12 de abril de 2022

Caballucos del Diablu

۞ ADM Sleipnir

Arte de Fabián Rivera

Os Caballucos del Diablu ("cavalinhos do diabo" no dialeto cantábrico) são seres malignos pertencentes ao folclore da Cantábria, uma comunidade autônoma pertencente à Espanha. Tratam-se de sete seres que possuem uma aparência híbrida entre um cavalo e uma libélula (geralmente apresentando somente as asas desta), sendo cada um de uma cor: vermelho, branco, azul, preto, amarelo, verde e laranja. Dizem que eles foram homens que sucumbiram aos seus pecados e perderam sua alma para o Diabo, sendo forçados a vagar pela Cantábria por toda a eternidade.

De acordo com a lenda, os Caballucos del Diablu passam um ano inteiro confinados em cavernas na região da Cantábria, de onde só tem permissão para sair durante um dia no ano: 23 de junho, véspera de São João. Neste dia, durante a noite, eles surgem nos céus em meio a chamas, fumaça e enxofre, emanando gritos terríveis e expelindo fogo de suas bocas e um forte vento frio de suas narinas. O cavalo vermelho é o maior e o mais robusto, e lidera os demais durante sua cavalgada. Os moradores que viram os caballucos dizem que todos os cavalos são montados por demônios, e o vermelho em particular é montado pelo próprio Diabo.


Eles atacam a todos que encontram pelo caminho, além de pisotear e destruir plantações. Além disso, dizem que eles se alimentam de trevos de quatro folhas, raros e considerados poderosos amuletos da sorte. Durante essa única oportunidade no ano, eles buscam encontrar o máximo de trevos de quatro folhas possível para que não só se alimentem deles, mas para que dessa forma ninguém possa encontrá-los e se beneficiar deles. 

Enquanto se alimentam ou descansam de sua jornada de terror, eventualmente os Caballucos deixam gotas de saliva caírem no chão. De acordo com a lenda, nesses locais surgem barras de ouro que, se encontradas por qualquer homem, lhes trarão sorte e as enriquecerão imensamente. Porém, quando morrerem, suas almas estarão destinadas a irem para o inferno.

Existem duas formas de evitar que os Caballucos del Diablu se aproximem de você. A primeira é trazer consigo um punhado de verbena, que precisa ser recolhida antes do anoitecer de São João, e a segunda e ficar próximo da fogueira de São João, da qual eles jamais se aproximam.

Verbena

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11 de abril de 2022

Jingwei

۞ ADM Sleipnir

Jingwei (chinês simplificado: 精卫, chinês tradicional: 精衛) é um pássaro mítico pertencente à mitologia chinesa. De acordo com a lenda, originalmente trata-se de Nü Wa (não confundir com a deusa criadora Nu Wa), a filha mais jovem do lendário Imperador da Chama, Yan Di.

Certo dia enquanto nadava no Mar Oriental (ou tentava atravessá-lo à barco, segundo algumas versões), Nü Wa acabou se afastando muito da costa e se afogando. Nesse momento, ela se metamorfoseou em um pássaro semelhante a um corvo com uma cabeça colorida, bico branco e pés vermelhos. Esse pássaro emitia um som similar a "jingwei", e daí veio o seu nome. 


Desejando que ninguém mais passasse pelo que ela passou, Nu Wa, agora como Jingwei, tornou-se determinada a soterrar o mar e, dia após dia, deixa sua morada na Montanha Faiju e parte rumo ao Mar Oriental, carregando em seu bico pequenas pedras ou gravetos retirados de montanhas próximas e os atira em suas águas. Embora o seu esforço pareça inútil, Jingwei não desiste, e segue até os dias de hoje em sua incansável tarefa. Em uma versão desse mito, Jingwei tem um pequeno diálogo com o mar onde o mesmo zomba dela, alegando que ela não seria capaz de preenchê-lo nem em um milhão de anos, após o que ela afirma que ela levará dez milhões de anos, até cem milhões de anos, o que for preciso para cobrir o mar completamente.


O mito de Jingwei é bem conhecido pela maioria do povo chinês. Muitos simpatizam com o infortúnio de Jingwei e admiram o pássaro por sua bravura, resistência e inflexibilidade. Esse mito continua a aparecer em muitos poemas, romances e dramas, combinando os diversos temas de sofrimento, coragem e recusa em aceitar a derrota. “Jingwei tenta encher o mar” tornou-se uma expressão idiomática que incentiva as pessoas a aprenderem com o espírito de Jingwei e a trabalhar com bravura e persistência, não importa o quão difícil seja a tarefa.

