15 de março de 2014

A Edda Poética: Parte VII - Hymiskviða

۞ ADM Sleipnir

Tradução e notas de Márcio Alessandro Moreira.


O Hymiskviða ("A Canção de Hymir") é um dos poemas da Edda Poética, e conta como Þórr fez para conseguir o caldeirão do Jötunn Hymir para o Sumbel ("Banquete") dos Deuses. Esse conto, além de constar no Codex Regius, também aparece no manuscrito AM 748 I 4to. Na Edda em Prosa, Snorri apresenta uma versão bem diferente. Sem duvida esse conto é um dos mais famosos de Þórr, pois aparece em várias estelas rúnicas.

Hymiskviða

01-Há muito tempo os Valtívar*
apanhavam peixes*,
e se banqueteavam,
antes de se sentaram para a refeição,
eles sacudiram ramos*
e no sangue do sacrifício* entenderam;
eles encontraram com Ægir
ampla escolha de caldeirões*.

02-O habitante da montanha* se sentava
bastante feliz como uma criança,
muito parecido com o filho de
Miskorblindi*;
o filho de Yggr*
olhou desafiadoramente em seus olhos:
"Tu deves aos Æsir
frequentemente preparar um sumbel*."

03-O Jötunn conseguiu trabalho
do herói zombador,
ele pensou em se vingar
o mais depressa contra os Deuses,
ele pediu ao marido de Sif*
que trouxesse um caldeirão,-
"Em qual eu fermentarei cerveja
para todos vocês."

04-Nem isto foi capaz
os gloriosos Tívar
e Ginnregin*
de conseguir em parte alguma,
até que o fiel
Týr para Hlórriði*,
um grande conselho,
disse em particular.

05-"Habita a leste
de Élivágar*,
o sábio Hymir,
no fim do céu;
meu feroz pai*
possui um caldeirão,
um caldeirão espaçoso,
de uma légua de profundidade."

Þórr disse:
06-"Tu sabes se receberemos
esse caldeirão?"
Týr disse:
"Se, amigo, nós inteligentemente
usarmos truques."

07-Nesse dia eles saíram
num longo caminho
de Ásgarðr,
até que chegaram no [lar de] Egill*;
ele guardou os bodes
de chifres esplêndidos;
eles foram para o salão
que Hymir possuía.

08-O jovem* conheceu
a avó e a detestou muito,
ela tinha
novecentas cabeças,
mas outra [mulher] chegou
toda em ouro*,
com alvas sobrancelhas,
trazendo cerveja para o seu filho:

09-"Parente de Jötnar*,
eu quero colocar vocês dois,
homens valentes,
atrás dos caldeirões;
meu amante
é muito grosseiro
com os seus convidados,
tem mau temperamento."

10-[Mas] o furioso
chegou tarde,
Hymir, o de coração frio,
ao lar [de volta] da caça,
[ele] entrou no salão,
gotas de gelo ressoavam,
quando o homem* chegou,
com a floresta da face* congelada.
Frilla* disse:

11-"Ti saúdo, Hymir,
com bons pensamentos,
agora o filho chegou
ao teu salão,
quem nós esperávamos
de suas longas jornadas;
ele está acompanhado
do inimigo de Hróðr*,
o amigo dos homens;
que é chamado Véurr*."

12-"Vejas tu, onde [eles] estão sentados
sob o frontão do salão,
para se protegerem,
ficando atrás do pilar."
O pilar explodiu em pedaços
no vislumbre do Jötunn,
e a viga se quebrou
em dois.

13-Oito se quebraram,
só apenas um
caldeirão de ferro
resistiu intacto;
eles caminharam adiante,
o antigo Jötunn
olhou em direção
a seu adversário*.

14-Sua mente lhe disse
pra ficar atento quando ele viu
a tristeza das Gýgjur*
andando no recinto,
para lá três bois
foram levados,
imediatamente o Jötunn mandou
serem assados*.

15-Todos eles foram deixados
sem cabeça
e colocados depois disso
no pote de assar;
o marido de Sif comeu,
antes de ir dormir*,
sozinho,
os dois bois de Hymir.

