24 de abril de 2024

Acat

۞ ADM Sleipnir


Acat (também Acat-Cib ou Ah-Kat) era uma divindade da mitologia maia associada ao processo de tatuagem e escarificação. Ela foi mencionada pela primeira vez pelo etnógrafo e arqueologista J. Eric S. Thompson  (1898-1975), em seu livro Tattooing and Scarification among the Maya ("Tatuagem e Escarificação entre os Maias") de 1946, onde ele acrescentou que o nome Acat em nauátle significa "junco", enquanto a pronúncia "Ah Cat" significaria "Aquele do Jarro de Armazenamento", provavelmente porque acreditava-se que juncos ocos eram usados ​​no processo de tatuagem. Dizem que Acat abençoava desde a tinta e as agulhas até os espaços de trabalho, além de firmar as mãos dos artistas para obter melhores resultados.

Arte de thothflashpan

De acordo com o finado romancista e engenheiro Charles Russell Coulter e a pesquisadora Patricia Turner, Acat é um dos Bacabs,, deuses dos pontos cardeais, responsáveis por sustentar o céu. Mais vagamente, Acat é ainda associada ao desenvolvimento do feto no útero.

Cultura Popular

Acat é uma antagonista coadjuvante na série animada Maya e os Três Guerreiros (2021) da Netflix. Apesar de ser uma deusa, ela deixa sua sede de sangue ficar fora de controle e prefere “brincar com a comida” em vez de terminar uma missão com eficiência ou honra.

Acat em "Maya e os Três Guerreiros"

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25 de abril de 2023

Ix Tub Tun

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Ix Tub Tun no boardgame Mezo

Ix Tub Tun ("Aquela que cospe pedras preciosas") é uma deusa menor maia, dita ter sido a padroeira dos artesãos que trabalhavam com jade e outras pedras preciosas. Imaginada como uma divindade serpentina, quase nada se sabe ao seu respeito. Teoriza-se, por causa do significado de seu nome, que Ix Tub Tun era uma divindade de alguma forma associada às chuvas.

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28 de março de 2023

Ixchel

۞ ADM Sleipnir

Arte de Hoang Lap

Ixchel (também Ix Chel, Ix Chebel, Yax, Deusa O) foi uma importante deusa maia associada à chuva, medicina, tecelagem, parto e também à lua. De acordo com algumas interpretações, Ixchel era casada com o deus Itzamná. Como casal, o par ilustrava a dualidade: Itzamná era uma divindade essencialmente benevolente, enquanto Ixchel possuía um caráter mais destrutivo. Embora Ixchel tivesse um lado bom, atuando como a protetora de tecelãs e também auxiliando mulheres em trabalho de parto, seu caráter destrutivo, no entanto, se destacava mais.

Ixchel personificava o lado destrutivo das águas, sendo associada às inundações e chuvas fortes que derrubavam as colheitas e muitas vezes provocavam devastação e mortes. Nesse aspecto, era geralmente representada como uma velha raivosa com um visual sinistro composto por unhas grandes como se fossem as garras de um jaguar, uma serpente em volta da cabeça, ossos cruzados em sua saia e outros símbolos de destruição ao seu redor. Em suas mãos, ela costuma trazer um jarro com o qual ela despeja enormes quantidades de água sobre a terra. Segundo uma lenda, foi dessa forma que em tempos antigos ela causou um dilúvio que provocou a extinção de uma das eras anteriores.

Ixchel e o relacionamento conturbado com Itzamná

Embora saiba-se muito pouco sobre os mitos de origem de Ixchel, um mito relacionado ao seu papel como uma divindade lunar, fala sobre seu relacionamento com Itzamná (sob a forma de Kinich Ahau, a personificação do sol).

