10 de janeiro de 2023

Têmis

۞ ADM Sleipnir

Arte de Gerard Mirabelli

Têmis (em grego: Θέμις, "lei divina") era uma das titânides da mitologia grega, filha dos titãs Urano e Gaia. Ela era a deusa das leis e das ordens divinas - as regras tradicionais de conduta estabelecidas pela primeira vez pelos deuses. Ela também era uma deusa profética, que presidia os oráculos mais antigos, incluindo Delfos, o qual ela presidiu ao lado do deus Apolo. Nesse papel, Têmis era a voz divina (themistes) que primeiro instruiu a humanidade nas leis primitivas da justiça e da moralidade, tais como os preceitos da piedade, as regras da hospitalidade, o bom governo, a conduta das assembleias e as oferendas piedosas aos deuses.

Consorte e filhos

Têmis foi uma das primeiras noivas de Zeus e sua primeira conselheira. Com ele, foi mãe das três Moiras (Cloto, Átropos e Láquesis) e das Horas (Dice, Eunomia e Irene). Ela era frequentemente representada sentada ao lado de seu trono, aconselhando-o sobre a conduta dos homens e relatando sobre aqueles que violaram as leis primordiais estabelecidas pelos deuses. Nesse papel, ela era assistida por sua filha Dice (Justiça). O poeta Píndaro a considera mãe apenas das Horas. Na tragédia grega Prometeu Acorrentado, Ésquilo se refere a ela como mãe de Prometeu, embora o nome de Têmis pareça ser invocado ali como um epíteto de Gaia. Apolodoro ainda lhe atribui a maternidade das ninfas do rio Erídano, que ensinaram a Héracles o caminho para o Jardim das Hespérides.

Arte de Pierre Subleyras

Mitologia

Nascimento de Apolo e Ártemis


Têmis foi uma das divindades presentes ao lado de Leto durante o nascimento de Apolo e Ártemis, juntamente com Dione, Réia, Icnaia e Anfitrite. Além disso, amamentou Apolo com néctar e ambrosia. 
Ela estava lá em seu papel de deusa profética do oráculo de Delfos, o qual Apolo estava destinado a receber.

As profecias oraculares de Têmis

Têmis proferiu várias profecias famosas em seu papel de voz oracular da terra.

Profecia sobre o filho de Tétis

Têmis alertou a Zeus e a Poseidon para que não se unissem à nereida Tétis, porque, se isso acontecesse, esta daria à luz um filho mais poderoso que o pai. Têmis os aconselhou ainda a permitirem que Tétis se unisse a um mortal, Peleu, tornando-se mãe do herói Aquiles. Até mesmo a morte de Aquiles durante a Guerra de Tróia já estava prevista por Têmis.

Profecia do roubo das maças douradas

Têmis advertiu Atlas de que um filho de Zeus (Héracles) roubaria os pomos de ouro do Jardim das Hespérides. Com medo, Atlas murou seus pomares ao redor com muralhas maciças e como guardião colocou um enorme dragão. Além disso, expulsou todos os estranhos das fronteiras de seu reino.

Profecia dos homens nascidos da terra

Têmis ajudou Deucalião e Pirra a formarem a humanidade após o dilúvio enviado como castigo por Zeus, profetizando que ambos deveriam "jogar os ossos de sua mãe para trás das costas". Pirra ficou temerosa de cometer algum sacrilégio ao profanar os ossos de sua mãe, não captando o sentido da profecia. Deucalião, porém, entendeu tratar-se de pedras os ossos da deusa da Terra, Gaia, mãe de todos os seres. Assim ele atirou pedras para trás e delas surgiram homens.


