18 de junho de 2021

Shio no Chōjirō

۞ ADM Sleipnir

Arte de MetroRetr0

Shio no Chōjirō (japonês  塩の長次郎 ou しおのちょうじろう) é um personagem do folclore japonês, conhecido por seu amor pela carne de cavalo e pela maldição que esse prazer pecaminoso trouxe sobre ele. Sua história é um exemplo famoso de umatsuki (possessão pelo espírito de um cavalo).

Chōjirō era um homem muito rico e viveu em Oshiro no Ura, província de Kaga, no Japão. Ele tinha uma predileção por comer carne de cavalo - o que era um tabu no Japão feudal - e, em sua casa, ele possuía mais de 300 cavalos. Sempre que um de seus cavalos morria, Chōjirō cortava sua carne e a temperava com sal ou missô para conservá-la. Dessa forma, ele sempre tinha carne de cavalo à sua disposição.

Com o passar do tempo, o número de cavalos de Chōjirō começou a diminuir e, consequentemente, o seu estoque de carne de cavalo em conserva. Certo dia, quando toda sua carne em conserva já havia acabado, Chōjirō foi até o seu estábulo e escolheu um cavalo já velho e que não servia mais para trabalho. Então, Chōjirō o matou e comeu sua carne. A partir desse momento, sua vida mudou, pois ele passou a ser assombrado pelo fantasma desse cavalo.

Todas as noites, o espírito do velho cavalo aparecia diante de Chōjirō em seus sonhos e mordia sua garganta. Além disso, todos os dias, no exato horário em que Chōjirō o havia matado, seu espírito vingativo aparecia diante de Chōjirō e entrava em sua boca, forçando passagem pela sua garganta até chegar em seu estômago, onde ele se debatia violentamente.

O sofrimento de Chōjirō era insuportável. Ele vivia com febre alta e alucinações, e estava sempre gritando e balbuciando, confessando todos os pecados de sua vida em um doloroso delírio. Médicos o examinaram e padres oraram por ele, mas ninguém era capaz de ajudá-lo. Chōjirō acabou enlouquecendo, e sua condição piorou. Cem dias após o início da assombração, Chōjirō finalmente sucumbiu à maldição do cavalo. Conta-se que quando ele morreu, seu corpo estava curvado como o de um velho cavalo que passou a vida inteira transportando cargas pesadas.

Origem da lenda

A história de Chōjirō é um conto antigo e bem conhecido no Japão, tendo muitas variações. Talvez sua aparição mais famosa esteja na coleção de histórias ilustradas do período Edo chamada Ehon Hyaku Monogatari (絵本百物語, "Livro Ilustrado de Cem Histórias"), publicado em 1841 por Takehara Shunsen. No entanto, esse conto já era bem conhecido antes disso, com variações em todo o Japão. 

Ele pode ter sido inspirado em parte por um famoso mágico performático que viveu no final do século XVII chamado Shioya Chōjirō. Shioya Chōjirō era capaz de engolir espadas e outros truques, mas era mais conhecido por seu domínio do donbajutsu (“técnica de engolir cavalos”), truque no qual ele aparentemente engolia um cavalo vivo diante do público. Ilustrações de suas performances parecem ter sido usadas como base para a ilustração do conto no Ehon Hyaku Monogatari.

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16 de junho de 2021

Minta

۞ ADM Sleipnir

Arte de Toscasam

Minta (Mintha, do grego: Μινθη, "hortelã", também Minthe ou Mentha) é na mitologia grega uma náiade, filha do potamoi (deus-rio) Cócito, que personificava o rio de mesmo nome que flui pelo submundo, e onde Minta habitava. Um monte localizado na Grécia, na região sul da Élida, leva o seu nome.

De acordo com a mitologia, Minta era amada pelo deus Hades, antes  dele sequestrar a deusa Perséfone e fazer dela sua esposa. Quando isso aconteceu, Hades deixou Minta de lado, mas a náiade não aceitava ter sido trocada. Minta vivia se gabando de ser mais bela que a filha de Zeus e Démeter, e também dizia que Hades logo se cansaria dela e voltaria para os seus braços.

