22 de novembro de 2012

Changeling

۞ ADM Sleipnir


No folclore europeu e na crença popular, um changeling é a prole de uma fada, troll ou outra criatura lendária que foi deixada secretamente em troca de uma criança humana. Acreditava-se que a criança trocada viraria serva, enquanto o changeling seria tratado com muito amor e carinho. Alguns contos noruegueses dizem que a mudança era feita para evitar a endogamia: para dar a criatura e o humano um sangue novo, os humanos terão filhos com enorme força como uma recompensa. Em alguns casos raros, as fadas muito idosas seriam trocadas no lugar de um bebê humano, assim a fada velha poderia viver com conforto, sendo mimada por seus pais humanos.

Algumas pessoas acreditavam que os trolls levaria as crianças não batizadas. Uma crença é que os trolls pensavam que ser criado por seres humanos era algo muito elegante,e que, portanto, queriam dar aos seus filhos uma educação humana. Eram atraídos pela beleza humana, principalmente por mulheres loiras. Algumas pessoas acreditavam que os trolls levavam crianças não batizadas.



A realidade por trás de muitas lendas de crianças trocadas parece ser o nascimento de crianças deformadas ou retardadas. Todavia, de acordo com algumas lendas, seria possível detectar uma criança trocada pelo motivo oposto: elas seriam muito mais inteligentes do que a média das crianças. Quando tais “substitutos” eram descobertos a tempo, os pais tinham de levá-los de volta para o lugar de origem. Em um conto dos irmãos Grimm, há um conto sobre uma mulher, que suspeitando que seu filho havia sido trocado, começou a fermentar cerveja numa casca de bolota. O “substituto” então gritou: "sou velho como um carvalho dos bosques, mas nunca tinha visto fazer cerveja em bolota!" e depois desapareceu.

Em outro folclore,os changelings são colocados no lugar da criança para se alimentar da mãe da criança. O menino seqüestrado, em seguida, torna-se alimento para a mãe do changeling. Isto é feito para a sobrevivência de sua espécie. Uma vez que a mãe changeling e o changeling drenarem a vida da mãe e da criança humana, o changeling e sua mãe começarão a procurar uma nova fonte de alimento adequado. Outras fontes dizer que o leite humano é necessário para a sobrevivência das crianças das fadas. Nestes casos, ou o recém-nascido humano seria trocado por um bebê de fadas para ser amamentado pela mãe humana, ou a mãe humana seria levada ao mundo de fadas para amamentar os bebês de fadas.


Encantos simples, como um casaco ao avesso ou tesouras de ferro deixadas abertas onde a criança dorme, podem ser usados para afastá-los; outras medidas incluem uma vigilância constante sobre a criança,e para matar os changelings pode ser usado o fogo.

Crianças trocadas foram mostradas na série americana Sobrenatural, no episódio “The Kids Are Alright” (“As Crianças Estão Bem”), da terceira temporada. “Changeling”, na série, é um parasita demoníaco que esconde crianças, normalmente, embaixo da terra e assume a forma da criança, aproximando-se da mãe para sugar toda sua força vital.


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21 de novembro de 2012

A Maldição do Sino do Zoo do Rio

۞ ADM Sleipnir


Não são só os urros dos leões que colocam para correr almas do zoológico do Rio de Janeiro. Mais temível que o rei da selva é um antigo sino arraigado na ala administrativa do parque, cujo tilintar é tido como a própria convocação da morte.

Até onde alcança a memória e a inventividade dos funcionários, tocar seu badalo é hábito a ser punido com severidade: todas as vezes em que o ato foi consumado, alguém bateu as botas. À exceção dos animais, protegidos por uma estátua de São Francisco de Assis, faxineiros, garis e auxiliares administrativos – e até celebridades como Michael Jackson e Dercy Gonçalves – parecem ter sucumbido à melodia fúnebre incitada pelos incrédulos.

Dia desses, um gari foi contratado sob condição expressa de não atentar contra o artefato de bronze, que leva a irônica inscrição de Fundição Alegria. O faxineiro não resistiu: num sábado tranquilo, fez o sino soar três vezes. Saiu achando tudo uma grande bobagem até que, na quinta-feira, sua tia não sobreviveu a um atropelamento. O sujeito confessou o “crime” e, diante do pesar, o zoológico apenas o repreendeu.

Não adiantou.

Intrigado, dois dias depois ousou ressoar novamente o badalo maldito. Passadas algumas horas, sentiu uma fraqueza súbita, dores em todos o corpo e tonturas, e foi socorrido pelos funcionários. Mas a misteriosa “doença” só inflamou a descrença do rapaz, que na semana seguinte insistiu em sua missão. Acabou sobrando, cinco dias mais tarde, para o rei do pop, Michael Jackson. Aí ele, enfim se convencei.

“Achava que as mortes não tinham relação com o sina, mas quando o Michael morreu, percebi que tinha ido longe demais”, lembra o funcionário.

O assunto é levado tão a sério que, meses atrás, durante um procedimento rotineiro de conservação do patrimônio, a direção do zoológico determinou que o vaso cônico fosse protegido do badalo por espumas, para evitar qualquer som funesto.

“Eu não tenho essa superstição, mas tinha de prevenir, né”, afirma Sérgio Luiz felippe, presidente do Rio Zoo.

O mesmo tipo de cuidado é observado em manutenções corriqueiras, como a aplicação de verniz: o trabalho que seria feito por uma só pessoa reúne ao menos mais uma, cuja vital função é fiscalizar os movimentos da haste metálica, evitando o contato.

“Quando um funcionário novo chega, é logo alertado. Hoje, mexer no sino dá até suspensão. Primeiro, porque atrapalha o serviço de todo mundo, já que ninguém consegue trabalhar depois de ouví-lo tocar. E, depois, porque a gente respeita e não que ser responsável por mais uma casualidade”, diz uma antiga funcionária que prefere não se identificar, não por medo, mas por vergonha de acreditar no badalo satânico.

A maldição do sino remete aos tempos da escravidão, antes mesmo de a Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, abrigar a realeza portuguesa. Dizem os antigos que lá havia grandes fazendeiros que castigavam seus escravos ao som dos badalos. Antes de se transformar em zoológico, centenas de ano depois, o espaço deu lugar a uma escola para crianças excepcionais e o sino chegou a ser usado – em princípios, sem maiores contratempos – para anunciar o início da aulas. Ao menos, até 1945.