Ixchel apaixonou-se por Kinich Ahau porém o deus não correspondia ao seu amor, então ela o seguia pelos céus todos os dias. Ao fazer isso, as marés subiam e inundavam a terra. Eventualmente, suas habilidades superiores de tecelagem chamaram a atenção de Kinich Ahau enquanto ela fazia uma bela peça de tecido dourado, e eles finalmente ficaram juntos. Posteriormente, ela deu à luz a quatro filhos, os Bacabs, deuses dos quatro pontos cardeais, de onde acreditava-se que fossem responsáveis por sustentar os céus. 

O casal passaria a enfrentar dificuldades quando Kinich Ahau começou a ter crises de ciúmes por achar que Ixchel teve um caso com seu irmão, a estrela da manhã. Ele expulsa Ixchel do céu, porém mais tarde implora que ela voltasse. Seus ataques de ciúme voltariam a causar desavenças entre os dois, até que Ixchel o deixa de vez, tornando-se invisível sempre que ele tenta se aproximar dela. Até hoje, ela vagueia invisível pela noite, ajudando as mulheres a darem à luz aos seus filhos.

Culto

No início do século XVI, mulheres maias que buscavam garantir um casamento frutífero viajavam até o santuário de Ixchel na ilha de Cozumel, o local de peregrinação mais importante depois de Chichen Itza, na costa leste da península de Yucatán. 

Ao norte de Cozumel estava localizada uma ilha muito menor, batizada por seu descobridor o espanhol Hernández de Córdoba (1475-1518), de "Ilha das Mulheres" (Isla Mujeres), porque "os ídolos que ele encontrou lá, das deusas do país, "Ixchel" e suas filhas e noras "Ixchebeliax", "Ixhunie", "Ixhunieta", apenas vestidas do cinto para baixo, e com o peito descoberto à maneira dos índios" (trecho extraído de "Yucatan, Antes e Depois da Conquista", escrito em 1566 pelo Frei Diego de Landa)

No outro lado da península, a principal cidade da província chontal de Acalan (Itzamkanac) venerava Ixchel como uma de suas principais divindades. Um dos assentamentos costeiros de Acalan foi chamado Tixchel ("No lugar de Ixchel"). O conquistador espanhol Hernán Cortés relatou sobre outro lugar em Acalan onde jovens solteiras eram sacrificadas a uma deusa em quem "tinham muita fé e esperança", possivelmente novamente Ixchel. 


Cultura Popular
  • Nos quadrinhos da Marvel, duas Ixchel dão as caras. Uma é a própria deusa, integrante do panteão maia (Ahau ou Ajaw). A outra é uma inumana pertencente a um grupo chamado Mayapan, uma irmandade de Inumanos que se apresentavam como divindades maias há cerca de 1000 anos.
  • Ixchel é a mais nova divindade a ingressar no MOBA Smite, entrando no jogo a partir do uptade de Abril/23.
Ixchel (Mayapan)

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1 de março de 2021

Ek Chapat

۞ ADM Sleipnir

Ek Chapat, também conhecido como "Senhor Centopeia" (do maia ek,"senhor;  e chapat, "centopeia") é uma terrível criatura dita pertencer à mitologia maia. Ela é descrita como uma centopeia gigante, possuindo cem pernas (como seu nome já sugere) e sete cabeças humanas. 

Habitando as florestas do território maia (segundo alguns relatos ela habitava Xibalba, o submundo), Ek Chapat possuía um modo de agir semelhante à Esfinge do mito grego de Édipo. Ela abordava os viajantes perdidos com enigmas estranhos e enganosos, obrigando-os a respondê-los para que pudessem continuar seu caminho. Caso o viajante não conseguisse responder corretamente, era devorado vivo pelas sete cabeças da criatura. Se deparar com uma trilha de crânios e ossos numa  floresta era o sinal de que Ek Chapat estava próximo.