Representações

Além de ser representada na forma de um pássaro, Jingwei também costuma ser retratada em artes como uma criatura com forma humana e um par de asas ou como uma criatura com cabeça e torso humanos e todo o resto de um pássaro.


fontes:
  • A Chinese Bestiary : Strange Creatures from the Guideways Through Mountains and Seas, de Richard E. Strassberg;
  • Handbook of Chinese Mythology, de Lihul Yang e Deming An.

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8 de abril de 2022

Aziwugum

۞ ADM Sleipnir

Aziwugum (ou az-i-wû-gûm-ki-mukh-'ti, freqüentemente chamado de Walrus Dog, "cão morsa" em inglês) é um criptídeo canídeo com avistamentos relatados na costa do Estreito de Bering, no Alasca, bem como na Groenlândia. Ele é descrito como sendo maior do que uma morsa, possuindo um corpo longo e esbelto coberto de escamas pretas, que o tornam impenetrável a todos, exceto às melhores lanças. Ele possui ainda uma cauda longa e arredondada com três bordas e vários espinhos. 

Diz-se que o Aziwugum vive com rebanhos de morsas e age como uma espécie de protetor para elas. Ele caça peixes e focas junto com elas, e ao menor sinal de ameaça, ele açoita a água com sua cauda para alertá-las do perigo. 

Caçadores de morsas no estreito de Bering temem o Aziwugun, cujo o golpe de sua cauda pode facilmente matar um homem. O naturalista Edward William Nelson, que explorou a costa de Bering por volta da virada do século XIX para o século XX, descreveu em seu livro  The Eskimo About Bering Strait (1900) o medo do Aziguwum por parte dos inuítes, e relatou ainda que um deles teria atacado uma canoa e matado todos a bordo:

"As pessoas das ilhas do estreito de Bering me disseram que às vezes eles veem esses cães-morsas, e que seus caçadores de morsas têm muito medo deles; eles também me informaram que em uma ocasião um cão morsa atacou um umiak cheio de pessoas e matou todos eles." 

fontes:

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7 de abril de 2022

Eligor

۞ ADM Sleipnir

Arte de Izaak Rodriguez

Eligor (também Eligos ou Abigor) é de acordo com a demonologia um grande duque do inferno e possui sessenta legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é o 15º dentre os 72 espíritos de Salomão. Quando invocado, Eligor aparece diante de seu invocador como um elegante cavaleiro montando um cavalo alado, segurando em uma das mãos uma lança ou cetro com um estandarte com sua insígnia e uma serpente na outra.

Selo de Eligor

Eligor contará com prazer os segredos da vitória militar a qualquer príncipe que esteja disposto a oferecer a ele sua alma em troca. Inigualável em combate e um estrategista experiente, Eligor detém todo o conhecimento de todas as guerras já travadas no passado, além das que ocorrem no presente e ocorrerão no futuro. Ele pode ensinar líderes militares a serem respeitados por seus soldados e como ganhar o favor de lordes e cavaleiros. Ainda, se solicitado, ele revela a localização de qualquer coisa escondida.


Cultura Popular 
  • Assim como outros espíritos goetianos, Eligor aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei, aparecendo também nas franquias Persona, Final Fantasy (VII) e Castlevania (Ordem of Ecclesia);
  • Na série Ash Vs. Evil Dead (Netflix), Eligos é um demônio invocado usando o Necronomicon Ex-Mortis no episódio "Livros do Além" e é destruído por Ash no episódio "O Hospedeiro";
  • No filme Os Cavaleiros do Zodíaco: Os Guerreiros do Armagedon, Eligor é um dos anjos caídos a serviço de Lúcifer;
  • Em Tome of Magic: Pact, Shadow and True Name Magic, suplemento de Dungeons & Dragons lançado em 2006, Eligor aparece como um "vestígio" com o qual os personagens podem fazer um pacto em troca de poder. Ele é retratado vestindo armadura, carregando uma lança e montando um meio cavalo/meio dragão;
  • No filme Motoqueiro Fantasma (2007), Eligor aparece como um dos demônios servos de Blackheart. Ele era o demônio representante do elemento ar;
  • No episódio "What's My Line, Part Two" de Buffy, a Caça Vampiros, Eligor é invocado pelo vampiro Spike como parte de um ritual para restaurar a saúde de sua amante, Drusilla;
  • Eligor é o protagonista de God's Demon, um romance de Wayne Barlowe;
  • Abigor é o nome de um mobile suit em Mobile Suit Victory Gundam, pertencente ao Império Zanscare.