Nessa época, quando o zoológico se mudava para a Quinta da Boa Vista, causou espécie a presença de um homem centenário, conhecido apenas por Lauro, que morava numa das salas transformadas em escritório da Fundação Rio Zoo. O homem, que se negava a deixar o lugar, cuidava com afinco do sino amaldiçoado, ameaçando quem se aproximasse. Acharam prudente deixá-lo quieto e, por vias tortas, ele acabou tornando-se uma espécie de zelador do badalo – ao menos até a sua morte, atribuída a causas naturais, há uns bons anos.

A fama do sino corre, entre funcionários, que temem removê-lo. Os visitantes não compartilham, porém, do mesmo temor – e encontrar alguém que conheça a história parece tão impossível quanto deixar o assunto no ramo das lendas urbanas. Um dos responsáveis pela alimentação dos animais, Upirajara Rijo, apelido Bira (e não Pira), leva nas costas 45 anos de trabalhos no zoo e o peso de ser um dos “antigos”. É a veteranos como ele que se deve, em grande parte, a “conscientização” dos companheiros da gravidade de um badalada.

“O sino é assassino. É batata, é só tocar que morre alguém. Eu nem encosto nele. Olhar não tem problema, mas é só tocas que o sino chama alguma coisa de ruim que vai levar alguém. Não é bom nem falar em tirar ele daqui. Para que mexer com quem está quieto?”

Marcos Delgado, zootecnista e responsável pela alimentação e nutrição dos animais, evita até o contato visual. “Eu não toco, respeito o sino. Se puder, não passo nem perto.”

Estima-se que, em 20 anos mais de 15 almas subiram aos céus após o sino ser tocado. A esposa de um funcionário da oficina do zoológico, que zombava dos poderes ocultos, teria sido uma das vítimas. O irmão de uma auxiliar administrativa se suicidou; o pai de uma arquiteta faleceu; um dos responsáveis pelos projetos de incentivo também se foi , assim como o merendeiro e a mãe de um tratador de animais. Segundo defendem os mais tementes, o poder do sino chega a durar um mês, período que separou o falecimento de Dercy Gonçalves de uma badalada mais debochada.

Diante dos acontecimentos, ninguém mais ousa nem encostar no sino, que jaz com o badalo devidamente amarrado, no meio do pátio.

“A última vez que um engraçadinho tocou, sobrou para o funcionário da jardinagem”, reclama o biólogo Rodrigo de Cerqueira, que entre idas e vindas, trabalha no zoo desde 1992. Convocado a incitar a melodia Cerqueira recuou. “É superstição, mas também nem chego perto.”

O faxineiro que não acreditava na maldição e tocou o sino em três ocasiões. Primeiro, perdeu uma tia. Depois, só não se foi por causa do socorro de colegas do zoo. Por fim, veio o anúncio da morte de Michel Jackson. “Percebi que tinha ido longe demais.” Dercy Gonçalves teria sido outra vítima fatal.


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20 de novembro de 2012

Papel Vermelho / Papel Azul

۞ ADM Sleipnir


Ao fim de tarde, um jovem vai ao banheiro antes de ir embora para casa (no Japão o horário das escolas é integral, ou seja, as crianças ficam na escola desde as oito da manhã até mais ou menos quatro, cinco da tarde). Após fazer suas necessidades, ele pensa em pegar o papel higiênico para se limpar, mas este já acabou. Então, ele ouve uma voz que vem do nada, e esta lhe pergunta: "Quer papel vermelho? Quer papel azul?". O jovem responde "papel vermelho" e no mesmo instante todo o sangue de seu corpo verte por seus orifícios e o jovem morre. 

A lenda se espalha pela escola e, mesmo aterrorizado por ela, outro jovem acaba indo ao banheiro dias depois e a mesma situação ocorre. A voz vem do nada e lhe pergunta: "Quer papel vermelho? Quer papel azul?". O garoto, lembrando-se do que ocorreu ao colega por ter pedido o papel vermelho, pede o azul sem hesitar. Neste exato momento todo o sangue de seu corpo é drenado por uma força sobrenatural, e o garoto morre, sendo encontrado depois com o corpo todo azulado pela falta de circulação. 

A origem 

Diz-se que essa lenda nasceu pelo medo de alguns estudantes que se martirizavam por não saberem decidir coisas importantes da vida, responder questões em provas ou serem indecisos demais. Como se, no sub consciente de alguns, o medo de ter uma escolha que mudaria suas vidas ou a possibilidade de responder uma questão incorretamente tivesse gerado essa história imaginária, que mais tarde se tornaria a lenda. Há também uma teoria de que ela tenha sido gerada à partir de outra lenda, muito popular em 1926, chamada de "Manta vermelha", onde é contado que um monstro trajado numa manta vermelha sequestra crianças. 

Suas variações 

É também conhecida em alguns estados como: "Papel Vermelho, Papel Branco", "Manta Vermelha, Manta Azul", "Mão Vermelha, Mão Azul", "Língua Vermelha, Língua Azul", mas o final quase não varia, sendo morte certa. O resultado da escolha entre os papéis, entretanto, varia um bocado. 

No caso da escolha pelo papel vermelho diz-se também que: 
  • Uma chuva de sangue cai do teto; 
  • Uma foice corta o corpo da pessoa e esta fica embebida em seu próprio sangue; 
  • O papel cai em pedaços do teto, como uma chuva; 
  • O corpo todo fica avermelhado. 
Já no caso do papel azul/branco: 
  • A pessoa é enforcada até perder o ar e ficar azul (arroxeada); 
  • O corpo todo fica azulado; 
  • Um papel bem pequeno azul é entregue, mas por ser pouco, a pessoa se vê obrigada a pedir o amarelo, e depois o vermelho, e finalmente ela desaparece. 

Há também quem diga que um braço da cor do papel escolhido sai de dentro da privada e arrasta a pessoa com ela, ou que mesmo que a pessoa escolha o azul, a voz diz apenas "Não tem papel azul" e obriga a pessoa a escolher o vermelho. 

É claro que houve quem achasse que ouvir "apenas" uma voz seria pouco assustador, e logo a versão de que um homem magro e extremamente pálido surgia para perguntar qual a pessoa queria se espalhou por aí. 

Métodos para escapar 

Quem tenta fugir é impedido pela porta que não abre de jeito algum e, mesmo levando um rolo de papel higiênico consigo, o rolo some no momento em que a voz questiona a pessoa. 

Em uma escola de Osaka diz-se que para escapar a pessoa deve responder "papel roxo", e em outras regiões que basta a pessoa responder uma cor diferente da apontada, como amarelo, ou verde, mas em Yamagata essa possibilidade é descartada, pois conta-se que responder outras cores leva a pessoa para o mundo dos mortos. 