Arte de Israel Bárron

Conta-se que se a pessoa respondesse o enigma corretamente, Ek Chapat lhe concederia desejos ou lhe ofereceria seus dons extraordinários, como ser capaz de se comunicar com plantas e pedras, ou transformar-se em diferentes animais. Porém, pelo que se sabe, somente um indivíduo foi capaz de adivinhar seu enigma. Este indivíduo era chamado de "Coração Turbulento", e vivia próximo a uma cidade mexicana hoje conhecida como Valladolid. Um dia, enquanto caminhava pela floresta, Coração Turbulento acabou encontrando com Ek Chapat, que lhe recitou um enigma dito impossível de ser decifrado por um ser humano. 

O homem estava perdido, mas naquele momento um deus (não se sabe qual) resolveu ajudá-lo confiando-lhe a resposta do enigma. Coração Turbulento respondeu ao enigma corretamente, deixando Ek Chapat chocado já que isso nunca havia acontecido. A criatura então ofereceu ao Coração Turbulento a oportunidade dele possuir os mesmos poderes que ela, porém, temendo se tornar como Ek Chapat, Coração Turbulento recusou. Ek Chapat não aceitou a recusa, e os dois se enfrentaram num combate até a morte, onde Coração Turbulento saiu vencedor. Desde então, as florestas ficaram livres e os homens puderam caminhar por elas sem temerem ser devorados pela criatura

Uma versão da lenda sobre Ek Chapat conta que ele era o sentinela de um local que servia de covil para um terrível gigante também devorador de homens chamado Ua Ua Pach.


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19 de abril de 2017

Ek Chuah

۞ ADM Sleipnir



Ek Chuah (ou Ek Chauah, Ek Chuwah, Ek Chuaj, "Chefe da Guerra Negra"; às vezes referido como Deus M) era um deus maia da guerra, responsável pelo transporte das almas dos mortos em batalha. Além disso, ele era o deus do cacau, e, semelhante ao deus maia Xaman Ek, era um deus protetor dos mercadores e viajantes. 

Ek Chuah possuía uma natureza um pouco contraditória; como o deus da guerra era visto como maligno, mas como um deus dos comerciantes de rua era um deus de caráter benevolente.




Representações

Ek Chuah é a sexta divindade mais comumente descrita nos códices maias, sendo retratado 40 vezes. Ele é geralmente representado com a pele pintada de preto, com um nariz comprido e estreito e um grande lábio inferior. Algumas imagens de Ek Chuah o mostram segurando uma lança (quando representando o deus da guerra) ou um conjunto de bens (quando representando o deus dos mercadores). O hieróglifo de seu nome é um olho com uma borda preta.

Patrono do Cacau

O cacau foi um dos produtos mais importantes comercializados pelos maias e muitas vezes era tratado como moeda. Como Ek Chuah era patrono do cacau, os proprietários das roças de cacau realizavam cerimônias ou festivais especiais em sua honra. Uma delas era realizada durante Muwan, um mês no calendário solar maia (Haab). 




Interações com outras divindades

Ek Chuah era às vezes retratado em combate, na maioria das vezes acompanhado de Buluk Chabtan, o deus da guerra, da violência e sacrifício. No Codex Madrid, Ek Chuah e Buluk Chabtan estão intimamente relacionados e, por vezes, quase indistinguíveis um do outro. Conforme Ek Chuah ganhou influência e importância na sociedade maia, ele acabou suplantando Buluk Chabtan.



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11 de dezembro de 2015

Ah Muzen Cab

۞ ADM Sleipnir

Arte do MOBA Smite

Ah Muzen Cab (Ah Mucen Cab, Ah Muzencab) é o deus maia das abelhas e do mel. O mel era uma parte importante da dieta das culturas, e um importante bem comercial, por isso Ah Muzen Cab era uma deidade importante no panteão maia. A palavra maia para mel era a mesma usada para mundo, e por isso, acredita-se que Ah Muzen Cab também esteve envolvido no processo de criação do mundo.

Ah Muzen Cab é geralmente caracterizado na arte maia com as asas de uma abelha, geralmente estendidas tanto no processo de pouso ou decolagem. Ele está relacionado com Colel Cab, uma deusa da terra maia que também era responsável por abelhas e mel. 

