1 de novembro de 2017

Ometeotl

۞ ADM Sleipnir 

Arte de zabraxxas

Ometeotl ("Deus Duplo" na língua náuatle) é o deus criador supremo das mitologias asteca e tolteca, e criador do Cemanahuatl (mundo em náuatle). Ometeotl foi pensado como sendo um par de divindades masculina e feminina, chamados respectivamente Ometecutli e Omecihuatl, e estes representavam a energia ou essência criativa da qual o poder de todos os outros deuses fluía. Eles existiam acima e além de todos os assuntos mundanos, habitando Omeyocan, o mais alto dos treze céus na mitologia asteca.

Arte de Vladimir Merchensky

Como opostos simultâneos, masculino e feminino, Ometeotl representava para os astecas a idéia de que o universo era composto de opostos polares: luz e escuridão, noite e dia, ordem e caos, etc. Na verdade, os astecas acreditavam que Ometeotl era o primeiro deus, um ser auto-criado cuja própria essência e natureza se tornaram a base para a natureza de todo o universo. Ometeotl gerou quatro filhos, todos os quais seriam figuras centrais no panteão asteca: Xipe Totec, Tezcatlipoca, Quetzalcoatl e Huitzilopochtli.

Não existiram templos dedicados a Ometeotl ou a quaisquer cultos ativos que o adorassem através de rituais regulares, porém referências a Ometeotl aparecem em uma série de códices e poesias do período pós-conquista asteca. 




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30 de outubro de 2017

Falak

۞ ADM Sleipnir

Arte de jaggudada

Falak (árabe: فلك) é uma gigantesca serpente cósmica pertencente à mitologia e ao folclore árabe. Mencionada na coleção de contos folclóricos As Mil e Uma Noites, Falak é dita habitar em um abismo de fogo localizado abaixo de Bahamut, um peixe igualmente gigantesco e que suporta toda a criação de Alá sobre si. Nesse lugar infernal, Falak vive sofrendo e se contorcendo entre as chamas, enquanto aguarda pelo momento em que poderá devorar toda a criação. Dizem que ela só não o fez ainda pois teme Alá e o seu poder.


fonte:
  • Encyclopedia of Beasts and Monsters in Myth, Legend and Folklore, de Theresa Bane
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27 de outubro de 2017

Tianwu

۞ ADM Sleipnir

Arte de JYB Art

Tianwu (em chinês 天吳, também conhecida como Shuibo (chinês: 水伯)) é uma antiga divindade das águas na mitologia chinesa, conhecida pelo epiteto de "Senhor das Águas", e dita habitar entre dois rios localizados no Vale Chaoyang.

O Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") a descreve como uma feroz criatura com um corpo de tigre de pelos esverdeados, e dotada de oito cabeças humanas, oito pés e oito ou dez caudas. Além disso, é capaz de expelir nuvens, névoa e água por sua boca. Tianwu foi uma divindade cultuada pelo povo Wu, e ao que parece, era intimamente relacionada à vida de caça deles.


fontes:

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25 de outubro de 2017

Cuegle

۞ ADM Sleipnir
Arte de Caitlin Lehman

O Cuegle é uma monstruosa criatura humanoide pertencente ao folclore da Cantábria, região localizada ao Norte da Espanha. De acordo com o folclore, ele é a prole de uma Anjana (uma espécie de fada do folclore cantábrico) amaldiçoada, que devido a um feitiço maligno se transforma em uma bruxa e a cada 30 anos se acasala com ursos velhos, dando à luz essa besta abominável. 

A descrição comum de um Cuegle é de um ser pequeno e bípede, dotado de uma pele negra, uma barba longa, um chifre áspero na testa e 3 olhos: um azul, outro verde e o último vermelho. Ele possui também três braços, mas os mesmos não possuem mãos.


