۞ ADM Sleipnir
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| Arte de Pascal Quidault |
Bastet (também chamada de Bast) era uma divindade da antiga religião egípcia, associada sobretudo à proteção, à realeza e ao poder solar. Em períodos posteriores, sua relação com os gatos domésticos tornou-se particularmente importante, assim como seus aspectos maternais e sua associação com a fertilidade. Seu principal centro de culto foi Bubastis, no delta do Nilo.
Embora seja conhecida principalmente por suas representações como gata ou mulher com cabeça de gata, essa iconografia pertence a uma fase relativamente tardia de seu culto. Durante grande parte da história egípcia, Bastet possuía caráter leonino e era representada como uma mulher com cabeça de leoa.
O nome da deusa costuma ser transliterado do egípcio como bꜣstt. Como a escrita egípcia geralmente não registrava todas as vogais, sua pronúncia original não pode ser estabelecida com certeza. Há uma proposta etimológica que relaciona o nome a um termo egípcio para um recipiente de unguentos, mas essa interpretação não é uma tradução comprovada.
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| Arte de Raul Maldonado |
Registros antigos e culto em Bubastis
Os registros conhecidos de Bastet remontam à II Dinastia, no início do terceiro milênio aEC. Inscrições encontradas em vasos de pedra de Saqqara já mencionam a deusa durante o reinado de Hotepsekhemwy, aproximadamente em 2800 aEC. As evidências mais antigas conhecidas, portanto, não procedem de Bubastis. A presença da deusa nessa cidade está documentada pelo menos desde o reinado de Pepi I, da VI Dinastia. Um lintel ligado ao culto desse rei mostra Bastet ao lado de Hathor.
Bubastis corresponde à atual Tell Basta, no sudeste do delta do Nilo. Seu nome grego deriva do egípcio Per-Bastet, “Casa de Bastet”. A cidade se tornaria o principal centro religioso dedicado à deusa. Durante o Reino Novo, também foi capital do 18.º nomo, uma das divisões administrativas do Baixo Egito. Mais tarde, durante a XXII Dinastia, no Terceiro Período Intermediário, Bubastis adquiriu grande importância política e exerceu função de capital.
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| Tell Basta |
Da leoa à gata
Durante grande parte da história egípcia, Bastet foi representada em forma leonina, frequentemente como uma mulher com cabeça de leoa. Esse aspecto estava relacionado, entre outras funções, ao seu caráter protetor. Uma de suas antigas funções aparece na Instrução Lealista, composição do Reino Médio. O texto compara o rei a Bastet quando ele protege as Duas Terras e a Sekhmet quando pune aqueles que desobedecem às suas ordens.
A associação de Bastet com a realeza também aparece no complexo funerário do faraó Quéfren, em Gizé. No templo do vale, Bastet e Hathor são relacionadas às duas partes do Egito: a entrada norte é associada a Bastet e ao Baixo Egito, enquanto a entrada sul é associada a Hathor e ao Alto Egito.
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| Arte de Melissa Neumaier |
Bastet também fazia parte do grupo de deusas associado ao Olho de Rá, manifestação do poder do deus solar, e podia ser considerada sua filha. Como ocorria com outras divindades egípcias, suas relações familiares podiam variar conforme o contexto religioso. No capítulo 17 do Livro dos Mortos, por exemplo, Nefertem é chamado de "filho de Bast". Outras tradições apresentam Bastet como mãe de Mihos, também conhecido como Maahes, uma divindade leonina.
No início do primeiro milênio aEC, representações de Bastet como gata ou mulher com cabeça de gata tornaram-se cada vez mais características, embora sua antiga forma leonina não tenha desaparecido. Seus aspectos maternais ganharam maior destaque, assim como sua associação com a fertilidade.
Símbolos e atributos
Representações tardias de Bastet mostram a deusa acompanhada por diferentes objetos. Entre eles está o sistro, instrumento ritual semelhante a um chocalho. Algumas imagens apresentam ainda uma égide com cabeça leonina e, em certos casos, um pequeno cesto.
Música e dança também aparecem relacionadas às celebrações em sua homenagem. Heródoto descreve esses elementos entre as festividades realizadas durante a viagem dos peregrinos a Bubastis.
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| Arte de Badhead-Gadroon |
Bastet e o Olho Udjat
Uma tradição relacionada a Bubastis foi preservada no Papiro de Brooklyn, do século VII aEC. O documento reúne tradições religiosas locais do delta do Nilo e contém uma seção dedicada à cidade e à sua deusa.
Na parte dedicada a Bubastis, Bastet também recebe o nome de Horit. Seth havia tomado o Olho Udjat, um elemento sagrado da religião egípcia, e Bastet o recupera. Depois disso, a deusa é conduzida em triunfo pelos canais sagrados de seu templo.
O relato de Heródoto
Uma das descrições antigas mais conhecidas do culto de Bastet foi registrada pelo historiador grego Heródoto no século V aEC. Segundo ele, peregrinos viajavam de barco até Bubastis para participar de um grande festival dedicado à deusa. Durante a viagem, os participantes cantavam, tocavam instrumentos e dançavam. O vinho também fazia parte das festividades, que incluíam celebrações e sacrifícios em Bubastis. Heródoto atribui ao festival a participação de 700 mil pessoas, o que deve ser entendido como parte de seu relato, e não como uma contagem historicamente comprovada.