Arqueólogos acreditam que Ah Muzen Cab era o patrono de Tulum (uma antiga cidade maia e hoje um sítio arqueológico) e que a região foi produtora de uma grande quantidade de mel. Alguns tipos de mel são tóxicos e produzem efeitos psicoativos, e é possível que o consumo desse tipo de mel era parte do rito de adoração de Ah Muzen Cab.

Arte de KatZina


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22 de setembro de 2015

Huracán

۞ ADM Sleipnir


Huracán (também Hurakan Jurakan, Deus K, sign. "Uma Perna") era o deus maia dos ventos, das tempestades e do fogo, além de ser uma das divindades criadoras, participando ativamente do processo de criação do mundo e da humanidade, ao lado de Kukulcán (Quetzalcoatl para os astecas) e do deus do céu, Tepeu. Como seu nome indica, Huracán possuía apenas uma perna (sendo por isso representando geralmente nas artes como uma serpente), porém seus braços eram enormes, e ele criava poderosas ventanias girando-os velozmente. 


De acordo com o Popol Vuh, Huracán ficou encarregado de eliminar os homens de madeira, que haviam sido criados após os deuses terem falhado em criar uma raça capaz de louvá-los. A primeira tentativa falha foram os animais, que se expressavam por meio de sons indistinguíveis pelos deuses. A segunda tentativa, os homens feitos de barro, foram moldados com terra e água, mas no fim, além de não conseguirem pronunciar nenhuma palavra reconhecível, eram incapazes até de ficarem de pé, e por isso foram colocados na água, e vieram a se tornar as criaturas do mar. Na terceira tentativa, os deuses criaram os homens de madeira, a primeira população humana da terra. Eles eram plenamente capazes de falar, porém não falavam sobre os deuses e nem os louvavam. Por essa ofensa contra aqueles que os criaram, os homens de madeira foram destruídos por Huracán, que usou seu poder para criar uma tempestade de lava e por um fim a eles.



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26 de março de 2015

Buluc Chabtan

۞ ADM Sleipnir

Arte de Ashton Musielewicz

Buluc Chabtan (às vezes referido como Deus F) era o deus maia dos sacrifícios humanos, e também da morte súbita e/ou violenta. Estava presente no sacrifício dos presos de guerra e também nas guerras, e por isso era tido também como um deus da guerra. Na arte maia, Buluc Chabtan é retratado com uma linha grossa preta em torno dos olhos e abaixo da bochecha, que tomam a forma de um F, motivo que levou o deus a ser chamado de Deus F. Ele é o patrono do dia 11- manik.



Buluc Chabtan era um deus cruel e temido por todos, e, em companhia do deus da morte Ah Puch, saia atrás de suas vítimas à noite, incendiando casas com uma tocha, queimando pessoas e as impalando com uma lança. Nas batalhas, ele geralmente agia associado a dois espíritos, chamados Ka Ku Pakat e Pakok Exchun Kak, os quais o auxiliavam na identificação e posição do inimigo.

Devido ao seu caráter cruel, Buluc Chabtan não era comumente reverenciado ou admirado pelos maias; ao contrário disso, ele era uma divindade odiada e evitada. Imagens de Buluc Chabtan no Códice de Dresden mostram a divindade sendo devorada por larvas após a morte, sugerindo que os autores tentaram enfraquecer a imagem do deus através de suas representações.



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3 de fevereiro de 2015

Chaac

۞ ADM Sleipnir


Chaac (ou Chac) era o deus maia da chuva e das tempestades, equivalente ao deus asteca Tlaloc. Dentre os deuses maias, ele era o mais popular e o mais representado em templos, porque seu papel como provedor da chuva era essencial para a agricultura. Suas ações garantiam o crescimento do milho e da vegetação em geral, bem como os ciclos naturais da vida. Eventos naturais de diferentes intensidades, incluindo chuvas de granizo e até furacões eram considerados manifestações do deus.

