7 de maio de 2013

Anunnaki: Deuses ou Alienígenas?

ADM Sleipnir

Postado originalmente por ۞ ADM Lenneth


Os Anunnaki e Nibiru estão entre os temas mais populares e controversos quando se fala em mitologia mesopotâmica, teorias de antigos astronautas e interpretações modernas de textos antigos. Enquanto os Anunnaki pertencem originalmente ao universo religioso da Suméria, da Babilônia e de outras culturas da Mesopotâmia, Nibiru aparece em fontes babilônicas como um conceito astronômico e cosmológico complexo. Com o tempo, porém, esses nomes foram reinterpretados por autores modernos e passaram a ser associados a extraterrestres, planetas ocultos, catástrofes cósmicas e à origem da humanidade. Este texto busca separar essas camadas, distinguindo o que pertence às fontes antigas, o que vem da tradição bíblica e o que faz parte da pseudohistória e da cultura popular contemporânea.

Os Anunnaki na mitologia mesopotâmica

Os Anunnaki, também chamados Anunna ou Anunnaku, são um grupo de divindades da religião mesopotâmica. O termo aparece em tradições sumérias, acádias, babilônicas e assírias, embora seu significado e função possam variar conforme o período, a cidade e o contexto textual. A religião mesopotâmica não possuía uma única versão fixa de seus mitos: deuses como Anu, Enlil, Enki/Ea, Inanna/Ishtar, Marduk e Ninhursag podiam ocupar posições diferentes dependendo da época e da região.

De modo geral, os Anunnaki são apresentados como deuses poderosos ligados à ordem divina, ao destino e à organização do cosmos. Em alguns textos, aparecem associados aos grandes deuses; em outros, são relacionados ao mundo inferior ou ao julgamento dos mortos. Essa variação não deve ser entendida como contradição simples, mas como parte da longa evolução da religião mesopotâmica ao longo de milênios.


Entre as divindades frequentemente relacionadas a esse universo mítico estão Anu, deus do céu; Enlil, associado ao ar, à autoridade e à realeza divina; Enki, chamado Ea em acádio, ligado às águas subterrâneas, à sabedoria, à magia e à proteção da humanidade; e Ninhursag, Ninmah ou Nintu, deusa-mãe associada à fertilidade e à criação. O Metropolitan Museum of Art observa que, a partir do segundo milênio a.C., teólogos babilônicos organizavam os grandes deuses em uma hierarquia simbólica, na qual Anu, Enlil e Ea ocupavam posições de destaque.

A criação da humanidade nos mitos mesopotâmicos

Um dos elementos que mais influenciaram interpretações modernas sobre os Anunnaki é a ideia, presente em alguns mitos mesopotâmicos, de que os seres humanos foram criados para aliviar o trabalho dos deuses. No mito de Atrahasis, por exemplo, os deuses menores se cansam do trabalho pesado, especialmente da escavação de canais e da manutenção da terra. A solução encontrada é a criação da humanidade, que passa a assumir parte desse serviço.

Essa ideia também aparece em outras narrativas de criação mesopotâmicas. Em “Enki e Ninmah”, segundo o Metropolitan Museum of Art, os deuses menores reclamam do trabalho, e Enki é chamado a criar seres humanos como substitutos. Nessa tradição, a criação ocorre por meio de linguagem mítica, envolvendo barro, útero divino e ação criadora dos deuses, não engenharia genética, laboratórios ou intervenção extraterrestre.

No Enuma Elish, o grande poema babilônico da criação, a humanidade também é criada para servir aos deuses. O texto, porém, tem outro foco principal: exaltar Marduk como deus supremo da Babilônia e apresentar a formação do mundo a partir de sua vitória sobre Tiamat, a personificação das águas primordiais. O poema não descreve Tiamat como um planeta físico destruído por outro corpo celeste, mas como uma entidade mítica derrotada por Marduk, que usa seu corpo para ordenar o cosmos.

O que é Nibiru nas fontes antigas


Nibiru, ou Nēbiru, é um termo da astronomia e da cosmologia babilônica. Ele está associado à ideia de “travessia”, “cruzamento” ou ponto de referência celeste, mas sua interpretação é complexa. Em textos babilônicos, Nēbiru pode estar relacionado a Marduk e a fenômenos astronômicos, sendo identificado em alguns contextos com corpos celestes como Júpiter ou com objetos visíveis ligados a posições importantes do céu.

Por isso, é incorreto afirmar que os antigos sumérios descreviam Nibiru como um planeta habitado por extraterrestres, com órbita de 3.600 anos, responsável por catástrofes periódicas na Terra. Essa leitura não corresponde ao modo como o termo aparece nas fontes cuneiformes conhecidas. A associação de Nibiru com um planeta errante, lar dos Anunnaki, pertence a interpretações modernas, não ao consenso da Assiriologia ou da história das religiões mesopotâmicas.

