22 de julho de 2025

Atum

۞ ADM Sleipnir

Arte de gukkhwa

Atum (também conhecido como Tem ou Temu) foi uma das divindades mais antigas e importantes da mitologia egípcia, venerado originalmente em Iunu (Heliópolis, no Baixo Egito). Considerado o deus criador na Enéade de Heliópolis, sua influência diminuiu com o tempo em favor de Rá, que acabou por eclipsá-lo em proeminência. Atum era a principal divindade de Per-Tem ("Casa de Atum"), localizada em Pithom, no Delta oriental.

Origem e representação

Os primeiros registros de Atum remontam aos Textos das Pirâmides (inscritos nas pirâmides dos faraós da 5ª e 6ª dinastias) e aos Textos dos Sarcófagos, usados nos túmulos de nobres. Ele era frequentemente associado ao faraó em todo o Egito, mesmo após o centro de poder se afastar de Heliópolis. Durante o Novo Reino, era retratado junto ao deus tebano Montu e ao rei no Templo de Amon em Karnak. No Período Tardio, amuletos em forma de lagartixa eram usados como símbolos de sua proteção.

Atum era geralmente representado em forma antropomórfica, usando a coroa dupla do Alto e Baixo Egito. Diferenciava-se do faraó principalmente pelo formato de sua barba. Também era retratado com um disco solar e uma longa peruca tripartida. Em seu aspecto solar e funerário, podia aparecer com cabeça de carneiro, às vezes sentado em um trono ou apoiado em um cajado, simbolizando sua velhice. Outras representações incluem o monte primordial, o touro negro Mnevis (que carregava o disco solar entre os chifres) e animais sagrados como a serpente, o leão, a lagartixa e o mangusto.

Mito da criação

Na cosmogonia heliopolitana, Atum era considerado o primeiro deus, autocriado a partir das águas primordiais de Nun. Ele emergiu sobre um monte primordial (benben), sendo às vezes identificado com o próprio monte, simbolizando o primeiro terreno sólido no caos aquoso.

A criação dos primeiros deuses, Shu (ar) e Tefnut (umidade), é descrita de várias maneiras nos textos antigos. Aversão mais difundida afirma que Atum os cuspiu de sua boca, usando sua saliva ou apenas seus lábios como meio de criação; outras tradições relatam que Atum os gerou por masturbação, com sua mão (feminina em egípcio, ḏr.t) atuando como princípio feminino associado a deusas como Hathor ou Iusaaset, enquanto interpretações alternativas sugerem que Atum se uniu à própria sombra para gerar vida, reforçando seu caráter autossuficiente.

Após criar Shu e Tefnut, eles se perderam nas trevas, levando Atum a enviar seu "Olho" (precursor do "Olho de Rá") para resgatá-los. Quando retornaram, ele os nomeou como "Vida" (Shu) e "Ordem" (Tefnut), estabelecendo os fundamentos do universo. Posteriormente, Shu e Tefnut deram origem a Geb (terra) e Nut (céu), que, por sua vez, geraram os deuses da Enéade: Osíris, Ísis, Seth, Néftis e Hórus, o Velho. Em algumas versões, Atum intervém para separar Geb e Nut, perturbado por sua união incessante, estabelecendo assim a distinção entre céu e terra.

Atum e o ciclo solar

Atum era associado ao sol poente, complementando Rá (sol do meio-dia) e Khepri (sol nascente). Na forma de Atum-Rá, simbolizava o ciclo diário do sol: nascia no leste como Rá e "morria" no oeste como Atum, viajando pelo submundo para renascer ao amanhecer. Essa jornada era representada pelo escaravelho, um símbolo de autocriação, e uma grande estátua de escaravelho foi dedicada a ele em Karnak.

Atum no submundo e no juízo dos mortos

No Livro dos Mortos, Atum revela que, no fim dos tempos, destruirá o mundo, mergulhando tudo de volta em Nun. Apenas ele e Osíris sobreviveriam, transformados em serpentes. Nos textos funerários do Vale dos Reis, Atum aparece como um ancião de cabeça de carneiro, supervisionando o castigo dos inimigos do deus sol e repelindo criaturas malignas como Apep (Apófis) e Nehebu-Kau. Ele também protegia os justos, guiando-os pelo lago de fogo do Duat, onde o deus canino Am-heh devorava as almas dos condenados.

Culto e influência real

Atum era considerado o pai dos deuses e dos faraós, e muitos reis adotaram o título de "Filho de Atum", mesmo após o declínio de Heliópolis. Durante o Novo Reino, ele era frequentemente retratado inscrevendo os nomes reais nas folhas da árvore sagrada ished. Em Pithom, relevos mostram Atum coroando Ramsés II, reforçando seu papel na legitimação do poder faraônico.

No Primeiro Período Intermediário, "Atum e sua Mão" eram venerados como um casal divino em alguns sarcófagos, simbolizando sua natureza autocriadora. Seu culto também incluía oferendas de enguias mumificadas, guardadas em pequenos sarcófagos de bronze com sua efígie.

Embora representações diretas de Atum sejam raras, muitas imagens do faraó como "Senhor das Duas Terras" podem ser interpretadas como suas encarnações. Uma das mais notáveis estátuas sobreviventes mostra Horemheb, da 18ª Dinastia, ajoelhado diante do deus, evidenciando sua importância duradoura na religião e na realeza egípcias.


fontes:
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3 de abril de 2015

Geb

۞ ADM Sleipnir
Geb (também conhecido como Seb, Keb, Kebb ou Gebb) era o deus egípcio da terra e um dos membros da Enéade de Heliópolis. Era filho de Shu (o deus do ar) e Tefnut (a deusa da umidade), e portanto, neto de Atum-Rá. Sua irmã e consorte era Nut (a deusa do céu), e com ela foi pai de Osíris, Ísis, Seth, Néftis e Hórus, o Velho. Geb foi o terceiro faraó divino, reinando depois de seu pai, Shu, e antes de Osíris. Ele também apoiou a ascensão de Hórus ao trono após a morte de Osíris. Como os egípcios acreditavam que o faraó era a imagem viva de Hórus, o faraó era às vezes chamado de "herdeiro de Geb".