16-Pensou o grisalho
amigo de Hrungnir*
que a comida de Hlórriði*
era uma porção muito grande:
"No próximo entardecer
teremos que ir
caçar alimento para
nós três vivermos*."

17-Véurr disse que queria
remar no oceano,
se o teimoso Jötunn
lhe desse a isca.
Hymir disse:
"Tu deves ir até o rebanho,
se tu ousas
destruidor dos Danes das montanhas*,
e procure uma isca."

18-"É isso que espero,
que para ti
seja fácil conseguir
uma isca de bois."
O rapaz ansiosamente
foi para a floresta,
onde estava um boi
completamente negro.

19-O matador dos Þursar*
arrancou do boi,
o domicílio
dos dois altos chifres*.
Hymir disse:
"Teu trabalho parece
muito pior,
mestre do barco,
mais do que quando tu estavas sentado*."

20-O senhor dos bodes
mandou o parente dos macacos*
guiar o cavalo das ondas*
o mais longe possível,
mas o Jötunn disse
que tinha pouca vontade
de remar
para mais longe.

21-O famoso Hymir,
mal-humorado,
logo puxou duas baleias
num único anzol,
e de volta na popa,
o filho de Óðinn, Véurr,
habilidosamente fez
sua linha de pesca.

22-O guardião dos homens,
o único matador da serpente*,
firmou a cabeça
do boi no anzol;
aquele que os Deuses odeiam
e se posiciona abaixo circulando
todas as terras,
mordeu o anzol*.

23-O destemido Þórr
corajosamente puxou
a venenosa serpente
até o lado do barco;
e com o seu martelo
ele golpeou violentamente
em cima da cabeça
do escondido irmão do lobo*.

24-Os monstros rugiram
e as rochas ressoaram,
toda a antiga Terra
foi sacudida;
-- -- --
-- -- --*
até o peixe* afundar
de volta no mar*.

25-O Jötunn não estava feliz,
quando ele remou de volta,
Hymir não falou nada
enquanto estava no remo,
ele puxou o remo
para ver que lado o vento soprava.
Hymir disse:

26-Tu irá fazer metade
do trabalho comigo,
carregando as baleias
para a fazenda,
ou amarrando
nosso bode a vela*."

27-Hlórriði andou,
agarrou na proa,
levantou o cavalo das ondas*
com os remos, a colher
e o balde*,
e ele carregou sozinho
ambos os javalis do mar*,
até a fazenda do Jötunn
e foi através do vale
dos bosques arborizados*.

28-Mas o Jötunn
estava obstinado
e discutiu com Þórr
sobre força;
dizendo que embora um homem
possa remar vigorosamente,
ele não é poderoso
a menos que quebrasse o cálice*.

29-Mas Hlórriði,
logo que teve isso nas mãos,
ele esmagou
as colunas de pedra com o cálice;
de onde se sentava
ele atirou isto através dos pilares;
embora depois o cálice
tivesse sido trazido para Hymir inteiro.

30-Até a amável
senhora* lhe ensinar
um grande conselho,
que ela conhecia:
"Golpeia na cabeça de Hymir,
enquanto o Jötunn
está pesado com a comida,
onde é mais duro que qualquer cálice."

31-O robusto senhor dos bodes
se levantou em seus pés
e usou todo
o seu Ásmegin*;
o tronco do elmo do homem*
ficou inteiro,
mas o oval barril do vinho*
foi quebrado em pedaços.

32-"Eu sei que uma coisa muito estimada
minha se foi,
quando eu vejo o cálice
caído à ruína do combate*,"
o homem* disse essas palavras:
"eu nunca poderei
dizer novamente:
tu estás fermentada, cerveja."

33-"Mas isso será testado,
se tu podes carregar,
do nosso templo,
o barco da cerveja*."
Týr tentou mover o caldeirão
por duas vezes;
mais nas duas vezes
o caldeirão ficou imóvel*.