Sua dieta consiste em pequenos animais fáceis de serem capturados, como raposas ou galinhas, mas ele também vai atrás de bebês recém-nascidos que estejam desacompanhados dos pais. Ele não pode ser morto, mas pode ser repelido pelo cheiro de folhas de carvalho e azevinho, que por algum motivo o deixa extremamente assustado e o faz fugir para bem longe. 

Cultura popular 

O Cuegle foi apresentado no 4º episódio da 6ª temporada da série de TV Grimm. Como a versão cantábrica, a criatura tinha três braços e três olhos. Nesta versão, no entanto, os braços continham mãos e dedos e a criatura era pálida, sem barba e não tinha chifre. Na série é dito que o Cuegle tem três olhos para ver passado, presente e futuro. Suas visões mostram que as crianças vão fazer atrocidades no futuro, e é por isso que ele tem que detê-las. 

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23 de outubro de 2017

Bungisngis

۞ ADM Sleipnir

Arte de Isaiah Paul

Bungisngis
(literalmente "rir" no idioma tagalog) é uma espécie de ciclope gigante pertencente ao folclore filipino, dito habitar no município de
Orion, na província de Bataan. Ele é um ser canibal, dotado de uma força sem limites e de uma audição aguda, que lhe permite detectar a presença de pessoas em seu território. Uma vez que ele nota a presença de alguém entrando em seu território, ele irá acompanhar seus passos de forma implacável, e se conseguir capturá-la, ela fatalmente se tornará sua refeição, pois é impossível escapar das suas garras graças a sua força.

Bunginsgis é descrito como tendo apenas um olho e um lábio superior tão grande que ele consegue envolvê-lo sobre o topo de sua cabeça e usá-lo como um chapéu. Ele sempre está sorrindo e possui duas longas presas semelhantes as de um elefante saindo dos lados de sua boca.




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20 de outubro de 2017

Samudra Manthan: A Agitação do Oceano de Leite

۞ ADM Sleipnir


O Samudra Manthan ("A Agitação do Oceano de Leite") é um dos episódios mais famosos da mitologia hindu, sendo descrito em inúmeros textos, como o Mahabharata e o Ramayana, além de vários Puranas, incluindo o Bhagavata, Agni e Vishnu Purana.

Numa época remota, existia um grande asceta, o sábio Durvasa, conhecido por seu temperamento curto. Um dia, ele caminhava com uma grinalda de flores na mão, que na Índia se chama "Santanaka" para oferecê-la a Indra. Indra que vinha na posição oposta cavalgando o elefante Airavata, passou pelo sábio e ignorou-o, fazendo com que Airavata pisasse e rasgasse a grinalda de flores. Durvasa se encheu de ira e rogou uma praga em Indra:

-"O orgulho da riqueza subiu à sua cabeça, Lakshmi irá te abandonar."

Então Indra, que havia percebeu a loucura que tinha feito, curvou-se perante Durvasa e pediu o seu perdão. Durvasa disse: -"Que Vishnu o faça feliz", e partiu.

Graças a maldição de Durvasa, Lakshmi deixou Indra e desapareceu. Como Lakshmi, a deusa da prosperidade, poder e coragem, desapareceu, a vida dos Devas tornou-se miserável. Ao tomar conhecimento dessa situação, os Asuras (ou demônios) sentiram que este era o momento certo para eles lançarem um ataque contra os Devas. Liderados por Bali, os Asuras derrotaram os enfraquecidos Devas, e fugiram levando consigo um pote de barro contendo o Amrita, o néctar da imortalidade. Os Devas perseguiram os Asuras na tentativa de recuperar o Amrita, e seus líderes, Indra e Bali, se enfrentaram. Durante a batalha, quatro gotas do néctar caíram sobre a Terra, sobre quatro cidades: Prayag (Allahabad), Haridwar (Uttrakhand), Ujjain (Madhya Pradesh) e Nasik (Maharashtra). Ao final dessa luta, o pote contendo o néctar da imortalidade acabou escorregando da mão dos Asuras e caiu no oceano.