Profecia dos filhos de Calírroe

Calírroe era filha do deus do rio Aqueloo. Ela foi noiva de Alcmeão, de Argos, e teve dois filhos, Anfótero e Acarnan. Por causa da paixão sem sentido de Calírroe pelo manto e Colar de Harmonia, Alcmeão tentou obtê-los mas acabou sendo morto pelos filhos do rei Fegeu. Calírroe então pediu a Zeus que seus filhos pequenos Anfótero e Acarnan pudessem crescer imediatamente para vingar o assassinato de seu pai. A deusa Hebe se recusava a interferir dessa forma novamente na vida dos humanos (já havia feito algo parecido anteriormente, rejuvenescendo o ex-eromenos de Héracles, Iolaus), mas Têmis intercedeu em favor de Calírroe, pois previu que o desfecho dessa vingança seria favorável aos deuses.

Queda dos Titãs e a libertação de Prometeu

Essas são duas profecias que são atribuídas à Têmis, porém no contexto em que são mencionadas por Ésquilo na obra Prometeu Acorrentado, fica claro de que quem as fez foi na verdade Gaia, sendo o nome de Têmis invocado como um epíteto da deusa terra. No papel de voz oracular da terra, Têmis era muitas vezes identificada com Gaia, e por isso a confusão sobre quem de fato fez tais profecias.

Iconografia 

Algumas descrições clássicas de Têmis descrevem uma mulher de aparência sóbria segurando balanças. Algumas representações clássicas de Têmis a mostram segurando uma espada. Ao contrário do que é comum de se ver hoje em dia em suas representações, Têmis originalmente não possui vendas nos olhos. Tudo é fruto de equívocos envolvendo ela, sua filha Dice (que é a deusa da justiça grega, e não Têmis, e também não possui vendas) e também a deusa romana Justitia, esta última sim representada vendada. Aliás, a venda na Justiça só se tornou uma ideia comum no séc. XVI. 

Culto

Têmis possuía vários templos na Grécia, embora não sejam descritos em grande detalhe por autores antigos. Ela possuía templos no santuário oracular de Zeus em Dodona, em Tanagra, em Atenas, perto da Acrópole, um templo em Rhamnous ao lado de um de Nêmesis, e um templo de Têmis Icnaia em Ftiótida, Tessália. Pausânias descreve seu santuário em Tebas com um pouco mais de detalhes do que normalmente era o caso e, portanto, pode ter sido de maior importância.

Têmis também tinha um altar em Olimpia. Às vezes ela era retratada nos santuários de outros deuses e pode ter compartilhado templos com eles ocasionalmente. Ainda, Têmis é mencionada como tendo compartilhado um templo com Afrodite em Epidauro. 

Arte de Spoof-Ghost

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1 de março de 2022

Tétis (Titânide)

۞ ADM Sleipnir


Tétis (grego Τηθυς, "ama" ou "avó") é uma titânide da mitologia grega, associada às fontes de água doce e a fertilidade dos mares. Ela é uma dos doze titãs filhos de Urano e Gaia, e consorte e irmã do titã Oceano, com quem foi mãe dos Potamoi (deuses-rios), das Oceânides (ninfas de nascentes, córregos e fontes) e das Néfeles (ninfas das nuvens). Ela e Oceano governaram as águas oceânicas no período em que os titãs dominaram o mundo.Tétis alimenta as nascentes de seus filhos potamoi com as águas de Oceano, arrastadas por aquíferos subterrâneos. 

Arte de Gerard Mirabelli

Mitologia

Tétis não desempenhou nenhum papel ativo na mitologia grega. Como todas as suas irmãs, ela não se envolveu no conflito entre os deuses do Olimpo e os Titãs (a Titanomaquia), e foi portanto, poupada de ser aprisionada no Tártaro. De acordo com um relato de Hera em uma passagem da Ilíada, durante os eventos da Titanomaquia, Réia a entregou aos cuidados de Tétis e Oceano para sua proteção e eles a cuidaram e trataram como se ela fosse sua filha. Na ocasião, Hera relata falsamente à Zeus que iria visitar Oceano e Tétis na esperança de reconciliá-los, pois segundo ela, os dois estavam brigados um com o outro há muito tempo e já não mantinham mais relações sexuais.