Quando tais declarações chegaram aos ouvidos de Deméter, a deusa transformou Minta na planta que hoje conhecemos como hortelã. Algumas versões da lenda contam que foi a própria Perséfone quem transformou a atrevida náiade, após flagrá-la tentando seduzir seu marido. 

A hortelã era uma das plantas usada em antigos ritos funerários para mascarar o cheiro dos mortos e, portanto, era considerada uma planta sagrada de Hades. 

Arte de CORinAZONe

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14 de junho de 2021

Cruviana

۞ ADM Sleipnir

Arte de Adriano Abreu (@adrianobreuartes)

Cruviana (também conhecida como Corrubiana, Mãe do Ar, Deusa dos Ventos ou Senhora das Ventanias) é uma divindade do ar presente nas crenças de algumas tribos indígenas e no folclore da região norte do Brasil, e também conhecida no Nordeste, em particular no estado do Piauí. Ela é geralmente descrita como uma bela mulher com o dom de manipular e moldar o ar, além de ser capaz de se transformar em brisa. Nessa forma, ela costuma abordar forasteiros à noite, os envolvendo e seduzindo enquanto dormem. No dia seguinte, o mesmo acorda completamente apaixonado e encantado pela Cruviana, tanto que perde qualquer vontade que tenha de voltar para sua terra natal.

Sua presença normalmente é indicada por um vento muito gelado, que percorre as ruas durante a madrugada. Inclusive, o nome cruviana tornou-se sinônimo de vento frio. Muitos contos e cordéis citam a Cruviana como uma patrulhadora dos ventos em todas as regiões do Brasil, sendo o Norte e o Nordeste as regiões onde ela mais mantém sua vigilância. 

Arte de Grazi Katsura

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11 de junho de 2021

Yue Lao

 ۞ ADM Sleipnir

Yue Lao (chinês 月老, também Yue Xia Lao Ren, chinês 月下老人,  "o velho sob a lua"), é o deus chinês do amor e do casamento. Dito viver sob a lua ou "nas regiões obscuras" (Yue ming), Yue Lao é caracterizado por sua longa barba branca e pura, pelo uso de mantos imperiais amarelos e por sua expressão amigável. Ele carrega consigo uma corda ou linha vermelha de seda, a qual ele utiliza para unir casais em potencial, união essa a qual dizem que nada pode impedir. Sua lenda é a origem da popular lenda japonesa do fio vermelho do destino (Akai-ito).

A história de Wei Gu

Uma lenda originária do período da Dinastia Tang, conta sobre um jovem chamado Wei Gu (chinês 韋固), que certo dia vagava pelas ruas, lamentando o fato de não ter uma esposa. Nos arredores de uma cidade próxima, ele notou um senhor com uma longa barba branca lendo atentamente um livro.

Wei Gu perguntou ao senhor o que ele estava lendo, já que estava em um idioma que ele não conseguia compreender. O senhor, que era Yue Lao, então respondeu que aquele era o "livro do mundo inferior", no qual ele registrava a união de todos os casais. Curioso, Wei Gu perguntou ao senhor que ele encontraria uma esposa em breve, e o senhor contou-lhe que a sua futura esposa tinha apenas três anos de idade, e que ele só casaria com ela quando completasse dezessete anos.

Não acreditando em Yue Lao, mas ainda curioso, Wei Gu perguntou-lhe se ele poderia conhecê-la, e Yue Lao pediu que ele o seguisse. Levando Wei Gu até o mercado, Yue Lao lhe mostrou uma senhora carregando uma garotinha em seu colo, e então lhe disse que aquela garotinha era sua futura esposa.