Em Tóquio, a lenda conta que não é em qualquer banheiro que isso ocorre. A cabine assombrada seria a quarta mais próxima da porta e estaria no banheiro ao lado do ginásio de esportes da escola, velho e raramente usado e, portanto, este deveria ser evitado.


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17 de novembro de 2012

Seth

۞ ADM Sleipnir


Seth (ou Set, Sutekh e Seteh) também chamado de Nebty (Nebet - cidade do ouro) é o deus egípcio da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra, dos animais e serpentes. É também um dos mais remotos deuses egípcios. Seth era encarnação do espírito do mal e irmão de Osíris, o deus que trouxe a civilização para o Egito. Seth era também o deus da tempestade no Alto Egito. Era marido e irmão de Néftis, filho de Rá e Nut. Algumas fontes colocam que Seth ao nascer teria rasgado o ventre de Nut com suas garras. O deus vermelho fazia de tudo para conseguir o controle dos deuses e ficar no lugar de seu irmão Osíris. Ele originalmente auxiliava Rá em sua eterna luta contra a serpente Apófis(o próprio caos) no barco solar, e nesse sentido Seth era originalmente visto como um deus bom.

Aparência


Seth é intimamente associado a vários animais, como cachorro, crocodilo, porco, asno e escorpião. Sua aparência orelhuda e nariguda era provavelmente um agregado de vários animais, em vez de representar somente um. Ele também é representado como um hipopótamo, considerado pelos egípcios como uma criatura destrutiva e perigosa. Há também a possibilidade de possuir o rosto de um aardvark. Nos quadrinhos da Marvel Comics (principalmente de Conan, o bárbaro), Seth é descrito erroneamente como uma grande serpente. Na verdade a grande serpente era uma referencia a Apep, inimiga de Rá, e esta ironicamente era combatida por Seth. (na maioria das versões Seth perde a orelha na luta contra Hórus e este perdeu o olho, porém deus Toth decidiu parar com o combate devolvendo a orelha de Seth e o olho de Hórus e dizem que Seth viverá pela eternidade planejando conseguir a ex-coroa de Osíris hoje com Hórus).

Apesar de sua fama, Seth também possui boas características. Protege a barca de Rá durante sua viagem noturna ao mundo oculto. Derrota o demônio Apópis, que ameaça-o pelas manhãs e noites. A cada vitória que Seth alcança, Apópis renasce para recomeçar a batalha. Deste conflito permanente nascem o equilíbrio das forças e a harmonia universal. Sendo assim, o universo só funciona pela a ação contraditória de Seth.


Lendas

A Briga pelo lugar de Osíris


Após o falecimento de Osíris,o seu filho e sobrinho de Seth(às vezes indicado como irmão deste),Hórus,trava uma verdadeira batalha para suceder seu pai contra Seth que sentindo-se injustiçado por não assumir o lugar de Osíris,pois segundo ele, é o único deus forte o suficiente para ocupar tal lugar, vai perante os deuses superiores protestar pelo que considera seu direito. Hórus,o deus do céu,argumenta para Geb ou, em outras versões do mito,para Rá que é o legítimo herdeiro do trono ao que Seth se opõe dando início a um conflito divino.Na querela entra a mãe de Hórus,Ísis, que convence a Enéade, o conselho dos deuses, a não outorgar em favor de Seth porém decidem se reunir mais uma vez ,agora numa ilha,para julgar o caso no que é impedida de acompanhar.Entretanto Ísis disfarçada de idosa suborna o condutor da barca do sol,Nemty, com uma jóia e segue os outros deuses até a ilha onde eles se reuniriam.Lá ela se transforma numa bela jovem para seduzir Seth e assim conseguir sua confissão de que na verdade o seu filho de fato era o herdeiro por direito ao trono de Osíris e não ele fazendo-o mais uma vez protestar com o conselho de deuses sugerindo então um desafio para Hórus onde ambos se metamorfoseariam em hipopótamos para sobreviver alguns meses sob a água.Ísis preocupada com seu filho decide ajudá-lo arremessando um arpão nas águas onde termina por atingi-lo e fisga Seth que pede por clemência ao que ela consente.Irritado por sua mãe tê-lo ferido,Hórus a ataca e corta sua cabeça fugindo para o deserto.Após o ocorrido, a Enéade decide puni-lo por ferir sua mãe ao que Seth tira seus olhos enquanto dorme.A deusa Hator restaura a sua visão com leite.Outra vez Hórus apela perante os deuses por equidade sendo que agora esses,falam para Osíris no mundo dos mortos que responde inquirindo por que seu filho ainda não foi entronado ameaçando-os com uma infestação de demônios.Finalmente após deliberar, Rá decide arbitrar em favor de Hórus e acolhe Seth enfim para a morada dos deuses.


A traição de Néftis e suposta inveja de Seth

Algumas versões contam que na verdade ele foi traído por Néftis com Osíris, daí seu assassinato. O maior defensor dos oprimidos e injustiçados, tinha fama de violento e perigoso, uma verdadeira ameaça. Conta-se que Set ficou com inveja de Osíris e trabalhou incessantemente para destruí-lo (versões contam que Néftis, esposa de Seth, fora seduzida por Osíris, o que seria uma ressalva. Anúbis teria sido concebido desta relação). Auxiliado por 72 conspiradores, Seth convidou Osíris para um banquete. No decurso do banquete, Seth apresentou uma magnífica caixa-sarcófago (ataúde) que prometeu entregar a quem nela coubesse. Os convidados tentaram ganhar a caixa, mas ninguém cabia nesta, dado que Seth a tinha preparado para as medidas de Osíris. Convidado por Seth, Osíris entra na caixa. É então que os conspiradores, sits, servos do próprio Seth trancam-na e atiram-na para o rio Nilo. A corrente do rio arrasta a caixa até o mar Mediterrâneo, acabando por atingir Biblos (Fenícia). Ísis, desesperada com o sucedido, parte à procura do marido, procurando obter todo o tipo de informações dos que encontra pelo caminho. Chegada a Biblos Ísis descobre que a caixa ficou encrustada numa árvore que havia sido cortada para fazer uma coluna no palácio real. Com a ajuda da rainha, Ísis corta a coluna e consegue regressar ao Egito com o corpo do amado, que esconde numa plantação de papiros.

Contudo, Seth encontrou a caixa e furioso decide esquartejar em 14 pedaços o corpo, que espalha por todo o Egito; segundo alguns textos do período ptolomaico, teriam sido 16 ou 42 partes. Quanto ao significado destes números, deve-se referir que o 14 é o número de dias que decorre entre a lua cheia e a lua nova e o 42 era o número de províncias (ou nomos) em que o Egito se encontrava dividido.

