenaturais e estranhas aventuras os aguardam, terão o desafio de enfrentar o monstro gigante Humbaba, guardião da floresta. A jornada na floresta e a batalha daí resultante podem ser lidas em diferentes planos da realidade. A floresta é real, algumas vezes identificada como sendo no norte da Síria ou sudoeste da Pérsia. As cidades sumérias localizavam-se geograficamente em planícies, por isso os sumérios em suas construções, necessitavam de muita madeira.



Após uma difícil batalha, Humbaba é morto por Gilgamesh e Enkidu, o rei de Uruk é glorificado quando retorna da floresta com a madeira dos cedros e a cabeça do monstro. Nesse momento, a deusa Ishtar (da fertilidade e da guerra), “padroeira” de Uruk e que estava apaixonada por Gilgamesh, confessou o seu amor e tentou seduzi-lo, mas este a rejeitou, provocando a sua ira. Como vingança ela convence Anu (o deus sumério supremo) a enviar o Touro Celestial, uma terrível besta que causa grande devastação sobre a Terra. Antes que o monstro destruísse a cidade por completo, Gilgamesh e Enkidu o enfrentam, Enkidu derrota e mata o touro. Vingativa, Ishtar posteriormente fez com que Enkidu fosse marcado pelos deuses para morrer, ele acaba ficando gravemente doente e morrendo ao fim de doze dias de agonia.


Gilgamesh lamenta-se amargamente, mas não pode ajudá-lo. Durante o luto pela morte de Enkidu, Gilgamesh desespera-se ao tomar consciência de sua condição de mortal. Lança-se então numa busca pela imortalidade. Nessa busca tortuosa e cheia de grandes desafios Gilgamesh encontra o sábio imortal Utnapishtim, sobrevivente de um grande dilúvio que acabou com toda a humanidade. Esse homem recebeu dos deuses o dom da imortalidade, o segredo que o Rei-herói buscava. Esta parte da história, com grande semelhança ao dilúvio narrado na Bíblia, é baseado no antigo épico acádio Atrahasis.


Utnapishtim o fez desistir de sua busca, dizendo-lhe que a morte era uma realidade incontornável. No entanto, desafiou-o a ficar acordado durante seis dias e sete noites, prometendo tornar-lhe imortal após esse teste. Gilgamesh, não consegue superar a prova e então percebe finalmente que não é e nem poderia ser diferente dos outros homens, ele volta então para a sua terra, mantendo a sua condição de mortal. Antes de sua partida, Utanapishtim contou-lhe o segredo de uma planta que vivia no fundo do oceano e que devolvia a juventude a quem se picasse nos seus espinhos. Gilgamesh desceu ao fundo do oceano e com grande dificuldade obteve a planta e guardou-a para experimentar os seus poderes num velho da sua cidade, mas, num momento de descuido, a planta é roubada por uma serpente durante sua jornada de regresso.


O último episódio, que existe apenas na versão suméria, narra o fim da vida do Rei-herói. O final da aventura é como um feitiço que se quebra, tudo volta ao normal com a descrição dos muros de Uruk, que foram construídos por ele e que seriam sua grande obra duradoura. Gilgamesh voltou a Uruk, onde ainda apavorado pelo medo da morte, evocou Enkidu, que lhe descreveu sua vida no mundo das trevas, essa descrição traz o esboço de toda uma cosmogonia. Essa parte da Epopeia não parece ter muita relação com o restante das aventuras, mas é lá que encontram-se traçadas as concepções sumérias de criação do cosmos. No original sumério esse ultimo poema chamava-se "Gilgamesh, Enkidu e o Mundo Inferno".

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27 comentários:

  1. Puxa não consegui o que eu queria ...

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  2. ESTA EA VERDADEIRA HITORIA QUE DEVIA COMEÇAR NO GENISES DA BIBLIA A CRIAÇAO DE GILGAMESH

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  3. Em 1 Timóteo,capítulo 4 versículo 1,está escrito que nos últimos dias isso aconteceria mesmo.O mundo vai deixar de crer na palavra de Deus,e crerão em fábulas inventadas.(1Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;)

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    1. A Bíblia não serve nem para limpar o rabo, um livro que só serve pra incentivar a intolerância, o racismo, e o preconceito ao próximo.