A teoria moderna dos antigos astronautas

A versão mais famosa que transforma os Anunnaki em extraterrestres foi popularizada por Zecharia Sitchin, especialmente a partir de seu livro The 12th Planet, publicado originalmente em 1976. Nessa interpretação, Nibiru seria um planeta ainda desconhecido do Sistema Solar, os Anunnaki seriam visitantes vindos desse mundo e a humanidade teria sido criada por manipulação genética para servir como mão de obra na mineração de ouro.

Essa narrativa se tornou muito influente em livros esotéricos, documentários sensacionalistas, fóruns de internet e teorias conspiratórias. Ela combina nomes reais da mitologia mesopotâmica, passagens bíblicas, especulações astronômicas e ideias de ficção científica. No entanto, sua popularidade não significa que seja aceita pelos especialistas. As fontes antigas tratam os Anunnaki como deuses, não como astronautas; Nibiru não é descrito como um planeta habitado; e não há evidências arqueológicas de uma civilização alienígena minerando ouro na pré-história.

Nibiru, Planeta X e a NASA

Outro ponto importante é a confusão entre Nibiru e o chamado “Planeta X” ou “Planeta Nove”. A NASA usa esses nomes para discutir hipóteses astronômicas sobre um possível planeta distante, ainda não descoberto, que poderia ajudar a explicar certas órbitas incomuns de objetos no Cinturão de Kuiper. Essa hipótese não tem relação com o Nibiru das teorias conspiratórias. Segundo a própria NASA, o chamado Planeta X ou Planeta Nove ainda não foi descoberto, e sua existência permanece em debate.

A NASA também esclarece que, caso esse planeta hipotético exista, ele estaria extremamente distante e não teria chance de colidir com a Terra ou provocar “dias de escuridão”. Portanto, não há base científica para afirmar que Nibiru foi avistado pela NASA, que estaria se aproximando da Terra ou que seria responsável por catástrofes periódicas.

A ciência moderna também não confirma a ideia de que a Lua teria sido uma antiga lua de Nibiru capturada pela Terra, nem que o cinturão de asteroides teria surgido da destruição de um planeta chamado Tiamat. A hipótese mais aceita para a origem da Lua envolve um grande impacto no início da história do Sistema Solar, enquanto os asteroides são descritos pela NASA como remanescentes rochosos da formação do Sistema Solar, há cerca de 4,6 bilhões de anos.

A relação com a Bíblia e os Nefilins

As teorias modernas sobre os Anunnaki também costumam associá-los aos Nefilins, mencionados no livro do Gênesis, e aos “filhos de Deus” que teriam se unido às “filhas dos homens”. Essa passagem bíblica é breve, enigmática e recebeu diferentes interpretações ao longo da história judaica, cristã e acadêmica. Em Números, os Nefilins também aparecem associados aos filhos de Anaque, descritos como figuras de grande estatura.

Essas passagens podem ser estudadas em diálogo com tradições do Antigo Oriente Próximo, incluindo mitos mesopotâmicos sobre dilúvio, heróis antigos e seres semidivinos. No entanto, não há base segura para identificar diretamente os Nefilins bíblicos com astronautas, Anunnaki extraterrestres ou híbridos genéticos. Essa associação pertence à literatura especulativa moderna, não ao texto bíblico em si nem às fontes mesopotâmicas antigas.

O dilúvio mesopotâmico e suas releituras

A tradição mesopotâmica preservou importantes narrativas de dilúvio, como as histórias de Atrahasis, Utnapishtim e Ziusudra. Nelas, os deuses decidem destruir a humanidade, mas um sobrevivente é advertido e constrói uma embarcação para escapar da catástrofe. Esses mitos apresentam paralelos evidentes com a narrativa bíblica de Noé, embora cada tradição possua seu próprio contexto religioso e literário.

Nas teorias dos antigos astronautas, essas histórias são reinterpretadas como memórias de uma catástrofe causada pela passagem de Nibiru. Essa leitura, porém, não é sustentada pelas fontes antigas. Nos textos mesopotâmicos, o dilúvio pertence ao campo da narrativa mítica e teológica: ele expressa conflitos entre deuses, limites impostos à humanidade e temas como mortalidade, obediência, ruído, excesso populacional e restauração da ordem.

A influência na cultura popular

Apesar de sua falta de aceitação acadêmica, a versão alienígena dos Anunnaki se tornou muito popular. Ela aparece em livros de pseudohistória, vídeos sobre conspirações, documentários televisivos, fóruns esotéricos, jogos, quadrinhos e obras de ficção científica. Parte de seu apelo vem da mistura entre mistério arqueológico, mitologia antiga, linguagem bíblica e imaginação espacial.

Essa popularidade também mostra como os mitos antigos continuam sendo reinterpretados em novos contextos. No caso dos Anunnaki, nomes de deuses reais da Mesopotâmia foram deslocados para uma narrativa moderna sobre extraterrestres, planetas ocultos e engenharia genética. Por isso, o tema pode ser estudado não apenas como mitologia antiga, mas também como exemplo de recepção moderna dos mitos, pseudociência e cultura conspiratória contemporânea.

