Coyolxauhqui é uma divindade da mitologia asteca, mais especificamente da tradição mexica, conhecida principalmente pelo mito do nascimento de Huitzilopochtli. No Códice Florentino, ela é filha de Coatlicue, irmã mais velha dos Centzonhuitznahua e irmã de Huitzilopochtli. É frequentemente associada à Lua, embora a natureza exata dessa identificação seja discutida entre os pesquisadores. Seu nome costuma ser traduzido como “a que tem pintura facial de cascavéis”, em referência aos pequenos sinos ou cascavéis representados em suas bochechas.
Representações
Coyolxauhqui é conhecida por importantes esculturas encontradas na região do antigo Templo Mayor de Tenochtitlan. Uma delas, descoberta em 1830, representa sua cabeça decapitada e apresenta adornos como narigueira, ornamentos auriculares, plumas e os característicos cascavéis nas bochechas.
Sua representação mais conhecida é o grande monólito circular descoberto em 1978 junto ao Templo Mayor. Nele, Coyolxauhqui aparece de corpo inteiro, mas desmembrada, com a cabeça, os braços e as pernas separados do tronco. A figura possui diversos ornamentos, entre eles plumas nos cabelos, motivos de cascavéis no rosto e crânios no cinturão. O desmembramento representado no monólito corresponde diretamente ao destino de Coyolxauhqui no mito de Coatepec.
O nascimento de Huitzilopochtli
Segundo o Códice Florentino, Coatlicue vivia em Coatepec, a “Montanha da Serpente”, onde realizava penitências e varria. Durante uma dessas atividades, algo semelhante a uma bola de penas desceu sobre ela. Coatlicue recolheu as penas e as colocou junto ao corpo, mas elas desapareceram pouco depois. Em seguida, ela percebeu que estava grávida. Coyolxauhqui e os Centzonhuitznahua consideraram a gravidez uma desonra. Coyolxauhqui convenceu os irmãos a matar Coatlicue, e o grupo avançou armado contra ela.
Um dos Centzonhuitznahua, chamado Cuahuitlicac, passou a informar Huitzilopochtli, ainda no ventre da mãe, sobre a aproximação dos atacantes. Quando Coyolxauhqui e seus irmãos alcançaram o alto de Coatepec, Huitzilopochtli nasceu já armado e preparado para o combate. Ele enfrentou Coyolxauhqui utilizando sua arma chamada Xiuhcoatl, descrita no relato como uma serpente feita de tochas.
Coyolxauhqui foi morta e decapitada. Sua cabeça permaneceu em Coatepec, enquanto o corpo caiu pela encosta da montanha e se despedaçou. Huitzilopochtli voltou-se então contra os Centzonhuitznahua, perseguindo e derrotando grande parte deles. Alguns, porém, conseguiram escapar e fugiram para o sul.
Coyolxauhqui é frequentemente descrita como uma divindade lunar, e sua associação com a Lua possui ampla presença em estudos sobre a religião mexica. Essa identificação, porém, não é interpretada da mesma maneira por todos os pesquisadores. Alguns estudiosos consideram que Coyolxauhqui não deve ser entendida necessariamente como uma personificação permanente da Lua, mas como uma figura que assume caráter lunar dentro do contexto do mito de Coatepec.
Também é comum interpretar o confronto como uma representação cosmológica em que Huitzilopochtli corresponde ao Sol, Coyolxauhqui à Lua e os Centzonhuitznahua às estrelas. Essa leitura não deve ser confundida com os acontecimentos literalmente descritos no Códice Florentino. A fonte não afirma, conforme muitas fontes alegam, que Huitzilopochtli tenha lançado a cabeça de Coyolxauhqui ao céu para transformá-la na Lua. Pelo contrário, informa que sua cabeça permaneceu em Coatepec. Da mesma forma, não relata que os Centzonhuitznahua tenham sido transformados em estrelas.
O grande monólito de Coyolxauhqui foi encontrado ao pé da escadaria do lado sul do Templo Mayor, dedicado a Huitzilopochtli. A peça pertence à Etapa IVb do templo, associada ao governo de Axayácatl, entre 1469 e 1481. Sua posição reproduzia no espaço ritual um elemento central do mito de Coatepec: a imagem de Coyolxauhqui derrotada e desmembrada ficava abaixo da estrutura associada a Huitzilopochtli. A descoberta do monólito, em 1978, também teve grande importância para a arqueologia de Tenochtitlan, contribuindo para o desenvolvimento das escavações do Projeto Templo Mayor.
Interpretações e variantes
Além da interpretação lunar, o mito de Coyolxauhqui recebeu outras leituras acadêmicas. O historiador Patrick Johansson propôs que seu desmembramento poderia ter uma dimensão relacionada ao parto, associando a personagem à placenta dentro da narrativa do nascimento de Huitzilopochtli. Essa interpretação não corresponde, porém, a uma função explicitamente atribuída a Coyolxauhqui pelas fontes coloniais. A professoraEmily Umbergertambém analisou o mito de Coatepec em relação à história política mexica, especialmente às narrativas sobre a guerra entre Tenochtitlan e Tlatelolco em 1473.
As fontes coloniais não apresentam uma genealogia inteiramente uniforme. No Códice Florentino, Coyolxauhqui é irmã de Huitzilopochtli e dos Centzonhuitznahua. Em uma tradição preservada na Crónica Mexicáyotl, entretanto, ela aparece como mãe de Huitzilopochtli e irmã dos Huitznahua, mostrando que sua genealogia varia conforme a fonte.
SAHAGÚN, Bernardino de; colaboradores nahuas. Florentine Codex, Book 3: The Origin of the Gods. Digital Florentine Codex, Getty Research Institute. Disponível em: <https://florentinecodex.getty.edu/book/3/folio/1r>;
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Interessante e meio maluca! Mas qual mitologia não é, certo?!
ResponderExcluirConcordo!
Excluir<3
ResponderExcluirMais a coyolxauhqui foi petrificada ou não
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