Representações

Geb era geralmente descrito como um homem barbado, usando ou um ganso ou a coroa Atef sobre a cabeça. Ele também podia ser retratado simplesmente como um ganso, palavra cuja grafia em egípcio também era Geb, e essa ave era seu símbolo, seu animal sagrado e fazia parte da grafia de seu nome em hieróglifos. 

Quando representado em forma de um homem, ele é geralmente representado prostrado (como uma personificação da Terra) e, por vezes, com a pele na cor verde, com plantas brotando em seu corpo. Como personificação da terra, Geb é muitas vezes representado deitado no solo abaixo de Nut, a personificação do céu, muitas vezes descrito de bruços e com o falo ereto apontando para o corpo dela. Ele inclina-se sobre um dos cotovelos e com um joelho dobrado em direção ao céu, simbolizando as montanhas e vales da terra. As montanhas, a propósito, eram consideradas como sendo os ossos da divindade, ou então o resultado dos seus esforços infrutíferos de unir-se à deusa Nut.


Culto

É desconhecido o local onde seu culto surgiu. Acredita-se que tenha se originado em Iunu (Heliópolis), durante o período pré-dinástico, mas num momento posterior à adoração de Aker (outro deus egípcio da terra). Parece que Geb foi amplamente venerado como um ganso, seu animal sagrado, durante o período pré-dinástico. Edfu (Apollinopolis Magna) foi chamado de "Aat de Geb," e Dendera também era conhecida como "A Casa dos filhos de Geb". Seu principal centro de culto parece ter sido mesmo Heliópolis, onde segundo a lenda ele e sua consorte Nut produziram o Grande Ovo, do qual se originou o deus-Sol na forma de um pássaro conhecido pelos egípcios como Benu e pelos gregos como Fênix. Geb recebeu o epíteto de "O Grande Cacarejador" por causa do barulho que fazia enquanto colocava o ovo.

Atributos

Além de deus da terra, Geb era relacionado à fertilidade e a agricultura. Acreditava-se também que ele era o deus que supria aos homens os minerais e pedras preciosas, sendo considerado por isso o deus das minas.

Com o tempo, Geb veio a se tornar uma divindade dos mortos. Ele aparece no Livro dos Mortos como um dos deuses que assistem à pesagem do coração do defunto no Saguão das Duas Verdades. A pessoa com integridade moral, conhecedora das palavras mágicas necessárias, seria capaz de se evadir da terra e Geb as guiava para o céu e dava-lhes alimento e bebidas. Os maus, entretanto, seriam presas fáceis de Geb, que, então, aprisionava o morto em seu próprio corpo — a terra. Assim como a deusa Nut era representada frequentemente na tampa dos ataúdes, Geb era representado em sua base, de maneira que o defunto ficava enclausurado entre as duas divindades.

Mitologia


De acordo com o mito da criação, Geb e Nut se apaixonaram tão profundamente que não conseguiam ficar afastados um do outro. Os dois acabaram unindo-se num abraço perpétuo, e sua união causou sérios problemas para Rá. Como o espaço entre o céu e a terra tornou-se bastante estreito, tornou-se quase impossível para Rá realizar seu trajeto diário pelo céu. Furioso, Rá ordenou que Shu, seu filho e pai do casal, os separasse. Shu se colocou entre Geb e Nut, suspendendo Nut em direção aos céus, e mantendo Geb em seu lugar, evitando assim que os dois se unissem novamente.

No entanto, Nut já estava grávida de Geb, e posteriormente veio dar à luz a Osíris, Hórus, o Velho, Seth, Ísis e Néftis. O parto quase não foi possível pois Rá ainda guardava rancor das ações do casal, mas com a ajuda de Toth, Nut conseguiu dar a luz aos filhos de Geb.

Geb ainda desejava sua irmã, e, impedido de unir-se a ela, caiu em prantos e suas lágrimas formaram os oceanos do mundo.


Após tudo isso, Geb veio a se apaixonar por sua própria mãe, Tefnut. Na época, Shu reinava como faraó sucessor de Rá, e vinha de um longo combate contra os seguidores da serpente Apep, de forma que estava enfraquecido. Para recuperar suas forças, Shu ascendeu aos céus, e nesse espaço de tempo Geb procurou sua mãe e a estuprou. Em seguida, ele desejou tomar o lugar do pai como faraó, mas assim que ele estendeu suas mãos para pegar sua coroa, o uraeus ( a cobra que representa o olho de Rá e que adorna a coroa real) o atacou, ferindo-o severamente. Foi só com a aplicação de uma mecha de cabelo de Rá que Geb pode ser salvo. Apesar de seu crime hediondo, Geb acabou sendo perdoado, e veio a se tornar o legítimo sucessor de Shu como faraó.


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27 de março de 2015

Tefnut

۞ ADM Sleipnir


Tefnut (Tefenet, Tefnet) é uma deusa primordial egípcia associada à umidade, ao orvalho e a chuva, e fortemente associada com a lua e o sol. Ela simbolizava a generosidade e também as dádivas. Irmã e consorte do deus Shu, formava com ele o primeiro par de divindades da Enéade de Heliópolis.

