Azeban (Azban, Asban, Azaban, Espun, Hespuns, Hespens) é um espírito trapaceiro de um guaxinim, pertencente ao folclore das tribos nativo-americanas Abenaki e Penobscot. Ele costuma enganar animais e outros seres afim de obter alimento ou outros favores. Suas travessuras são geralmente engraçadas e bastante triviais.
Personagem principal de muitas histórias destinadas às crianças, o Azeban muitas vezes se comporta de forma tola ou causa problemas para os outros, mas ao contrário de espíritos e divindades trapaceiras presentes em outras culturas, o Azeban não é perigoso ou malévolo. Abaixo temos uma história que ilustra bem o seu comportamento.
Certa vez, haviam dois homens cegos que viviam em uma aldeia. Eles eram infelizes porque não podiam enxergar e eles não conseguiam ajudar a si mesmos. Então eles deixaram a aldeia, indo viver em meio a uma floresta. Lá se sentaram em um tronco, e decidiram que iriam ficar. Um dia, Glooscap (um herói mítico da tribo Abenaki) os encontrou nesse lugar e lhes perguntou: -"Qual é o problema de vocês?"
Os homens disseram: -"Ninguém nos quer por perto. Não podemos cuidar de nós mesmos e não podemos ajudar ninguém, por isso decidimos ficar a sós aqui até morrer".
Após ouví-los, Glooscap preparou uma tenda para eles. Em seguida, deu-lhes uma corda e disse-lhes: "Levem esta corda até o rio. Amarre uma ponta a uma árvore e a outra à um balde. Quando vocês quiserem beber água, apenas joguem o balde no rio e puxem-lo de volta".
Glooskap
O travesso Azeban estava por perto, e ao assistir a cena, decidiu se divertir pregando uma peça nos dois homens. Quando um dos homens foi até o rio buscar água, Azeban o seguiu. Ele esperou o homem jogar o balde na água, e quando o fez, ele furtivamente pegou o balde e o encheu de areia. Quando o homem puxou a corda, constatou que não havia água no seu balde, apenas areia.
Ao voltar para a tenda, ele disse ao outro homem: "Parece que o nosso rio está seco. Só havia areia lá. Não havia água". O outro homem não acreditou nele, e disse: "Eu acho que você é muito preguiçoso. Você provavelmente não foi até o rio. Você apenas fingiu que foi".
-" Não, eu estou te dizendo a verdade!", disse o homem que havia ido buscar a água.
A esta altura, Azeban já tinha voltado ao rio e colocado o balde de volta na água. Quando o segundo homem cego foi até o rio verificar, ele puxou a corda e o balde voltou cheio d'água.
O homem voltou furioso para a tenda. Chegando lá, tratou de tirar satisfações com o companheiro. -"Veja, eu trouxe água. Você não passa de um preguiçoso. Você simplesmente não foi buscar a água!", disse ele. Os homens então iniciaram uma luta..
Mais tarde, Azeban notou que um deles cozinhava o jantar. Haviam quatro pedaços de carne na panela. Então, ele roubou dois pedaços de carne e depois se escondeu.
Quando o primeiro homem foi até a panela, tirou dois pedaços de carne e começou a comer. Quando o segundo homem foi servir a si mesmo, notou que não havia mais nenhuma carne na panela. Mais uma vez, ele ficou muito irritado.
-"Como se não fosse ruim o bastante você ser um preguiçoso e não querer ir buscar água, você ainda rouba o meu jantar. Não há nenhuma carne aqui!", disse ele.
"Eu só peguei dois pedaços de carne. Deve haver ainda dois pedaços de carne restando" , disse o outro homem. Azeban assistia novamente a briga dos dois, e ria bastante. Glooscap voltou ao local para ver como os homens estavam, e ao encontrá-los brigando, perguntou-lhes: -"Por que vocês estão lutando?"
-"Oh!", disse o segundo homem: "Ele é tão preguiçoso que não quer ir buscar água. Ele disse que não havia água no rio, mas quando eu fui até lá e joguei o balde, havia muita água. Além disso, ele comeu a minha parte do jantar, e eu fiquei sem nada para comer".
Glooscap olhou ao redor, e viu Azeban rolando no chão e rindo. Assim, Glooscap entendeu o que estava acontecendo. Glooscap foi até a tenda dos homens, onde o fogo do jantar ainda estava aceso e pegou um carvão. Depois, ele pegou Azeban e marcou um círculo preto ao redor de seus olhos. Ele então disse ao guaxinim:
-"Isto é pelos dois pedaços de carne que você roubou dos dois cegos. Você sempre terá essa marca no rosto, para mostrar a todos que você é um ladrão. Você será reconhecido como um ladrão aonde quer que vá!"