Arte: Metal Depot

fontes:

✦ Texto revisado Este artigo foi revisado e atualizado pelo Portal dos Mitos em .Este texto substitui uma versão antiga da postagem, publicada há mais de uma década, que apresentava teorias modernas sobre Nibiru e os Anunnaki como se fossem fatos históricos, astronômicos ou mitológicos confirmados. A versão anterior misturava mitologia mesopotâmica, Bíblia, astronomia, catastrofismo e teorias de antigos astronautas sem separar fontes antigas, interpretações modernas e especulação. Nesta revisão, o tema é tratado de forma crítica, distinguindo o que aparece nas tradições mesopotâmicas antigas daquilo que pertence à pseudohistória, ao esoterismo moderno e à cultura popular.
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22 comentários:

  1. Eu respeito todas as crenças mas, minha religião, é dúvida!Bela matéria!!!Parabéns

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  2. ACREDITO SIM!! ACHO ATÉ Q/ ESTA SITUAÇÃO Q/ VIVEMOS COM FALTA DE AMOR A NOS MESMOS DEVA-SE AO FATO DE NO FUNDO NO FUNDO SERMOS APENAS EXPERENCIA GENETICA MAL SUCEDIDA!!!

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    1. ADM Lenneth: rs' tbm acho q fomos um pouco mal feitos

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    2. Eu acredito é muito , que vinhemos de uma experiencia, somos seres estranhos ,e um dia gostaria muito que outras pessoas acreditassem na VERDADE

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    3. Fomos feitos a imagem e semelhança do pai que nos criou ... E pelo visto, esse pai Anunnaki era arrogante, vaidoso e desejoso de poder a ponto de gostar de ser tratado como um Deus ...

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  3. ÓTIMA MATÉRIA, FALTOU CITAR O SR. ZACARIAS SITHIN, Q/ DECODIFICOU VÁRIAS PASSAGENS DAS TÁBUAS SUMÉRIAS, DOCUMENTANDO NOSSA VERDADEIRA ORIGEM...!!! E AFIRMO MAIS: "ELES AINDA NOS OBSERVAM e AINDA HÁ DELES ENTRE NÓS..."

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  4. Muita imaginação hem para relatar essa passagem dos desconhecidos humanóide s(annunakis) no Planeta Terra.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. ADM Lenneth: Imaginação nao. Fato, pesquisa e vivencia...

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    3. Essa imaginação toda foi escrita em tábuas de barro e encontradas na biblioteca de Nínive, então, é uma imaginação bem persistente e detalhada ... Busque a respeito....

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  5. eu acredito sim e não vejonenhum mal em acreditar as provas estão ai nos nossos olhos a biblia explica as placas de ceramicas foram achadas e uma parte traduzia mais poucas foram trazidas a luz não sei porque talvez o motim pode ser maior que foi quem sabe explica mais que as provas existem existem

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  6. o Egito antigo também tem fortes vínculos com os annunakis pesquisem e verão as coincidências. ta na cara

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  7. Toda a tese dos antigos astronautas guarda íntima relação com a "mitologia" Suméria. Por outro lado, os anjos caídos, a simbólica historieta de Caim e Abel, as bases filosóficas dos filhos do fogo e dos filhos da água, os filhos da viúva etc etc etc, bem parecem ter raízes nessa fonte. MERECE ESTUDO SÉRIO.

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  8. Ha reais indicacoes de que o jardim do Eden pode estar situado no Golfo Persico. Muito interessante!

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  9. Eu ja tinha visto tais teorias atraves do precursor sr (Zacharia Sitchin),e confesso que me chamou bastante atenção, ja que gosto de coisas baseadas em fundamentos! Mas como tambem gosto de questionar,me perguntar , refletir, gostaria de deixar aqui uma de muitas questões que tenho a respeito; sendo estes seres de certa forma nossos criadores,e estando eles anos luz a nossa frente em relação ao conhecimento, e mesmo estando o seu planeta vagando em orbitas distantes, não teriam eles um meio de manterem relacionamento (contato),com todos nos,pobres mortais?

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    1. ADM Lenneth: Existe indícios de que ha contato, porem, muito cautelosos.

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    2. Por que cauteloso?
      É certo que somos fruto de um trabalho estupendo.
      Não há coincidencias. Por que nos deixam no limbo?
      Se não estamos mais nas cavernas. já estamos nos confins do nosso sistema solar. manipulando células tronco. Se alguém puder me respondam, por favor.

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    3. Infelizmente o mundo não está pronto para tal evento. Provavelmente existe algo que os impeça. Não ha como saber de fato, ter certeza absoluta. Só podemos nos basear nas pesquisas e estudo. No final de td, fica a critério de cada um. O pq e pq.
      OBS: Para eles ainda estamos em cavernas. Esses feitos não são nada, ainda temos muito que aprender para compreender tal especie.

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