۞ ADM Sleipnir


- MONAGHAN, P. Encyclopedia of goddesses and heroines. Novato, California: New World Library, 2014.
- MONAGHAN, P. The encyclopedia of Celtic mythology and folklore. New York, N.Y.: Checkmark Books, 2008.
Flidais
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Porco Preto

O Porco Preto é uma entidade do folclore brasileiro associada a narrativas populares das regiões Sul e Sudeste, com registros no município de Campo Largo, no estado do Paraná, e em São Luís do Paraitinga, no estado de São Paulo. Trata-se de uma criatura descrita como um porco de grandes proporções, de coloração negra intensa, que surge em estradas durante noites escuras.
Em Campo Largo, acredita-se que o Porco Preto aparece em estradas ermas, onde persegue pessoas e animais de forma agressiva. É considerado invulnerável a ataques físicos, não sendo afetado por paus, pedras ou disparos de arma de fogo. Segundo os relatos, a perseguição persiste até que a vítima alcance uma área habitada, momento em que a entidade desaparece subitamente. Já em São Luís do Paraitinga, no antigo beco do Império (atual rua da Ponte), sobre o rio Paraitinga, a tradição descreve a aparição de um grande porco negro que, à meia-noite, atravessa repetidamente a estrada de um lado a outro, sem jamais ser capturado. Nessa variante, a entidade apresenta um caráter mais elusivo do que agressivo, ressaltando sua natureza misteriosa e inatingível.

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Geochinyeo
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Geochinyeo (coreano: 거치녀; hanja: 鋸齒女, literalmente “mulher de dentes serrilhados”) é uma criatura do folclore coreano registrada em obras históricas como o Gieon (1) (coreano 기언, “Registros de Palavras”) e o Yeollyeosil Gisul (2) (coreano 연려실기술, “Registros do Pavilhão da Lamparina"). É descrita como uma figura feminina monstruosa, caracterizada por dentes semelhantes a lâminas de serra e uma aparência aterradora. Em algumas fontes, também é chamada de Gapsan-gwae (coreano 갑산괴, “monstro de Gapsan”), em referência ao local onde teria sido avistada.
Registros históricos
O principal relato envolvendo a Geochinyeo data do ano de 1583, durante o reinado do rei Seonjo, na dinastia Joseon. Nesse período, o erudito Heo Bong (1551–1588), após ser alvo de intrigas políticas, foi exilado para a região de Gapsan, na província de Hamgyeong.
Segundo a tradição, naquele verão surgiu na região uma figura feminina monstruosa, descrita como possuidora de grandes dentes serrilhados e cabelos desgrenhados. A entidade carregava um arco na mão esquerda e fogo na mão direita, compondo uma imagem incomum e aterradora. Os soldados locais teriam conseguido expulsá-la por meio de práticas rituais e militares, como o toque de tambores e o disparo de flechas.

Interpretação
A aparição da Geochinyeo é frequentemente interpretada, nas fontes tradicionais, como um presságio da Guerra Imjin (1592–1598), conflito que marcou a invasão japonesa da Coreia. A associação simbólica decorre, em parte, da análise do caractere chinês 倭 (wae), utilizado para designar os japoneses, cuja composição gráfica foi interpretada como evocando elementos semelhantes a um arco e ao fogo — atributos que a criatura portava.
Uma explicação semelhante pode ser encontrada no romance militar anônimo Imjinrok (coreano 임진록,“Registro da Guerra Imjin” ou “Crônicas do Ano Imjin”), no qual eventos sobrenaturais são frequentemente apresentados como sinais precursores de grandes acontecimentos históricos.

Notas:
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Bila
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Bila (também registrada como Belah) é a personificação do sol na mitologia do povo Adnyamathanha, da região da Cordilheira de Flinders, no sul da Austrália. Ela é descrita como uma deusa solar, refletindo uma característica comum a muitas tradições aborígenes australianas, nas quais o Sol é concebido como uma entidade feminina.
Na mitologia Adnyamathanha, Bila é retratada como uma figura perigosa e canibal. Segundo os relatos, ela iluminava o mundo ao assar suas vítimas sobre uma fogueira, sendo o fogo a origem da luz solar. Para capturar essas vítimas, Bila enviava cães negros e vermelhos, que as arrastavam até ela, e algumas narrativas afirmam que suas ações resultaram até mesmo na destruição completa de aldeias inteiras.
Esses atos despertaram a indignação dos Homens-Lagarto, figuras míticas associadas aos répteis. Entre eles destacam-se Kudnu, o goanna (lagarto-monitor), e Muda, a lagartixa. Horrorizados com o comportamento de Bila, eles a atacaram, e durante o confronto Kudnu a feriu com um bumerangue. Como consequência, Bila fugiu, retirando o Sol do céu e mergulhando o mundo na escuridão.