Iconografia

Tefnut era geralmente descrita como uma leoa ou uma mulher com cabeça de leão. Ela sempre usa um disco solar e o uraeus, e carrega consigo um cetro (representando poder) e o ankh (representando o sopro da vida). Ocasionalmente ela também tomava a forma de uma cobra. Ela foi originalmente considerada o "Olho de Ra" lunar, ligando-a ao céu à noite, bem como o orvalho, a chuva e a neblina. No entanto, ela também assumia o aspecto do sol como o "Olho de Ra" solar, a protetora do deus sol (também conhecida como a "Senhora das Chamas" e 'O Uraeus sobre a cabeça de todos os deuses") . Ela compartilhava esse papel com um grande número de deusas, incluindo Sekhmet, Hathor, Mut, Bastet, Ísis, Wadjet e Nekhbet. 

Família e relações com outros Deuses

Em Heliópolis e Tebas, Tefnut era geralmente descrita como a filha do deus criador (Amun, Atum ou Rá), a irmã-esposa de Shu, e mãe de Geb e Nut. Ás vezes ela é representada ao lado de Shu, ajudando-o a suportar Nut (o céu) acima de Geb (a terra). Em Mênfis, ela era conhecida como a "Língua de Ptah", deixando a entender que ela o ajudou a criar a vida. Parte da cidade de Dendera (Iunet) era conhecida como "A Casa de Tefnut" e ela era adorada em sua forma leonina em Leontópolis. 


Originalmente, Tefnut era associada a um deus chamado Tefen. Os Textos das Pirâmides inscritos na tumba de Unas sugerem que Tefnut e Tefen estavam intimamente envolvidos na pesagem do coração dos mortos por Ma'at. No entanto, Tefen parece ter caído no esquecimento e o papel de Tefnut mudou um pouco com o passar do tempo, embora sua ligação com Ma'at tenha se preservado. 

Mitos

Existem uma série de variantes do mito de criação de Tefnut e de seu irmão gêmeo Shu. Em todas as versões, Tefnut é o produto de partenogénese, e todas envolvem algum tipo de fluido corporal.

No mito de criação de Heliópolis, o deus solar Atum/Rá gera Tefnut e seu irmão Shu após masturbar-se sobre as águas do oceano primordial, Nun. Em algumas versões desse mito, Atum/Rá engole seu sêmen, e depois o cospe para fora para formar os gêmeos. Os Textos Funerários contêm referências a Shu sendo espirrado por Atum/Rá de seu nariz, e Tefnut sendo cuspida como saliva.



Uma lenda afirma que Tefnut teve um desentendimento com Rá, enquanto ele vivia na Terra como o Faraó do Egito. Ela decidiu abandonar o Egito e partiu para Núbia, levando consigo toda a água e umidade. Logo toda a terra fértil do Egito secou e o povo passou a sofrer com a severa estiagem. Enquanto isso, Tefnut com sua forma leonina causava transtornos e mortes em Nubia. Rá enviou Thoth acompanhado de Shu até Nubia para convencer Tefnut a retornar ao Egito e assim tornar tudo como era antes. No fim, a dupla conseguiu convencer Tefnut a retornar ao Egito, e seu retorno foi comemorado por todos.

Esta história pode ter originalmente se referido a Anhur (também conhecido como Onúris, que é associado com Shu) e sua esposa Menhet (que também tinha uma forma leonina). Uma outra versão do conto diz que é Hathor ou Sekhmet em sua forma de "Olho de Ra" que fugiu para Núbia após ter sido enganada por Rá, que o fez para impedi-la de destruir a humanidade. 



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15 de abril de 2014

Shu

۞ ADM Sleipnir


Shu (Su, Chu) é o deus da luz e do ar na mitologia egípcia, e também a personificação da atmosfera da Terra. Como o deus da luz, ele iluminou a escuridão primordial e marcou a separação entre o dia e a noite e entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Como o deus do ar, ele representava o espaço entre a terra e os céus, e deu o sopro da vida para todas as criaturas. Como um deus do vento, era invocado pelos marinheiros para fornecer-lhes bons ventos para mover os seus barcos. As nuvens eram consideradas seus ossos, e ele suporta a escada pela qual as almas das pessoas falecidas podem alcançar os céus.

Shu é um dos membros da Enéade de Heliópolis, e o primeiro deus a ser criado pelo auto-criado deus Atum-Rá, que o criou a partir de sua própria saliva (outras fontes afirmam que ele nasceu após Atum se masturbar sobre Nun). Shu é o marido e irmão da deusa Tefnut (umidade), e pai de Nut (céu) e Geb (terra). Geb e Nut eram fascinados um pelo outro, e permaneciam unidos fazendo amor através de um abraço perpétuo. Shu, a pedido de seu pai, interveio nessa situação sustentando Nut acima dele, separando-a de seu irmão Geb. Assim Shu criou a atmosfera, permitindo que a vida florescesse. Quatro pilares localizados nos pontos cardeais do mundo ajudam Shu a manter a separação entre a terra e o céu. Eles eram conhecidos como os "Pilares de Shu".


Embora ele encarnasse a luz, e tivesse um aspecto solar, Shu não era estritamente uma divindade solar. No entanto, ele estava intimamente ligado ao deus do sol Atum-Rá. Ele protege o deus do sol do seu eterno inimigo Apep, enquanto ele viaja através do submundo, trazendo a luz do sol todas as manhãs.

Shu também foi pensado ser o segundo faraó divino, governando o Egito após Ra. No entanto, os seguidores de Apep tramaram sua queda e lançaram um ataque cruel contra ele. Embora Shu tenha derrotado Apep e seus servos, ele ficou gravemente doente devido ao contato com essas entidades corruptas. Em seu estado enfraquecido, seu próprio filho Geb voltou-se contra ele, e por isso ele teve que abdicar do trono, deixando Geb governar em seu lugar. Shu retornou aos céus para proteger o sol e travar sua guerra diária contra Apep. No entanto (em comum com muitas das divindades protetoras), Shu possui um lado sombrio. Ele participa do julgamento de cada alma morta no Salão da Justiça, e lidera os demônios terríveis que punem as almas consideradas corruptas pela balança.