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6 de abril de 2022

Boi Vaquim

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Boi Vaquim é uma criatura mística oriunda da região dos pampas, que abrange parte do Rio Grande do Sul. Ela foi descrita pelo historiador Contreira Rodrigues (1884-1960) como sendo um boi alado, possuindo asas e chifres feitos de ouro (muitas vezes consideram somente seus chifres como sendo de ouro) e olhos feitos de diamante. É o terror dos campeiros, pois dizem que ele solta faíscas e chamas da ponta de seus chifres.

Aqueles corajosos o suficiente para tentar capturá-lo e assim por as mãos no ouro e nos diamantes em seu corpo, precisam ter também braços fortes e serem muito bons em laçar para que consigam dominá-lo. Além disso, precisam estar montados em cavalos bons de pata e de rédeas. Existem histórias sobre vaqueiros que partiram em busca da criatura e jamais foram vistos novamente.

Arte de Douglas Nogueira

fontes:


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5 de abril de 2022

Puntan e Fu'una

۞ ADM Sleipnir

Puntan (ou Pontan) e Fu'una (ou Fo'na) são um casal de deuses, masculino e feminino respectivamente, pertencentes ao mito de criação do povo chamoru, indígenas habitantes da ilha de Guam e das ilhas Marianas, na Micronésia. O mito é uma das histórias orais mais importantes do povo chamoru, e existem várias versões dele.

Puntan e Fu'una eram irmãos, e viveram há muito tempo antes que qualquer outra coisa existisse. Um dia, porém, Puntan sentiu que estava morrendo, e em seus últimos momentos pediu a Fu'una que usasse o seu corpo para criar o mundo. Assim que Puntam morreu, Fu'una deu início a criação. Ela usou suas costas para criar a terra, seu peito para criar o céu, o seu olho direito para criar a lua e seu olho esquerdo para criar o sol. Por último, ela usou as sobrancelhas de Puntan para criar o arco-íris. 

Fu'una havia cumprido o desejo de seu irmão, porém sentia muita falta dele. Triste e solitária, Fu'una chorava tanto que suas lágrimas encheram a terra e criaram os oceanos. Não desejando mais viver sem o irmão, Fu'una decidiu usar o próprio corpo para gerar vida no mundo criado com o corpo de Puntan. Ela lançou seu corpo na terra, e se transformou numa formação rochosa conhecida como Fouha Rock, às vezes chamado de "Ponto de Criação". Dela, emergiram os primeiros seres humanos e se espalharam por toda a terra. 

fontes:

  • https://www.guampedia.com/puntan-and-fuuna-gods-of-creation/
  • https://www.visitguam.com/blog/post/puntan-fuuna/
  • Encyclopedia of Giants and Humanoids, por Theresa Bane

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4 de abril de 2022

Alke

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Alke é um espírito pertencente ao folclore germânico, em especial ao folclore da região histórica alemã de Vestfália. Segundo a lenda, trata-se de um ser que em vida foi um homem ímpio e que não respeitava Deus ou a igreja. Eventualmente, esse homem foi punido, sendo tragado pela terra e nunca mais sendo visto por ninguém.

Mais tarde, seu espírito se transformou em uma espécie de roda de fogo ardente (ou de um dragão, segundo algumas versões), e então passou a assombrar corpos d'água, como rios e lagos. Dizem que ele costuma aparecer de repente, e que persegue aqueles que por acaso resolvam zombar dele.

fonte:

  • Encyclopedia of Norse and Germanic Folklore, Mythology, and Magic, de Claude Lecouteux.

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1 de abril de 2022

Mansalauan

۞ ADM Sleipnir

Arte de Elartwyne Estole

Mansalauan é uma criatura quimérica pertencente ao folclore filipino, em particular na ilha de Negros, no arquipélago das Visayas. Ela é descrita como sendo do tamanho de um humano comum, sendo dotada de uma cabeça de lagarto, um par de asas (geralmente descritas como sendo de morcego), além de mãos e pés de macaco. Ela possui também uma cauda cuja ponta é cheia de pelos longos e espessos, e ainda uma língua longa e afiada, a qual ela utiliza para perfurar o estômago de suas presas e sugar seus órgãos internos.

Arte de Elartwyne Estole

fontes:

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