Em seguida, Glooscap usou o mesmo carvão para marcar quatro anéis em torno da cauda de Azeban.
-"Isto é pelas vezes que você fez os homens lutarem. E você irá se lembrar, porque as marcas que eu fiz em você, ficaram com você, onde quer que vá!".
É por isso que até hoje, os guaxinins possuem estas marcas, que se assemelham as antigas roupas utilizadas por presidiários.
Gaia (do grego Γαια, Gaea, "Terra"; também chamadaGi ou Ge) é a deusa grega primordial que simboliza a Terra e uma das divindades que governavam o universo antes dos Titãs. Ela e seus irmãos (Nix, Tártaro, Eros e Érebo) eram filhos de Caos, e foram gerados a partir de cisões do mesmo. Dotada de uma enorme capacidade progenitora, Gaia por sua vez auto-gerou os deuses Pontos(mar), Oureas(montanhas)e Urano (céu), e este último por fim a tomou como esposa.
Os primeiros descendentes de Urano e Gaiaforam a primeira geração de Titãs (Oceano, Céos, Crio, Hipérion, Jápeto, Cronos, Febe, Mnemósine, Réia, Têmis, Tétis e Téia). Posteriormente, Urano e Gaia geraram os monstruosos Ciclopes (Arges, Brontes e Estéropes) e o Hecatônquiros (Briareu, Giges e Coto).
Mitos
O atrito com Urano e a rebelião de Cronos
Urano, que possuía o dom de prever o futuro, não gostava em particular dos Cíclopes e os Hecatônquiros, e temia que um deles viesse a destroná-lo no futuro. Como resultado desse temor, Urano encerrou os Cíclopes e os Hecatônquiros novamente no útero de Gaia, causando-lhe uma enorme dor. Impedida por Urano de dar a luz aos seus filhos, Gaia clamou pela ajuda de seus filhos titãs.
Nesse ponto da história temos 2 versões: na primeira, somente Cronos aceita se rebelar contra o pai e na segunda, cinco titãs incluindo Cronos se rebelam. Quatro deles se colocaram de guarda nos quatro cantos do mundo, preparados para agarrar seu pai enquanto ele descia para se unir mais uma vez com sua esposa. O quinto titã, Cronos, tomou o seu lugar no centro, e armado com uma foice de diamante forjada por Gaia, castrou Urano, enquanto seus irmãos o seguravam firmemente. O sangue do deus celeste caiu e encharcou a terra, produzindo as Erínias, as Melíadese os Gigantes. Os seus testículos foram jogados no mar e geraram a deusa Afrodite. Assim, Urano e Gaia foram definitivamente separados. Após a separação de Urano, Gaia deu à luz a outros filhos. Com Pontos, Gaia foi mãe de Nereu, Taumante,Fórcis,Ceto eEuríbia. Com Tártaro, ela foi mãe deEquidna eTifão, sendo o último um dos mais formidáveis inimigos de Zeus.
Cronos segue os passos do pai: a ascensão de Zeus
Após a queda de Urano, Cronos tornou-se o novo regente do universo e libertou os irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos, também os temeu, e então decidiu aprisioná-los mais uma vez, lançando-os ao Tártaro. Gaia, revoltada com o ato de tirania e intolerância do filho, tramou uma nova vingança.
Quando Cronos se casou com Réia, seu pai Urano profetizou-lhe que um de seus filhos o destronaria no futuro, assim como ele mesmo havia feito. Afim de evitar isso, Cronos passou a engolir cada um de seus filhos com Réia, tão logo eles saiam do ventre dela. Contudo, Gaia ajudou Réia a salvar o filho que viria a ser Zeus, escondendo-o numa caverna em um monte da ilha de Creta, onde seria amamentado pela cabra Aix da ninfa Amalteia. Reia então, em vez de entregar seu filho para Cronos devorá-lo, entregou-lhe uma pedra.
Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos demais titãs, recebendo o suporte de Gaia. Durante dez anos, nenhum dos lados parecia prevalecer sobre o outro. Como último recurso, Gaia prometeu a Zeus que ele venceria a batalha e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro e libertasse os três ciclopes e os três hecatônquiros. Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo. Zeus também fez um acordo com os Hecatônquiros, para que estes vigiassem os Titãs no fundo do Tártaro.
