Myodusa (ou Myodousa, coreano 묘두사; chinês 猫頭 蛇, "cobra com cabeça de gato") é uma criatura descrita como tendo o corpo de uma enorme serpente e a cabeça de um gato, e oriunda de uma lenda transmitida em Jangdan-gun, um antigo condado coreano localizado na parte noroeste da província de Gyeonggi-do.
De acordo com a lenda, a criatura vivia em uma fenda atrás de um templo budista de Jangdan-gun. Ela tinha uma natureza pacífica, convivendo em harmonia com os humanos e principalmente com os pássaros, que a tratavam como se ela fosse o seu rei. Nas ocasiões em que a Myodusa colocava sua cabeça para fora da fenda, bandos de pássaros costumavam voar ao seu redor. Em relação aos humanos, ela costumava receber ofertas de comida deles em agradecimento, pois ela possuía a capacidade de exalar uma espécie de fumaça azul que ao ser inalada, podia curar ferimentos e doenças, principalmente a malária. Portanto, era um costume pessoas com tais problemas de saúdes serem levadas até sua presença para receberem esse tratamento especial.
A relação harmoniosa entre a Myodusa e os humanos durou cerca de 50 anos, até que certo dia um seonbi (ver significado no último parágrafo)chamado Park Man-ho, entendendo que a crença e o culto a uma criatura como essas ia contra o Confucionismo, disparou várias flechas (ou somente uma, segundo algumas fontes) contra ela até matá-la. Essa lenda é interpretada como uma história que simboliza a derrota das crenças populares devido à disseminação do confucionismo durante a Dinastia Joseon.
Sobre os Seonbi
Os seonbi eram homens eruditos virtuosos que durante os períodos Goryeo e Joseon da Coréia serviam ao público sem uma posição governamental, escolhendo abandonar posições de riqueza e poder para levarem uma vida de estudo e integridade. Aqueles que escolheram servir ao governo eram obrigados a ajudar o rei a governar a nação de maneira adequada e, uma vez fora do cargo, levavam uma vida tranquila no campo, ensinando e conduzindo o povo na direção certa. Hoje, o termo é uma palavra figurativa para um homem erudito que não cobiça riquezas, mas valoriza a retidão e os princípios.
Ootakemaru (ou Ōtakemaru, japonês 大嶽丸 ou おおたけまる, "grande pico da montanha") é no folclore japonês o nome de um poderoso e violento oni (demônio yokai) dito ter habitado as montanhas Suzuka, na fronteira entre as províncias de Ise e Ōmi,durante o reinado do imperador Kanmu (781 a 806). Embora sua lenda não seja tão conhecida nos dias de hoje, ele já foi considerado entre os mais temíveis yokais na história japonesa.
Ao lado de Shuten dōji e Tamamo-no-mae, Ootakemaru faz parte do Nihon san dai yōkai, ou os Três Grandes Yokais do Japão (não deve ser confundido com uma classificação separada que classifica oni, tengu e kappa como Nihon san dai yōkai; ou com Nihon san dai aku yōkai, uma classificação semelhante e mais recentemente popularizada que troca Ootakemaru pelo Imperador Sutoku). Ootakemaru é ainda considerado um kijin, um ser que é tanto um demônio como uma divindade.
Há muito tempo, Ootakemaru aterrorizou viajantes nas montanhas de Suzuka e roubou tributos destinados ao imperador em Kyōto. Em resposta aos seus atos, o imperador enviou seu xogum, Sakanoue no Tamuramaro, para exterminar Ootakemaru e por um fim na situação.
Tamuramaro reuniu um exército composto por trinta mil cavaleiros e então partiu rumo as montanhas de Suzuka. No entanto, Ootakemaru era muito poderoso e, usando seus poderes mágicos, convocou uma grande tempestade. Ele cobriu as montanhas com nuvens negras, tornando impossível para o exército de Tamuramaro enxergar qualquer coisa. Enquanto isso, fortes chuvas e ventos castigavam os cavaleiros e relâmpagos caiam como fogo sobre eles. Tamuramaro e seus cavaleiros passaram sete anos vagando pela região em busca de Ootakemaru, mas não conseguiam encontrá-lo.
