9 de julho de 2014

Rostam

۞ ADM Sleipnir


Rostam ou Rustam (do persa رستم, Rostæm) é um dos maiores heróis da mitologia persa, filho de Zāl e Rudabeh. Ele foi imortalizado pelo poeta do século X Ferdosi em sua obra Shahnameh ("O Épico dos Reis"), que narra a história e a mitologia do Irã, desde a criação do mundo até a sua conquista pelos árabes no século VII. 

Ao longo de sua jornada, Rostam presta serviços a uma série de reis, tornando-se um exemplar de herói, abnegado, que cumpre o seu dever, sem nunca buscar poder, mesmo quando o próprio povo desejava destronar seu rei em favor de Rostam. No Shahnameh, Rostam é o campeão dos campeões e está envolvido em numerosas histórias, que constituem algumas das mais populares e magistrais partes da obra.

O Nascimento de Rostam

O trabalho de parto de Rudabeh foi demorado e difícil, devido ao tamanho extraordinário de seu bebê. Como sua esposa e seu filho estavam à beira da morte, Zāl decidiu convocar Simurgh, queimando uma das penas que havia recebido do mesmo. O pássaro místico atendeu o chamado e lhe deu instruções sobre como executar uma " Rostamzad " (o equivalente persa para cesariana), salvando assim Rudabeh e a criança e curando-a com suas penas mágicas. Rostam era saudável e tinha os cabelos avermelhados.

Com apenas 5 dias de vida, Rostam atingiu o tamanho de um menino, e dentro de semanas, ele atingiu a altura e a força de um homem jovem. Com 3 anos, ele mata o elefante branco enlouquecido do rei Manoochehr com apenas um golpe da maça de propriedade de seu avô Sam, filho de Nariman. Em seguida, ele doma seu lendário garanhão, Rakhsh.



Os Sete Trabalhos

Kay Kavus (Xá do Irã na época) e seu exército sofrem uma emboscada durante uma expedição até Mazandaran. Div'e Sepid, o "Demônio Branco", destrói o exército de Kay Kavus conjurando uma tempestade de granizo, pedras e troncos de árvores, usando suas habilidades mágicas. Ele, então, captura Kay Kavus, seus comandantes e paladinos, os cega e os aprisiona em um calabouço.  Rostam toma conhecimento da situação e compromete-se a libertá-los,dando início aos chamados Sete Trabalhos de Rostam (ou Haft-Khan-e-Rostam, persa: هفت خوان رستم), e essa história é um ponto crucial na vida de Rostam. A ordem tradicional dos trabalhos é a seguinte:

1. Rostam parte e algum tempo depois encontra um matagal, onde ele resolve montar um acampamento para passar a noite. Rostam se deita para descansar e pouco tempo depois, um leão feroz surge e ataca seu cavalo Rakhsh com violência. Rakhsh mostra ser um oponente formidável e mata o leão. Rostam, despertado pela confusão, encontra o leão morto e Rakhsh ferido. Rostam cuida de seu companheiro, e então prossegue sua jornada em direção a Mazandaran.


2. Rostam e Rakhsh adentram um deserto, onde parecia não haver nenhuma fonte de água. Tanto o cavalo quanto o herói estavam com bastante sede, e portanto, Rostam resolve orar a Ahura Mazda. Sob a influência de um sol feroz, Rostam vê uma ovelha passar, e a interpreta como o prenúncio de algo bom. Erguendo-se e segurando a espada na mão, ele segue o animal, e acaba encontrando uma fonte de água. Rostam agradece a Ahura Mazda pela bênção que salvou sua vida.


3. À meia-noite, enquanto Rostam dormia, um dragão monstruoso emerge da floresta. Rakhsh se aproxima de seu mestre, relinchando e batendo no chão furiosamente, tentando acordá-lo. Rostam acorda e olha para todos os lados, no entanto, não consegue ver nada pois o dragão já havia desaparecido, e então  volta a dormir. O dragão então reaparece e o cavalo fiel tenta despertar seu mestre novamente. Rostam acorda, e desta vez há luz suficiente para ele ver a prodigiosa causa do alarme. Rostam enfrenta e mata o dragão .