Heródoto dedicou também uma descrição detalhada ao templo de Bastet. Embora afirmasse que havia no Egito templos maiores e mais dispendiosos, considerava o de Bubástis especialmente agradável aos olhos. Descreveu canais ladeados por árvores, um recinto decorado, um bosque no interior do complexo e uma ampla via pavimentada que conduzia ao santuário. Escavações modernas revelaram diferentes fases de construção do templo e numerosas evidências do culto.
O autor identificou ainda Bastet com a deusa grega Ártemis. Essa comparação refletia a prática grega de estabelecer correspondências entre suas próprias divindades e as de outros povos, mas não significa que Bastet e Ártemis fossem originalmente a mesma deusa.
Gatos, oferendas e múmias
Com o desenvolvimento da associação de Bastet aos gatos domésticos, estatuetas de bronze representando felinos e gatos mumificados tornaram-se importantes oferendas religiosas. Esses objetos constituem parte significativa das evidências preservadas sobre o culto felino no Egito. A relação entre Bastet e os gatos possui, portanto, ampla documentação, mas pertence principalmente às fases mais tardias de seu culto. A imagem popular da “deusa dos gatos” representa apenas uma parte de uma história religiosa muito mais longa.
A forte reverência dedicada aos gatos também aparece em fontes antigas tardias. No século I aEC, Diodoro da Sicília afirmou que matar um gato, mesmo acidentalmente, podia provocar a morte do responsável pelas mãos da multidão. Ele relata ter presenciado no Egito o caso de um romano morto depois de matar acidentalmente um desses animais.
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| Arte de Zoey Zhou |
O Grande Gato do Livro dos Mortos
Bastet é por vezes identificada com o Grande Gato que enfrenta a serpente Apep (ou Apófis) no capítulo 17 do Livro dos Mortos. O próprio texto, porém, não faz essa identificação. Nessa passagem, o Grande Gato é identificado principalmente como Rá, enquanto uma variante o identifica como Shu.
Cultura popular
Bastet/Bast aparece em diferentes obras contemporâneas, geralmente em versões que adaptam livremente elementos da divindade egípcia. Uma das releituras mais conhecidas ocorre no universo do Pantera Negra, da Marvel. Nesses quadrinhos, Bast é apresentada como a Deusa Pantera e uma das principais divindades de Wakanda, estando diretamente relacionada à tradição do Pantera Negra.
A personagem também foi incorporada ao universo cinematográfico da Marvel: no início de Pantera Negra (2018), a tradição de Wakanda atribui a Bast a orientação que levou um guerreiro até a Erva em Forma de Coração, ligada à origem do primeiro Pantera Negra.
Na literatura juvenil, Bast é uma personagem recorrente de As Crônicas dos Kane (The Kane Chronicles), trilogia de Rick Riordan baseada em releituras da mitologia e da religião do antigo Egito. Nessa série, ela é apresentada como deusa dos felinos e participa dos três volumes da história.
Bast também aparece no universo dos quadrinhos de The Sandman. Em 2003, a personagem recebeu a minissérie de três edições The Sandman Presents: Bast, publicada originalmente pelo selo Vertigo. A obra desenvolve uma versão ficcional da deusa cuja existência e poder estão relacionados à permanência de seus adoradores.
Nos jogos eletrônicos, Bastet integra o elenco do moba SMITE, no qual aparece como uma divindade jogável do panteão egípcio, apresentada como “Deusa dos Gatos”.
Bast também está presente no jogo de estratégia Age of Mythology, no qual figura entre as divindades menores da civilização egípcia. A personagem permaneceu em Age of Mythology: Retold, releitura moderna do jogo, onde está associada a elementos próprios de sua mecânica, como o poder denominado Eclipse e tecnologias relacionadas aos gatos.
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| Bast (Age of Mythology) |
fontes:
- LANGE-ATHINODOROU, Eva. The Goddess Bastet and the Cult of Feline Deities in the Nile Delta. American Research Center in Egypt. Disponível em: <https://arce.org/resource/goddess-bastet-and-cult-feline-deities-nile-delta/>;
- Tell Basta Project. University of Würzburg. Disponível em: <https://www.phil.uni-wuerzburg.de/en/tell-basta-bubastis/>;
- The Temple of Bastet. Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito. Disponível em: <https://egymonuments.gov.eg/monuments/the-temple-of-bastet/>;
- HERÓDOTO. Histórias, livro II, 59–60, 67, 137–138. Disponível em: <https://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Herodotus/2a%2A.html> e <https://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Herodotus/2b%2A.html>;
- Livro dos Mortos, capítulo 17. UCL Digital Egypt. Disponível em: <https://www.ucl.ac.uk/museums-static/digitalegypt/literature/religious/bd17.html>.
- HILL, J. Bast. In: Ancient Egypt Online. 2010. Disponível em: <https://ancientegyptonline.co.uk/bast/>;
- BASTET. In: Comic Vine. [S. l.]: Fandom, [20--?]. Disponível em: <https://comicvine.gamespot.com/bastet/4005-22575/>.
Bastet







Vale lembrar também que em muitas histórias Sekhemet é a face raivosa da deusa Bastet.
ResponderExcluirEu adoraria ver a historia de como Bastet matou Apophis
Aparentemente o visual do deus da destruição Bills de Dragon Bsll é inspirado na deusa, com sua forma felina e vestuário.
ResponderExcluirA maioria dos pesquisadores vêem Bastet e shekmet como deusas distintas e não como duas faces de uma só.
ResponderExcluirDaora
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