As Montanhas Suzuka eram o lar de uma tennyo ("mulher celestial") chamada Suzuka Gozen. Quando Ootakemaru a viu, ficou encantado com sua beleza e tornou-se determinado em passar uma noite em sua companhia. Para disfarçar sua aparência demoníaca, Ootakemaru assumia todas as noites a forma de um homem diferente e belo, e ia até o palácio de Suzuka Gozen buscando sua atenção, porém todas as vezes suas investidas eram negadas pela deusa. Enquanto isso Tamuramaro, frustrado por não conseguir encontrar o paradeiro de Oootakemaru após tanto tempo, orou certa noite aos deuses e budas para que estes o ajudassem em sua missão. Na mesma noite, enquanto cochilá-va, Tamuramaro acabou tendo a visão de um homem velho, o qual lhe disse: “Para derrotar Ootakemaru, você deve obter a ajuda de Suzuka Gozen”.
No outro dia, Tamuramaro enviou os trinta mil cavaleiros que o acompanhavam de volta à Kyōto, e resolveu escalar sozinho as Montanhas Suzuka. Nas profundezas das montanhas, Tamuramaro acabou encontrando um palácio, onde vivia uma bela mulher que o convidou a passar a noite com ela. “Desci do céu para ajudá-lo a derrotar o demônio que assombra essas montanhas. Eu vou capturá-lo para você" - disse a mulher a Tamuramaro, e ele então percebeu ela não era ninguém menos que Suzuka Gozen.
Tamuramaro e Sukuna Gozen
Suzuka Gozen conduziu Tamuramaro pelas montanhas para mostrar a ele o castelo demoníaco de Ootakemaru. Ela também o alertou que Ootakemaru não poderia ser derrotado enquanto ele possuísse as Sanmyō no ken (Kenmyōren, Daitōren e Shōtōren: três espadas sagradas de grande poder). Para que sua vitória fosse possível, precisariam de um plano para desarmar Ootakemaru, então os dois retornaram ao palácio de Suzuka, e lá armaram uma armadilha para o oni.
À noite, Ootakemaru voltou a procurá-la disfarçado como sempre fazia, e para sua supresa, Suzuka Gozen finalmente o convidou a entrar. Já dentro do palácio, ela lhe disse: “Um guerreiro chamado Tamuramaro está vindo aqui para me matar. Por favor, me empreste suas Sanmyō no ken para que eu possa me defender”. O oni então entregou a ela as espadas Daitōren e Shōtōren para que ela pudesse se defender, mas manteve a Kenmyōren consigo.
A batalha entre Tamuramaro e Ootakemaru
Na noite seguinte, Ootakemaru retornou mais uma vez ao palácio de Suzuka Gozen, mas desta vez Tamuramaro o aguardava. Ao encontrar Tamuramaro, Ootakemaru revelou sua verdadeira forma, transformando-se em um enorme demônio com mais de dez metros de altura, e olhos que brilhavam como o sol e a lua.
Iniciou-se então terrível combate entre os dois, e o céu e a terra tremeram com a fúria de sua batalha. Ootakemaru atacou Tamuramaro com sua espada remanescente e com uma lança, mas o xogum era um guerreiro sagrado, protegido por Kannon, o bodisatva da misericórdia, e por Bishamonten, o deus da guerra. Ootakemaru dividiu seu corpo em milhares de onis, que partiram para cima de Tamuramaro para atacá-lo. Tamuramaro por sua vez puxou de sua aljava uma flecha sagrada e disparou. A flecha se dividiu em mil flechas que por sua vez se dividiram em mais dez mil flechas e atingiram os onis em seus rostos, matando-os. Ootakemaru então tenta uma última investida feroz contra Tamuramaro, que se monstra mais rápido e corta a sua cabeça com sua espada, Sohaya.