4. Rostam continua sua jornada através de um território encantado e ao anoitecer chega em um lugar com uma bela vegetação e refrescado por riachos. Para sua surpresa, ele encontra um veado assado, pão e sal e, mais tarde, um tamborim e um frasco de vinho. Ao pegar o instrumento, ele começou a tocá-lo enquanto cantava sobre suas aventuras e sobre as façanhas que ele mais ama. A cantoria de Rostam chega aos ouvidos de uma feiticeira, que, vestida de todos os encantos da beleza, se aproxima dele e se senta ao seu lado. O campeão erige uma oração de gratidão por ter sido alimentado com comida, vinho, e música enquanto estava no deserto de Mazandaran, e sem saber que a feiticeira era na verdade um demônio disfarçado, ele colocou em suas mãos um copo de vinho em nome de Deus, mas com a menção do Criador, a feiticeira se converteu em um demônio negro. Ao ver isso, Rostam joga seu laço e com ele prende o demônio. Logo após, Rostam usa sua espada para cortar o demônio ao meio.


5. Rostam atravessa passa sem intercorrências através de um lugar onde só há escuridão, conseguindo chegar à Mazandaran. Exausto, Rostam deixa Rakhsh livre para pastar no campos próximos cultivada, e  se deita para descançar. Um agricultor local, furioso pela imprudencia de Rostam, golpeia seus pés com um pedaço de madeira. Rostam acorda, arranca as orelhas do fazendeiro fora, as entrega a ele e volta a dormir. O fazendeiro reclama com o aristocrata local,  Olad, que vai imediatamente até a presença de Rostam, acompanhado por uma pequena força de demônios. Rostam  derrota todos eles, captura Olad e poupa sua vida sob a condição de que ele o ajude a encontrar Div'e Sepid.


6. Rostam enfrenta o castelão de Div'e Sepid, Arzang Div, e o mata. Rostam consegue recuperar a chave para a fortaleza de Div'e Sepid, e lá encontra Kay Kavus e os outros prisioneiros, ainda cegos pela magia do demônio. Kay Kavus lhe conta que somente o sangue de Div'e Sepid poderia curar a sua cegueira e a de seus homens.


7. Rostam finalmete encontra Div'e Sepid e os dois travam uma batalha épica. No final, Rostam mata Div'e Sepid e usa seu coração e seu sangue para curar a cegueira do rei e dos heróis persas capturados. Rostam também toma a cabeça do demônio como um capacete e é frequentemente retratado usando-o.


Rostam e Sohrab

De longe, a mais famosa e popular história de Rostam contida no Shahnameh é Rostam e Sohrab. Certa vez, Rostam seguia os rastros de seu cavalo que havia perdido, e acaba chegando ao reino de Samangan, onde ele é convidado pelo rei a visitar seu castelo. Lá, Rostam conhece a princesa Tahmina. Ela admira Rostam e sabe de sua reputação. Ela entra em seu quarto à noite e pergunta se ele pode lhe dar um filho e, em troca, ela irá trazer o seu cavalo de volta. Rostam aceita a proposta de Tahmina, e os dois tem uma noite de amor. Rostam deixa o reino e seu cavalo volta, como prometido pela princesa. Antes de ir embora, Rostam entrega a Tahmina um bracelete, e pede para que ela o entregue ao seu filho, de forma que ele possa reconhecê-lo no futuro. Nove meses depois,Tahmina deu à luz a seu filho e lhe dá o nome de Sohrab.

