13 de junho de 2026

Turms

۞ ADM Sleipnir

Turms era o deus do comércio, das viagens e o mensageiro dos deuses na mitologia etrusca. Correspondia a Hermes, na mitologia grega, e a Mercúrio, na romana, sendo normalmente representado com os mesmos atributos dessas divindades, como o caduceu, o pétaso — um chapéu de abas largas frequentemente retratado com asas — e as sandálias aladas. Diferentemente de outras divindades etruscas cujos nomes derivavam do grego, como Hercle (Héracles/Hércules) e Aplu (Apolo), o nome Turms possui origem genuinamente etrusca.

Sua principal função era atuar como mensageiro de Tinia, o deus supremo do panteão etrusco, equivalente a Zeus e Júpiter. No entanto, também podia servir como intermediário entre outras divindades.

Nas representações artísticas etruscas, Turms aparece frequentemente como psicopompo, isto é, o guia das almas dos mortos para o além. Nessa função, sua imagem é encontrada em sarcófagos e monumentos funerários. Em algumas obras, ele é retratado ao lado de Charun e de Cérbero, figuras associadas ao mundo dos mortos. Em outra representação conhecida, identificada pela inscrição Turmś Aitaś (“Turms de Aita”), o deus conduz a sombra do adivinho Tirésias para que este encontre Odisseu no submundo. Turms também figura em cenas inspiradas na mitologia grega, como o Julgamento de Paris, além de episódios envolvendo Hercle e Perseu.

Afresco etrusco do Julgamento de Páris com Turms, de Cerveteri. (c) ArchaiOptix

Embora sua imagem seja relativamente comum na decoração de objetos do cotidiano, especialmente espelhos de bronze, existem poucas evidências de culto formal dedicado a ele. Ainda assim, uma inscrição votiva sugere a existência de um templo consagrado a Turms na cidade etrusca de Cortona.

O autor Bernard Combet-Farnoux (1927-2022) associou Turms ao epíteto Camilo, termo que pode ser traduzido como “servo” ou “assistente” das divindades. Essa interpretação baseia-se em comentários de autores da Antiguidade tardia, como Servius e Macróbio. Um escoliasta de Calímaco menciona ainda que “Cadmilos é Hermes na Tirrênia”, levando alguns pesquisadores a considerar Camilo e Cadmilos como variantes de uma mesma designação relacionada a Turms.

Além de sua importância na religião etrusca, Turms também aparece na literatura moderna. Seu nome foi utilizado pelo escritor finlandês Mika Waltari para um dos personagens centrais do romance histórico O Etrusco (The Etruscan no original), ambientado nos últimos anos da civilização etrusca.

fontes:

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18 de outubro de 2021

Turan

۞ ADM Sleipnir

Arte de tealines

Turan ("senhora", "ama" ou "amante") era a deusa etrusca do amor, da fertilidade e da vitalidade, e também a padroeira da cidade de Vulci (Velchi em etrusco), uma das mais importantes cidades da antiga Etrúria. Considerada a equivalente etrusca das deusas Vênus e Afrodite, Turan sobrevive no folclore como Turanna, uma espécie de espírito ou fada do amor e da felicidade que ajuda os amantes. 

Nas artes, Turan era frequentemente retratada como uma jovem donzela alada, geralmente vestida com roupas e jóias suntuosas, mas sob a influência da arte helenística durante os séc. II e III d.C., passou a ser retratada nua. Imagens dela foram retratadas em cenas de banheiro de espelhos de bronze etruscos, onde por vezes aparecia ao lado de seu jovem amante Atunis (Adônis para os gregos).

Turan e Atunis em um antigo espelho etrusco

Outras figuras que costumavam aparecer em representações da deusa eram as Lasas, deidades guardiãs na antiga religião etrusca equivalentes aos Lares romanos, que acreditava-se serem sua comitiva. Turan era ainda comumente associada a pássaros como pombos, gansos e principalmente cisnes. 

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6 de fevereiro de 2019

Tuchulcha

۞ ADM Sleipnir



Tuchulcha é um demônio do submundo pertencente a mitologia etrusca. Ele é descrito como um ser com orelhas de burro, um par de asas, um rosto com um bico de ave (um abutre ou águia) e cabelos feitos de cobras. Não existe nenhum mito sobrevivente envolvendo Tuchulcha, mas sabe-se que ele atuava como um psicopompo, ao lado de outras figuras como Vanth e Charun.

Apesar de muitos estudiosos afirmarem que ele é uma entidade masculina, na sua única representação conhecida (uma pintura de parede no túmulo de Orcus II, em Tarquinia, Itália), Tuchulcha mescla características dos dois sexos, como uma barba e um par de seios. Nesta pintura, Tuchulcha aparece em uma representação da história de These ( Teseu para os gregos) visitando o submundo. These e seu amigo Peirithous (apenas sua cabeça visível na porção sobrevivente da imagem) estão jogando um jogo de tabuleiro, assistido por Tuchulcha. 