Depois de anos, Tamuramaro retornou à Kyoto trazendo consigo a cabeça de Ootakemaru e a apresentou ao imperador, o qual ficou tão satisfeito com o xogum que concedeu-lhe a província de Iga como recompensa. Tamuramaro retornou para Iga, casou-se com Suzuka Gozen e os dois viveram felizes juntos por muitos anos.
Ootakemaru renasce
O reinado de terror de Ootakemaru, no entanto, não havia acabado. Seu espírito viajou para a Índia por um tempo e, eventualmente, voltou ao Japão e assombrou Kenmyōren. Ootakemaru foi capaz de reconstruir seu corpo e mais uma vez se tornou um kijin. Ele também reconstruiu seu inexpugnável castelo de demônios, desta vez no Monte Iwate, na província de Mutsu, e mais uma vez começou a aterrorizar o Japão.
A batalha final entre Tamuramaro e Ootakemaru
Tamuramaro e Suzuka Gozen viajaram para Mutsu para encontrar seu inimigo mais uma vez e derrotá-lo de uma vez por todas.Em um momento onde Ootakemaru estava longe de seu castelo, Tamuramaro esgueirou-se por uma porta dos fundos secreta que Suzuka Gozen havia revelado a ele durante sua primeira passagem pelo castelo demoníaco.Quando Ootakemaru voltou, Tamuramaro estava esperando por ele. Os dois travaram uma nova e feroz batalha, e mais uma vez Tamuramaro foi capaz de cortar cabeça de Ootakemaru. A cabeça do oni voou para o ar e ao cair, atingiu a cabeça de Tamuramaro, a qual ela mordeu com força. Felizmente, Tamuramaro estava usando dois capacetes, e embora a cabeça do oni tenha mordido tão forte a ponto de destruir um dos capacetes, Tamuramaro foi capaz de evitar um ferimento mortal. A cabeça de Ootakemaru foi mais uma vez levada de volta para Kyōto, onde desta vez trancada com segurança no templo budista Byōdō-in, para que Ootakemaru jamais conseguisse reunir seu corpo novamente.
Possíveis origens
Devido ao período de tempo e aos locais em que sua história se passa, além do fato de que seu principal inimigo era o xogum Sakanoue no Tamuramaro, acredita-se que Ootakemaru pode ser uma interpretação folclórica de Aterui, um chefe do povo Emishi do nordeste do Japão, que empreendeu uma campanha devastadora contra o povo Yamato. Sua lenda também serve de base para o famoso festival Nebuta Matsuri da prefeitura de Aomori, no qual grandes carros alegóricos retratando guerreiros derrotando onis desfilam pelas ruas.
Cultura Popular
Ootakemaru aparece como um boss no game Nioh 2, para PS4, PS5 e Windows. Ele também aparece aparece como um personagem de raridade SSR no game Omnyoji, para Windows, Android e iOS.
Bedawang Nala (ou somente Bedawang) é, de acordo com o mito de criação balinesa, uma tartaruga gigante que sustenta o mundo em suas costas, tendo sido criada pela serpente cósmica Antaboga, após um longo período de meditação. Após criar Bedawang Nala, Antaboga se retirou, e a tartaruga terminou de criar todas as demais coisas, como os astros e também os seres humanos.
Além de sustentar o mundo, em torno de Bedawang estão enroscadas duas gigantescas serpentes chamadas Basuki e Anantaboga. Em suas costas, Bedawang ainda carrega uma enorme pedra negra, que sela a entrada para o submundo. Acredita-se que quando Bedawang se move, provoca terremotos e erupções vulcânicas na Terra.