Suas ações fizeram com que a maioria dos outros deuses se voltassem contra ele, mas Seth achava que seu poder era inatacável. Hórus, filho de Ísis e Osíris, conseguiu matar Seth, que acabou identificado como um deus do mal.

Metamorfose e os adoradores de Seth


Os egípcios tinham várias maneiras de representar o deus Seth,as manifestações mais comuns eram as em formas de animais sobretudo na figura de uma imagem parte asno,parte porco ou mesmo um tamanduá além também de ser associado a bois e bestas que eram usados para debulhar cereais e amassar grãos que segundo o mito continham o deus Osíris,vítima recorrente de sua perseguição. Hórus,filho de Osíris,condenou esses últimos animais a flagelos constantes.Numa de suas investidas contra Osíris,Seth se transforma em uma pantera até que o deus Thot mediante feitiços consegue dominá-lo dando oportunidade para Anúbis marcar sua pele e esfolá-lo.Ele se recupera dos ferimentos e parte rumo ao deserto,seus domínios,sob a aparência de um touro seguido de perto por Ísis transformada em um cão e a deusa Hator em forma de serpente venenosa que pica os seus adoradores reunidos,tingindo de sangue ,desse modo, as areias do deserto.

Adi
cionais

Seth é o deus do caos, também do deserto e das terras estrangeiras. No Livro dos Mortos, Seth é chamado "O Senhor dos Céus do Norte" e é considerado responsável pelas tempestades e a mudança de tempo. A história do longo conflito entre Seth e Hórus é vista por alguns como uma representação de uma grande batalha entre cultos no Egito cujo culto vencedor pode ter transformado o deus do culto inimigo em deus do mal. Seth é, na verdade, a representação do supremo sacrifício em prol da justiça.

Textos do Reino Novo descrevem Seth como autor de uma série de crimes de sacrilégios como a derrubada de árvores sagradas e a caça de pássaros, peixes e animais sagrados. Ele também é notório por quebrar tabus sexuais: a sua natureza luxuriosa o leva a encontros héteros e homossexuais inapropriados. Num mito ele é punido por ter relações com a deusa da semente, que personifica o sêmen do criador. Noutro, a sua tentativa de dominar sexualmente seu rival leva-o ao nascimento não-natural do deus lunar Thoth.


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13 de novembro de 2012

Necronomicon, O Livro dos Mortos

۞ ADM Sleipnir

Arte de Jaden Hodgins

O Necronomicon ("Al Azif", no original árabe) é um livro fictício criado por H.P.Lovecraft, autor estadunidense de ficção científica, horror e literatura fantástica. Segundo o próprio, o Necronomicon teria sido escrito em Damasco por volta de 730 d.C. por Abdul Alhazred, um poeta árabe louco originário de Sanaa, no Iémen.

Embora o livro seja fictício, Lovecraft forneceu inúmeros dados supostamente reais a respeito da sua origem e história. Indicou, por exemplo, que o livro foi banido pelo Papa Gregório IX em 1232, logo após a sua tradução para o latim, e que dos exemplares ainda existentes um está guardado no Museu Britânico em Londres e outro na Biblioteca Nacional em Paris. Graças a isso, e apesar do autor ter insistido em numerosas ocasiões que o livro é pura ficção, existem relatos de pessoas que acreditam realmente que o "Necronomicon" é um livro real e o próprio Lovecraft recebeu cartas de fãs inquirindo acerca da autenticidade do mesmo.

O livro possuía um vasto conhecimento sobrenatural, em todas suas paginas assustadoras, podiam se encontrar feitiços e poções, em grande quantidade os feitiços de Necromancia, ou seja, ressuscitar os mortos, fazer contato com os mesmos ou outras entidades sobrenaturais, viajar para o além onde muitos seres fantásticos habitam, mandar para longe entidades ou trazer de volta a terra entidades que foram banidas e aprisionadas em outro mundo,alem de sua leitura causar a loucura e até a morte, ou seu desejo momentâneo mais profundo se torne realidade, causando sérias devastações.

Arte de Hartman

Em 1927, H.P Lovecraft escreveu uma breve história do Necronomicon que foi publicado em 1938, após sua morte, como "História do Necronomicon". De acordo com esse relato, o livro foi originalmente chamado Al Azif, uma palavra árabe que Lovecraft definiu como "O som noturno" (feito por insetos) que poderia ser o uivo de um demônio, (um dicionário árabe / Inglês traduz `Azif como assobio do vento, som estranho ou ruído).

Alguns escritores produziram e apresentaram necronomicons diversos. Um desses escritores é o italiano Frank G. Ripel, fundador de uma Escola de Mistérios - a Ordem Rosa Mística. Em um de seus livros - La Magia Lunar - Ripel fornece uma tradução em castelhano do "verdadeiro Necronomicon" que, segundo Ripel, teria sido formulado há mais ou menos 4.000 anos a.C. O Al Azif seria uma versão espúria, adulterada através dos tempos. O Necronomicon da Ordem Rosa Mística fundamenta uma série de rituais da Ordem e há quem acredite que todas as entidades nele citadas são reais.

Existe outro tipo de livro dos mortos que eram colocados com as múmias, para ajudá-las a fazer sua viagem para o além, outros as ajudavam a ressuscitar, que também possuíam necromancia. Eram escritos em rolos de papiros e colocados nos túmulos. A junção de tais textos funerários formaram o que é conhecido hoje como o Livro dos Mortos, reconhecido pela história, e que não é tão mítico como o Necronomicon.

Alguns filmes foram inspirados no Necronomicon, tais como:
  • In the Mouth of Madness (À Beira da Loucura no Brasil; A Bíblia de Satanás em Portugal), de John Carpenter;
  • The Evil Dead (pt-BR: A Morte do Demônio; pt-PT: A Noite dos Mortos-Vivos), de Sam Raimi;
  • Evil Dead 2 (pt-BR: Uma Noite Alucinante 2; pt-PT: A Morte Chega de Madrugada), também de Sam Raimi.
Arte de OliverInk
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12 de novembro de 2012

Tengu

۞ ADM Sleipnir

Arte de Mickey Torres

Tengu (japonês 天狗, "cão celestial") são uma raça de criaturas lendárias pertencente ao folclore japonês, podendo ser considerados deuses (kamis) ou demônios (yokais). Originalmente acreditava-se que eles assumiam a forma de aves de rapina, e são tradicionalmente descritos e representados como seres possuindo características humanas e aviárias. No budismo, por muito tempo os tengu foram considerados demônios destruidores e arautos da guerra. Gradualmente, sua imagem foi sendo suavizada, sendo transformados em uma classe de espíritos protetores das florestas e montanhas, embora ainda sejam considerados perigosos. 