Outro mito envolvendo Tétis é o que envolve a transformação de Calisto e seu filho com Zeus, Arcas, nas constelações da Ursa Maior e Menor. Hera ficou indignada com a glória conferida a Calisto e seu filho, e recorreu a Tétis e Oceano, queixando-se de que sua rival havia sido divinizada e colocada nos céus, sobre o próprio eixo do mundo, o que além de envergonhá-la todas as noites, incentivava outras rivais a cobiçarem seu marido. Hera pediu-lhes que ao menos proibissem Calisto de de mergulhar em suas águas, e Tétis atendeu seu pedido. Por isso, a Ursa Maior nunca se põe.


Tétis (titânide) x Tétis (nereida)

Há outra personagem que em português, compartilha do nome Tétis. Trata-se de uma nereida, filha de Dóris (uma das oceânides, e portanto, neta de Tétis). Essa nereida é famosa na mitologia grega por ser mãe do herói grego Aquiles. Em grego, porém, seus nomes são escritos de formas diferentes: a titânide se escreve Τηθύς (tethys) e a nereida Θέτις (thetis).

Iconografia e associações

Tétis às vezes era descrita como uma personificação do mar e identificada com as divindades marinhas Thalassa e Anfitrite. Embora não tivesse nenhum papel ativo na mitologia e também nenhum culto estabelecido, Tétis era retratada em mosaicos que decoravam banheiras, piscinas e triclínios no Oriente grego, particularmente em Antioquia e seus subúrbios, sozinha ou ao lado de Oceano.

Na pintura grega de vasos, Tétis aparece como uma mulher comum, acompanhada por Ilitia, deusa do parto, e por Oceano. Na arte em mosaico, ela era representada com um pequeno par de asas na testa.


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17 de março de 2021

Febe

۞ ADM Sleipnir

Arte de Gerard Mirabelli

Febe (grego: Φοιβη, latim Phoebe; "brilhante" ou "profética") é uma titânide da mitologia grega, associada ao intelecto e à profecia. Ela é uma dos doze titãs filhos de Urano e Gaia, e consorte e irmã do titã Céos, com quem teve duas filhas: Astéria (deusa das estrelas, e mãe da deusa Hécate) e Leto (mãe de Apolo e Ártemis). Febe costuma ser erroneamente associada à lua, provavelmente porque sua neta Àrtemis era identificada pelo nome Feba em sua homenagem, assim como seu neto Apolo era chamado de Febo. 

Como todas as suas irmãs, Febe não se envolveu no conflito entre os deuses do Olimpo e os Titãs (a Titanomaquia), e, portanto, poupada de ser aprisionada no Tártaro. Em vez disso, ela se tornou uma profetisa no Oráculo de Delfos. Febe foi a terceira divindade a presidir o oráculo de Delfos, após Gaia e Têmis (uma de suas irmãs). De acordo com a tragédia grega Eumênides, de autoria do dramaturgo Ésquilo, mais tarde passou o rito do oráculo para seu neto Apolo como presente de aniversário.

Arte de chamakoso

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17 de janeiro de 2018

Téia

۞ ADM Sleipnir

Arte do mobile game Immortal Conquest

Téia (em grego: Θεία,, "visão" ou "profecia", também chamada de Aethra, "céu azul" e Eurifaessa, "grande brilho") foi uma das titânides da mitologia grega, filha de Urano e Gaia e consorte/irmã do titã Hipérion, com quem foi mãe da tríade de divindades siderais Hélios (o sol), Selene (a lua) e Eos (o amanhecer). 

Ela foi um dos titãs que permaneceram neutros durante a Titanomaquia. Considerada a deusa da luz e do brilho, Téia era acreditada como sendo aquela que dotava o ouro, a prata e as pedras preciosas de seu brilho. Além disso, Téia era também uma divindade profética e possuía um santuário oracular localizado na região de Phtiotis, na Tessália. 

O poeta Píndaro (séc. VI a.C.) a exalta em sua Quinta Ode Ístmica:
Mãe do Sol, Teia de muitos nomes, em tua honra os homens honram o ouro como mais poderoso que qualquer outra coisa; e por meio do valor que tu lhes dás, ó rainha, navios combatem no mar e parelhas de cavalos rodopiam em disputas maravilhosas.