Nyarlathotep, conhecido pela alcunha de "Caos Rastejante",é uma fictícia divindade alienígena criada por H.P. Lovecraft, cuja primeira aparição se deu no poema em prosa de mesmo nome, escrito e publicado em 1920. Um dos Deuses Exteriores, Nyarlathotep é filho de Azathoth, talvez o mais poderoso de todos eles. Apesar de aparecer como personagem em apenas quatro histórias e dois sonetos (mais do que qualquer outro deus de Lovecraft), Nyarlathotep é mencionado com frequência em outras obras, tais como "Sussurros nas Trevas" (1931) e "Sombras Perdidas no Tempo"(1935), e até mesmo nos trabalhos de outros autores na área de fantasia e ficção-científica.
O mais próximo dos humanos
Nyarlathotep difere das outras divindades nos mitos de várias maneiras. A maioria dos Deuses Exteriores está exilada nas estrelas, como Yog-Sothoth e Azathoth, e a maioria dos Grandes Antigos (outra classe de seres poderosos, mas abaixo dos Deuses Exteriores)está dormindo e sonhando, como Cthulhu. Nyarlathotep, no entanto, é ativo e frequentemente anda pela Terra. Nyarlatoteph tem livre acesso a todos os planos e mundos, sendo o único que entra em contato com os seres humanos regularmente.
A maioria dos Deuses Externos usa línguas alienígenas estranhas, enquanto Nyarlathotep usa a linguagem humana e pode facilmente se passar por um ser humano. Na verdade, diz-se que ele possui mil formas distintas, podendo assumir a aparência que quiser. Seus avatares variam muito, dependendo do seu objetivo. Já foi descrito como um homem elegante com o poder de controlar animais, uma monstruosidade de vários quilômetros de altura com uma língua gigante no lugar da cabeça, como um furacão de ventos negros, uma mulher chinesa obesa, ou simplesmente como um deus sem rosto. Estudiosos especulam que um obscuro faraó da IV Dinastia do Egito era na verdade um avatar de Nyarlathotep e que a própria esfinge seria uma representação em tamanho natural de uma outra forma deste deus.
Ao contrário dos outros Deuses Exteriores, espalhar a loucura é mais importante e agradável para Nyarlathotep do que a morte e a destruição. A maioria deles é todo-poderoso, porém sem um objetivo ou propósito claros, mas Nyarlathotep parece ser deliberadamente enganador e manipulador, e até mesmo usa propaganda para atingir seus objetivos. Nesse aspecto, ele é provavelmente o mais semelhante aos humanos dentre os Deuses Exteriores.
As muitas identidades divinas de Nyarlathotep
Nyarlathotep é provavelmente o mais adorado deus cósmico na Terra. Existem muitas culturas e seitas espalhadas pelo mundo que o adoram ou já o adoraram sob vários nomes e formas diferentes. Muitas delas inclusive já foram destruídas pelo próprio Nyarlatoteph depois que perderam sua utilidade para o deus. Segundo algumas pessoas, a presença deste ser nefasto em nosso planeta foi de fato a origem de todos os mitos de deuses malignos, desde o zoroastra Ahrimam até o Diabo do Cristianismo. Nas pirâmides astecas ele se apresentava como Tezcatlipoca, assim como foi Thothe Sethpara os antigos egípcios; representou o papel de inúmeras divindades solares no oriente, foi muitos deuses no sub-continente indiano, ocupou o Monte Olimpo como o tempestuoso Zeusdos helênicos, vestiu-se como o Homem Verde dos celtas, incorporou o severo Odindos nórdicos e assumiu inúmeras outras identidades divinas ao longo das eras.
Nyarlathotep é aquele que legitima o desejo dos Deuses Exteriores, sendo seu "mensageiro, coração e alma", "a figura imemorial do representante ou mensageiro de poderes ocultos e terríveis". Ele também é o arauto de Azathoth, cujos desejos irregulares e espasmódicos ele cumpre de imediato. Nyarlathotep é investido com a chancela dos Deuses Exteriores. O que ele decide, está decidido, em nome das forças primais da existência.