Após observar a situação, Shiva intervem e declara que os Devas e os Asuras devem trabalhar juntos para agitar o oceano, ou então seria impossível recuperar o Amrita. Assim, ambas as partes concordaram relutantemente em trabalhar em conjunto.

A agitação do oceano de leite foi um processo trabalhoso. Vishnu trouxe o Monte Mandara para ser usado como haste de agitação, mas assim que ele foi colocado no oceano, começou a afundar. Vishnu então manifestou-se na forma de uma tartaruga gigante (Kurma, seu segundo avatar) e apoiou a montanha em suas costas. Vasuki, o rei das serpentes, que habita no pescoço de Shiva, permitiu que a enrolassem ao redor do monte e a usassem como corda. Os Devas e os Asuras puxaram alternadamente o corpo de Vasuki, fazendo com que a montanha girasse e agitasse o oceano.


O veneno Halahala

A primeira coisa a surgir da agitação do oceano de leite foi um poderoso veneno chamado Halahala, (em algumas versões da história, ele escapou da boca de Vasuki conforme os Asuras e os Devas a puxavam), e como ninguém conseguia suportar os vapores venenosos emitidos pelo veneno, Devas e Asuras começaram a sucumbir devido à asfixia. Eles buscaram a ajuda de Brahma, que os conduziu a Vishnu, que por sua vez lhes disse que somente Shiva poderia ajudá-los. Então Asuras e Devas foram até o Monte Kailash e clamaram a Shiva pedindo sua ajuda. 

Ao escutar o clamor, Shiva rapidamente veio ao local, e sendo o mais resistente dos deuses, decidiu beber todo o veneno. Ao ver isso, Parvati, a consorte de Shiva, ficou alarmada e apertou o pescoço de Shiva em um esforço para impedir que o veneno descesse por sua garganta. A ação do veneno tornou o pescoço de Shiva permanentemente azul, razão pela qual ele também é referido como Neelakantha ("Aquele da garganta azul").


Os Ratnas

Após o ocorrido, os Devas e os Asuras continuaram o processo da agitação do oceano de leite. O processo de agitação do oceano de leite produziu vários seres e objetos, conhecidos como ratnas, que viriam a ser repartidos entre os Devas e Asuras. A lista de ratnas produzidos variam de purana para purana, e são ligeiramente diferentes no Ramayana e no Marabharata. Os principais são:
  • Lakshmi: a deusa da beleza e da fortuna;
  • Chandra: o deus da lua;
  • Apsaras:  uma classe de ninfas divinas que ficaram do lado dos Devas;
  • Varuni/Sura: a deusa do vinho, que ficou (ainda que relutantemente) do lado dos Asuras, tornando-se consorte de Varuna;
  • Kamadhenu: a vaca sagrada, capaz de realizar qualquer desejo, tomada pelos Devas.
  • Airavata: o elefante branco, tomado por Indra, líder dos Devas;
  •  Kalpavriksha: Uma árvore também capaz de conceder desejos, também tomada por por Indra;
  • Uchhaishravas: o cavalo divino de 7 cabeças, dado ao líder dos Asuras, Bali;
  • Kaustubha: a jóia mais valiosa do mundo, tomada por Vishnu;
  • Parijat: a divina árvore florida, com flores que nunca desaparecem ou se desvanecem, levada pelos Devas para Indraloka, a morada de Indra;
  •  Amrita: o néctar da imortalidade, e o objetivo principal da agitação do oceano de leite. 
A Manifestação de Vishnu como Mohini

Após muito tempo e esforço, finalmente Amrita, emergiu do oceano, sendo trazido dentro de um pote por Dhanvatari (o médico celestial, outro avatar de Vishnu). Imediatamente, teve início um combate violento entre Devas e Asuras pela posse do mesmo. Em meio a batalha, Vishnu assumiu a forma de uma bela e encantadora donzela, chamada Mohini. Ela hipnotizou os Asuras com sua beleza e os enganou dizendo que iria distribuir o Amrita entre os Asuras e Devas de forma justa.