Iconografia

Tengus aparecem nas artes em uma variedade de formas. Geralmente, sua representação varia entre um pássaro grande e monstruoso e um ser totalmente antropomorfizado, com um rosto vermelho e um nariz anormalmente longo. As primeiras descrições de tengus mostram-nos como seres semelhantes a pássaros que podem assumir a forma humana, muitas vezes mantendo somente as asas, a cabeça ou o bico de pássaro. 

O nariz alongado do tengu parece ter sido concebido no século XIV, assim como a humanização de sua forma original de pássaro. Essa representação de nariz associa os tengus ao kami xintoísta Sarutahiko Ōkami, descrito no Nihon Shoki (日本書紀, "Crônicas do Japão", publicado em 720 d.C.) com um nariz medindo cerca de 40 cm de comprimento. Em festivais, as duas figuras são frequentemente retratadas com máscaras vermelhas portanto um nariz longo e fálico.

Numata Tengu Festival, realizado na prefeitura de Gunna

Algumas das primeiras representações de tengus apareceram em pergaminhos de imagens japoneses, como o Tenguzōshi Emaki (天狗草子絵巻), pintado em 1296 e zombando de monges de alto escalão ao representá-los com bicos de falcão semelhantes aos tengus.

Os tengus são freqüentemente retratados tomando a forma de algum tipo de sacerdote. A partir do século XIII, eles passaram a ser associados em particular aos yamabushi, ascetas da montanha adeptos do Shugendō (uma forma de budismo de origem nipônica, formado por filosofias sincretista de diversas tradições religiosas como: xintoismo, taoismo e formas esotéricas pré-budistas). Essa associação logo encontrou seu caminho na arte japonesa, onde os tengus são mais frequentemente retratados usando o traje único do yamabushi, que inclui uma touca distinta chamada tokin e uma espécie de faixa com bolas de lã chamada yuigesa (結袈裟). Devido à sua estética sacerdotal, eles costumam ser mostrados empunhando o khakkhara (sânscrito: खक्खर, japonês: 錫杖, shakujō), um cajado distinto usado pelos monges budistas.

Arte de MyCKs

Tengus são comumente representados segurando um leque de penas mágico, chamado hauchiwa (羽団扇). Em contos populares, esses leques às vezes têm a capacidade de aumentar ou diminuir o nariz de uma pessoa, mas geralmente é atribuído a eles o poder de produzir grandes rajadas de vento. Vários outros acessórios estranhos podem estar associados aos tengus, como uma espécie de sandália geta com um salto no meio, muitas vezes chamada de tengu-geta.

Origem

O termo tengu e os caracteres usados ​​para escrevê-lo foram emprestados do nome de um criatura do folclore chinês chamada Tiangou. A literatura chinesa atribui à essa criatura uma variedade de descrições, mas na maioria das vezes ela é descrita como um monstro canino feroz e antropófago, que se assemelha a uma estrela cadente ou cometa. O Tiangou produz um barulho semelhante a um trovão e sua presença é uma premonição de guerra. O 23º capítulo do Nihon Shoki contém a primeira menção a um tengu registrada no Japão, e nesse registro, uma grande estrela cadente aparece e é identificada por um monge budista como um "cão celestial" e, de maneira muito parecida com o Tiangou da China, a estrela precede um levante militar. 

Embora os caracteres chineses para tengu sejam usados ​​nesse registro, os caracteres fonéticos de furigana que o acompanham são interpretados como amatsukitsune ("raposa celestial"). O sinologista M. W. de Visser (1875-1930) especulou que os primeiros tengu japoneses podem representar um junção de dois espíritos chineses: o tiangou e o espírito raposa chinês chamado huli jing. 

Como a aparência do tengu mudou de um cão-meteoro para um homem-pássaro não é claro. Alguns estudiosos japoneses apoiaram a teoria de que a imagem do tengu seria derivada da divindade hindu Garuda, que foi pluralizada nas escrituras budistas como uma das principais raças de seres não-humanos. Como os tengus, os garudas são freqüentemente retratados em uma forma semelhante à humana, com asas e bico de pássaro.  O nome tengu parece ter sido escrito no lugar de garuda em um sutra japonês chamado Emmyō Jizō-kyō (延命地蔵経), mas este provavelmente foi escrito durante o período Edo (1603-1868), muito depois do estabelecimento da imagem dos tengus. 

Arte de Invee

Uma história presente no Konjaku Monogatarishū (今昔物語集, "Antologia de Contos do Passado"), uma coleção de histórias publicadas no final do período Heian (794-1185), descreve um tengu combatendo um dragão, o que lembra a rivalidade do Garuda com as serpentes naga. Em outros aspectos, no entanto, o comportamento original do tengu difere do Garuda, que normalmente é amigável com o budismo. 

Uma versão posterior do Kujiki, um antigo texto histórico japonês, escreve o nome de Amanozako, uma monstruosa divindade feminina nascida da ferocidade e dos sentimentos ruins do deus Susanoo, cujos caracteres de seu nome (天狗神) significam "divindade tengu". O Kujiki descreve Amanozako como uma criatura furiosa capaz de voar, tendo corpo humano, cabeça de besta, um nariz e orelhas compridos, e dentes enormes capazes de mastigar espadas. Um livro do século XVIII chamado Tengu Meigikō (天狗名義考) sugere que esta divindade pode ser a verdadeira predecessora dos tengus, mas a data e autenticidade dessa versão posterior do Kujiki são contestadas.

Amanozako

Tengus como espíritos malignos e fantasmas furiosos 

O Konjaku Monogatarishū contém alguns dos primeiros contos envolvendo tengus, já trazendo características que os definiriam nos séculos seguintes. Esses tengus são os grandes antagonistas do budismo, que enganavam os devotos com falsas imagens de Buda, arrebatavam monges e os largavam  em lugares remotos, possuíam mulheres na tentativa de seduzir homens santos, roubavam templos e dotavam aqueles que os adoravam com poderes profanos. Muitas vezes se disfarçavam de monges ou monjas, mas sua verdadeira forma era a de um pássaro. 

Ao longo dos séculos XII e XIII, continuaram os relatos de tengus causando problemas no mundo. Nesse período, eles foram estabelecidos como fantasmas de sacerdotes zangados, vaidosos ou heréticos que haviam caído no "reino dos tengu" (天狗道, tengudō). Eles possuíam pessoas, principalmente mulheres e meninas, e falavam por intermédio de suas bocas (através de uma habilidade chamada kitsunetsuki). 