Chaac era essencialmente um deus bom, mas a manutenção da sua bondade dependia de rituais e sacrifícios regulares. Por vezes, dava ordens ao povo para se abster de comer ou de ter sexo, mas quando estava de mau humor podia ordenar que fossem atados e atirados para o poço sagrado em Chichén Itzá.

Características

Chaac é retratado como um ser humano, mas com características de animais. Ele tem atributos reptilianos e escamas de peixe, um nariz encaracolado e o lábio inferior saliente. Ele usa um cocar elaborado, e em suas mãos.empunha um machado de pedra, usado para produzir raios e com o qual ele golpeia uma serpente cheia de água que ele carrega em suas costas para assim produzir as chuvas.

Apesar de Chaac ser uma das mais antigas divindades maias, não existem representações do deus anteriores aos períodos clássico e pós-clássico. A maioria das imagens que descrevem o deus da chuva estão pintadas em vasos do período clássico e em códices do período pós-clássico. 



Avatares de Chaac

Assim como outros deuses maias, Chaac também estava ligado aos quatro pontos cardeais. Cada direção era ligada a um avatar de Chaac e uma cor específica:
  • Chaak Xib Chaac, o Chaac Vermelho, representante do Leste
  • Sak Xib Chaac, o Chaac Branco, representante do Norte
  • Ex Xib Chaac, o Chaac Preto, representante do Oeste, 
  • Kan Xib Chaac, o Chaac Amarelo, representante do Sul
Juntos, eles eram chamados de Chaacob (plural de Chaac) e eram adorados como divindades em muitas partes da região dos Maias, especialmente em Yucatan.

Mito

Um mito famoso envolvendo Chaac o mostra provendo alimento ao seu povo. Numa ocasião onde os homens passavam por um período de fome, os homens clamaram a Chaac por comida. Chaac atendeu ao clamor dos homens, tomando seu machado e cravando-o numa montanha. A mesma se partiu em duas, e revelou em seu interior uma enorme quantidade de espigas de milho.




Culto

Cerimônias em honra de Chaac eram realizadas em cada cidade maia e em diferentes níveis da sociedade. Uma das cerimônias relacionadas ao deus era a "Cerimônia dos Sapos" (Cha-Chaac). Nesta cerimônia, quatro garotos eram instados a imitar o coaxar de um sapo, com o intuito de invocar o deus da chuva.

Um dos aspectos do culto de Chaac são os cenotes, espécie de poços profundos onde eram realizados afogamentos sacrificiais. Neles eram lançadas em oferta a Chaac as vítimas sacrificiais, juntamente com animais e riquezas, pois os maias acreditavam que esses poços eram na verdade portais sobrenaturais para a morada subterrânea do deus. O cenote mais famoso era o cenote de Chichén Itzá. Em raras ocasiões, a vítima sobrevivia ao primeiro afogamento, mas era entorpecida e lançada novamente ao poço. Caso a vítima conseguisse sobrevive ao segundo afogamento, era inquirida pelos sacerdotes sobre o que ela "ouviu" do deus ou dos habitantes do inframundo durante sua imersão na água. Caso os sacerdotes julgassem o relato da vítima como sendo favorável, ela escapava de uma vez por todas do sacrifício, e tornava-se uma espécie de santo ou favorito do deus.



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20 de novembro de 2014

Ixtab

۞ ADM Sleipnir

Arte de jaggudada

Ixtab (em quiché: Xťab, "A da corda"; pronuncia-se Ishtab) é uma suposta deusa maia do suicídio, mais precisamente do suicídio por enforcamento. A única fonte antiga que cita essa deusa é a obra Relación de las cosas de Yucatán (de 1566), compilada pelo bispo e inquisidor espanhol Diego de Landa. De acordo com a citação de Diego, aqueles que se enforcavam iam para uma espécie de céu/paraíso; e por isso, muitas pessoas que se encontravam em situações de tristeza, problemas ou doenças, se enforcavam a fim de escapar dessas coisas e descansarem. Ixtab atuava então como uma espécie de psicopompo, guiando os enforcados até o seu descanso eterno. 