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6 de dezembro de 2017

Céos

۞ ADM Sleipnir

Arte de chamakoso

Céos
(também Ceo ou Coios; do grego Κοῖος, "questão", em latim Coeus, ou ainda Polos, "Eixo Celeste") foi um dos doze titãs filhos de Urano e Gaia. 
Ele era o titã da inteligência e era associado ao eixo celestial em torno do qual as constelações parecem girar e aos oráculos celestiais, enquanto sua irmã e esposa Febe ("Brilho") estava relacionada a Delfos, tida como eixo e centro da Terra, e a seu oráculo terrestre.

Céos e Febe tiveram duas filhas, Leto e Astéria, ambas também associadas à profecia. Leto e seu filho Apolo herdaram o aspecto celeste ou olímpico das práticas de adivinhação (inclusive a astrologia), enquanto Astéria e sua filha Hécate estavam ligadas a seu lado terrestre ou ctônico (ou seja, a necromancia). Apolo também herdou a associação do avô com o Pólo Norte, através de sua ligação com os hiperbóreos.

Céos, Arte do mobile game Immortal Conquest

Participação nos mitos

A única participação conhecida de Céos na mitologia grega foi na conspiração de Cronos, para destronar seu pai Urano. Liderados por Cronos, os irmãos prepararam uma emboscada para o seu pai enquanto ele descia para deitar-se com Gaia. Céos, Crio, Hipérion e Jápeto se posicionaram nos quatro cantos do mundo e quando Urano finalmente desceu, eles o agarraram e o seguraram firmemente, enquanto Cronos, escondido no centro, castrou-o com uma foice. Neste mito, os quatro irmãos provavelmente representam os quatro pilares cósmicos encontrados no cosmogonias do Oriente Próximo, que separavam o céu e a terra. Neste caso, Céos foi certamente o titã do pilar do norte, enquanto seus irmãos Crio, Hipérion e Jápeto eram deuses dos pilares do sul, oeste e leste, respectivamente.

Apesar de seu nome não ser citado, Céos também participa da Titanomaquia, mas ele e os demais titãs são derrotados por Zeus e os olimpianos, sendo lançados no poço do Tártaro. Segundo Píndaro e Ésquilo (em sua peça perdida, "Prometeu Acorrentado") os titãs acabaram sendo posteriormente libertados do poço, através da clemência de Zeus.


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6 de novembro de 2017

Leto

۞ ADM Sleipnir


Leto (em grego: Λητω, "gentil, recatada"; conhecida como Latona pelos romanos e Letun pelos etruscos) foi um das titânides da mitologia grega, filha dos titãs Céos e Febe e irmã da titânide Astéria. Com Zeus, foi a mãe dos deuses gêmeos Apolo e Ártemis.  

Ela era cultuada como a deusa da maternidade e, ao lado de seus filhos, era vista como a deusa protetora dos jovens. Seu nome e iconografia sugerem que ela também era uma deusa da modéstia e recato feminino. Como sua irmã Astéria, ela também pode ter sido uma deusa da noite, ou, alternativamente, da luz do dia.

Na pintura de vasos gregos, Leto era representada como uma mulher que levanta o véu em um gesto de modéstia. Ela também era geralmente representada acompanhada de seus dois filhos.


Mitologia

O Nascimento de Ártemis e Apolo

Leto foi uma das amantes de Zeus, e acabou engravidando dele. Quando estava prestes a entrar em trabalho de parto, a deusa Hera proibiu Gaia de ceder um espaço de terra sequer para que Leto pudesse se abrigar e dar a luz.

Poseidon, o deus dos mares, viu o sofrimento de Leto e fez uma ilha emergir do mar, a ilha de Ortígia. Como esta ilha flutuante não estava conectada a nenhum outro pedaço de terra, estava fora do domínio de Gaia, e então pode abrigar a amante de Zeus. Abraçada a uma palmeira e contorcendo-se em dores, Leto esperou durante nove dias e nove noites para dar a luz, pois Hera, como não conseguiu impedir Leto de encontrar um lugar para se abrigar, resolveu impedir a deusa do parto, Ilítia, de deixar o Olimpo. 