Mohini

Os Asuras ficaram tão perdidos na beleza de Mohini que nem sequer perceberam que Mohini estava distribuindo a Amrita somente entre os Devas. Uma Asura chamado Rahuketu compreendeu o que estava acontecendo e disfarçando-se como um Deva, foi e sentou-se entre os Devas. O deus sol Surya e o deus lua Chandra notaram o disfarce do Asura e informaram a Mohini. Mohini cortou a cabeça de Rahuketu com seu disco divino, o Sudarshana Chakra, mas como o néctar já havia passado pela sua garganta, Rahuketu não morreu. A partir desse dia, sua cabeça foi chamada Rahu e o corpo foi chamado Ketu. 

Quando finalmente perceberam que haviam sido enganados, os Asuras novamente entraram em confronto com os Devas, só que desta vez, esses haviam adquirido a imortalidade ao beber do Amrita e também readquiriram sua juventude e o seu poder. Assim, os Devas derrotaram os Asuras e retomaram o controle do universo.


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18 de outubro de 2017

Modgud

۞ ADM Sleipnir


Na mitologia nórdica, Modgud (nórdico antigo Móðguðr, literalmente "lutadora furiosa") é a jotunn guardiã da ponte Gjallarbrú ("ponte Gjoll"), localizada sobre o rio Gjöll ("turbulento"), e que dava acesso à Helheim, o reino da deusa Hel. Ela permitia que a alma dos recém-mortos atravessassem a ponte em direção ao submundo, caso ela declarasse seu nome e seus negócios, e possivelmente, impedia que os mortos além do rio cruzassem a ponte de volta para as terras dos vivos.

Mitologia

No Gylfaginning, no final do capítulo 49, a morte de Balder e Nanna é descrita. Hermod, descrito como irmão de Balder nessa fonte, parte até Helheim montado em Sleipnir, o corcel de oito patas de Odin, com o intuito de trazer seu irmão de volta a vida. Para entrar em Hel, Hermod cavalga por nove noites através de "vales tão profundos e sombrios que ele não era capaz de ver nada", até finalmente chegar no rio Gjöll e a sua ponte, Gjallarbrú, guardada por Modgud. A ponte é descrita como tendo o chão coberto de ouro brilhante. 


Hermod cruza a ponte sem maiores problemas, mas ao chegar ao final dela, é abordado por Modgud. Modgud pergunta o seu nome e o que viera fazer ali, comentando que no dia anterior cinco pessoas haviam atravessado a ponte, mas a mesma ecoou menos do que com a sua passagem (por conta do cavalgar de Sleipnir). Ela também comenta que ele não possui a cor dos mortos. Hermod se identifica, explicando a ela  que estava ali a mando de Odin para recuperar seu finado irmão, e que precisava falar com Hel pessoalmente. Modgud então lhe diz que Balder seguiu "para baixo e para o Norte" em direção a Helheim, e deixa Hermod passar. Assim, Hermod foi o primeiro e único ser vivo a cruzar a ponte em direção ao mundo dos mortos e depois voltar. 


fontes:


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16 de outubro de 2017

Cavalo de Três Pés

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

O Cavalo de Três Pés é um criatura folclórica da região Sudeste, descrita como um cavalo sem cabeça, dotado de um par de asas e de três pés. Ele é tido por alguns como uma das transformações do Saci.

De acordo com as histórias, ele aparece em encruzilhadas e estradas desertas durante a noite, correndo, voando e assombrando aqueles que encontra pelo caminho. Dizem que se uma pessoa pisar em suas pegadas, ela se tornará profundamente infeliz pelo resto da vida.


fonte:
  • Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo.

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