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30 de agosto de 2017

Vanth

۞ ADM Sleipnir

Arte de Maddie

Vanth
é uma deusa etrusca que servia como psicopompo e arauta da morte. Mais tarde, à medida que a cultura etrusca se desenvolveu, ela também se tornou a deusa da justiça. 

Vanth aparece em mortes, especialmente assassinatos e outras mortes violentas. No entanto, seu papel é benevolente, guiando os mortos para seu lugar apropriado no submundo. Além de acompanhar os mortos para a vida após a morte, ela também oferece misericórdia ou ajuda aos doentes, aparecendo em seus leitos de morte para levá-los ao próximo mundo. Às vezes, Vanth também protege e vigia os heróis.

Não existe uma figura equivalente real para Vanth na mitologia grega ou romana. Ela tem sido comparada as Erínias (ou Fúrias), mas estas são seres de vingança, enquanto Vanth é um ser benevolente.


Vanth é representada nas artes como uma mulher jovem e alada, vestindo uma saia curta sem nada acima da cintura, exceto uma faixa ou cinto que cruza seu peito deixando seus seios a mostra. Ela carrega consigo uma tocha, um pergaminho, uma espada, uma chave e às vezes uma serpente. Provavelmente a tocha acende o caminho, e a chave abre as portas para o submundo. O pergaminho provavelmente contém informações sobre os mortos, possivelmente um registro de sua vida ou destino.

Vanth é uma figura muito importante na arte e religião etrusca, e provavelmente tem alguma autoridade no próximo mundo. Ela não é a líder do submundo, mas também não é uma personagem menor. Outras divindades associadas à morte e ao submundo nas tradições etruscas incluem Aita, Alpan, Artume, Atunis, Charun, Culsu, Februs, Ferspnai, Leinth, Lethans, Mania, Mantus, Thethlumth, Tuchulcha, Turns Aitas, Tvath e Vetis. 


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26 de agosto de 2016

Voltumna

۞ ADM Sleipnir


Voltumna (também conhecido como Veltune ou Veltha) foi uma importante divindade da religião etrusca, associada ao mundo subterrâneo, à fertilidade da terra, às forças da natureza e à renovação cíclica da vida. Embora sua natureza exata permaneça incerta, as fontes antigas indicam que ocupava uma posição de destaque entre os deuses etruscos. O escritor romano Varrão descreveu Voltumna como a principal divindade da Etrúria, atribuindo-lhe o título de deus Etruriae princeps (“deus supremo da Etrúria”).

Seu culto estava concentrado em Volsínios, uma das mais importantes cidades etruscas, localizada onde hoje se encontra a cidade italiana de Bolsena. As tradições relacionadas a Voltumna apresentam características variadas e, por vezes, contraditórias. Em algumas interpretações, a divindade aparece ligada à vegetação, à fertilidade e aos ciclos naturais; em outras, assume aspectos sombrios e destrutivos, associados às profundezas da terra e às forças ctônicas. Alguns estudiosos também sugerem que Voltumna possuía atributos guerreiros. A atividade vulcânica da região do Lago Bolsena era frequentemente relacionada a essas manifestações mais destrutivas do deus.

Voltumna desempenhava um papel central na vida religiosa e política dos etruscos. Todos os anos, representantes das doze principais cidades da Liga Etrusca reuniam-se no Fanum Voltumnae, um grande santuário dedicado à divindade e localizado nas proximidades de Volsínios. O local funcionava não apenas como centro de culto, mas também como espaço de encontro entre as cidades etruscas. Durante essas assembleias, era realizado um ritual no qual um prego era cravado em uma das paredes do templo, simbolizando a passagem do tempo e a renovação do calendário sagrado. Festividades e jogos também aconteciam no santuário, embora a natureza exata dessas celebrações não seja conhecida.

A influência do culto de Voltumna estendeu-se além da Etrúria. Em Roma, existia um santuário dedicado à divindade na Vicus Tuscus, uma rua tradicionalmente associada à presença etrusca na cidade, próxima ao Fórum Romano. Com o passar do tempo, Voltumna foi identificado pelos romanos com Vertumno (Vertumnus), deus das mudanças das estações, das transformações e da abundância agrícola. Essa associação permitiu que elementos do culto etrusco fossem incorporados à religião romana, preservando parte da importância que a divindade possuía entre os povos da Etrúria.

Estatueta representando Voltumna

fontes:
  • Wikipédia (em inglês); 
  • Livro "A Dictionary of Gods and Goddesses, Devils and Demons", de Manfred Lurker.

Postagem revisada e atualizada em 07/06/2026
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