Iconografia

Quanto a iconografia de Ixtab, geralmente ela é descrita e representada como uma mulher morta enforcada ou como uma mulher com o nó de enforcamento no pescoço. Essas representações modernas tem como base a imagem de uma mulher enforcada presente no Códice de Dresden, página 53b (imagem abaixo)



Apesar de ser comumente associada à Ixtab, a imagem acima ocorre em uma seção dedicada aos eclipses do sol e da lua, e pode ter sido usada para simbolizar um eclipse lunar e suas terríveis consequências para as mulheres, que estavam intimamente associadas à deusa da lua. 

Uma deusa fabricada?

Alguns estudiosos da cultura maia defendem a teoria de que Ixtab é uma invenção moderna, baseada em interpretações/percepções errôneas de Diego de Landa sobre o povo maia. Apesar de certas obras e autores modernos citarem que o suicídio por enforcamento era uma forma honorável de morrer para os antigos maias, tendo inclusive um status comparável ao das vítimas de sacrifícios, mulheres que morriam ao dar a luz e guerreiros mortos em combate, a verdade é que o suicídio por enforcamento era muito mais comum na cultura espanhola da qual Landa se originou do que na cultura maia que ele estava narrando. 

A popularidade de Ixtab como uma deusa do suicídio teve um grande crescimento nas últimas décadas, e segundo um artigo publicado em 2013 pela professora e PhD em Antropologia Beatriz Mireya Reyes-Foster‬, tal popularidade estaria ligada às altas taxas de suicídio no atual estado de Yucatan. Em seu artigo, Reyes-Foster relaciona imagens de jornais de jovens indígenas que se suicidaram na década de 1930 a essa ideia de uma predisposição maia ao suicídio, que é então reforçada por essa noção de que os maias tinham uma divindade pré-colonial especificamente para enforcamento. Para ela, acreditar que os maias tinham uma divindade apenas para o suicídio por enforcamento é outra forma de perpetuar o conceito dos maias como "outros".


SUICÍDIO NÃO É A SOLUÇÃO PARA OS SEUS PROBLEMAS. PROCURE AJUDA!
CVV (CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA): LIGUE 188

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15 de julho de 2014

Itzamná

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Ben Carbonero

Itzamná, também conhecido como Deus D, é um dos deuses mais importantes do panteão maia, identificado como o filho do deus criador Hunab Ku. Seu nome na língua maia significa "Casa dos Lagartos", e seu correspondente na mitologia asteca é o deus Tonacatecuhtli. Itzamná era conhecido como o Senhor dos Céus, e o Senhor da Noite e do Dia. Era também considerado um deus criador e o inventor da escrita, e adivinhação. Ele foi o criador do mundo e das outras divindades. Por esta razão, ele é muitas vezes descrito como um rei entronizado, supervisionando os deuses menores.

Em vários mitos, Itzamná aparece como um herói da cultura maia, que lhes forneceu as bases de sua civilização. Segundo a lenda, ele os ensinou a cultivar a terra, a escrita, o uso de calendários e a prática da medicina. Ele também introduziu um sistema de divisão de terras e estabeleceu rituais de culto religioso. Diferente de outras divindades maias, Itzamná era um deus não associado a guerras, mortes ou a destruição.


Características

Itzamná tinha muitas formas. Ele aparece representado em códices e vasos com características répteis. Ele também se manifesta como o Pássaro do Céu, que habita o topo da Árvore do Mundo, que para os maias liga o céu, a terra e Xibalba (o submundo maia) Este pássaro é geralmente identificado com Vucub Caquix, o monstro mítico morto pelos heróis gêmeos Hunapuh e Xbalanque no Popol Vuh.