34-O pai de Móði*
agarrou o aro e seu pé
atravessou diretamente
através do chão* do salão;
o marido de Sif
levantou o caldeirão acima
de sua cabeça e as manivelas
batiam em seus calcanhares.

35-Eles andaram por um tempo,
até o filho de Óðinn
olhar uma vez
para trás dele;
ele viu uma tropa
de guerreiros de múltiplas cabeças*
emergindo com Hymir
das rochas no leste.

36-Ele levantou o caldeirão
de seus ombros,
ele atirou o assassino
Mjöllnir adiante,
e ele matou todas
as baleias da lava*.

37-Eles não andaram muito tempo
quando um dos bodes
de Hlórriði
caiu semimorto na frente deles,
a besta condutora* do vagão
estava manco do osso [da perna],
e por causa
do astuto Loki.

38-Mas tu já tem ouvido,-
e cada um que conhece
os contos dos Deuses
entende claramentecomo
ele conseguiu sua recompensa*
do habitante da lava*
que lhe pagou com
seus filhos*.

39-O poderoso chegou
à Þing* dos Deuses
e tinha o caldeirão
que Hymir uma vez possuiu;
e os Deuses
vão alegremente beber
cerveja com Ægir
[todo inverno*].


Notas do Hymiskviða:
  • 01/1* Valtívar significa "Deuses da Morte".
  • 01/2* Essa passagem também pode ser traduzida como: "... estavam caçando" ou "... estavam jogando".
  • 01/5* Possivelmente são varetas com runas talhadas para prever o futuro.
  • 01/6* Um antigo modo de adivinhação usado para prever o futuro.
  • 01/8* Também pode ser traduzido como: "... a falta de caldeirões".
  • 02/1* Ægir.
  • 02/4* Miskorblindi parece ser o nome do pai de Ægir, embora as outras fontes contem que o pai dele é Fornjötr.
  • 02/5* Þórr.
  • 02/8* Sumbel é uma celebração onde pessoas bebem em comunhão em ato ritual.
  • 03/5* Þórr.
  • 04/3* Tívar e os Ginnregin são os Deuses.
  • 04/6* Þórr.
  • 05/2* Élivágar é os rios venenosos que corre da fonte Hvergelmir no Ginnungagap, onde Ymir (o primeiro Jötunn) foi criado.
  • 05/5* Týr afirma que seu pai é o Gigante Hymir, enquanto Snorri diz que ele é filho de Óðinn.
  • 07/4* Esse Egill parece ser o mesmo personagem que o Egill, que é irmão de Völund, ambos moram na floresta.
  • 08/1* Týr é neto dessa Giganta.
  • 08/6* Essa mulher é a mãe de Týr e estava vestida com ouro.
  • 09/1* Jötnar são os Gigantes.
  • 10/7* Esse "homem" é o Gigante Hymir.
  • 10/8* A barba. * Frilla significa "Bela Senhora", mas talvez fosse o nome real da mãe de Týr.
  • 11/8* Þórr.
  • 11/10* Þórr.
  • 13/8* Þórr.
  • 14/3* Þórr é a tristeza das Gýgjur ("Gigantas"), porque é o matador dos Gigantes.
  • 14/8* Embora o Gigante esteja furioso isso não o impediu de ser hospitaleiro com seus convidados.
  • 15/6* Þórr comeu dois bois inteiros antes de dormir.
  • 16/2* Hymir é o amigo de Hrungnir, embora pareça apenas se referir para indicar que ambos são Gigantes.
  • 16/3* Þórr.
  • 16/8* Ter o que comer para sobreviver.
  • 17/8* Danes (=Dinamarqueses) das montanhas são os Gigantes.
  • 19/1* Þórr é o matador dos Þursar.
  • 19/4* Kenningr para "cabeça".
  • 19/9* Hymir parece se queixar pela perda dos bois.
  • 20/2* O senhor dos bodes é Þórr e o parente dos macacos é Hymir.
  • 20/3* Kenningr para "barco".
  • 22/2* Þórr.
  • 22/8* Jörmungandr.
  • 23/8* Jörmungandr é irmão do lobo Fenrir. Outra tradução é possível: "e com o seu martelo ele golpeou violentamente a escondida cabeça do lobo irmão de batalha".