Se um planeta deve morrer, se uma realidade precisa se desfazer, se uma estrela há de se extinguir ou nascer, é Nyarlathotep quem providencia para que isso ocorra. Se as sementes dos Grandes Antigos precisam fertilizar algum recanto do universo, é ele quem as lança, planta e colhe. Sua autoridade é tão grande que nenhum outro Deus ousaria ficar em seu caminho. Nem mesmo Yog-Sothoth que representa o Tempo/Espaço ou mesmo Shub-Niggurath que personifica o ciclo da vida, podem se interpor diante de Nyarlathotep quando ele está cumprido alguma missão. Seu acesso aos caminhos do espaço e tempo são irrestritos, bem como sua autoridade sobre a vida e a morte.
Segundo alguns, Nyarlathotep também cumpre o papel de intermediário entre os Grandes Antigos. Cabe a ele ouvir, pesar e decidir. Como uma espécie de mediador, sua função é resolver contendas com um poder de decisão irrevogável. Ao longo das eras, mais de um Grande Antigo foi extirpado da existência, simplesmente por afrontar o julgamento de Nyarlathotep. Suas relações com os Grandes Antigos podem variar enormemente, espelhando respeito, amizade ou amarga rivalidade. Cthugha, a Chama Viva que arde na estrela de Formauhaut é um inimigo declarado, Hastur é tratado como um valoroso aliado, enquanto o grande Cthulhu mantém com ele uma relação de neutralidade silenciosa. Quando Nyarlathotep é convocado para uma disputa, é impossível prever as consequências do seu envolvimento.
Como uma das criações mais famosas de H. P. Lovecraft e o mais "humano" de seus horrores cósmicos, Nyarlathotep apareceu e foi referenciado por inúmeras outras obras na cultura popular. No mundo da música, ele é referenciado em "The Thing That Should Not Be" do Metallica. Também é referenciado no nome de álbuns e músicas de inúmeras outras bandas como Dream Theater, Rage e Nile.
Na literatura fora dos Mitos de Cthulhu, Nyarlathotep também é muitas vezes referenciado. Em "A Dança d a Morte" de Stephen King e em sua série de livros Torre Negra, o personagem Randall Flagg era conhecido (entre muitos outros nomes) como Nyarlathotep. Seu conto "Crouch End" apresenta o nome soletrado "Nyarlahotep". Em Torre Negra VII: A Torre Negra, uma versão fictícia do próprio Stephen King menciona Nyarlathotep.
Em games, Nyarlathotep aparece na franquia Shin Megami Tensei, Persona, Demonbane, e Bloodbourne, entre outros. No cardgame Yu-Gi-Oh!, o card Outer God Nyarla é inspirado em Nyarlathotep.
No podcast brasileiro Nerdcast, Nyarlathotep aparece fortemente durante o episódio O Mistério de William Faraday do RPG Call of Cthulhu.
Dué (ou Ndué) é o nome de um ser divino e maléfico oriundo das lendas dos índios Tariana, habitantes de territórios ao redor do rio Negro, no noroeste do Amazonas. Seria uma espécie de duende, que em certa ocasião usou seus poderes para criar um grande sol, provocando uma enorme seca na terra, além de incêndios nas florestas, matando todos os seres que ali viviam. Terminada a devastação que causou, Dué reuniu os ossos de todos que morreram (animais, peixes, aves e humanos) e os ressuscitou com seus poderes.
As ações de Dué não agradaram o deus Tupã, que decidiu castigá-lo. Ele bloqueou a nascente de um rio, fazendo com que ele enchesse e inundasse a terra. Os animais e os homens migraram para os montes para se refugiarem, e após três luas, a terra secou e todos puderam retornar. Enquanto a Dué, não se sabe o que aconteceu mas desde então nunca mais foi visto por ninguém.