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    2. Ninguem aqui falou que crê nesta história então para com seu fanatismo religioso

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    3. meu prezado voce que ofende os escritos bíblicos o que eu tenho pra te dizer até gilgamesh,lutou em busca da imortalidade mais morreu.
      e voce já parou pra pensar que mesmo vivo está morto.
      mais te digo ainda a chance pra voce.
      porque ainda está neste mundo.
      quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;

      João 11:25

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    4. Ôpa, discípulo do mestre, será q os falsos só surgiram agora? Pense e leia direitinho esse capítulo para não se embriagar e falar besteiras ok

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    5. A Bíblia diz claramente que quem crer e for batizado será salvo, cabe a você acreditar e não critique quem acredita do mesmo jeito que você, cada um tem uma fé e crê nela.

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    6. só esqueceu que Gilgamesh é antes da bíblia

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    7. senhor que "se sente ofendido" e que pensa que se está a atacar a Bíblia, por favor, vcs brasileiros quando querem usar _mas_, porque escrevem _mais_ ??!mais é um substantivo de adição. Aqui o senhor pretende usar mas, que é um substantivo de adversidade, por favor tenham dó da lingua portuguesa :(

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  4. Ótimo, muito bem editado e explicado, bom, quanto aos emburrecidos pela religião eles não aceitarão tal história pois, a religião os deixam cegos e sem conhecimento de fatos históricos para eles verdadeira história só tem na bíblia deles.

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  5. Gilgamesh teria armado uma grande estratégia, para derrubar o rei Nabucodonosor da grande babilônia: Pois obteve uma arranhada inveja quando soube que Deus, o teria levantado para surrar os filhos de Israel, pela desobediência contra Deus. Então Gilgamesh teve dois terríveis adversários... Deus o todo poderoso, e claro! Nabucodonosor. Segundo Ederson maia, Gilgamesh se degolou quando soube que seria impossível derrotar o rei da Babilônia, que obtinha as forças do sobrenatural, no caso o Deus de Israel. Que consumiu Gilgamesh e seu exército com fogo e enxofre.

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    1. É ai que você se engana meu caro, uma das coisas que tornavam Gilgamesh temido pelos demais reis era o seu poder de semideus e pela sua espada que junto com as 7 gemas poderia matar até mesmo os Deuses, tanto que esse é um motivo dos deuses após a morte de Enkidu, Ele foi o rei mais poderoso e temido do período, e isso é incontestável. Mesmo que o poder de Deus da babilonia(Que no periodo era Marduk) ele era um dos deuses que apoiava Gilgamesh, e isso não causaria em um conflito na região, e sim uma união.

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    2. Ao Anônimo de: 14 de janeiro de 2015 15:28

      Suas informações estão CORRETAS. PARABÉNS !!!

      E sem falar que MARDUK era filho do 'deus' ENKI que suplantou seu pai com relação a ADORAÇÃO. Esse NABUCODONOSOR será que era servo de quem, MARDUK ou anteriormente, de ENKI. Abraço.

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  6. Portal dos mitos ??? Parabéns pelo texto. Abraço.

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  7. A lista dos reis sumérios diz que gilgamesh viveu em 2750 a.c. e sua epopédia diz que o "noé sumério" lhe contou o dilúvio, mas a lista dos reis sumérios poem o dilúvio em 2200 a.c.. tem algo errado aí

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  8. É muito fácil acreditar nas estorias de nossos antecessores. Quando se pesquisa você não quer acreditar no que é possível, mesmo porque já se tem uma opinião formada de um deus que você acredita ser DEUS.E não sabe na verdade que existem muitas coisas a ser descoberta através da arqueologia e, a tecnologia que temos hoje em nossas mão. Cientificamente não existe nada que prove a existência de um deus.

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  9. Quantos idiotas crendo nessas estórias kkkkk
    São apenas fábulas de povos antigos, só porque são escritos "antigos" não quer dizer que são reais, tão pouco condizem com a realidade

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    1. Quem disse que o que está escrito é verdade e realmente aconteceu? Mitos são histórias contadas muitas vezes para explicar eventos que os antigos povos não compreendiam.

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  10. Mas cada louco com sua loucura,são livres para acreditar no que quiserem o.O

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    1. Tem gente que acredita em mulher virgem dando a luz e em burra falante.

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