Ainda inimigos do budismo, os tengus também voltaram sua atenção para a família real. O Kojidan (古事談, "Conversas sobre Assuntos Antigos", datado de 1212-1215) conta sobre uma Imperatriz que foi possuída, e o conto Ōkagami (大鏡, "Grande Espelho", escrito por volta de 1119) relata que o Imperador Sanjō foi cegado por um tengu, que era o fantasma de um monge que guardava rancor dele.

Um tengu notório do século XII era ele próprio o fantasma de um imperador. O Hōgen Monogatari (保元物語, "Conto de Hōgen") conta a história do Imperador Sutoku, que foi forçado por seu pai a abandonar o trono. Mais tarde, ele levantou a Rebelião Hōgen para retomar o país do comando do Imperador Go-Shirakawa, porém acabou sendo derrotado e exilado na província de Sanuki em Shikoku. De acordo com a lenda, ele morreu cheio de fúria e angústia, tendo jurado assombrar a nação do Japão após sua morte como um grande demônio. Assim, segundo algumas histórias, ele se tornou um temível tengu com unhas compridas e olhos de pássaro.


Em histórias do século XIII, os tengu começaram a sequestrar meninos além dos monges que eles sempre alvejavam. Os meninos eram frequentemente devolvidos, enquanto os monges eram encontrados amarrados às copas das árvores ou em outros lugares altos. Todas as vítimas dos tengus, no entanto, retornavam em um estado de quase morte ou loucura, uma vez que eram levados por engano a comer esterco animal. 

Os tengus desse período eram frequentemente concebidos como os fantasmas dos arrogantes e, como resultado, tornaram-se fortemente associados à vaidade e ao orgulho. Hoje, a expressão japonesa tengu ni naru ("tornar-se tengu") ainda é usada para descrever uma pessoa vaidosa. 

Grandes e pequenos demônios: Daitengu e Kotengu

Arte de Alex Eng

No Genpei Jōsuiki (源平盛衰記), escrito no final do período Kamakura (1192-1333), um deus aparece para o imperador Go-Shirakawa e faz um relato detalhado dos fantasmas tengu. Ele diz que as pessoas se tornam tengus porque, como budistas, não poderiam ir para o inferno; mas como foram más durante a vida, não poderiam ir para o céu. 

O deus também descreve a aparência de diferentes tipos de tengu: os fantasmas de monges e monjas, de homens e mulheres comuns, todos os quais em vida possuíam excesso de orgulho. Ele introduz ainda a noção de que nem todos os tengus são iguais; pessoas instruídas tornam-se Daitengu (大天狗, "grande tengu"), enquanto as ignorantes tornam-se Kotengu (小天狗, "pequeno tengu"). 

O filósofo Hayashi Razan lista os Daitengu mais poderosos, como Sōjōbō do Monte Kurama, Tarōbō do Monte Atago e Jirōbō do Monte Hira. Sōjōbō e Tarōbō em particular estão entre os tengus mais famosos do folclore. 


Uma seção do Tengu Meigikō, mais tarde citado pelo filósofo Inoue Enryō (1858 -1919), lista os Daitengu nesta ordem:
  • Sōjōbō (僧正坊) do Monte Kurama;
  • Tarōbō (太郎坊) do Monte Atago;
  • Jirōbō (二郎 坊) das montanhas Hira;
  • Sanjakubō (三尺坊) do Monte Akiha;
  • Ryūhōbō (笠鋒坊) do Monte Kōmyō;
  • Buzenbō (豊前坊) do Monte Hiko;
  • Hōkibō (伯耆坊) do Monte Daisen;
  • Myōgibō (妙義坊) do Monte Ueno ;
  • Sankibō (三鬼坊) de Itsukushima;
  • Zenkibō (前鬼坊) do Monte Ōmine;
  • Kōtenbō (高天坊) de Katsuragi;
  • Tsukuba-hōin (筑波法印) da província de Hitachi;
  • Daranibō (陀羅尼坊) do Monte Fuji;
  • Naigubu (内供奉) do Monte Takao;
  • Sagamibō (相模坊) de Shiramine;
  • Saburō (三郎) do Monte Izuna;
  • Ajari (阿闍梨) da província de Higo. 
Os Daitengu são frequentemente retratados em uma forma mais humana do que seus subordinados e, devido a seus narizes longos, também podem ser chamados de Hanatakatengu (鼻高天狗, "tengu de nariz alto"). Já os Kotengu são retratados como uma aparência mais aviária. Às vezes, Kotengu são chamados de Karasu-Tengu (烏天狗, "corvo tengu") ou Koppa/ Konoha-tengu (木葉 天狗, 木の葉天狗, "tengu de folhagem"). 

Os Konoha-tengu são mencionados em um livro de 1746 chamado Shokoku Rijin Dan (諸国里人談, "Histórias de Folclore Comum"), como criaturas parecidas com pássaros, com asas medindo dois metros de largura e que foram vistas pescando no rio Ōi, na província de Shizuoka, mas esse nome raramente aparece em outras obras literárias.

Algumas criaturas que não se enquadram na imagem clássica de um pássaro ou yamabushi são às vezes chamadas de tengu. Um exemplo são os espíritos da floresta conhecidos como guhin (狗賓, "cães visitantes", ocasionalmente escrito kuhin), mas essa palavra também pode se referir a tengus com bocas ou outras características caninas. O povo da província de Kōchi, na ilha de Shikoku, acredita em uma criatura chamada Shibaten ou Shibatengu (シバテン, 芝天狗, "tengu da relva"), um pequeno ser infantil que adora lutar sumō e às vezes mora na água, e é geralmente considerado um dos muitos tipos de kappa. 

Outra espécie de tengu dito viver próximo à fontes d'água é o kawatengu (川天狗, "rio tengu") da região da Grande Tóquio. Kawatengus raramente são vistos, mas acredita-se que eles sejam responsáveis por criar estranhas bolas de fogo chamadas tengubi, que flutuam sobre a água e agem como iscas, além de serem um incômodo para os pescadores,sobre os quais costumam aplicar todo o tipo de peças. Alguns moradores deixam oferendas de peixes recém-pescados à beira do rio ou lavam as grandes pedras ao longo das margens. Depois de fazer isso, os kawatengus os deixam em paz.

Kawatengu


Tengus como espíritos e divindades protetoras 

O Shasekishū (沙石集 "Areia e Cascalhos"), um livro de parábolas budistas do período Kamakura (1192-1333), faz uma distinção entre tengus bons e maus. O livro explica que os tengus bons são os protetores, e não inimigos, do Budismo - embora seu orgulho ou ambição os tenha feito cair no caminho demoníaco, eles permanecem essencialmente bons, sendo obedientes ao dharma da mesma maneira que eram em vida. 