Galvarino (nascimento:? - morte: 30 de novembro de 1557) foi um famoso guerreiro e toqui (líder) mapuche, participando dos conflitos iniciais da longa Guerra de Arauco, travada entre os colonizadores espanhóis e o povo mapuche. Galvarino tornou-se um símbolo de perseverança e resistência, superando uma grave mutilação e retornando ao combate ao lado de seus companheiros.
A Batalha das Lagunillas
A Batalha de Lagunillas foi uma das batalhas ocorridas durante a Guerra de Arauco. Ela ocorreu em 8 de novembro de 1557, e foi travada entre o exército de García Hurtado de Mendoza, ex-governador real do Chile, e o exército de guerreiros mapuches.Durante essa batalha, García e suas forças conseguiram facilmente prevalecer contra os mapuches, que se demonstraram desorganizados em combate. Os guerreiros que não foram mortos tornaram-se prisioneiros (os números falam em cerca de 150 homens), e entre esses prisioneiros estava seu líder, Galvarino.
Após serem rapidamente julgados, todos os prisioneiros foram condenados a amputação da mão direita e do nariz, enquanto os líderes, como Galvarino, teriam as duas mãos amputadas. Essa terrível punição era uma mensagem de García para os mapuches: ou se submetiam ao governo, ou seriam todos mutilados e/ou mortos. Dizem que durante a amputação de seus membros, Galvarino não demonstrou nenhum sinal de dor, e ao final, pediu aos seus captores que o matassem, mas o mesmo foi recusado.
A Determinação de Galvarino
Galvarino e os demais guerreiros foram liberados e enviados de volta até Caupolicán, o grande líder do povo mapuche na época. Os espanhóis esperavam que a visão de seus homens mutilados fizessem com que Caupolicán se rendesse, e talvez isso tivesse acontecido se não fosse por Galvarino, que não só inflamou Caupolicán e seus companheiros a continuassem a batalha contra os seus opressores, como fixou duas lâminas em seus pulsos, para que ele próprio pudesse retornar ao campo de batalha. Não existem registros sobre o quão grandes ou afiadas eram essas lâminas, e também não é claro se elas foram amarradas em torno de seus pulsos ou se foram cravadas e cauterizadas no local onde antes ficavam suas mãos, mas podemos ver artes representando Galvarino das duas formas.
Caupolicán decidiu que os mapuches revidariam contra os espanhóis, e nomeou Galvarino como um de seus comandantes. No dia 30 de novembro de 1557, menos de um mês após ter sido capturado, Galvarino estava na linha de frente do que ficou conhecido como a Batalha de Millarapue.
O plano do exército mapuche era emboscar o acampamento espanhol e dominar García antes que ele pudesse virar sua artilharia e cavalos contra os guerreiros, porém eles lançaram sua armadilha rápido demais e, apesar de um sucesso inicial em impedir a cavalaria de García, o comandante conseguiu acertar os atacantes nativos com tiros de canhão, abrindo uma fenda para seus cavaleiros cavalgarem e semearem o caos. Conta-se que, ao todo, três mil mapuches foram mortos, em comparação com apenas ferimentos leves e dezenas de cavalos mortos do lado espanhol. Também houveram centenas de mapuches capturados, incluindo Galvarino.
Existem poucas evidências sobre o desempenho de Galvarino durante esta batalha. Jeronimo de Vivar, um soldado espanhol que mais tarde escreveu um relato das Guerras de Arauco intitulado Crónica, escreveu que Galvarino incitava os guerreiros mapuches a avançarem levantando seus braços laminados e gritando: “Ninguém pode fugir além de morrer, porque você morre defendendo sua pátria mãe!”. Vivar também escreveu que Galvarino confrontou diretamente o esquadrão de García, conseguindo derrubar o segundo homem em comando do general.