Arte de Angelica Arfini

Representações

Shu é geralmente retratado como um homem vestindo um cocar composto de penas de avestruz, carregando um cetro (simbolizando poder) e um Ankh ( simbolizando o fôlego de vida). Em outras representações, Shu usa um cocar de uma única pena de avestruz (como a de Ma'at, representando o sopro da vida) ou  um disco solar na cabeça, devido a sua ligação com o deus-sol. As representações mais comuns mostram Shu em pé sobre o corpo de Geb com os braços erguidos para apoiar Nut. Quando ele é ligado com sua esposa Tefnut, ele frequentemente aparece como um leão, e os dois eram conhecidos como os "deuses leão-gêmeos". Representações em menor frequência lhe caracterizam com as partes traseiras de um leão e o corpo e a cabeça de um homem.

Mitos

Em um mito, Shu e Tefnut saem para explorar as águas de Nun. Ra pensou que eles tivessem se perdido, então enviou o seu "Olho" para encontrá-los. Quando eles voltaram, Ra ficou tão feliz que chorou, e com suas lágrimas criou os primeiros seres humanos. Outro mito afirma que o "Olho de Ra" (neste caso Tefnut) fugiu para a Núbia após um conflito com Ra. Thoth e Shu foram enviados para convencê-la a voltar para que pudesse proteger seu pai. Após Shu persuadir Tefnut à voltar com sucesso, ele se casou com ela.


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5 de outubro de 2013

Ísis

۞ ADM Sleipnir

Arte de Zhaklin Kolentsova

Ísis (em egípcio Auset) é a grande deusa mãe do antigo Egito, irmã e esposa do deus Osíris. Juntas, essas duas divindades desempenharam um importante papel em muitas histórias na mitologia egípcia, particularmente em mitos sobre renascimento e ressurreição. O culto de Ísis era muito popular no Egito, e eventualmente se espalhou para outras partes do mundo Mediterrâneo, incluindo a Grécia e Roma antigas.

De acordo com a mitologia egípcia, Ísis era filha do deus da terra Geb e da deusa do céu Nut. Sua irmã e irmãos eram Néftis, Seth e Osíris. Estas seis divindades, juntamente com os deuses Ra, Shu e Tefnut, formavam um importante grupo associado ao mito de criação de Heliópolis, conhecido como a Enéade.

Arte de Rodrigo Martins

Um mito famoso sobre Ísis conta como ela descobriu o nome secreto do deus sol Ra e aumentou seu poder. Segundo a história, Ísis encontrou Ra dormindo um dia, roncando alto e com saliva escorrendo de sua boca. Ela recolheu a saliva e a misturou com terra para formar uma serpente venenosa. Em seguida, ela colocou a serpente no caminho que Ra percorria todos os dias.

Quando Ra acordou e começou o seu percurso, a serpente o mordeu, causando-lhe uma dor terrível. Ele chamou os outros deuses para ajudá-lo, mas nenhum atendeu ao seu chamado, exceto Ísis, que prometeu curá-lo se ele lhe revelasse seu nome em segredo. Num primeiro momento Ra se recusou, mas, eventualmente, a sua dor se tornou insuportável. Ele finalmente revela o seu nome a Ísis, e ela acaba ganhando novos poderes, os quais ela usou para curar o deus. Esta história foi associada a um aspecto importante da personagem de Ísis: sua habilidade em artes mágicas.

Arte de Saeralsti

Um dos mitos mais importantes associados com Ísis foi a história da morte e ressurreição de Osíris. De acordo com este conto, o deus Set tinha inveja de seu irmão Osíris, que governava como rei do Egito. Um dia, Seth enganou Osíris e selou-o dentro de uma caixa. Em seguida, colocou a caixa à deriva no rio Nilo, que a levou para a terra distante de Biblos .

Ísis procurou e encontrou a caixa e, em seguida, trouxe-a de volta para o Egito, onde ela a escondeu. No entanto, Seth descobriu o esconderijo e partiu o corpo de Osíris em vários pedaços e os espalhou por todo o Egito. Depois de recuperar todas as partes do corpo de Osíris, com exceção do falo, Ísis usou seus poderes mágicos para restaurar a vida de Osíris, que, em seguida, passou a viver no submundo.


Algum tempo antes que isso acontecesse, Osíris e Ísis geraram um filho chamado Hórus. Ísis manteve a criança escondida de Seth para que ele pudesse crescer e vingar a morte de seu pai. Ela protegeu Hórus contra todos os perigos, e até mesmo lhe restituiu a vida uma vez após ter sido picado por um escorpião. Quando Hórus tornou-se um jovem, ele lutou contra seu tio Seth. Mas Ísis teve pena de Set e permitiu que ele escapasse do confronto. Zangado com sua mãe, Hórus cortou sua cabeça. Thoth, o deus da magia e da sabedoria, trocou a cabeça decepada por uma cabeça de vaca, e a implantou no corpo de Ísis. Algumas antigas estátuas e pinturas da deusa mostram-lhe com a cabeça de uma vaca, e por isso ela era muitas vezes associada à deusa Hathor. Eventualmente, Ísis foi viver com Osíris no submundo.

Os antigos egípcios consideravam Ísis como uma mãe perfeita, e ela era adorada como uma deusa protetora por causa da forma como ela guardava Hórus de todos os perigos. Nos papéis de mãe e de maga, ela também curava os doentes e restaurava a vida aos mortos. Como a mãe de Hórus, que assumiu o lugar de seu pai no trono do Egito, pensava-se que Ísis também desempenhava um papel fundamental na sucessão dos reis egípcios.