  • 24/6* Segundo Carolyne Larrington o manuscrito parece indicar uma lacuna. Hymir provavelmente cortou a linha nesse momento. Snorri confirma isso no Gylfaginning cap. 48.
  • 24/7* O "peixe" é Jörmungandr.
  • 24/8* Snorri diz, no Gylfaginning cap. 48, que Þórr acertou a cabeça de Jörmungandr abaixo das ondas e que o Deus teria decapitado o monstro, mais ele depois afirma que a serpente sobreviveu. No prólogo da Edda em Prosa é dito que Þórr matou "o maior dos dragões" em suas andanças pelo mundo. O escaldo Úlfr Uggason compôs um poema sobre a vitória de Þórr contra Jörmungandr (além de outros mitos) e ele também relata que o Deus teria decapitado a serpente. É interessante notar que Úlfr havia visto imagens pintadas desta cena numa casa da Islândia no final do século 10 e provavelmente esse é o final do relato mítico, pois mostra que os nórdicos pagãos acreditavam que Þórr havia matado a serpente e sobrevivido; e que a versão apresentada nas duas Eddas, onde o Deus e o monstro morrem, pode ter sido adulterado pelos cristãos. Saxo Grammaticus na Gesta Danorum Livro III relata que nada pode resistir (e continuar vivo) ao golpe do martelo de Þórr.
  • 26/6* Kenningr para "barco".
  • 27/3* Kenningr para "barco".
  • 27/5* Equipamentos do barco.
  • 27/7* Kenningar para "baleias".
  • 27/10* Þórr fez todo o trabalho de Hymir, primeiro o Deus traz o barco até terra firme com tudo que tinha dentro dele e depois ele levou as baleias para a fazenda do Jötunn. Provavelmente indicando que Þórr não faz o serviço pela metade.
  • 28/8* Cálice que Hymir possuía e parece ser mágico.
  • 30/2* A esposa de Hymir.
  • 31/4* Ásmegin significa "Força Divina".
  • 31/5* Kenningr para a "cabeça de Hymir".
  • 31/7* Kenningr para "Cálice" ou "Copo".
  • 32/4* Também pode ser traduzido assim: "... em ruína no meu joelho."
  • 32/5* Hymir.
  • 33/4* Kenningr para caldeirão.
  • 33/8* Týr não foi capaz de mover o caldeirão embora já tivesse tentado levanta-lo duas vezes.
  • 34/1* Þórr é pai de Móði.
  • 34/4* Por causa do peso do caldeirão. Segundo o Gylfaginning cap. 48, quando Þórr puxou Jörmungandr do mar, seus pés atravessaram as madeiras do barco e tocaram o fundo do oceano.
  • 35/6* Gigantes com múltiplas cabeças como a avó de Týr.
  • 36/6* Kenningr para "Gigante".
  • 37/5* Um dos bodes de Þórr.
  • 38/5* Þórr.
  • 38/6* Egill
  • 38/8* Þjálfr e Röskva.
  • 39/2* O poderoso é Þórr que chegou para a Assembleia.
  • 39/8* Esta linha é de difícil interpretação, mas parece sugerir o inverno.

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14 de março de 2014

Ammit

۞ ADM Sleipnir


Na mitologia egípcia, Ammit (também chamada Ammut, Ammet, Amam, Amemet e Ahemait) é a personificação da retribuição divina e a executora das almas renegadas. Ela é geralmente descrito como uma criatura com a cabeça de um crocodilo, o corpo de um leão ou um gato selvagem e os membros inferiores de um hipopótamo. Literalmente, seu nome significa "devorador" e por isso ela também adquiriu títulos como "A Devoradora dos Mortos", "Devoradora de Milhões", "Demônio da Morte", "Demônio do Submundo", "Comedora de Corações", "Come-Ossos", "Comedora de Almas", "A Grande Morte" e "Habitante (ou Devoradora) de Amenta (ou Duat, o submundo egípcio)" 

