23 de abril de 2014

Xangô

۞ ADM Sleipnir



Xangô (Shango ou Sango) é o deus/orixá do trovão e o ancestral do povo iorubá. Líder do panteão orixá, domina sobre o trovão, o fogo, a percussão, a dança e a virilidade masculina. Xangô é sincretizado com São Jerônimo, no Brasil, e com Santa Bárbara, em Cuba.  Ele é dito ter sido um rei iorubá, filho de Oranian, e que após a morte, foi elevado ao status divino. Xangô, no seu aspecto divino, permanece filho de Oranian, divinizado, porém tendo Iemanjá como mãe e três divindades como esposas: Oyá, Oxum e Obá.  

Sua esposa favorita (por suas habilidades culinárias) é Oxum, uma deusa do rio. Sua outra mulher, Obá (outra deusa do rio), ofereceu a Xangô seu próprio ouvido como refeição. Ele a desprezou e ela tornou-se o rio Obá, que se funde com o rio Oxum para formar corredeiras perigosas, as quais acredita-se serem a manifestação física de seu ódio ao longo da vida por Oxum.. Por último, Oyá era a terceira esposa de Xangô, e foi a única das três que conseguiu aprender os segredos de sua poderosa magia.



Atributos

Xangô é normalmente retratado com um machado duplo na cabeça, seis olhos, e às vezes três cabeças. Seu animal simbólico é o carneiro, cujos berros lembram o som de um trovão, e suas cores são vermelho e branco. Seus servos são Afefe, o vento, e Oxumarê, o arco-íris., cujo dever é  levar água da Terra para o palácio de Xangô no céu.  Foi Xangô quem criou o culto aos Egunguns (epíritos ancestrais iorubás) e é o único orixá que, verdadeiramente exerce poder sobre os Egunguns. 

Ele é o orixá da justiça, da retidão, do equilíbrio e determinação, que abomina os mentirosos, os ladrões e os bandidos. Por este motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Xangô. O proprietário deve pagar pesadas multas ao sacerdotes do orixá que vêm procurar, nos escombros, os Edun Ará ( pedras de raio) lançados por Xangô e enterradas no local onde o solo foi atingido. Os Edun Ará são colocados sobre um pilão de madeira esculpido (odô), consagrado à Xangô. Tais pedras são consideradas emanações de Xangô e contém o seu Axé - o seu poder. O sangue dos animais sacrificados é derramado, em parte, sobre essas pedras para manter-lhe a força e a potência. O carneiro, cuja chifrada tem a rapidez comparada à do raio, é o animal cujo o sacrifício mais lhe convêm. 




Mitos

O Reinado de Xangô e o seu retorno ao Orum

Xangô era filho de Oranian, e governou a cidade-reino de Oyo em tempos antigos como o seu quarto rei. Ele foi elevado ao status de divindade após sua morte. Segundo a história, Xangô era um rei poderoso, porém tirânico e muito temido por seus súditos. Dizia-se que quando ele falava, cuspia fogo e soltava faíscas pelo nariz. Em um relato, após Xangô descobrir um talismã que lhe permitia fazer descer raios dos céus, ele involuntariamente destruiu seu próprio palácio com ele. A maioria de suas esposas e filhos foram mortos. Xangô ficou tão devastado por sua perda que ele entrou na floresta e se enforcou em  uma árvore Ayan, cuja madeira era usada para fazer cabos de machado. 

Em outro conto, Xangô ficou com ciúmes quando seus súditos elogiaram dois de seus comandantes - chamados Timi e Gbonka - de forma mais exaltada do que faziam com ele. Xangô resolveu se livrar deles, e resolveu primeiro enviar Timi até a cidade de Ede para subjulga-la, acreditando ser certo que Timi morreria.

Mas aconteceu exatamente o contrário: o exército de Timi derrotou todos os guerreiros de Ede, e ele assumiu a cidade como seu novo rei. Sob seu governo, Ede se tornou forte e famosa. Com ciúmes do sucesso de Timi, Xangô ordenou que Gbonka desafiasse Timi em uma batalha. Gbonka desafia e derrota Timi, e depois o leva de volta para Oyo, onde Xangô ordena que os dois lutem até a morte. Gbonka derrota Timi novamente, mas ele se recusou a matar seu amigo. Xangô novamente ordena que Gbonka lute contra Timi até a morte.

Gbonka advertiu Xangô que, se ele derrotasse Timi novamente, a próxima batalha seria entre ele e Xangô, e um deles teria de deixar Oyo para sempre. Gbonka derrotou Timi pela última vez e cortou-lhe a cabeça, a qual ele jogou com desprezo no colo de Xangô. Enfurecido, Xangô condenou Gbonka à morte pelo fogo. No entanto, as chamas não causavam dano algo à Gbonka. Ele saiu do meio das chamas e ordenou que Xangô deixasse Oyo para sempre. Xangô deixa a cidade e no fim se enforca em uma árvore Ayan. Durante uma grande tempestade que caiu em Oyo , a voz de Xangô veio dos céus declarando que ele não tinha morrido, mas voltou para Orum,  o lar dos orixás. Acreditava-se que Xangô continuou a manter os olhos em Oyo e punia as pessoas que falavam contra ele, fulminando-as com um raio.

Xangô rouba Oya de Ogum

Oyá vivia com Ogum antes de ser mulher de Xangô. Ela ajudava Ogum no seu trabalho, carregando seus instrumentos e manejando o fole para acender o fogo da forja. Um dia Ogum deu a Oyá uma vara de ferro igual a que lhe pertencia, que tinha o poder de dividir os homens em sete partes e as mulheres em nove partes, caso estas se tocassem em uma briga. Xangô gostava de sentar-se perto da forja para apreciar Ogum bater o ferro, e sempre lançava seus olhares a Oyá; ela por sua vez, também lançava olhares a Xangô.

Xangô era muito elegante, seus cabelos eram trançados, usava brincos, colares e pulseiras. Sua imponência e seu poder impressionavam Oyá. Um dia Oyá e Xangô fugiram e Ogum lançou-se em perseguição a eles. Encontrando os fugitivos, brandiu sua vara mágica, Oyá fez o mesmo e elas se tocaram ao mesmo tempo. E assim Ogum foi dividido em sete partes e Oyá em nove partes, recebendo ele o nome de Ogum Mejé e ela o de Iansã, cuja origem vem de Iyámésàn, "a mãe transformada em nove".




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2 comentários:



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