Arte de Maryum Arshed
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5 de junho de 2013

Nut

۞ ADM Sleipnir


Na mitologia egípcia, Nut era a deusa do céu e a deusa-mãe do Egito antigo. Ela era conhecida por uma variedade de nomes que incluíam Neuth, Nuit, e Nw (esse último pronuncia-se New-Eat), e foi a partir desses nomes que as palavras inglesas modernas night, nocturnal e equinox (noite, noturno e equinócio, respectivamente) e o termo francês "la nuit", que significa "a noite", foram derivadas. Artistas egípcios muitas vezes retrataram-na como uma mulher arqueada sobre o deus-terra Geb, seu irmão gêmeo e marido, com os dedos das mãos e pés tocando o chão. Frequentemente, Nut tem sido retratada como uma mulher com um vaso de água sobre a cabeça, com seu corpo pintado de azul e coberto de estrelas.

Nut e Geb são filhos do deus Shu (o ar) e da deusa Tefnut (a umidade), e nasceram, unidos por um abraço apertado. O deus sol Ra ordenou a Shu para os separar, e Shu suspendeu sua filha  acima da terra, criando um espaço entre Nut e Geb para que outras criaturas pudessem viver. Em outra versão do mito, Ra subiu nas costas de Nut e pediu a ela para levantá-lo ao céu. Como Nut subiu muito alto, ela ficou tonta, mas quatro deuses firmaram as pernas, e Shu suspendeu o meio do seu corpo. Desta forma, o corpo de Nut tornou-se o céu, e Ra ligou estrelas a ela.


Irritado com o casamento de Nut e Geb, Ra decretou que Nut não poderia ter filhos durante qualquer mês do ano. Thoth, o deus da sabedoria, teve pena de Nut e jogou um jogo com a lua, o regulador do tempo, que lhe permitiu criar cinco dias a mais no ano. Pelo fato desses dias extras não serem cobertos pelo decreto de Rá, Nut foi capaz de dar à luz cinco filhos: Osíris, Ísis ,Seth, Néftis e Hórus.

O corpo de Nut dividia o cosmos e ajudava a impedir as forças do caos de romper o céu e dominar a terra. Durante o dia, Ra navegava ao longo do corpo de Nut em um barco. Quando chegava a sua boca, ela o engolia, trazendo a noite. Depois de viajar através do corpo de Nut durante à noite, Ra surgia novamente na madrugada e trazia o dia. Em alguns mitos, Nut desempenha um papel importante no submundo, fornecendo ar fresco para as almas dos mortos.

Devido a forte ligação de Nut com o renascimento do sol, ela foi associada, bem como a sua crença religiosa, à ressurreição dos mortos. Sua imagem era freqüentemente usada na decoração das tampas internas de caixões, de onde acreditava-se que os mortos um dia renasceriam. Nut também foi vista como uma deusa dos mortos, e acreditava-se que os faraós entravam em seu corpo quando morriam, e, em seguida, viajavam através dele até que eles sairiam dela no momento de sua ressurreição.

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12 de maio de 2013

Osíris

۞ ADM Sleipnir

Arte de Raul Maldonado

Osíris (Asar, Asari, Aser, Ausar, Ausir, Wesir, Usir, Usire ou Ausare) era o deus egípcio da morte, fertilidade, renovação e ressurreição. Filho de Geb e Nut, ele era o consorte de Isis, que também era sua irmã. Seus filhos famosos foram Hórus (com Ísis) e Anúbis (com sua outra irmã, Néftis). Osíris   é um dos mais emblemáticos e facilmente reconhecido de todos os antigos deuses egípcios. Ele foi descrito como um deus "humano" sem a cabeça de um animal. Sua imagem também incluiu um "osird" ou "a barba divina", uma falsa barba trançada que era firmemente atada, entrançada e presa atrás das orelhas.

Osíris é frequentemente retratado segurando o cajado e o mangual. Ele é um dos mais antigos deuses do Egito e é conhecido por seu reinado sobre os mortos, ressurreição e fertilidade. Em muitas representações encontradas dentro de túmulos e monumentos, Osíris é quase sempre visto delineado em preto e pode ser identificado através de sua pele verde. Como muitos grandes reis, Osíris usa uma coroa branca, conhecida como uma coroa Atef, com duas penas de avestruz fixadas para os lados. Sua coroa se tornou o símbolo do Alto Egito.


A Morte de Osíris

Osíris e Seth eram irmãos, cada um casado com suas irmãs Ísis e Néftis respectivamente (Ísis e Néftis eram gêmeas). Certo dia por acidente Osíris dormiu com Néftis, e dessa noite nasceu Anúbis, que por ser filho dessa noite foi rejeitado por Néftis, que o lançou no rio Nilo, e posteriormente foi encontrado e adotado por Ísis, a esposa de Osíris. Algum tempo depois disso Seth com inveja de Osíris por ser mais sábio e e querido por todos e com raiva daquela noite, secretamente tirou as medidas de Osíris e construiu uma arca com as medidas, e ofereceu uma festa em homenagem a Osíris, dizendo que daria um prêmio a quem ocupasse toda a arca com o seu corpo, quando Osíris deitou e preencheu com exatidão a arca, Seth e seus cúmplices lacraram a barca e a lançaram no Nilo.

Desolada, Ísis procurou seu marido por todo o planeta e achou a arca onde Osíris estava. Quando chegou ao seu país, Ísis escondeu a arca nos pântanos. 
Certa noite Seth encontrou a arca, enquanto caçava a luz do luar , e furioso despedaçou o corpo do irmão em catorze pedaços e os espalhou pelo Egito. Anúbis então tomou a forma de um chacal negro para procurar os restos de seu pai, Ísis e Anúbis em cada local que achavam um pedaço, construíam uma capela. Recomposto todo o corpo de Osíris (exceto o falo, que foi substituído por um exemplar de ouro), Ísis e ele tiveram um Filho: Hórus o deus-falcão. Depois disso Osíris se integrou ao tribunal dos mortos e Hórus ficou na Terra para derrotar Seth, que havia tomado o trono de Osíris.
Como Deus da Fertilidade e Renovação

Osíris era o deus da fertilidade, mas também muitos egípcios olhavam para ele por questões agrícolas. Acredita-se que sua pele verde simbolizava o solo fértil cheio de nutrientes que eram necessários para o cultivo. Estes nutrientes eram trazidos pela inundação anual do Nilo, e era através de Osíris  que este evento anual ocorria. Para os antigos egípcios, o ciclo de inundações, plantio, colheita eram todos trazidos através da força vital de Osíris.