A imagem desagradável dos tengus continuou a se dissipar no século XVII. As histórias agora passavam a apresentá-los menos maliciosos, protegendo e abençoando as instituições budistas em vez de ameaçá-las. De acordo com uma lenda presente no Kaidan Toshiotoko (怪談登志男) datado do séc XVIII, um tengu assumiu a forma de um yamabushi e serviu fielmente ao abade de um mosteiro Zen, até que o abade descobriu a verdadeira forma de seu assistente. As asas e o nariz enorme do tengu então reapareceram. O tengu pediu um pouco de sabedoria a seu mestre e foi embora, porém continuou, sem ser visto, a fornecer ao mosteiro uma ajuda milagrosa.

Nos séculos XVIII e XIX, os tengus passaram a ser temidos como os vigilantes protetores de certas florestas. Na coleção de contos Sanshu Kidan (三州奇談), de 1764, um desses contos fala sobre um homem que caminhava por um vale enquanto coletava folhas, quando se depara com uma súbita e feroz tempestade de granizo. Um grupo de camponeses mais tarde lhe disse que ele estava em um vale onde vivia um guhin, e que qualquer pessoa que pegasse uma única folha do local teria morte certa. 

Guhin

No Sōzan Chomon Kishū (想山著聞奇集), escrito em 1849, o autor descreve os costumes dos lenhadores da província de Mino, que usavam uma espécie de bolo de arroz chamado kuhin-mochi para aplacar tengus, que quando não recebiam essa oferta, causavam todo tipo de travessuras e infortúnios. Em outras províncias, um tipo especial de peixe chamado okoze era oferecido aos tengus por lenhadores e caçadores, em troca de um dia de trabalho bem-sucedido. O povo da província de Ishikawa acreditava até recentemente que os tengus detestavam o peixe cavala, e usavam este peixe como amuleto contra sequestros e assombrações provocados por estes.

Em vários cultos religiosos japoneses, os tengus são adorados como deuses benéficos. Um exemplo é o tengu Saburō, adorado no monte Izuna, sendo mais conhecido como Izuna Gongen (飯綱権現, "encarnação de Izuna"). Ele é uma das principais divindades do culto Izuna Shugen, possuindo um templo no topo do monte dedicado a ele.

Izuna Gongen é descrito e representado como uma figura alada com serpentes enroladas em seus membros, cercada por um halo de chamas, cavalgando nas costas de uma raposa e brandindo uma espada. Adoradores de tengus em outras montanhas sagradas adotaram imagens semelhantes para suas divindades, como Sanjakubō (三尺 坊) ou Akiba Gongen (秋葉権現) em Akiba, e Dōryō Gongen (道了権現) do Templo Saijō-ji em Odawara. 

Izuna Gongen


Tengus e as Artes Marciais

Durante o século XIV, os tengus começaram a perturbar o mundo fora do clero budista e, como seus ancestrais tiangou, tornaram-se criaturas associadas à guerra. Algumas lendas os relatam como grandes mestres e conhecedores das artes do combate.

Essa reputação parece ter suas origens em uma lenda em torno de um famoso guerreiro chamado Minamoto no Yoshitsune. Quando ainda era um bebê, Yoshitsune teve seu pai, Yoshitomo, assassinado pelo clã Taira. Taira no Kiyomori, o líder do clã Taira, poupou sua vida, e ele foi enviado aos cuidados dos monges do templo do Monte Kurama. Lá, Yoshitsune cresceu, e mais tarde encontraria o mítico rei tengu Sōjōbō, de quem aprendeu a arte do combate e da esgrima. Com essas técnicas, Yoshitsune busca a vingança contra o clã Taira.

"Yoshitsune e o rei Tengu", de Tsukioka Yoshitoshi

Originalmente, as ações de Sōjōbō em ensinar Yoshitsune foram retratadas como outra tentativa dos tengus de lançar o mundo no caos e na guerra, mas conforme a fama de Yoshitsune como um guerreiro lendário aumentava, Sōjōbō passou a ser retratado sob uma ótica muito mais simpática e honrada. 

Em uma das mais famosas interpretações dessa história, a peça Nô Kurama Tengu, Yoshitsune é a única pessoa do templo que não tinha nojo e nem rejeitava estar na presença de um estrango monge yamabushi. Por isso, Sōjōbō simpatiza com ele e decide ensiná-lo para que pudesse enfrentar situações díficeis.

Duas histórias do século XIX dão continuidade a esse tema: No Sōzan Chomon Kishū, um menino é sequestrado por um tengu, com quem viveu durante três anos. Ao retornar para casa, o jovem traz consigo uma arma mágica que nunca errava seu alvo. Uma história da província de Inaba, contada por Inoue Enryō, conta a história de uma garota com pouca destreza manual que é repentinamente possuída por um tengu. O espírito desejava reacender a arte decadente da esgrima no mundo. Pouco tempo depois, um jovem samurai aparece diante da garota dizendo que um tengu havia aparecido diante dele em um sonho, e a garota, possuída pelo tengu, ensina ao samurai a arte da espada. Alguns rumores em torno dos ninjas indicam que eles também foram treinados pelos tengus.