Ammit vive no Duat, e se assenta sob a balança da justiça de Ma'at, a deusa da justiça. No Salão das Duas Verdades, Anúbis pesa o coração de uma pessoa (onde os egípcios acreditavam que a alma habitava) contra a pena de Ma'at. Se o coração  pesasse igual a pena de Ma'at, a alma ganhava a vida eterna em Aaru, o paraíso egípcio. Se o coração estivesse carregado de pecados, ele pesaria mais que a pena de Ma'at, e o coração do falecido é entregue à Ammit, que o devora juntamente com sua alma, condenando-a à morte eterna.  Em algumas versões, Ammit devora não só o coração, mas todo o corpo do condenado.


Alguns estudiosos acreditam que Ammit residia perto do lago de fogo no Duat ( o submundo egípcio), atuando como seu guardião. Depois de cada julgamento, os corações dos ímpios eram lançados no lago de fogo para serem destruídos. 

Ammit não era adorada pelos egípicios. Em vez disso, ela encarnava todos os aspectos da vida após a morte que os egípcios temiam, ameaçando ligá-los ao sofrimento eterno se eles não seguissem o princípio de Ma'at. Ela age para garantir a ordem, impor o bem e afastar o mal . Ela é um símbolo de que cada pessoa é dada a oportunidade de defender suas ações, antes de ser julgado a condenação eterna. Ela está ligada à deusa hipopótamo Tawaret, em virtude de suas aparências semelhantes. As características leoninas de Ammit apontam  uma ligação com a deusa Sekhmet. 


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13 de março de 2014

Xolotl

۞ ADM Sleipnir



Xolotl era um deus monstruoso e deformado da mitologia asteca/tolteca, associado as doenças, as desgraças, a má sorte, ao fogo, aos raios e aos cães (que eram considerados imundos e imorais pela cultura mesoamericana). Ele é o irmão gêmeo de Quetzalcoatl, ambos filhos da virgem Coatlicue. Xolotl é geralmente representado como um cão-esqueleto com os pés virados para trás, e com orelhas de abano. Ele também pode ser representado como um homem com a cabeça de um cão. 

Nos mitos, Xolotl (que também era a personificação da estrela da noite) atuava como o guardião do sol, empurrando-o em direção ao oceano durante o pôr do sol, e o guardando durante a noite em sua perigosa jornada através do submundo. Em alguns mitos ele também é o responsável por guiar as almas dos mortos durante sua jornada a Mictlan, o submundo asteca.



Xolotl também desempenhou um papel fundamental na criação da humanidade. Ele acompanhou seu irmão Quetzacoatl durante uma viagem às  profundezas de Mictlan, a fim de recuperar os ossos de uma antiga raça de seres que haviam habitado o mundo anterior (Nahui Atl), para que eles pudessem criar vida para o mundo atual (Nahui Ollin). Xolotl enganou Mictlantecuhtli, deus de Mictlan, que lhe permite arrastar uma carcaça podre até o mundo da luz, onde o seu irmão e os deuses do céu polvilharam-na com seu sangue. Assim, o primeiro homem nasceu, a partir do sangue dos deuses do céu e os ossos dos mortos.

Xolotl era possuidor de um comportamento covarde, e constantemente se metia em confusões. Uma lenda conta que Xolotl sofreu reveses em tempestuosos assuntos políticos dos deuses. Temendo que pudesse ser banido ou morto por eles, acaba se transformando em um axolotl, uma salamandra indígena existente na bacia mexicana. O axolotl não tem a capacidade de se transformar em um animal terrestre como as outras salamandras têm, permanecendo na água por toda a vida.



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12 de março de 2014

Angrboda

Na mitologia nórdica, Angrboda (antigo nórdico Angrboða, "Aquela que traz a tristeza"; também chamada Angurboda ou Angerboda) é uma jotun (gigante de gelo), mais conhecida por unir-se ao deus das trapaças Loki, e gerar três dos seus monstruosos filhos: a deusa Hel, a serpente Jormungand e o lobo Fenrir. Ela é atestada no Gylfaginning, primeira parte da Edda em Prosa de Snorri Sturluson, que também cita Jötunheim como sendo a sua morada.