De acordo com o folclore egípcio, foi Osíris  que civilizou todos os egípcios e os ensinou a arte da agricultura. Embora não esteja provado, os mitos alegam que, antes de ensinamentos de Osíris, os egípcios praticavam o canibalismo. Foi através da bondade de Osíris e da sua sabedoria que as coisas mudaram, pois ele mostrou-lhes como serem civilizados. Diz-se que Osíris trouxe novos princípios para os egípcios, como o renascimento da cultura e da vida.

A força vital de Osíris era importante para os antigos egípcios, tanto assim, que o processo foi muitas vezes mostrado através de "milho-múmias" trazidos para os funerais. Estas múmias simuladas não eram múmias reais, mas tijolos de barro com a forma de Osíris embutido nelas. Estes tijolos furados agiam como potes e foram preenchidos com solo umedecido e sementes deixadas para germinar, assim, mostrando as forças de Osíris dando-lhes a vida. As múmias de milho mais avançadas foram envoltas em linho e muitas levavam figuras de cera realistas de Osíris dentro delas.

Como Deus dos Mortos

A associação de Osíris com a fertilidade e ajudar a civilizar o Egito não são as únicas coisas que lhe são atribuídas. Sua principal posição icônica no Egito Antigo era o seu reinado sobre os mortos. Como ele conseguiu essa posição permanece um mistério, no entanto, muitos egiptólogos concluem que esta posição foi nomeada a ele, devido a Osíris ser um dos primeiros deuses a morrer,  pelas mãos de seu irmão Seth e depois ressuscitar através de sua esposa Ísis.


Provavelmente uma das representações mais populares de Osíris hoje vem do Livro dos Mortos. Lá, ele se senta em um trono e julga os mortos antes de sua entrada no outro mundo. Nesse trabalho, Osíris é acompanhado da deusa da justiça, Maat e de outros deuses assessores. O coração do morto é colocado numa balança e é pesado contra a pena de Maat. Se o coração está pesado com pecado, ele supera a pena de Maat, e em seguida, é jogado para a deusa do inferno, Ammit, que o devorará. Se o resultado fosse em favor do falecido, o morto seria autorizado a residir com Osíris no submundo.

O Culto de Osíris em Abido

O culto a Osiris era um movimento onde muitos egípcios faziam uma peregrinação a Abido, onde um templo foi dedicado exclusivamente a ele. Lá, muitos dos egípcios que participaram deste culto apreciavam as festividades, como rituais, celebrações e cerimônias. Era realizado um grande festival anual que consistia na reconstituição da vida de Osíris e a jornada à Abido.  Após essa primeira reconstituição, outra era realizada encenando a glorificação, o sepultamento e a ressurreição de Osíris no túmulo do rei Djer.

Era comum para os seguidores deste culto enterrar seus entes queridos ou fazer arranjos para serem enterrados no local. Se não fosse possível  ser enterrado em Abido , os membros da família  fariam uma cerimônia no local, e em seguida, enterravam o corpo em um outro local. Isto era praticado sob a ótica de que se Osíris fez a viagem a Abido, seus seguidores deveriam fazer o mesmo.

Um dos fatos do culto de Osíris prosperar tanto foi devido ao fato de que as pessoas comuns podiam participar dos direitos funerários que antes eram reservados para as famílias reais. Isso por si só atraiu muitos seguidores em particular, que foram capazes de construir tabuletas stelae (lápides com inscrições que marcavam os limites túmulo) proclamando os seus direitos para Osíris. E também permitiu-lhes receber as bênçãos que já foram consideradas apenas para faraós. Outro fato foi que muitos egípcios viam a religião como atrativa, pois o foco em seus valores fundamentais da vida justificou o seu significado. Também era incorporado a fertilidade do Nilo e proclamado o renascimento para todos os indivíduos que participaram do culto.
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9 de janeiro de 2013

Hórus

۞ ADM Sleipnir



Hórus (ou Heru-sa-Aset, Her'ur, Hrw, Hr ou Hor-Hekenu) era um dos deuses mais antigos e mais importantes do Egito. Ele foi originalmente retratado como um gavião ou falcão e adorado como o deus do sol e criador dos céus. Seu olho direito representava o sol, e seu olho esquerdo representou a lua. Mais tarde, as imagens mostram-no como um homem com a cabeça de um pássaro. Ele tornou-se uma figura importante na mitologia egípcia. Antes de seu nascimento, seu pai Osíris morreu pelas mãos de seu próprio irmão Seth (representação do mal). Quando Hórus cresceu, ele jurou vingar a morte de seu pai e lutou contra Seth muitas vezes. 

Hórus era considerado pelos antigos egípcios a encarnação de Rá na Terra, a manifestação solar no plano material, o princípio do fogo. Hórus era a “encarnação do dia” , aquele que venceu o deus Seth heroicamente, na luta entre o bem e o mal, fazendo vencer a luz. Por isso seu nome está associado ao heroísmo. No sincretismo com a mitologia grega, Hórus é comparado ao deus Apolo.


Os primeiros governantes do sul do Egito eram seguidores de Hórus. Quando eles conquistaram norte do Egito e reuniu as duas terras (por volta de 2200 B. C), Hórus tornou-se o símbolo do país recém-unificado, e o faraó era considerado a encarnação de Hórus. Com o tempo, o culto de Hórus sob seus vários nomes, se espalhou para muitos lugares. 