Para restaurar a luz, Kudnu lançou seu bumerangue em diferentes direções. Primeiro para o norte, depois para o oeste e para o sul, sem obter sucesso. Por fim, ao arremessá-lo para o leste, o bumerangue capturou Bila e a obrigou a percorrer um arco lento pelo céu, elevando-se acima do horizonte e retornando em direção ao oeste. Esse movimento passou a explicar o trajeto diário do Sol no firmamento e o retorno da luz ao mundo. Como reconhecimento pelo feito de Kudnu e pela salvação da humanidade, os Adnyamathanha passaram a tratar com respeito os lagartos, especialmente os goannas e as lagartixas, que não devem ser mortos.

fontes:
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Yun Zhongjun
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| Arte de Lu Mingshan |
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| Arte de Dongying Wu |


fontes:
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Entreaberto

O Entreaberto é uma entidade do folclore português descrita como guardiã sobrenatural de tesouros ocultos. Costuma aparecer como uma figura demoníaca ou espectral, com brasas ou fogo nas costas, sendo associada a ruínas e locais onde haveria riquezas enterradas. Os primeiros registros a seu respeito datam do século XVII, incluindo menções em processos da Inquisição. No século XIX, estudiosos como Teófilo Braga e Consiglieri Pedroso documentaram a lenda em várias regiões de Portugal.
O Entreaberto manifesta-se ao meio-dia ou à meia-noite, geralmente em locais isolados. Ao encontrar alguém, ordena que a pessoa cave um ponto no solo. Se obedecer, a vítima morre ou é soterrada. A única forma de escapar é responder “cava tu”, obrigando a entidade a cavar e revelar o tesouro antes de desaparecer. Segundo a tradição, o tesouro precisa ser “fixado” com três gotas de sangue, caso contrário se transforma em carvão ou pedra.
A lenda do Entreaberto é interpretada como um mito de origem solar ou como uma narrativa moral contra a avareza, enfatizando que riqueza fácil pode ser fatal sem astúcia e sacrifício.

fonte:
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Nzame
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Nzame (também conhecido como Nzambi) é o deus criador supremo na mitologia do povo Fang, um grupo da África Central que vive principalmente no Gabão, Camarões e Guiné Equatorial. Ele é frequentemente associado a uma tríade formada por ele mesmo, Mebere e Nkwa. Nzame representa o aspecto celestial e criador, enquanto Mebere e Nkwa estão ligados, respectivamente, aos princípios masculino e feminino da criação, associados à liderança e à beleza.
Etimologia
O nome Nzame vem da língua fang e, em versões mais antigas das histórias, podia se referir ao primeiro ser humano. Com o tempo, passou a ser entendido como o nome do deus supremo. Em outras culturas bantu da África Central existem nomes parecidos, como Nzambi ou Nzambe, mas cada povo tem suas próprias crenças. Nzame também não deve ser confundido com Nyame, divindade das tribos Ashanti e Akan.
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| Nzame (centro), Mebere (esquerda) e Nkwa (direita) |
Natureza e atributos
Na visão dos Fang, Nzame criou tudo o que existe: o céu, a Terra, o sol, a lua, as estrelas, os animais e as plantas. Ele também estabeleceu as regras que mantêm o mundo em equilíbrio, atuando como um juiz que recompensa ou pune conforme as ações dos seres.
Apesar de seu grande poder, Nzame é visto como um deus distante, que observa o mundo do céu e não interfere constantemente. Segundo essa tradição, os seres humanos possuem duas dimensões: o corpo físico, que morre, e a alma, chamada nsissim, que continua existindo após a morte.
Mitologia
A narrativa da criação começa com Nzame sozinho no vazio. Ele cria o universo e, em seguida, chama Mebere e Nkwa para ajudá-lo a organizar o mundo. Inicialmente, eles tentam estabelecer a ordem colocando três animais — o elefante, o leopardo e o macaco — como governantes da Terra, mas essa solução não se mostra eficaz. Diante disso, a tríade cria o primeiro ser humano, chamado Fam, cujo nome significa “poder”. Ele recebe força de Nzame, liderança de Mebere e beleza de Nkwa. Em algumas versões, Fam começa como um lagarto e depois se transforma em homem. Ele é escolhido para governar o mundo enquanto os deuses permanecem no céu.