As demais deusas se compadeceram da situação de Leto, e resolveram persuadir Hera. Elas enviaram a deusa mensageira Íris até o Olimpo levando um presente irrecusável para a rainha dos deuses: um colar de fios de ouro e âmbar entrelaçados com mais de três metros de comprimento. Finalmente, a deusa permitiu que Ilítia descesse à ilha. 

De joelhos, junto à palmeira, Leto deu à luz primeiro a Ártemis e depois, com ajuda desta, a Apolo. Vendo os sofrimentos pelos quais sua mãe passou, Ártemis jurou jamais se casar. Agradecido a Ortígia, Apolo fixou-a no centro do mundo grego e mudou-lhe o nome para Delos, "a brilhante". 


O gigante Tício

Tício era um gigante, filho de Zeus e Elara, filha de Orcómeno. Instigado por Hera, tentou violentar Leto,  e foi morto a flechadas por Apolo e Ártemis. Como tortura eterna, foi condenado a ficar, após sua morte, esticado no Hades, preso por seus braços e pernas, o qual cobria nove hectares, com abutres comendo o seu fígado.

A Morte dos Nióbidas

Os nióbidas eram na mitologia grega os filhos de Nióbe, filha de Tântalo, com Anfião, rei de Tebas. Pela ousadia da mãe em insultar Leto, foram aniquilados por Apolo e Ártemis.

Os habitantes de Tebas, realizavam uma cerimônia em honra a Leto, e carregavam coroas de louros em homenagem à ela e aos seus filhos. Em meio ao ritual, Nióbe surgiu com seu belo traje, mas sem uma coroa de louros na cabeça.

- Por que Leto possui rituais e eu não? - ela perguntou, em voz alta e gritante para todos os presentes - Sou filha de Tântalo, que jantou nos Salões do Olimpo. Sou Rainha de Tebas, mãe desta terra. Tenho sete filhos e sete filhas, que me darão muitos netos para me orgulhar. E o que Leto tem?

Suas palavras foram arrebatadoras, mas também persuasivas. Os habitantes de Tebas ouviram sua rainha e abandonaram as coroas de louros e o ritual incompleto. O insulto foi imenso para a deusa Leto, que descansava em seu palácio. Magoada e perplexa, ela chamou por seus filhos divinos e pediu que a justiça fosse feita. 

Como os magníficos caçadores que eram, Apolo e Ártemis desceram dos céus armados e sedentos por vingança. Apolo, armado com seus dardos letais, e Ártemis armada com seu mortífero arco e flecha. Chegando na terra, as flechas da deusa da caça abateram os sete filhos homens de Nióbe. Um por um morto de forma sangrenta e desesperadora. A rainha de Tebas percebeu o que acontecia, e gritou aos céus por perdão quando era tarde demais.


Então chegou a vez dos dardos de Apolo perfurarem o coração das filhas de Nióbe. A rainha gritava e tentava agarrar, em vão, suas meninas. Num reflexo imediato, Nióbe agarrou sua filha mais nova, que ainda vivia e pediu:

- Deixe-me com esta. Pelo menos esta, por favor!

E um dardo perfurou o pescoço da menina.

Nióbe ajoelhou entre seus filhos mortos. Seus braços endureceram no solo, assim como suas pernas e corpo. A rainha parou de se mover, exceto pelas lágrimas que ainda corriam em quantidades grandes. Nióbe foi transformada em montanha; e de seus olhos feitos de terra, as lágrimas ainda descem.



fontes:
  • Wikipédia;
  • Livro Greek Mythology A to Z;
  • Página Mitologia Grega: https://www.facebook.com/contosdamitologia/

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26 de junho de 2017

Oceano

۞ ADM Sleipnir


Oceano (do grego Ὠκεανός, Okeanós) é um dos titãs da mitologia grega, filho primogênito de Urano e Gaia. Ele era a personificação de um imaginário rio de água doce que de acordo com o poeta Homero, rodearia o mundo habitado. Oceano era o deus das águas correntes, do fluxo e do refluxo e a origem de todas as massas líquidas e fontes de água doce do mundo. Ele também era visto como o deus que regulava o nascer e o pôr dos astros que, segundo se supunha, emergiam e submergiam em seu reino aquoso nos confins da terra.