A vingança contra Zeus: Gigantomaquia e Tifão
Gaia não aprovou o destino dado por Zeus aos seus filhos titãs, resolve buscar vingança contra o rei dos deuses trazendo os terríveis Gigantes, que haviam nascido através do sangue de Urano que se derramou sobre a terra no momento que foi castrado por Cronos. Os gigantes só podiam ser derrotados pela ação conjunta de um deus e um mortal, e para prevenir que eles pudessem ser mortos, Gaia produziu uma planta que ao ser comida poderia dar imortalidade a eles. Todavia, a planta necessitava de luz para crescer, e ao tomar conhecimento disto, Zeus ordenou que Hélio, Selene, Eos e as estrelas não subissem ao céu, e escondido nos véus de Nix, encontrou a planta e a destruiu. Mesmo assim Gaia incitou os gigantes a empilharem as montanhas na intenção de escalar o céu e invadir o Olimpo. No fim, Zeus e os demais deuses, contando também com a ajuda de Héracles, derrotaram todos os gigantes e puseram um fim no conflito.
Gaia não desistiu de sua vingança, e em um último recurso, uniu-se a Tártaro, as trevas abismais, gerando o monstruoso e poderoso Tifão. Ao perceber que estava grávida, aproveitou e transformou seu ainda não nascido filho em uma semente e deu a Hera, que sem suspeitar de nada plantou a semente no jardim do Olimpo. Quando Tifão surgiu, todos os deuses fugiram apavorados para o Egito (razão pela qual esse povo dava aos seus deuses configurações zoomórficas e tinham seus animais como sagrados). Apolo tornou-se um falcão (Hórus), Ártemis uma gata (Bastet), Dioniso um bode (Osiris), Hefesto um boi (Ptah) etc. Apenas Atena teve coragem de permanecer na forma humana.
Eles tinham motivos para sentir tanto medo. Tífon era tão grande que sua cabeça tocava os astros celestes e suas mãos iam do Oriente ao Ocidente. As vigorosas mãos desse gigante trabalhavam sem descanso, e os seus pés eram infatigáveis; sobre os ombros, erguiam-se as cem cabeças de dragão, de cada uma se projetava uma língua negra e dos olhos das monstruosas cabeças jorrava fogo; o monstro emitia mil sons inexplicáveis e, por vezes, tão agudos que os próprios deuses não conseguiam ouvi-los; ora o poderoso mugido de um touro selvagem, ora o rugido de um leão feroz. A monstruosidade de Tífão superava a de todos os outros filhos de Gaia e nunca se havia visto antes um monstro tão gigantesco e horrendo quanto ele.
Zeus, irritado com a própria covardia, volta a sua forma original e enfrenta o gigantesco inimigo. Zeus atingia Tifão com seus raios, mas este consegue derrubá-lo e utiliza uma foice para arrancar as veias principais de Zeus, o deixando inconsciente e conseguindo, assim, roubar os seus raios. Os raios e as veias de Zeus foram confiados a Delfim - um dragão que habitava a Cilícia. Tifão arrasta Zeus para uma caverna e o prende, pedindo para que a monstra Delfina o vigie enquanto Tifão sai a procura dos outros deuses.
Mas Hermes, junto com Pã, conseguiu libertar Zeus assustando Delfina. Hermes acha as veias de Zeus e as costura, entregando ao deus também os seus raios. De posse novamente de seus poderes, Zeus força Tifão a fugir para o monte Nisa onde as Parcas dão-lhe de comer, pois estava esfomeado, frutos que lhe diminuem a força. Ainda em fuga chega à Trácia onde pelo tanto do sangue derramado deu nome ao monte Hemos. Ainda perseguido, vai Tifão para a Sicília e depois Itália, onde Zeus, concentrando todas as forças, fulmina todas as cabeças do monstro que cai sobre a terra com estrondo. Por fim Zeus prende Tifão no monte Edna, onde o monstro continua a lutar pra se libertar, sacudindo toda a ilha com os terremotos.
Após fracassar mais uma vez, Gaia finalmente desistiu de sua vingança, prometendo a Zeus que jamais voltaria a tramar contra seu governo.
Navagunjara é uma criatura presente na mitologia hindu, sendo mencionada no épico hindu Mahabharata. É uma criatura híbrida, composta por partes de nove animais diferentes, e apareceu diante do herói Arjuna durante uma de suas expedições. Navagunjara tinha a cabeça de um galo, o pescoço de um pavão, as costas de um touro, a cintura de um leão e a cauda de uma serpente. Suas patas traseiras são uma de tigre e outra de antílope, enquanto as dianteiras são uma de elefante e a outra uma mão humana.