Wei Gu ficou bastante irritado com aquilo, talvez pelo fato de que levaria muito tempo para que ele tivesse a esposa que tanto desejava. Ele perguntou à Yue Lao o que aconteceria caso ele a matasse, e Yue Lao lhe respondeu com outra pergunta, sobre como ele poderia matá-la se estava destinado a casar com ela. Após responder a pergunta de Wei Gu, ele desapareceu.Nesse ponto a história costuma variar. Uma versão diz que Wei Gu pegou uma pedra e atirou contra a menina, atingindo-a entre os olhos, enquanto outra diz que ele pagou um homem para ir até a menina e matá-la, porém o homem apenas conseguiu fazer um corte na região entre os seus olhos.

Passados quatorze anos, Wei Gu tornou-se um general do distrito de Xiangzhou, e Wang Tai, governador do distrito, deu a mão de sua filha em casamento a ele. A jovem era muito bela e educada, porém não conseguia encontrar nenhum pretendente. Os dois se casaram, e apesar de estar muito satisfeito com sua esposa, tinha um detalhe que Wei Gu achava muito estranho: sua esposa sempre usava uma espécie de enfeite de flores em sua testa, entre as sobrancelhas, o qual ela não tirava nem para lavar seu rosto.

Um dia, Wei Gu finalmente resolveu perguntá-la a respeito do mesmo, então ela chorou e respondeu: “Eu sou uma filha adotiva; o governador Wang Tai é meu tio. Meu pai morreu logo depois que eu nasci, e minha mãe e meu irmão também morreram muito cedo. Eu fui criada pela minha babá, que sempre me levava ao mercado quando ia vender verduras. Há quatorze anos atrás, alguém em meio à multidão me machucou em meio a testa sem nenhuma razão óbvia. O enfeite que uso serve para esconder essa cicatriz, a qual me impedia de encontrar um pretendente."

Ao ouvir isso, Wei Gu lembrou do seu encontro com Yue Lao, e finalmente acreditando em suas palavras, contou tudo à sua esposa e implorou por seu perdão.

Cultura Popular

Yue Lao tem sido historicamente uma divindade muito popular, sendo considerado uma espécie de "cupido chinês". Nos dias atuais, ele ainda recebe orações, principalmente de jovens casais, que também passam a usar um cordão fino e vermelho em volta do pulso para expressar seu desejo de ficarem juntos para sempre.


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9 de junho de 2021

Amentet

۞ ADM Sleipnir

Arte de Jerome Ressot

Amentet ( “Ela do oeste”, também conhecida como Amaunet, Ament, Amentit, Imentet e Imentit) é uma deusa egípcia associada aos mortos e considerada a personificação da margem oeste do Nilo. Como o sol se põe ao oeste, a direção foi associada pelos egípcios à morte e à entrada do submundo. Logo, o nome foi aplicado a cemitérios e tumbas em todo o Egito. Embora ela nunca tenha sido oficialmente adorada, Amentet foi mencionada em vários hinos e passagens do Livro dos Mortos.

Amentet era a consorte de Aken, o barqueiro que guiava Rá por partes do submundo, e também era responsável por transportar as almas dos mortos para o mundo subterrâneo (semelhante ao grego Caronte). Acreditava-se que Amentet vivia debaixo de uma árvore na beira do deserto com vista para a entrada do Duat, o submundo. Ela encontrava a almas dos recém-falecidos e oferecia-lhes pão e água antes de conduzi-los ao reino dos mortos. Esse amparo os revitalizava e os preparava para o renascimento de suas almas e para as provações que enfrentariam no caminho para Aaru, o (“campo de juncos”, o paraíso egípcio).

Iconografia e associações

Amentet era freqüentemente retratada como uma rainha ocasionalmente carregando um cetro e a cruz ankh. Em sua cabeça, ela usa o sinal que representa o oeste (um semicírculo no topo de uma vara longa e outra curta) e uma pena ou um falcão. Ela era freqüentemente retratada em túmulos e caixões, protegendo os mortos, e nessas representações, ela costumava receber asas.