Sua irmã e consorte era a titânide Tétis, que aparentemente distribuía suas águas por meio de cavernas subterrâneas aos filhos do casal que, segundo a Teogonia de Hesíodo, incluíam três mil deuses-rios e de igual número de oceânidas.

Nas margens do Oceano e em suas ilhas, encontravam-se muitos lugares míticos, inclusive o reino de Hades. Tal conceito torna compreensível geografia das façanhas de Héracles e de Odisseu, que se deslocam de um ponto cardeal a outro pelo Oceano, bem como a localização dos Jardins das Hespérides, das Górgonas, de Ogígia e dos Hiperbóreos.

Oceano pode ter sido identificado com Ofião, titã que nos mitos órficos governou os céus antes de ser derrotado e atirado por Cronos ao rio que circunda o mundo.


A partir da época helenística, quando mudaram as concepções cosmológicas dos gregos, Oceano passou a ser identificado com os grandes corpos de água salgada que vieram a ser conhecidos pelos gregos, o Atlântico (também conhecido como "Mar Oceano") e o Índico, enquanto Poseidon passou a ser considerado como o deus do Mar Mediterrâneo. Oceano passou a ser representado com atributos marinhos, Tétis se tornou representação da fecundidade do mar e as Oceânides, ninfas do mar aberto.

Iconografia 

Nos mosaicos helenísticos e romanos, Oceano recebeu atributos mais marcadamente marinhos. No lugar dos chifres, tinha frequentemente garras de caranguejo e também podia carregar um remo e embalar um navio.


Um vaso de 580 a.C. mostra Oceano no casamento de Peleu e da nereida Tétis (não confundir com a titânide esposa de Oceano) com uma cauda de serpente, levando um peixe numa mão e uma serpente na outra, para representar abundância e profecia. Outras vezes, era representado como os outros deuses-rios, ou seja, era representado da cintura para cima como um homem musculoso com chifres e barba longa e da cintura para baixo como uma serpente.


 
Mitos 

Segundo a mitologia, Oceano recusou-se a ficar ao lado de Cronos em sua revolta contra Urano. Na maioria das variantes da guerra entre os Titãs e os Olímpicos, a Titanomaquia, Oceano, assim como Prometeu, Epimeteu e Têmis, também não toma partido e permanece à margem do conflito.

Na Ilíada, o escudo de Aquiles, forjado por Hefesto, é cercado, como o próprio mundo que representa, pelo Oceano: Na orla esculpiu do enorme rijo escudo / A ingente força do Oceano rio. Hera, ao pedir licença a Zeus para ausentar-se, alega que vai visitar Oceano para reconciliá-lo com Tétis:


Concede-me os desejos com que dornas
Humanos e imortais: aos fins do globo
Visitar o Oceano pai dos deuses
E a Tetis madre vou, que em seus palácios,
Tomada a Reia, me criaram, quando
Exul a terra e ao mar ínsemeável
A Saturno arrojou previsto Jove:
Congraçá-los pretendo; há largo tempo
Do amor se abstém, de cólera assaltados.
Se os reduzo no leito a se afagarem,
Ser-lhes-ei cara sempre e veneranda.

Em sua viagem às Hespérides, Héracles forçou Hélios a emprestar-lhe sua carruagem dourada para cruzar o Oceano. Quando este começou a sacudir a carruagem, Héracles o ameaçou e acalmou suas águas. A jornada de Héracles na carruagem do sol sobre Oceano é um tema frequente nas pinturas de vasos áticos.