Mito
Certa vez Arjuna meditava em seu exílio, buscando obter uma visão divina. De repente, a terra começou a tremer e as árvores começaram a sacudir com força. Um densa nuvem de poeira surgiu diante dos olhos de Arjuna, cobrindo todo o horizonte. Assim que a poeria começou a ceder, Arjuna avistou uma figura monstruosa composta das partes de 9 animais. Amedrontado com a visão de tal criatura, Arjuna empunhou seu arco Gandiva para preparar o ataque. Ao colocar a flecha e fazer sua mira, Arjuna percebeu que o monstro não o ameaçava, mas mantinha um semblante sóbrio. Ele também notou que a mão humana segurava um lótus e Arjuna, esclarecido, soube que a figura era uma das formas que Vishnu-Krishna assumiu diante do guerreiro. Arjuna então abaixou suas armas e se prostou diante da criatura, que o abençoou.
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Nantosuelta (ou Nantsovelta, Nataseuelta) é a deusa celta/gaulesa da água e da fertilidade, adorada em antigas áreas de Gália e britônicas. Seu nome significa "rio sinuoso " ou, alternativamente, " vale aquecido pelo sol ". Nantosuelta é a consorte de Sucellus, o deus das florestas, agricultura e bebidas alcoólicas. É possível que ele também fosse considerado um deus criador, mas isso não é confirmado. Sucellus e Nantosuelta não possuem filhos nem outras conexões familiares na mitologia gaulesa. Atributos
Um dos antigos povos gauleses, os Mediomatrici, retrataram Nantosuelta segurando um cajado com uma pequena casa ou pombal na ponta. Em uma figura de baixo-relevo, Nantosuelta segura uma pátera, ou um amplo prato ritual que era usado para beber durante um ritual, e despejando o conteúdo da pátera sobre um altar. Em um baixo-relevo inglês, Nantosuelta é mostrada segurando maçãs, em vez de uma pátera. Outros atributos incluem um pote ou uma colméia.
Na iconografia, ela é associada aos corvos, o que sugere uma ligação com os mortos ou o submundo. Baseando-se nessas associações, existe uma teoria de que sua função na cosmologia gaulesa era a de um psicopompo - um guia das almas para o submundo, semelhante aos gregos Hermes e Caronte. Uma interpretação alternativa de seu nome também apoia essa teoria, uma vez que o submundo era considerado um reino ensolarado.
Sua outra função provavelmente era a de uma deusa do lar e da lareira, da fertilidade e/ou da natureza. A casa/pombal que ela carrega indica seu status como uma deusa da lareira, e as maçãs indicam uma ligação com a fertilidade (maçãs são consideradas o fruto da vida). A conexão com as abelhas e colmeias também poderia ser uma conexão com a fertilidade, mas, certamente, uma conexão com a natureza. Primeiramente ela é considerada uma deusa do lar e da lareira, com as funções secundárias de deusa da natureza, fertilidade e de psicopompo.
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Vapula (também conhecido como Naphula ou Nephula) é, de acordo com a demonologia, um Grão-Duque do Inferno, responsável por trinta e seis legiões de demônios, e de acordo com a Goetia, o 60º espírito dentre os 72 espíritos de Salomão. Ele é geralmente retratado com a aparência de um leão com asas de águia.
Sua especialidade é tornar os homens exímios em quaisquer ofícios manuais. Ele pode ajudar em estudos, testes e exames. Pode também ajudar a pessoa a conversar de forma inteligente sobre praticamente qualquer assunto, e confere habilidades em todas as profissões manuais.
Selo de Vapula
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Yaguarogui (Yahuaróhui)é um mítico e gigantesco tigre esmeralda, presente nos mitos do povo Chiriguano, na Bolívia. De acordo com o mito, Yaguarogui passa seus dias perseguindo o sol na tentativa de devorá-lo. No entanto, sempre que ele consegue engolir o sol, ele acaba tendo que cuspi-lo, pois não pode suportar sua enorme temperatura. Esse mito é a explicação dos Chiriguani para os eclipses solares.
fonte:
Livro Indians of the Andes: Aymaras and Quechuas, de Harold Osborne
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O Simpira é um ser mitológico oriundo do folclore peruano, e tido como o senhor de Panshin nete, o "Mundo Amarelo", o lugar onde os maus espíritos vivem. Ele é geralmente retratado como um jaguar gigantesco, com um par de chifres de veado na cabeça e uma das patas dianteiras em formato de mola/espiral, que, funcionando como uma espécie de tentáculo, é utilizada para capturar os condenados e os pecadores. Aqueles capturados pelo Simpira são transformados em animais, e tornam-se parte de seu selvagem séquito infernal.