Amentet às vezes se fundia com as deusas Hathor e Ísis (há quem acredite que Amentet não fosse uma divindade a parte, mas uma forma alternativa dessas duas deusas), Neith, Mut e Nut. Ela também era intimamente relacionada a Néftis e Maat e, de acordo com alguns mitos, era filha de Hórus e Hathor. Em sua associação com Ísis e Néftis, ela costumava ser retratada como um milhafre.

Às vezes ela era emparelhada com a divindade composta Ra-Horakthy, que representava o sol nascente, enquanto ela representava o sol poente. Ela também aparece com Iabet, (a deusa do deserto oriental) no texto funerário chamado Livro da Terra. 

Arte de Sol Devia

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7 de junho de 2021

Os Mestres Artesãos: Masamune & Muramasa

۞ ADM Sleipnir


Gorō Nyūdō Masamune (japonês: 五郎入道正宗) e Muramasa Sengo (japonês 千子村正) foram dois mestres artesãos lendários do Japão, famosos pelas centenas de lâminas que forjaram para os samurais. Masamune foi o criador das espadas conhecidas hoje como katanas, além das adagas chamadas Tantō, na tradição Soshu. Já Muramasa era conhecido pela agudeza de suas lâminas, que se tornaram as favoritas do clã Tokugawa.

Masamune viveu no período Kamakura (séc. XIII-XIV) e Muramasa viveu no período Muromachi (séc. XIV-XVI). As datas exatas de nascimento e de morte deles não são conhecidas, mas estima-se que Muramasa tenha nascido e vivido 300 anos depois de Masamune. Apesar de terem vivido em épocas diferentes, comparações são freqüentemente feitas entre os dois. As lâminas forjadas por Masamune são reverenciadas até hoje por alguns como sendo objetos sagrados, enquanto as lâminas forjadas por Muramasa ficaram estigmatizadas como amaldiçoadas, levando seus proprietários a cometerem assassinatos ou suicídios.


A origem da má fama das lâminas de Muramasa

Em vida, Muramasa e suas lâminas gozavam de boa reputação, porém, após sua morte e o desaparecimento de sua linhagem familiar (que pelo o que se sabe durou por mais três gerações), além de uma série de incidentes envolvendo suas lâminas, o nome Muramasa ficou manchado e assim permanece até os dias atuais. 

A má reputação das lâminas feitas por Muramasa teriam começado com os rumores de cortes acidentais, escorregões e outros acidentes envolvendo-as que resultaram em ferimentos fatais dentro do clã Tokugawa. Os rumores se espalharam como fogo pelas aldeias e cidades do Japão feudal, e conta-se que o próprio xogum Tokugawa Ieyasu baniu o uso de tais katanas em sua corte, ajudando a espalhar a ideia de que elas eram amaldiçoadas. Por causa do estigma associado a essas lâminas, alguns insurgentes e samurais inimigos do xogum eram conhecidos por usá-las como um símbolo de sua rebelião.


O nome de Muramasa passou a ser usada no teatro e na cultura popular para denotar a arma de assassinos possessos e loucos, aumentando a má reputação do seu nome. Como uma explicação para a loucura do vilão, o nome Muramasa tornou-se ligado à violência e traição. Alguns dizem que Muramasa sofria de loucura - a qual de alguma forma contaminou suas lâminas, e forçava seus donos a derramarem sangue antes de se deixar embainhar. No entanto, essa história contradiz o fato de que ele mantinha uma reputação forte e popular enquanto ainda estava vivo.

Talvez devido a má reputação das lâminas de Muramasa, nenhuma delas tenha recebido o status de Tesouro Nacional Japonês ou Propriedade Cultural Importante, ao contrário das lâminas forjadas por Masamune.

Lendas

Um conto famoso fala sobre um samurai que , desejando testar o corte de uma lâmina Masamune e outra Muramasa, colocou as duas dentro de um rio.  A lâmina de Muramasa retalhou tudo o que tocou - folhas, peixes e até o próprio ar - enquanto a água do rio simplesmente fluía passando pela lâmina de Masamune. Um monge que passava pelo local explicou ao samurai que a lâmina de Masamune era a melhor das duas, pois não cortava desnecessariamente. Em contraste, a espada forjada por Muramasa "pode cortar tanto borboletas quanto cabeças". 