Arte de Jorge Ordoñez Chilaron

fontes:

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17 de junho de 2016

Gaia

۞ ADM Sleipnir

Arte de Yap KarlHe

Gaia (do grego Γαια, Gaea, "Terra"; também chamada Gi ou Ge) é a deusa grega primordial que simboliza a Terra e uma das divindades que governavam o universo antes dos Titãs. Ela e seus irmãos (Nix, Tártaro, Eros e Érebo) eram filhos de Caos, e foram gerados a partir de cisões do mesmo. Dotada de uma enorme capacidade progenitora, Gaia por sua vez auto-gerou os deuses Pontos (mar), Oureas (montanhas) e Urano (céu), e este último por fim a tomou como esposa. 

Os primeiros descendentes de Urano e Gaia foram a primeira geração de Titãs (Oceano, Céos, Crio, Hipérion, Jápeto, Cronos, Febe, Mnemósine, Réia, Têmis, Tétis e Téia). Posteriormente, Urano e Gaia geraram os monstruosos Ciclopes (Arges, Brontes e Estéropes) e o Hecatônquiros (Briareu, Giges e Coto).



Mitos

O atrito com Urano e a rebelião de Cronos

Urano, que possuía o dom de prever o futuro, não gostava em particular dos Cíclopes e os Hecatônquiros, e temia que um deles viesse a destroná-lo no futuro. Como resultado desse temor, Urano encerrou os Cíclopes e os Hecatônquiros novamente no útero de Gaia, causando-lhe uma enorme dor. Impedida por Urano de dar a luz aos seus filhos, Gaia clamou pela ajuda de seus filhos titãs.

Nesse ponto da história temos 2 versões: na primeira, somente Cronos aceita se rebelar contra o pai e na segunda, cinco titãs incluindo Cronos se rebelam. Quatro deles se colocaram de guarda nos quatro cantos do mundo, preparados para agarrar seu pai enquanto ele descia para se unir mais uma vez com sua esposa. O quinto titã, Cronos, tomou o seu lugar no centro, e armado com uma foice de diamante forjada por Gaia, castrou Urano, enquanto seus irmãos o seguravam firmemente. O sangue do deus celeste caiu e encharcou a terra, produzindo as Erínias, as Melíades e os Gigantes. Os seus testículos foram jogados no mar e geraram a deusa Afrodite. Assim, Urano e Gaia foram definitivamente separados. Após a separação de Urano, Gaia deu à luz a outros filhos. Com Pontos, Gaia foi mãe de Nereu, Taumante, Fórcis, Ceto e Euríbia. Com Tártaro, ela foi mãe de Equidna e Tifão, sendo o último um dos mais formidáveis inimigos de Zeus.

Cronos segue os passos do pai: a ascensão de Zeus

Após a queda de Urano, Cronos tornou-se o novo regente do universo e libertou os irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos, também os temeu, e então decidiu aprisioná-los mais uma vez, lançando-os ao Tártaro. Gaia, revoltada com o ato de tirania e intolerância do filho, tramou uma nova vingança.

Quando Cronos se casou com Réia, seu pai Urano profetizou-lhe que um de seus filhos o destronaria no futuro, assim como ele mesmo havia feito. Afim de evitar isso, Cronos passou a engolir cada um de seus filhos com Réia, tão logo eles saiam do ventre dela. Contudo, Gaia ajudou Réia a salvar o filho que viria a ser Zeus, escondendo-o numa caverna em um monte da ilha de Creta, onde seria amamentado pela cabra Aix da ninfa Amalteia. Reia então, em vez de entregar seu filho para Cronos devorá-lo, entregou-lhe uma pedra.


Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos demais titãs, recebendo o suporte de Gaia. Durante dez anos, nenhum dos lados parecia prevalecer sobre o outro. Como último recurso, Gaia prometeu a Zeus que ele venceria a batalha e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro e libertasse os três ciclopes e os três hecatônquiros. Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo. Zeus também fez um acordo com os Hecatônquiros, para que estes vigiassem os Titãs no fundo do Tártaro.