Hórus possuiu vários epítetos, de acordo com a época e com a cidade onde foi cultuado. Seus principais epítetos foram: "O Único nas alturas", "O elevado", "O distante", "Senhor do Céu"  e "Senhor das estrelas circumpolares" 

O Conflito entre Hórus e Seth 



As histórias acerca desse mito são bem variadas, apresentaremos aqui as versões mais recorrentes.

Em uma versão da história, Seth cegou Hórus de seu olho esquerdo, mas o deus Thoth o curou. Hórus acabou matando Seth, e os deuses o nomearam governador do Egito. O olho restaurado, chamado de udjat ou wedjat, tornou-se um poderoso símbolo mágico de proteção no antigo Egito. Os egípcios usavam a história de olho ferido de Hórus para explicar as diferentes fases da lua. 


Em outro conto do conflito entre Hórus e Seth, os dois buscaram a Enéade, o conselho dos deuses, para decidir quem iria herdar o trono de Osíris. A maioria do conselho votou em Hórus, mas o deus sol Ra favoreceu Seth porque ele era mais velho e mais capaz. Como resultado disso, Hórus e Seth realizaram várias disputas para determinar quem iria se tornar o governante. 

Em uma ocasião, os dois deuses se transformaram em hipopótamos para ver quem conseguia ficar mais tempo debaixo d’água. Durante a disputa, a mãe de Hórus , Ísis , teve a chance de matar Seth, mas não soube distinguir qual dos dois era seu filho, e ao atirar sua lança, acabou acertando as costas de Hórus, que reagiu instintivamente indo contra sua mãe e arrancando-lhe a cabeça. 

Ao perceber o que fez, Hórus fugiu para o deserto, com a intenção de jamais voltar. Seth o perseguiu, e encontrando-o dormindo, arrancou-lhe os seus olhos. Hathor, a deusa da festividade, da dança e da alegria encontrou seu amado Hórus deitado com a face virada para baixo. Vendo que ele estava sem seus olhos, os reparou com o leite de um pequeno antílope. No final, o deus Thoth intervém na disputa, curando Ísis, e trazendo os 2 deuses de volta ao conselho divino, onde todos os deuses concordaram que Hórus deveria ser o governante. Por esta sentença, Seth perdeu o seu poder sobre as terras negras e férteis do Egito, voltando a reinar apenas na terra vermelha, mas ele não é castigado nem afastado do mundo. Passa a ser também uma divindade necessária ao ser acolhido por Rá, para que se ocupe nos céus de alternar a noite com o dia e deixe que sejam os reis os que governem sobre a terra.

Descendência

Hórus gera quatro filhos: Imset (Amsiti), Hapi, Duametef (Tuemeft) e Quebsnauf (Kevsnef). Estes filhos, que acompanham Osiris no julgamento dos mortos, também cuidam dos quatro pontos cardeais e se ocupam de velar pelas necessidades e pela saúde das entranhas de Osíris.


fontes:
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17 de novembro de 2012

Seth

۞ ADM Sleipnir


Seth (ou Set, Sutekh e Seteh) também chamado de Nebty (Nebet - cidade do ouro) é o deus egípcio da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra, dos animais e serpentes. É também um dos mais remotos deuses egípcios. Seth era encarnação do espírito do mal e irmão de Osíris, o deus que trouxe a civilização para o Egito. Seth era também o deus da tempestade no Alto Egito. Era marido e irmão de Néftis, filho de Rá e Nut. Algumas fontes colocam que Seth ao nascer teria rasgado o ventre de Nut com suas garras. O deus vermelho fazia de tudo para conseguir o controle dos deuses e ficar no lugar de seu irmão Osíris. Ele originalmente auxiliava Rá em sua eterna luta contra a serpente Apófis(o próprio caos) no barco solar, e nesse sentido Seth era originalmente visto como um deus bom.

Aparência


Seth é intimamente associado a vários animais, como cachorro, crocodilo, porco, asno e escorpião. Sua aparência orelhuda e nariguda era provavelmente um agregado de vários animais, em vez de representar somente um. Ele também é representado como um hipopótamo, considerado pelos egípcios como uma criatura destrutiva e perigosa. Há também a possibilidade de possuir o rosto de um aardvark. Nos quadrinhos da Marvel Comics (principalmente de Conan, o bárbaro), Seth é descrito erroneamente como uma grande serpente. Na verdade a grande serpente era uma referencia a Apep, inimiga de Rá, e esta ironicamente era combatida por Seth. (na maioria das versões Seth perde a orelha na luta contra Hórus e este perdeu o olho, porém deus Toth decidiu parar com o combate devolvendo a orelha de Seth e o olho de Hórus e dizem que Seth viverá pela eternidade planejando conseguir a ex-coroa de Osíris hoje com Hórus).

Apesar de sua fama, Seth também possui boas características. Protege a barca de Rá durante sua viagem noturna ao mundo oculto. Derrota o demônio Apópis, que ameaça-o pelas manhãs e noites. A cada vitória que Seth alcança, Apópis renasce para recomeçar a batalha. Deste conflito permanente nascem o equilíbrio das forças e a harmonia universal. Sendo assim, o universo só funciona pela a ação contraditória de Seth.