Uma variação dessa história costuma colocar os próprios Masamune e Muramasa juntos, fazendo o teste de suas lâminas no rio. Outra história diz que Muramasa era um discípulo de Masamure, e com inveja da qualidade superior das lâminas de seu mestre, amaldiçoou as próprias lâminas. Mas como se sabe, os dois não viveram no mesmo tempo, logo, jamais se encontraram.

Historiadores costumam considerar Masamune e Murasama como sendo símbolos de suas respectivas eras. Muitos de seus discípulos se tornaram artesãos habilidosos por seus próprios méritos. Masamune em particular ainda possui um descendente vivo, Tsunahiro Yamanura, um progênie de 24ª geração que possui uma empresa na cidade de Kamakura, no Japão, que fabrica tesouras, facas e outros implementos laminados.

Tsunahiro Yamanura

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4 de junho de 2021

As Quatro Bestas de Daniel

۞ ADM Sleipnir

Arte de Paulo Vieira

As chamadas Quatro Bestas de Daniel são, de acordo com o Livro de Daniel, quatro reinos que precederam o "fim dos tempos" e o "Reino de Deus". Eles apareceram diante do profeta em uma visão dada a ele por Deus como quatro grandes e terríveis impérios ou reis na forma de feras temíveis.

A visão do profeta Daniel começa com uma noite ventosa e um mar agitado: “Na minha visão à noite, eu vi os quatro ventos do céu agitando o grande mar." - Daniel 7:2. Enquanto Daniel observa, “quatro grandes bestas”, cada uma diferente das outras, emergem do mar.


Primeira besta (Daniel 7:4)

A primeira besta a aparecer na visão de Daniel foi descrita como “semelhante a um leão e tinha asas de águia”. Enquanto Daniel observa, as asas são arrancadas da besta, e a criatura fica ereta como um homem e uma mente humana é dada a ela. Mais tarde, o anjo que interpreta o sonho diz a Daniel: “Os quatro grandes animais são quatro reis   se levantarão da terra”. Esta primeira besta representa o rei Nabucodonosor da Babilônia. Sua ascensão ao status de humano reflete a libertação de Nabucodonosor de uma existência bestial e sua compreensão da verdadeira natureza de Deus.

Segunda besta (Daniel 7:5)

A segunda besta na visão de Daniel foi descrita como “semelhante a um urso. Estava erguido por um dos lados e tinha três costelas na boca entre os dentes”. Uma voz diz à segunda besta para se levantar e devorar toda a carne que puder. Esta besta representa o Império Medo-Persa; o lado erguido da criatura indica que uma das partes do reino (Pérsia) seria dominante. As três costelas na boca da criatura simbolizam as nações que foram “devoradas” pelos medos e persas. Essas três nações conquistadas são a Babilônia, a Lídia e o Egito.

Terceira Besta (Daniel 7:6)

A terceira besta a surgir foi descrita como “semelhante a um leopardo”, exceto que "tem quatro asas semelhantes a pássaros em suas costas e quatro cabeças". Além disso, a esta besta é dito ter sido dada autoridade para governar. Ela representa a Grécia, um império conhecido pela rapidez de suas conquistas. As quatro cabeças da besta são predições da divisão de quatro vias do império após a morte de Alexandre, o Grande. 

Quarta Besta (Daniel 7:7)

A última besta que Daniel vê surgindo do mar é descrita por ele como sendo aterrorizante, assustadora e muito poderosa. Este quarto animal tem “garras de bronze e grandes dentes de ferro, com as quais despedaçava e devorava suas vítimas, e pisoteava tudo o que sobrava. Era diferente de todos os animais anteriores, e tinha dez chifres". Esta última besta representa o Império Romano, um reino poderoso que de fato esmagou todos os seus inimigos.