Nyame (ou Onyame, "O Iluminado") é o deus supremo e criador do universo, adorado pelas tribosAshantieAkanem Gana, no Oeste Africano.Ele é também o chefe do panteão de deuses e deusas Ashanti (conhecidos como os abosom). Tal como acontece com muitos deuses africanos, Nyame era um ser distante dos seres humanos e não se preocupava com suas atividades diárias. Em algumas tradições, Nyame foi considerado um ser do sexo masculino, em outros feminino, e em outros ainda um ser andrógino, com ambos os sexos masculino e feminino.
Nyame era parte de uma tríade, juntamente com os deuses Nyankopon e Odomankoma. Nyame representa o universo natural; Nyankopon representada seu kra, ou "poder que dá a vida"; e Odomankoma representa a força criativa que tornou o mundo visível. Nem todas as pessoas de língua Akan fazem essas distinções entre os três nomes da divindade. Aqueles que fazem distinção entre Nyame e Nyankopon identificam Nyame como o elemento do sexo feminino, simbolizado pela Lua, e Nyankopon como o elemento masculino, simbolizado pelo Sol.
Nyame possui uma consorte chamada Asase Ya, deusa da terra e do destino e eles tiveram dois filhos: Tano, deus dos rios e da guerra e Bia, deus dos animais selvagens. Em alguns mitos, Nyame aparece como o pai do malandro-herói Anansi.
Em algumas tradições, após Nyame ter criado a Terra e povoá-la com seres humanos, ele passou a viver entre eles. Em um conto, esta situação acabou quando uma mulher acertou Nyame com seu pilão enquanto ela batia grãos em uma tigela de barro. Irritado, o deus voltou para o céu. Em uma versão diferente do mito, Nyame observava um grupo de mulheres batendo grãos. Incomodadas, elas pediram para ele ir embora, mas ele permaneceu onde estava e continuou a observá-las. As mulheres então correram em sua direção e o golpearam com os seus pilões até que ele deixou a Terra e retornou ao céu.
Ensinando a humanidade a se reproduzir
De acordo com um mito, no início, as pessoas não podiam se reproduzir. Nyame enviou uma píton à Terra para ensinar as pessoas a acasalarem. Depois disso, as crianças começaram a nascer.
A origem da morte
Em um conto sobre a origem da morte, Nyame mandou um de seus servos - uma cabra - para entregar aos humanos uma mensagem. Nyame queria dizer-lhes que, embora a morte viesse para todos eles, eles não permaneceriam mortos. Eles iriam viver com Nyame nos céus. No caminho, a cabra parou para comer um pouco de grama. Irritado por este atraso, Nyame enviou uma ovelha com a mesma mensagem. Infelizmente, a ovelha transmitiu a mensagem de forma errada: ela disse às pessoas que a morte seria o fim. Quando o bode finalmente chegou, as pessoas disseram-lhe que eles haviam recebido a mensagem da ovelha. Desta forma, a morte veio a eles de forma definitiva.
Em um mito diferente, as pessoas tinham se cansado de morrer, de modo que enviaram uma ovelha para levar uma mensagem até Nyame pedindo-lhe para deixá-los continuarem a viver. Para ter certeza que a mensagem chegaria até Nyame, eles também enviaram um cão levando a mesma mensagem.
Sendo mais rápido que a ovelha - que tinha parado para comer algumas ervas - o cão chegou até Nyame primeiro. No entanto, ele entregou a mensagem errada. Ele disse a Nyame que as pessoas desejavam permanecer mortas em vez de se juntarem a Nyame nos céus. Nyame concordou com isso, e quando a ovelha chegou com a mensagem correta, Nyame não pode reverter sua decisão.
Enganado pelo próprio servo
A cabra serva de Nyame também foi responsável por frustrar os planos de Nyame com relação a seus filhos, Bia e Tano. Nyame planejava dar a Bia, seu filho favorito, as partes mais férteis e belas do país de Ashanti (hoje Gana). Tano receberia as terras costeiras áridas (hoje, a Costa do Marfim). Nyame enviou a cabra para dizer aos seus filhos para virem até ele para receber sua herança no dia seguinte. A cabra, que preferia Tano à Bia, instruiu Tano a se disfarçar como Bia e ir até Nyame de manhã bem cedo, antes de seu irmão chegar. Enganado, Nyame acabou dando a Tano os terrenos destinados a Bia. Quando Bia chegou, Nyame percebeu o que tinha acontecido, mas já era tarde demais para corrigir o erro.
Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)
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