Lendas

A Briga pelo lugar de Osíris


Após o falecimento de Osíris,o seu filho e sobrinho de Seth(às vezes indicado como irmão deste),Hórus,trava uma verdadeira batalha para suceder seu pai contra Seth que sentindo-se injustiçado por não assumir o lugar de Osíris,pois segundo ele, é o único deus forte o suficiente para ocupar tal lugar, vai perante os deuses superiores protestar pelo que considera seu direito. Hórus,o deus do céu,argumenta para Geb ou, em outras versões do mito,para Rá que é o legítimo herdeiro do trono ao que Seth se opõe dando início a um conflito divino.Na querela entra a mãe de Hórus,Ísis, que convence a Enéade, o conselho dos deuses, a não outorgar em favor de Seth porém decidem se reunir mais uma vez ,agora numa ilha,para julgar o caso no que é impedida de acompanhar.Entretanto Ísis disfarçada de idosa suborna o condutor da barca do sol,Nemty, com uma jóia e segue os outros deuses até a ilha onde eles se reuniriam.Lá ela se transforma numa bela jovem para seduzir Seth e assim conseguir sua confissão de que na verdade o seu filho de fato era o herdeiro por direito ao trono de Osíris e não ele fazendo-o mais uma vez protestar com o conselho de deuses sugerindo então um desafio para Hórus onde ambos se metamorfoseariam em hipopótamos para sobreviver alguns meses sob a água.Ísis preocupada com seu filho decide ajudá-lo arremessando um arpão nas águas onde termina por atingi-lo e fisga Seth que pede por clemência ao que ela consente.Irritado por sua mãe tê-lo ferido,Hórus a ataca e corta sua cabeça fugindo para o deserto.Após o ocorrido, a Enéade decide puni-lo por ferir sua mãe ao que Seth tira seus olhos enquanto dorme.A deusa Hator restaura a sua visão com leite.Outra vez Hórus apela perante os deuses por equidade sendo que agora esses,falam para Osíris no mundo dos mortos que responde inquirindo por que seu filho ainda não foi entronado ameaçando-os com uma infestação de demônios.Finalmente após deliberar, Rá decide arbitrar em favor de Hórus e acolhe Seth enfim para a morada dos deuses.


A traição de Néftis e suposta inveja de Seth

Algumas versões contam que na verdade ele foi traído por Néftis com Osíris, daí seu assassinato. O maior defensor dos oprimidos e injustiçados, tinha fama de violento e perigoso, uma verdadeira ameaça. Conta-se que Set ficou com inveja de Osíris e trabalhou incessantemente para destruí-lo (versões contam que Néftis, esposa de Seth, fora seduzida por Osíris, o que seria uma ressalva. Anúbis teria sido concebido desta relação). Auxiliado por 72 conspiradores, Seth convidou Osíris para um banquete. No decurso do banquete, Seth apresentou uma magnífica caixa-sarcófago (ataúde) que prometeu entregar a quem nela coubesse. Os convidados tentaram ganhar a caixa, mas ninguém cabia nesta, dado que Seth a tinha preparado para as medidas de Osíris. Convidado por Seth, Osíris entra na caixa. É então que os conspiradores, sits, servos do próprio Seth trancam-na e atiram-na para o rio Nilo. A corrente do rio arrasta a caixa até o mar Mediterrâneo, acabando por atingir Biblos (Fenícia). Ísis, desesperada com o sucedido, parte à procura do marido, procurando obter todo o tipo de informações dos que encontra pelo caminho. Chegada a Biblos Ísis descobre que a caixa ficou encrustada numa árvore que havia sido cortada para fazer uma coluna no palácio real. Com a ajuda da rainha, Ísis corta a coluna e consegue regressar ao Egito com o corpo do amado, que esconde numa plantação de papiros.

Contudo, Seth encontrou a caixa e furioso decide esquartejar em 14 pedaços o corpo, que espalha por todo o Egito; segundo alguns textos do período ptolomaico, teriam sido 16 ou 42 partes. Quanto ao significado destes números, deve-se referir que o 14 é o número de dias que decorre entre a lua cheia e a lua nova e o 42 era o número de províncias (ou nomos) em que o Egito se encontrava dividido.

Suas ações fizeram com que a maioria dos outros deuses se voltassem contra ele, mas Seth achava que seu poder era inatacável. Hórus, filho de Ísis e Osíris, conseguiu matar Seth, que acabou identificado como um deus do mal.

Metamorfose e os adoradores de Seth


Os egípcios tinham várias maneiras de representar o deus Seth,as manifestações mais comuns eram as em formas de animais sobretudo na figura de uma imagem parte asno,parte porco ou mesmo um tamanduá além também de ser associado a bois e bestas que eram usados para debulhar cereais e amassar grãos que segundo o mito continham o deus Osíris,vítima recorrente de sua perseguição. Hórus,filho de Osíris,condenou esses últimos animais a flagelos constantes.Numa de suas investidas contra Osíris,Seth se transforma em uma pantera até que o deus Thot mediante feitiços consegue dominá-lo dando oportunidade para Anúbis marcar sua pele e esfolá-lo.Ele se recupera dos ferimentos e parte rumo ao deserto,seus domínios,sob a aparência de um touro seguido de perto por Ísis transformada em um cão e a deusa Hator em forma de serpente venenosa que pica os seus adoradores reunidos,tingindo de sangue ,desse modo, as areias do deserto.

Adi
cionais

Seth é o deus do caos, também do deserto e das terras estrangeiras. No Livro dos Mortos, Seth é chamado "O Senhor dos Céus do Norte" e é considerado responsável pelas tempestades e a mudança de tempo. A história do longo conflito entre Seth e Hórus é vista por alguns como uma representação de uma grande batalha entre cultos no Egito cujo culto vencedor pode ter transformado o deus do culto inimigo em deus do mal. Seth é, na verdade, a representação do supremo sacrifício em prol da justiça.

Textos do Reino Novo descrevem Seth como autor de uma série de crimes de sacrilégios como a derrubada de árvores sagradas e a caça de pássaros, peixes e animais sagrados. Ele também é notório por quebrar tabus sexuais: a sua natureza luxuriosa o leva a encontros héteros e homossexuais inapropriados. Num mito ele é punido por ter relações com a deusa da semente, que personifica o sêmen do criador. Noutro, a sua tentativa de dominar sexualmente seu rival leva-o ao nascimento não-natural do deus lunar Thoth.


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