A vingança contra Zeus: Gigantomaquia e Tifão

Gaia não aprovou o destino dado por Zeus aos seus filhos titãs, resolve buscar vingança contra o rei dos deuses trazendo os terríveis Gigantes, que haviam nascido através do sangue de Urano que se derramou sobre a terra no momento que foi castrado por Cronos. Os gigantes só podiam ser derrotados pela ação conjunta de um deus e um mortal, e para prevenir que eles pudessem ser mortos, Gaia produziu uma planta que ao ser comida poderia dar imortalidade a eles. Todavia, a planta necessitava de luz para crescer, e ao tomar conhecimento disto, Zeus ordenou que Hélio, Selene, Eos e as estrelas não subissem ao céu, e escondido nos véus de Nix, encontrou a planta e a destruiu. Mesmo assim Gaia incitou os gigantes a empilharem as montanhas na intenção de escalar o céu e invadir o Olimpo. No fim, Zeus e os demais deuses, contando também com a ajuda de Héracles,  derrotaram todos os gigantes e puseram um fim no conflito.

Gaia não desistiu de sua vingança, e em um último recurso, uniu-se a Tártaro, as trevas abismais, gerando o monstruoso e poderoso Tifão. Ao perceber que estava grávida, aproveitou e transformou seu ainda não nascido filho em uma semente e deu a Hera, que sem suspeitar de nada plantou a semente no jardim do Olimpo. Quando Tifão surgiu, todos os deuses fugiram apavorados para o Egito (razão pela qual esse povo dava aos seus deuses configurações zoomórficas e tinham seus animais como sagrados). Apolo tornou-se um falcão (Hórus), Ártemis uma gata (Bastet), Dioniso um bode (Osiris), Hefesto um boi (Ptah) etc. Apenas Atena teve coragem de permanecer na forma humana.


Eles tinham motivos para sentir tanto medo. Tífon era tão grande que sua cabeça tocava os astros celestes e suas mãos iam do Oriente ao Ocidente. As vigorosas mãos desse gigante trabalhavam sem descanso, e os seus pés eram infatigáveis; sobre os ombros, erguiam-se as cem cabeças de dragão, de cada uma se projetava uma língua negra e dos olhos das monstruosas cabeças jorrava fogo; o monstro emitia mil sons inexplicáveis e, por vezes, tão agudos que os próprios deuses não conseguiam ouvi-los; ora o poderoso mugido de um touro selvagem, ora o rugido de um leão feroz. A monstruosidade de Tífão superava a de todos os outros filhos de Gaia e nunca se havia visto antes um monstro tão gigantesco e horrendo quanto ele.

Zeus, irritado com a própria covardia, volta a sua forma original e enfrenta o gigantesco inimigo. Zeus atingia Tifão com seus raios, mas este consegue derrubá-lo e utiliza uma foice para arrancar as veias principais de Zeus, o deixando inconsciente e conseguindo, assim, roubar os seus raios. Os raios e as veias de Zeus foram confiados a Delfim - um dragão que habitava a Cilícia. Tifão arrasta Zeus para uma caverna e o prende, pedindo para que a monstra Delfina o vigie enquanto Tifão sai a procura dos outros deuses.

Mas Hermes, junto com Pã, conseguiu libertar Zeus assustando Delfina. Hermes acha as veias de Zeus e as costura, entregando ao deus também os seus raios. De posse novamente de seus poderes, Zeus força Tifão a fugir para o monte Nisa onde as Parcas dão-lhe de comer, pois estava esfomeado, frutos que lhe diminuem a força. Ainda em fuga chega à Trácia onde pelo tanto do sangue derramado deu nome ao monte Hemos. Ainda perseguido, vai Tifão para a Sicília e depois Itália, onde Zeus, concentrando todas as forças, fulmina todas as cabeças do monstro que cai sobre a terra com estrondo. Por fim Zeus prende Tifão no monte Edna, onde o monstro continua a lutar pra se libertar, sacudindo toda a ilha com os terremotos.

Após fracassar mais uma vez, Gaia finalmente desistiu de sua vingança, prometendo a Zeus que jamais voltaria a tramar contra seu governo.

Arte de Ye Fen


fontes:
  • http://www.theoi.com/Protogenos/Gaia.html
  • http://monteolimpoblog.blogspot.com.br/
  • Wikipédia 
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