O Reino do Anticristo da Quarta Besta

A atenção de Daniel é atraída para a quarta besta destrutiva, e ele pondera o significado de seus dez chifres. Então, um chifre menor começa a crescer no meio dos dez. Conforme o chifre pequeno emerge da besta, três dos chifres originais são arrancados pela raiz. 

Daniel vê que o chifre pequeno tem "olhos como os olhos de um homem e uma boca que falava com arrogância". As palavras arrogantes e blasfemas do chifre pequeno continuam até que o Ancião dos Dias estabeleça um dia de julgamento. Nesse dia, a besta será morta e seu corpo destruído e jogado no fogo ardente. Isso contrasta com o destino das outras três bestas, que perderam sua autoridade, mas não foram imediatamente destruídas.

Conforme a interpretação da visão é dada a Daniel, o profeta pergunta especificamente sobre a quarta besta e seus chifres. O anjo então lhe explica: os dez chifres da besta são dez reis que surgirão daquele reino. O chifre pequeno e imponente com olhos e boca de um humano representa um rei posterior; diante dele, três dos reis originais serão subjugados. Este rei mau “falará contra o Altíssimo e oprimirá seu povo santo”. Ele procurará mudar os tempos e as leis e exercerá um poder opressor sobre o povo de Deus por três anos e meio. Este líder mundial que Daniel viu é o Anticristo, o “governante que há de vir” que cria a abominação.

Dado o fato de que o Anticristo emerge da quarta besta, nos leva a supor que, no fim dos tempos, haverá uma espécie de “reavivamento” do Império Romano, apresentando uma coalizão de dez líderes mundiais. O Anticristo assumirá sua posição de liderança às custas de três desses líderes e, por fim, exercerá autoridade global. Um verdadeiro tirano, o Anticristo exigirá adoração e procurará controlar todos os aspectos da vida.

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2 de junho de 2021

Rakshasa

۞ ADM Sleipnir

Arte de Nils Hamm

Rakshasa (sânscrito: राक्षसः, rākṣasaḥ; alternadamente, Raksasa ou Rakshas; feminino: Rakshasi) é uma classe de criaturas demoníacas e semidivinas pertencente à mitologia hindu. Malignos por natureza, rakshasas são seres sedentos por carne e sangue, fazendo dos homens suas presas constantes. Eles também são conhecidos por perturbar sacrifícios, profanar túmulos, perseguir sacerdotes, possuir seres humanos, dentre outros.  Apesar disso, existem alguns poucos que se aliam aos humanos e os ajudam em suas batalhas.

A Origem dos Rakshasas

A origem dos rakshasas é explicada de várias maneiras na mitologia hindu. Segundo uma lenda, eles foram criados acidentalmente através da respiração ou do pé do deus criador Brahma, enquanto este descansava ao final do Satya Yuga, a primeira era da humanidade. Tão logo surgiram, eles se voltaram contra seu criador e começaram a devorá-lo. Quando acordou sentido suas mordidas e arranhões, Brahma gritou: "Rakshama!" ("Ajude-me!"). Seu grito foi respondido por outro deus, Vishnu, que baniu a terrível raça de demônios para a Terra. Seu nome acabou sendo derivado do grito de ajuda de Brahma. Uma outra versão diz que Brahma os criou conscientemente, com o objetivo de o protegerem enquanto descansava.

Arte de Caio Monteiro

Já em algumas obras como os Puranas, podemos traçar a origem dos rakshasas diretamente à descendentes de Brahma, como Pulastya e o sábio Kashyapa. Pulastya, por exemplo, era pai de Vishrava, que por sua vez foi pai de famosos rakshasas como Ravana e Kumbhakarna.

Características

A aparência de um Rakshasa é tão horrível quanto seus hábitos hediondos. Sua forma é basicamente humana, mas eles são mais altos do que homens e mulheres comuns, e seus membros são duas vezes mais grossos que os de um homem. Um conjunto de presas curvas se enrolam nos cantos de seus lábios, garras brotam dos dedos de suas mãos e pés, e dois chifres semelhantes aos de um touro crescem de suas cabeças. Os rakshasas mais comuns possuem uma pele manchada, cabelos escuros e olhos que lembram os de um porco. Outros mais poderosos apresentam olhos brilhantes e crinas/jubas ígneas. Os rakshasas mais poderosos podem apresentar cabeças e braços extras. 