Galvarino não teria uma terceira oportunidade de confrontar os espanhóis, sendo condenado à morte juntamente com os demais homens capturados. Alonso de Ercilla, um assessor espanhol que mais tarde escreveria o poema épico “La Araucana ”, afirmou que tentou intervir em favor de Galvarino, suplicando-lhe que se juntasse aos espanhóis, porém Galvarino teria lhe respondido: “Prefiro morrer a viver como você, e só lamento que minha morte me impeça de rasgá-lo em pedaços com os dentes”. Alguns afirmam que García atirou Galvarino aos cães, enquanto outros afirmam que ele foi enforcado. Outros ainda acreditam que Galvarino tirou a própria vida, para que seus captores não tivessem esse prazer.
A Guerra de Arauco continuaria por quase 300 anos, com os mapuches continuamente resistindo à colonização pelos espanhóis. A história de Galvarino tornou-se um grito de guerra para o povo mapuche, e um símbolo de resistência e também da tenacidade dos mesmos. Os mapuches sobrevivem até hoje na região, mostrando que os sacrifícios feitos pelos seus antepassados resultaram na preservação de sua cultura por muito tempo.
Mergen (antigo turco: 𐰢𐰼𐰏𐰤, "arqueiro" , "sábio"; em mongol; cirílico: Мерген, russo: Мэргэн) é o deus da sabedoria, da razão e da abundância na mitologia turca/mongol. Filho do deus criador Kayra Han, Mergen é irmão dos deusesÜlgen e Kyzagan.
Mergen é geralmente retratado como um homem jovem usando um capacete de turbante e empunhando um arco e flecha. Outros símbolos associados a ele são um cavalo branco e a cor branca em si. Conta-se que ele habita o sétimo andar do céu, e que ele dispara suas flechas com sabedoria, nunca errando os seus alvos. Como um deus da sabedoria, Mergen também pode concedê-la às pessoas.
Seu nome costuma ser usado como um título para heróis de contos de fadas e lendas, como por exemplo Kan Mergen, Ay Mergen, Kartaga Mergen e Südey Mergen.
Kuebiko (japonês クエビコ ou 久延毘古, literalmente "homem deformado")é um antigo kami (deus) xintoísta, adorado como o deus da agricultura ou da erudição e da sabedoria. Ele é representado na mitologia japonesa como um espantalho, e é dito que embora seja incapaz de andar, sabe tudo o que há para saber sob os céus.
Mitologia
Kuebiko aparece no Kojiki (古事記, "Registros dos Assuntos Antigos"), na lenda sobre a formação da "Terra Central das Planícies de Junco" (Japão) pelo deus Ookuninushi. Nesta lenda, Ookuninushi é visitado por um pequeno deus vindo do outro lado do oceano, e esse deus, que não era conhecido por ninguém, também se recusava a revelar seu nome. Desejando saber seu nome, Ookuninushi manda um sapo chamar Kuebiko, que se acreditava saber tudo sobre o mundo, mas o sapo lhe informa que Kuebiko não conseguia andar. Okuninushi então resolve visitar Kuebiko pessoalmente, descobrindo que ele era um espantalho fixado em uma montanha. O deus espantalho então revela a Ookuninushi que aquele que o havia visitado chamava-se Sukunabikona, e era filho de Kamimusubi (um dos Kotoamatsukami, os primeiros deuses a virem à existência no momento da criação do universo).
Em algumas áreas do Japão, os espantalhos em geral são adorados como símbolos dos deuses da montanha em festivais realizados na época da colheita ou durante os feriados de ano novo. Permanecendo em arrozais o dia todo observando o que se passa no mundo, os espantalhos passaram a ser considerados como divindades que detêm conhecimento sobre todas as coisas.
Kuebiko em particular é consagrado em santuários como o santuário Kutehiko-jinja (na cidade de Nakanoto-machi, Kashima-gun, Prefeitura de Ishikawa) e o santuário Kuehiko-jinja, uma ramificação do santuário Omiwa -jinja (na cidade de Sakurai, Prefeitura de Nara).