Arte de Daniel Herrera

Tengus em contos folclóricos populares

Tengus aparecem com frequência em contos da tradição oral coletados por folcloristas japoneses. Esses contos costumam ser ter um tom cômico, e tendem a retratar os tengus como criaturas estúpidas, que são facilmente enganadas ou confundidas pelos humanos. Alguns contos populares em que tengus aparecem incluem:
  • Tengu no Kakuremino (天狗の隠れみの, "A Capa Mágica Tengu"): Um menino olha através de um pedaço de bambu e finge conseguir enxergar lugares distantes. Um tengu, movido pela curiosidade, oferece ao menino um acordo onde ele trocaria seu bambu por uma capa mágica que o deixaria invisível. O menino aceita a troca, e usando a capa da invisibilidade, pratica todo o tipo de travessuras. Outra versão desta história conta sobre um homem que engana o tengu para obter sua capa mágica, e com ela causa muitas confusões em sua vila. No final desta história, o tengu recupera sua capa em um jogo de azar contra o homem, além de puní-lo transformando-o em lobo.
  • Kobu-tori Jiisan (瘤取り爺さん, literalmente"O Caroço Removido do Vovô"): Um idoso, que tinha um caroço em seu rosto, certo dia encontra nas montanhas um bando de tengus dançando, e se junta a eles. Sua dança os agrada de tal forma que eles lhe dão um presente. Além disso, removem o caroço de seu rosto, acreditando que ele o desejaria de volta e assim voltaria na noite seguinte para festejar com eles novamente. Um vizinho do idoso, que também tinha um caroço em seu rosto, ouve dele as histórias de seu encontro com os tengus e então tenta repetir o trajeto dele, inclusive roubando-lhe o presente que os tengus haviam lhe dado. Ao encontrar os tengus dançando, o impostor tentou dançar com eles, entretanto, os tengus não só não gostaram de sua dança como colocaram nele o caroço que haviam removido do outro idoso;
  • Tengu no Hauchiwa (天狗 の 羽 団 扇  "O Leque do Tengu"): Um malandro ganha um leque mágico de tengu, capaz de fazer o nariz de qualquer um crescer ou ficar pequeno. Ele secretamente usa esse item para deixar crescer o nariz da filha de um homem rico e depois promete devolvê-lo ao tamanho normal em troca da mão da jovem em casamento. Mais tarde, ele acidentalmente usa o leque em si mesmo e seu nariz cresce até atingir o céu, resultando em um grande infortúnio para ele;
  • Tengu no Hyōtan (天狗の瓢箪, "A Cabaça Tengu"): Um homem encontra um tengu, o qual lhe pergunta do que ele tem mais medo. O homem mente para o tengu dizendo que tinha muito medo de ouro e  de mochi (bolinhos de arroz). O tengu então faz chover ouro e bolinhos de arroz sobre o homem, certo de que estava aplicando uma grande pegadinha, mas para a sua supresa, o homem ficou muito feliz e isso assustou o próprio tengu. O tengu acaba fugindo, pois a felicidade das pessoas era a coisa que ele próprio temia, e em sua fuga, acabou deixando para trás uma cabaça mágica (ou outro item mágico, conforme a versão da história), a qual o homem também fica para si;
  • "O Tengu e o Lenhador": Um tengu irrita um lenhador, demonstrando suas habilidades sobrenaturais ao adivinhar tudo o que o lenhador está pensando. O lenhador usa seu machado para partir um pedaço de madeira e uma farpa acaba atingindo o nariz do tengu. O tengu foge aterrorizado, exclamando que os humanos são criaturas perigosas que não pensam nas consequências de suas ações.

Cultura Popular 

Tengus são extremamente populares na cultura popular, e sempre presentes em todo o tipo de mídia. Abaixo um resumo das aparições e citações de tengus em animes, filmes, jogos e outras mídias:

Animes e Mangás
  • Tengus aparecem em inúmeros animes e mangás. Alguns exemplos genéricos são Shijou Saikyou no Deshi Kenichi, Rosario to Vampire, Tactics, Black Bird e Nurarihyon no Mago;
  • Em One Punch Man, um monstro de nível demônio chamado Rei do Céu tinha a aparência de um tengu; 
  • Em Demon Slayer, o personagem Sakonji Urokodaki usa uma máscara tengu;
  • Em One Piece, o personagem Tenguyama Hitetsu é totalmente caracterizado como um tengu, usando uma máscara com nariz longo, um par de asas, a roupa típica dos monges yamabushi, além das sandálias geta extremamente altas.
Tenguyama Hitetsu 


Quadrinhos
  • Nos quadrinhos do Batman, logo após o arco "A queda do morcego", Bruce Wayne - já fora de forma e sem os reflexos necessários para ser Batman - procura Lady Shiva para treiná-lo. Usando uma máscara Tengu, ela mata um mestre de artes marciais chamado Mestre Sem Braços, o qual possuía sete discípulos que buscariam vingar sua morte. Lady Shiva posteriormente entrega essa máscara à Bruce Wayne, que se torna alvo dos sete discípulos do Mestre Sem Braços. Bruce derrota o sete guerreiros e recupera sua forma e reflexos, retornando a ser o homem morcego. 
  • A história em quadrinhos Tengu Kamen, de Robert Moreau (escritor) and Jenna Bastian (artista), narra as aventuras de uma jovem heroína que resolve crimes em um Japão alternativo no ano 1968, utilizando uma roupa com uma máscara Tengu;
  • O quadrinho/mangá francês Tengu-do conta a história de um garoto que sonhava em aprender o caminho da espada. Após ver seu mestre ser assassinado por Tengu, o demônio, e contrariando sua família, o jovem Ronin parte para uma jornada no tempo em busca de vingança;
  • Karasu-Tengu e Sojobo-Tengu são dois irmãos mutantes com poderes psiquico-telepáticos presentes na Marvel, aparecendo pela primeira vez na HQ X-Men: Legacy (Vol. 2) #2, publicada em Novembro, de 2012.
Karasu-Tengu e Sojobo-Tengu (Marvel)


Games
  • No MMORPG Eve Online, Tengu é o nome dado a uma espaçonave de terceira geração da classe Cruiser;
  • Um tengu chamado Gohyakumine Bankotsubo aparece como um chefe no jogo de luta Dead or Alive 2 (1999);
  • Em  Mega Man 8 e Mega Man & Bass, existe um robô chamado Tenguman, com seu design baseado em um tengu. Ele também possui uma arma-leque com a qual produz poderosas rajadas de vento;
  • Em Sekiro: Shadows Die Twice, um personagem chamado Tengu aparece, usando uma máscara de madeira vermelha com um nariz comprido e um manto que parece feito de penas de pássaro;
  • Em Ghost Of Tsushima, há um chefe Tengu na história "A Maldição de Uchitsune";
  • Na série de jogos Touhou Project, Aya Shameimaru é uma Karasu Tengu fotógrafa, que vive numa montanha e carrega um leque capaz de produzir vento;
  • Tengus também aparecem como monstros nos jogos Ragnarok Online e AdventureQuest Worlds.

Filmes
  • Um filme mudo de 1928, chamado Kurama Tengu, foi baseado em uma série de romances históricos escritos por Jiro Osaragi nos períodos Taisho e Showa. Esses romances inclusive geraram várias outras adaptações cinematográficas posteriores.
  • Em Tengu (2013), um cara é acusado de perseguir uma senhora em uma delegacia de polícia, mas esses eventos tomam um rumo distorcido quando uma senhora começa a sofrer de alucinações psicóticas. No entanto, as coisas podem não ser o que parecem;
  • Em Tengu, Birdmen of the Mountains (2017),  um pai luta para proteger sua família contra o terror dos Tengu;
  • Um grupo de guerreiros tengus aparecem no filme Mighty Morphy Power Rangers - The Movie, de 1995.
Arte de Zeen Chin


fontes:

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