11 de abril de 2013

Múmia de Spirit Cave

#ADM Sleipnir


A "Múmia de Spirit Cave" é um achado arqueológico encontrado em 1940 pela equipe arqueológica composta pelo casal  Sydney e Geórgia Wheleer, e que foi datado de 7420 aC. Os Wheleer, que trabalhavam para a Comissão de Parques do Estado de Nevada, faziam o levantamento de possíveis sítios arqueológicos perto de Carson City, Nevada, para evitar a sua perda devido a mineração de guano (fezes de aves e morcegos, que são utilizados como fertilizantes devido ao grande teor de nitrogênio). Ao entrar na Spirit Cave (Caverna Espírito), eles encontraram os restos de duas pessoas envoltas em uma espécie de cobertor. Um conjunto de restos mortais, enterrados um mais profundo do que o outro, tinha sido parcialmente mumificado (a cabeça e o ombro direito). Os Wheelers, com a ajuda de moradores locais recuperaram um total de 67 artefatos da caverna.


Esses artefatos foram examinados no Museu do Estado de Nevada, onde foram estimados terem entre 1.500 e 2.000 anos de idade. Eles foram depositados nas instalações de armazenamento do Nevada State Museum  em Carson City, onde permaneceram durante 54 anos.

Em 1996, o antropólogo R. Ervi Taylor, da Universidade da Califórnia - em Riverside , examinou dezessete dos artefatos de Spirit Cave usando espectrometria de massa. Os resultados indicaram que a múmia tinha aproximadamente 9.400 anos de idade - mais do que qualquer outra múmia anteriormente conhecida da América do Norte. 


Em março de 1997, a Tribo Paiute-Shoshone da Reserva e Colonia Fallon, cujo ancestrais viveram na região na mesma época da datação dos artefatos, acionou a justiça,  reivindicando os artefatos devido a filiação cultural. Estudos posteriores determinaram que as características caucasóides das múmias assemelham-se à dos Ainu, comunidade indígena que vive no norte do arquipélago japonês e tem, além de traços físicos parecidos com os dos esquimós, cultura e idioma próprios, embora a afiliação definitiva não tenha sido estabelecida. Há também uma possível ligação com os polinésios e australianos que é mais forte do que qualquer cultura nativa americana. As descobertas foram publicadas pelo Estado de Nevada Museu em 24 de outubro de 1999, e receberam cobertura da mídia internacional.

Em setembro de 2006, a Corte dos Estados Unidos para o Distrito de Nevada decidiu em uma ação judicial pela Tribo Fallon Paiute-Shoshone e afirmou que o Bureau of Land Management (orgão responsável pela administração das terras públicas do país) cometeu um erro ao emitir uma declaração sem uma explicação completa. A ordem judicial reenviou o assunto de volta para a BLM, para reconsideração da prova.

Nevada State Museum
Os arqueólogos do Nevada State Museum pretenderam, então, estudar as múmias mais detalhadamente, mas o órgão governamental que cuida da proteção dos nativos americanos manifestou-se contrariamente quanto a essa pretensão. O que se sabe é que o BLM iniciou, então, estudos sobre evidências culturais, biológicas e físicas das múmias, para determinar sem sombra de dúvida se elas tinham, realmente, alguma relação com qualquer tribo americana dos dias modernos. E concluiu que não existe qualquer vínculo cultural delas com a tribo Paiute do Norte.

Diante disso, tem-se como certo que essa pendência judicial vai continuar por mais algum tempo. Mas enquanto isso, a dúvida principal permanece sem resposta: se as múmias de Spirit Cave não são de indígenas que na época moravam naquela região, de quem, ou de qual povo são elas, afinal de contas?

fontes:

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Ruby