Em algumas fontes existe o relato de que Angrboda seria também mãe dos lobos Skoll e Hati, filhos de Fenrir, e portanto, frutos de uma relação incestuosa. Em outras fontes, como a Völuspá e o Gylfaginning a mãe de Skoll e Hati seria uma jotun sem nome de Járnvid, uma floresta localizada a leste de Midgard, com quem Angrboda é geralmente identificada.


Quando os Aesir tomaram conhecimento que Loki e Angrboda haviam gerado essas criaturas terríveis e perigosas, eles ficaram temerosos e logo trataram de separá-los, antes que eles pudessem ser uma ameaça. Hel foi banida para viver em Helheim, um dos nove reinos da mitologia nórdica, o qual ela transformou em seu próprio domínio. Jormungand foi lançado ao mar, onde eventualmente cresceu tanto que foi capaz de cercar o planeta inteiro ao ponto de conseguir morder sua própria cauda. Por último, o lobo Fenrir foi trazido para Asgard, mas quando os deuses perceberam que não podiam controlá-lo, ele foi levado para uma ilha onde foi amarrado a uma rocha com uma corrente mágica feita pelos anões, chamada Gleipnir. Durante os eventos do Ragnarok, os três irmãos se unirão novamente, e ao lado de seu pai travarão a batalha final contra os Aesir. Quanto ao destino de Angrboda, nada é relatado.



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11 de março de 2014

Amazonas

۞ ADM Sleipnir


Na mitologia grega, as Amazonas eram uma tribo composta por ferozes mulheres guerreiras, e que viviam na Ásia Menor. Acreditava-se que elas fossem descendentes do deus da guerra, Ares. O seu reino chamava-se Temíscera, e neste reino, a entrada de homens era completamente proibida. Supõe-se que para poderem se reproduzir, as amazonas mantinham relações sexuais com homens pertencentes à tribos vizinhas. Elas mantinham e criavam apenas as meninas, e os meninos eram mortos, mutilados, se tornavam escravos, ou ainda eram enviados para seus pais.

Origem

Estudiosos discordam sobre o significado do termo amazona. Alguns dizem que o nome significa "sem seios", devido á crença de que as Amazonas cortavam uma de suas mamas, a fim de poderem usar lanças e arcos de forma mais eficaz. Outros estudiosos acreditam que o nome pode significar "sem grão" (ou pão) e pode ter se derivado da palavra grega para cevada, Maza. 

A lenda das Amazonas pode ter se originado do fato de que as mulheres em algumas sociedades antigas tomavam parte nas batalhas. Em muitos casos, essas eram sociedades matriarcais, nas quais as propriedades e o nome de uma família eram passados adiante através do lado da mãe da família. Para os gregos, com sua sociedade patriarcal, esta prática era considerada antinatural e bárbara. Eles, portanto, criaram histórias sobre ferozes mulheres que tinham aversão a homens . Em muitos contos gregos, as amazonas são derrotadas e mortas pelos guerreiros masculinos como punição por terem um papel considerado adequado apenas para os homens.



Lendas

As amazonas aparecem com freqüência nos mitos e lendas gregos. Um dos 12 trabalhos de Hércules era capturar o cinturão da rainha amazona Hipólita . Quando Hércules chegou à terra das Amazonas , Hipólita o recebeu calorosamente e concordou em dar -lhe o cinto. Mas Hera, rainha dos deuses , convenceu  o restante das Amazonas de que Hércules queria sequestrar Hipólita, e então elas pegaram em armas e o atacaram. Acreditando que a rainha o havia enganado, Hércules a matou antes de embarcar de volta para a Grécia com o cinto.

Em outro conto grego , o herói Teseu ataca as Amazonas e sequestra a rainha Hipólita. As amazonas respondem esse ato indo à guerra contra Atenas, mas Teseu as derrota após uma luta terrível. Durante a Guerra de Tróia, a rainha amazona Pentesiléia trouxe tropas extras para ajudar os troianos após a morte do guerreiro Hector. Devido a isso, o herói grego Aquiles  a mata e depois acaba se apaixonando por seu cadáver. As amazonas também aparecem nas obras de escritores do grego Heródoto e Apolodoro.

