Mokosh (também grafada Mokoš, Mokos, Makosh ou Mokosha) é uma divindade da mitologia eslava, conhecida sobretudo por fontes eslavas orientais medievais. Ela é frequentemente interpretada como uma deusa ligada à umidade, à fertilidade, à terra, à água e às atividades femininas, como a fiação, a tecelagem e o cuidado com a lã.
Mokosh ocupa um lugar singular na antiga religião eslava oriental por ser a única divindade feminina mencionada entre os ídolos erguidos por Vladimir, o Grande, em Kiev. Embora seu nome apareça em fontes medievais, essas referências não preservam narrativas completas sobre sua função, culto ou mitologia. Grande parte de sua imagem atual resulta da combinação entre registros medievais, estudos linguísticos, tradições folclóricas posteriores e reconstruções modernas.
Nome e etimologia
O nome Mokosh é geralmente relacionado à raiz protoeslava mok-, associada à umidade, à água e a lugares molhados ou pantanosos. A forma do nome é explicada por alguns estudiosos como derivada dessa raiz com o sufixo -ošь, indicando uma figura caracterizada pela umidade.
Essa interpretação ajuda a explicar sua ligação com a fertilidade, a terra úmida, a chuva e a força geradora da natureza. Por causa dessa relação com a umidade e a terra fértil, Mokosh também é frequentemente aproximada de Mat Syra Zemlya, a “Mãe Terra Úmida” do folclore eslavo oriental. Essa aproximação reforça sua imagem como divindade ligada à continuidade da vida, à fecundidade e aos ciclos naturais.
Fontes medievais
A principal menção a Mokosh aparece na Crônica Primária, texto compilado no início do século XII. Segundo a crônica, Vladimir, o Grande, mandou erguer em Kiev imagens de Perun, Khors, Dazhbog, Stribog, Simargl e Mokosh. Essa passagem indica que ela fazia parte do conjunto de divindades cultuadas oficialmente na Rus’ de Kiev antes da cristianização.
Mokosh também é mencionada em textos cristãos medievais que condenavam práticas consideradas pagãs. Esses textos não explicam sua mitologia, mas mostram que seu nome continuou presente na memória religiosa popular mesmo depois da adoção do cristianismo.
Em documentos confessionais do século XVI, aparece uma pergunta dirigida aos fiéis: “Você foi a Mokusha?”. Essa referência costuma ser entendida como menção a uma curandeira, feiticeira ou mulher procurada para práticas mágicas. O dado mostra que nomes próximos ao de Mokosh continuaram circulando em contextos ligados à religiosidade popular e à magia doméstica.
Fiação, lã e trabalho feminino
Em tradições posteriores, Mokosh foi associada ao trabalho feminino, especialmente à fiação, à tecelagem, ao linho, à lã e ao cuidado com as ovelhas. No norte da Rússia, essa associação aparece em figuras folclóricas chamadas Mokysha, Mokusha ou Mokosha, descritas como espíritos domésticos ligados à fiação noturna e à tosquia dos animais.
Mokusha costuma ser descrita como uma mulher alta, de cabeça grande e braços longos, que aparece durante a noite para fiar, mexer em objetos da casa ou interferir nas tarefas domésticas. Essa tradição aproximou Mokosh do universo da casa, da produção têxtil e das atividades femininas do cotidiano.
A ligação com a fiação também fez com que Mokosh fosse associada, em algumas interpretações, ao destino. Em várias tradições europeias, o ato de fiar é usado como imagem simbólica da vida humana, como se a existência fosse um fio tecido ou cortado ao longo do tempo.
Mokosh e o folclore cristianizado
Após a cristianização dos povos eslavos orientais, parte das funções ligadas a Mokosh passou a ser associada a figuras cristãs populares, especialmente Santa Paraskeva, também chamada de Paraskeva Friday. No folclore, Santa Paraskeva aparece relacionada à sexta-feira, à água, à cura, às mulheres e a trabalhos como a fiação e a tecelagem.
Por causa dessas semelhanças, muitos estudiosos veem no culto popular de Paraskeva uma continuação ou transformação de antigos elementos ligados a Mokosh. Em algumas tradições, a Virgem Maria também assumiu funções relacionadas à fertilidade, à proteção das mulheres e à terra.
Representações e símbolos
Mokosh é frequentemente associada à terra fértil, à água, à umidade, à abundância e ao trabalho feminino. Em interpretações modernas, também aparece como protetora das mulheres, da maternidade, dos trabalhos domésticos e da produção têxtil.
Figuras femininas com os braços erguidos, ladeadas por cavalos, aves, veados ou outros animais, aparecem em bordados tradicionais do norte da Rússia e de outras regiões eslavas. Essas imagens são interpretadas por alguns estudiosos como possíveis ecos de antigas divindades femininas da fertilidade, entre elas Mokosh. No entanto, elas pertencem principalmente ao campo da arte popular e da interpretação simbólica posterior.
Toponímia e permanência do nome
O nome de Mokosh também foi associado a nomes de lugares em regiões eslavas, como Mokošín, na atual República Tcheca, e Mokoszyn e Mokosznica, em áreas polonesas. Esses nomes são frequentemente citados como indícios da antiga circulação do nome, embora nem todos possam ser ligados diretamente à deusa.
Muito bem feito o Portal dos Mitos, parabéns.
ResponderExcluirObrigado!
ExcluirPortal dos mitos vocês são incriveis,mas por favor vocês poderiam falar sobre o CAT SHIDHE.
ResponderExcluirObrigado.
Farei em breve. Já temos uma postagem sobre o Cù Sìth programada para a semana que vem.
Excluirnao gostei muito pq nao da para copiar as imagens nem a escrita.Mas fora isso é muito legal! Parabens
ResponderExcluir