A força bruta dos rakshasas e sua paixão pela carnificina por si só poderiam fazer de qualquer um deles um inimigo terrível. Ainda assim, eles possuem uma arma ainda mais poderosa do que presas, chifres ou garras: eles são mestres na arte da magia. Rakshasas podem voar, cuspir fogo e possuir cadáveres, usando-os para atacar seus inimigos, mas seu ramo favorito da magia é a ilusão. Eles são metamorfos incríveis, capazes de assumir qualquer forma e tamanho que quiserem, e são famosos por inventar enigmas quase impossíveis, que confundem e prendem suas vítimas. Embora rakshasas possam agir à qualquer hora do dia, eles atingem o auge de sua força durante à noite. Após o pôr do sol, os rakshasas possuem mais energia e força física, além de sua magia ficar mais potente.

Devido à tudo isso, rakshasas são criaturas extremamente difíceis de matar. A maioria dos guerreiros precisa de armas mágicas (astras), dadas a eles pelos deuses, para derrubar um desses monstros. No entanto, alguns dos maiores heróis da tradição hindu, como Bhima, foram capazes de matar rakshasas com suas mãos nuas.

Arte de Jessica Ong


Rakshasas Notáveis
  • Hidimba / Hidimbi: Uma dupla de irmãos rakshasas que aterrorizavam uma floresta e se alimentavam de qualquer um que passava por ela. Hidimba foi morto por Bhima, e sua irmã Hidimbi se apaixonou pelo herói e teve com ele um filho, Ghatotkacha.
  • Ghatotkacha: meio-rakshasa, Ghatotkacha reunia tanto as qualidades de seu pai quanto de sua raça, tornando-o um guerreiro formidável. Além disso, era leal ao seu pai e o ajudava nas batalhas sempre que este precisava.
  • Bakasura / Kirmira: Dois irmãos rakshasa também mortos por Bhima. O primeiro aterrorizava a cidade de  Ekacakra, e o segundo a floresta Kāmyaka 
  • Jatasura: outro rakshasa morto por Bhima. Este se disfarçou como um brâmane e sequestrou Yudhishthira , Sahadeva , Nakula , e Draupadi, atraindo para si a fúria do herói.
  • Ravana: o mais poderoso dos rakshasas, tido como a criatura mais poderosa do universo. Ravana era rei de Lanka e era dotado de dez cabeças. Além disso, comandava um exército composto por inúmeros rakshasas. Foi o principal adversário de Rama, avatar de Vishnu, no épico hindu Ramayana, sendo morto por ele.
  • Kumbhakarna: irmão mais novo de Ravana, mas tido como um ser de bom caráter, piedoso e inteligente. Tentou convencer o irmão a devolver Sita, esposa de Rama, e assim evitar a guerra, mas no fim seus esforços foram inúteis. Acabou lutando ao lado de seu irmão e sendo morto pelo próprio Rama.
  • Vibhishana: Outro irmão de Ravana, Vibhishana se uniu à Rama durante a guerra de Lanka, e ao final do conflito, foi coroado o novo rei de Lanka no lugar do irmão morto.
No Budismo

Conforme o budismo cresceu em popularidade, ele absorveu muitos dos personagens da mitologia hindu. Os budistas associavam os rakshasas à Mara, uma espécie de divindade que representava todos os vícios que poderiam atacar um seguidor de Buda no caminho para a iluminação. Em uma história, o próprio Buda encontrou um rakshasa hostil, que ameaçou devorá-lo se ele não conseguisse responder aos seus enigmas. Felizmente, o Buda onisciente respondeu às perguntas com facilidade, e o demônio ficou tão impressionado que se tornou um seguidor do budismo.

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