As Amazonas Eslavas


Histórias de poderosas guerreiras também aparecem nas lendas dos povos eslavos, no sudeste da Europa. Lideradas pela guerreira Vlasta, essas mulheres viviam em um castelo perto do rio Vltava. Elas eram agressivas tanto em seus combates contra os homens, como também em suas perseguições à eles. Em uma história, Sárka, uma dessas mulheres, lutou contra o bogatyr eslavo Dobrynya Nikititch. Ela agarrou-o pelos cabelos, puxou-o de cima de seu cavalo, e colocou-o em seu bolso. Ela só o soltou após ele prometer que se casaria com ela. Na maioria das histórias, as guerreiras acabaram mortas ou casadas com um herói.

As Icambiabas

A lenda das Amazonas viveu por muito tempo após a época dos antigos gregos e romanos. Em torno de 1540, uma viagem empreendida pelo explorador espanhol Francisco de Orellana ajudou a recriar a lenda das amazonas. As icamiabas eram índias que dominavam a região próxima ao rio Amazonas, riquíssima em ouro. Quando Orellana desceu o rio em busca de ouro, descendo os Andes (em 1541) o rio ainda era chamado de Rio Grande, Mar Dulce ou Rio da Canela, por causa das grandes árvores de canela que existiam ali. A belicosa vitória das icamiabas contra os invasores espanhóis foi tamanha que o fato foi narrado ao rei Carlos V, o qual, inspirado nas antigas guerreiras amazonas, batizou o rio de Amazonas. 



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10 de março de 2014

Ilmatar

۞ ADM Sleipnir

Ilmatar (1860), pintura de Robert Wilhelm Ekman

Ilmatar (também chamada Luonnotar em algumas tradições) é uma figura primordial da mitologia finlandesa e careliana. No Kalevala, epopeia compilada por Elias Lönnrot no século XIX, ela aparece como a “Filha do Ar”, uma donzela celestial associada à criação do mundo e ao nascimento de Väinämöinen, um dos principais heróis do poema. Seu mito reúne imagens de água primordial, ave aquática, ovo cósmico e nascimento heroico, preservando temas ligados às antigas tradições orais finlandesas, carelianas e íngrias.

Segundo o primeiro runo do Kalevala, no princípio havia apenas o ar e as águas. Ilmatar vivia sozinha nas regiões celestes, até que desceu ao mar e passou a vagar sobre as águas. Agitada pelos ventos e pelas ondas, tornou-se mãe das águas e ficou grávida. Durante muitos anos, permaneceu no oceano sem conseguir dar à luz.

Em certo momento, uma ave aquática surgiu procurando um lugar seguro para fazer ninho. Como não havia terra firme, Ilmatar ergueu o joelho acima da superfície do mar. A ave pousou ali e depositou sete ovos: seis de ouro e um de ferro. Enquanto a ave os chocava, o calor tornou-se insuportável, e Ilmatar moveu o corpo. Os ovos caíram nas águas e se quebraram. Dos fragmentos dos ovos surgiu o mundo. A parte inferior formou a terra; a parte superior tornou-se o céu. A parte clara deu origem à lua, a parte amarela ao sol, os fragmentos coloridos às estrelas e a parte escura às nuvens. Depois disso, Ilmatar continuou a moldar a paisagem, formando colinas, baías, praias, rochas, recifes, ilhas e profundezas marinhas.

Mesmo após a formação do mundo, Väinämöinen ainda permaneceu no ventre de Ilmatar por trinta verões e trinta invernos. Cansado da escuridão, ele finalmente rompeu seu confinamento e lançou-se ao mar, de onde depois alcançou a terra firme. No Kalevala, Väinämöinen é apresentado como um sábio cantor e poderoso encantador, cuja força está ligada ao conhecimento, à palavra e ao canto mágico.


fontes:
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