Com o tempo, Fam torna-se arrogante, passa a maltratar os animais e deixa de respeitar Nzame. Como punição, Nzame destrói o mundo com trovões e relâmpagos. No entanto, Fam não morre, pois havia recebido o dom da imortalidade. Ele desaparece, mas continua existindo como uma força perigosa que pode prejudicar os seres humanos.
Após a destruição, Nzame, Mebere e Nkwa recriam o mundo. A vida retorna de forma simbólica: árvores dão origem a novas plantas, e folhas transformam-se em animais e peixes. Em seguida, criam um novo ser humano, Sekume, que, diferentemente de Fam, é mortal. Sekume torna-se o ancestral da humanidade. Ele cria sua esposa, Mbongwe, a partir de uma árvore, e juntos têm muitos filhos, que dão origem aos povos humanos.
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| Sekume e Mbongwe |
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Tapiora
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Tapiora (também conhecida como Tapiraiauara ou Tapira-Iauára, Tapioara e Tapyra’yawara), é uma entidade mítica do folclore brasileiro com origem nas tradições indígenas da Pan-Amazônia. Seu nome deriva do tupi, unindo “tapir”, que significa anta, e “iauara”, termo associado à onça, revelando sua natureza híbrida. Trata-se de um ser quimérico amplamente descrito como uma onça anfíbia, associada tanto aos rios quanto às matas densas, e presente em narrativas que atravessam gerações entre povos indígenas e comunidades ribeirinhas.
Origem e contexto cultural
A Tapiora ocupa um papel importante nas cosmologias indígenas, especialmente entre os Sateré-Mawé, que a reconhecem como uma entidade espiritual ligada à proteção da natureza. Nesse contexto, ela é entendida como uma das forças responsáveis por manter o equilíbrio entre seres humanos, animais e o ambiente, atuando como uma espécie de fiscal das leis naturais estabelecidas por Tupana, o criador. Sua presença também é registrada em relatos históricos e folclóricos da região amazônica, sobretudo nos estados do Amazonas, Rondônia e Pará, frequentemente associada ao rio Madeira e seus afluentes.
Ao longo do tempo, diferentes tradições passaram a interpretar a Tapiora como uma variação ou desdobramento da Tapyra-iauára, também chamada de anta-cachorro ou anta-onça. Em muitos relatos, ambas são vistas como manifestações de um mesmo arquétipo mítico, adaptado conforme o contexto cultural e ambiental de cada região.

Descrição e aparência
As descrições da Tapiora variam, mas mantêm elementos recorrentes que reforçam seu caráter híbrido e imponente. Em geral, é apresentada como uma criatura de grande porte, com corpo semelhante ao de uma onça, mas com cabeça e focinho de anta. Suas patas podem exibir características tanto terrestres quanto aquáticas, sendo por vezes descritas como nadadeiras ou estruturas adaptadas à locomoção em ambientes alagados. Há relatos que mencionam orelhas longas, crina espessa e uma pelagem que pode variar entre tons escuros e avermelhados.
Algumas versões acrescentam traços ainda mais incomuns, como pele lisa semelhante à de anfíbios, patas traseiras comparáveis às de um cavalo e olhos intensos que anunciam sua presença nas águas turvas. Independentemente das variações, sua aparência é sempre marcada por uma combinação de força, estranheza e imponência.
Habitat e comportamento
A Tapiora é associada a ambientes úmidos e isolados da floresta amazônica, como igarapés, igapós, lagos, charcos e aningais. Vive frequentemente submersa ou próxima à água, emergindo de forma repentina para atacar suas presas. Sua natureza é territorial e agressiva, sendo conhecida por investir contra embarcações, virar canoas e surpreender pescadores e caçadores sem aviso.

Apesar de sua ferocidade, seu comportamento não é aleatório. A criatura costuma atacar aqueles que desrespeitam as leis da natureza, especialmente caçadores que matam fêmeas grávidas ou praticam a caça de forma predatória. Em terra firme, também demonstra grande habilidade, sendo capaz de perseguir presas até árvores e até mesmo cavar o solo para derrubá-las, revelando sua persistência e força descomunal.
Atributos sobrenaturais e interpretações
Relatos atribuem à Tapiora força extraordinária e comportamento furtivo, com ataques súbitos a partir da água. Entre suas características mais marcantes está o odor extremamente intenso que exala, frequentemente comparado ao do Mapinguari, por vezes descrito como capaz de incapacitar suas vítimas. Algumas tradições mencionam a presença de um veneno associado à criatura, que, sob condições ritualísticas específicas, poderia adquirir propriedades curativas.

fontes:
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