Em sua forma humana, Itzamná é muitas vezes retratado como um escriba idoso e desdentado, com um nariz afilado e o rosto afundado. Ele é muitas vezes representado usando um cocar elaborado com um espelho de contas em sua testa. 

Com sua consorte Ixchel, Itzamná foi o pai dos Bacabs, os 4 deuses que sustentam o céu. Seus nomes são: 
  • Kanal-Bacab ( representante do Sul, corresponde a cor amarela e rege os anos Muluc);
  • Ekel-Bacab (representante do Oeste, corresponde a cor preta e rege os anos Cauac);
  • Chacal-Bacab ( representante do Leste, corresponde a cor vermelha e rege os anos Kan);
  • Zacal-Bacab ( representante do Norte, corresponde a cor branca e rege os anos Ix). 
As vezes estes deuses são incorporados à figura de Itzamná, formando uma divindade de quatro cabeças. Itzamná teve ainda com Ixchel  Yum Kaax, Ek Chuah, e outros deuses responsáveis pela criação do céu, da terra e de tudo que há nela.

Culto

Itzamná era venerado principalmente em Tazmal, mas seu culto se estendia por todo o território maia. Os sacerdotes maias, muitas vezes recolhiam o orvalho, que acreditavam ser as lágrimas de Itzamna, para usá-lo em seus rituais religiosos. Como deus criador, Itzamna era invocado durante muitos festivais diferentes ao longo do ano maia - especialmente durante o último mês, a fim de prevenir desastres no ano seguinte. 


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22 de abril de 2014

Camazotz

۞ ADM Sleipnir


Camazotz era o deus morcego vampiro dos antigos povos maias, em especial do povo quiché na Guatemala. Esta divindade vampírica era o deus das trevas, violência e sacrifício (especialmente sacrifício de sangue). O próprio nome Camazotz é derivado de duas palavras da língua maia quiché : kame , que significa "morte", e sotz , que significa "morcego". Em Xibalba, o submundo maia, Camazotz preside uma caverna repleta de gigantescos monstros morcegos, chamada de Zotzilaha.

Camazotz se deleita com a matança de pessoas inocentes, e adora beber sangue humano. Aqueles que eram devotos desta divindade abriam uma de suas veias, enchiam uma tigela de madeira ou cerâmica com o seu sangue, e ofereciam à esse morcego da morte.

Originalmente, Camazotz era um morcego antropomórfico adorado pelos índios zapotecas de Oaxaca, e mais tarde foi adotado pelos maias como um deus vampiro, que exigia oferendas de sangue de seus seguidores em troca dos favores ou da ajuda da divindade. Camazotz tem um papel de destaque no Popol Vuh, um compêndio da mitologia e das crenças maias. 


A lenda conta que os heróis gêmeos Hunahpu e Xbalanque encontraram Camazotz e seus servos durante sua jornada pelo submundo. Os irmãos tiveram que espremer-se em suas próprias zarabatanas para se proteger dos morcegos que os cercavam. Hunahpu cometeu o erro de colocar a cabeça para fora para ver se o sol tinha nascido. Camazotz imediatamente arrancou-lhe a cabeça e a levou para ser usada como bola pelos deuses em seu próximo jogo. Xbalanque então apelou a todos os animais na floresta para trazerem seus alimentos favoritos. Um desses animais lhe traz uma abóbora, a partir da qual Xbalanque esculpiu uma nova cabeça para o seu irmão. Os irmãos continuam então sua jornada por Xibalba, e finalmente, encontraram e derrotaram Camazotz (bem como os outros senhores do submundo).

Alguns estudiosos acreditam que a lenda de Camazotz pode ter se derivado de um morcego pré-histórico, Desmodus draculae, ou "o gigante morcego vampiro". Esse morcego era cerca de 25% maior que o morcego comum (Desmodus rotundus). Alguns acreditam que o Desmodus draculae ainda possa existir nos dias de hoje, e que eram aparentemente comuns no tempo dos maias. 



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