Sohrab cresce e fica conhecido como o melhor lutador do exército turaniano. Como ninguém mais se atrevia a lutar contra Rostam, Sohrab acabou sendo enviado para lutar contra o lendário herói. No entanto, o nome do herói foi mantido em segredo, como Sohrab sabia que Rostam era seu pai. No campo de batalha, Sohrab diz ao seu rival que ele não lutaria contra Rostam, sem dizer o motivo. Assim, Rostam não revelou seu nome. Depois de 3 dias de combate, Rostam consegue derrubar Sohrab e o esfaqueia no coração. Ao ver o bracelete, Rostam se dá conta de que matou o próprio filho, então se ajoelha, toma nos braços o corpo do filho e chora.


Outros Filhos

Rostam mais tarde teve uma filha chamada Banu Goshasp, e um filho chamado Faramarz, e ambos se tornaram heróis renomados em Turan e na Índia. Goshasp, através de seu casamento com Giv teve um filho, chamado Bijan.

Rostam e Esfandiar

Esfandiar (também conhecido como Esfandyar ou Asfandyar; em persa: اسفنديار) é um herói lendário do Irã, filho do rei Goshtasp, da dinastia Kayanian. Ele é mais conhecido pela trágica história da batalha com Rostam, assim como descrito num dos episódios mais longos do Shahnameh. Seu pai Goshtasp lhe oferece o trono, contanto que ele consiga expulsar invasores em províncias distantes. Ele consegue o feito, mas seu pai o envia para outra missão para eliminar uma rebelião em Turan. Ele consegue novamente, mas seu pai o envia para nova missão, mesmo após uma previsão sobre a morte do filho nas mãos de Rostam. Ele ordena o jovem a aprisionar Rostam por sua arrogância e desrespeito contra o rei. Esfandiar protesta, lembrando ao pai sobre a fama e o histórico do velho homem com a dinastia, mas cede e parte para o encontro do sujeito.

Ao chegar à residência de Rostam, Esfandiar anuncia a mensagem, mas Rostam se recusa a ser aprisionado, aceitando somente acompanhar o príncipe até a presença de seu pai. Esfandiar insiste, mas Rostam não cede, e os dois acabam iniciando um combate. Rostam não sabia, mas Esfandiar havia se banhado em invencibilidade, e essa vantagem resultou em sérios danos para Rostam, que desiste para poder colocar curativos. Entretanto, Rostam toma conhecimento da vantagem do jovem e do seu ponto fraco: quando Esfandiar nadou na piscina da invulnerabilidade, ele o fez de olhos fechados. Quando o combate reinicia na manhã seguinte, Rostam acerta o jovem nos olhos com um estilingue rústico.


A Morte de Rostam

Zāl, pai de Rostam, teve durante sua velhice um filho de beleza singular com uma de suas escravas. Ele manda chamar astrólogos para lerem o horóscopo da criança, e os mesmos ficaram perplexos e aterrorizados com o que descobriram. Eles contam a Zāl que essa criança será a ruína de sua casa e que sua linhagem irá cair por meio de suas ações. Angustiado, Zāl nomeou a criança como Sheghad, e mandou-a ainda quando criança ao Rei de Cabul. Quando o rei viu que ele era alto e bonito, e se encaixava em todos os aspectos para se sentar em um trono, ele lhe mostrou grande bondade, e também deu-lhe sua filha em casamento.

Rostam estava acostumado a receber todos os anos o couro de um touro, enviado pelo rei de Cabul como um símbolo de soberania; e o rei considerava que era justo ser aliviado deste fardo, já que Sheghad havia se tornado seu filho-de-lei. Porém, na hora adequada, Rostam enviou o seu mensageiro como de costume, e exigiu o couro do touro. Tanto o Rei quanto Sheghad, ficaram muito ofendidos com esta conduta.

"Por que eu deveria respeitar o meu irmão mais velho, disse ele, "quando ele não se envergonha de ser tão maldoso comigo?  Não devo tratá-lo melhor do que trato um estranho." À noite, Sheghad e o rei não conseguiam dormir, pensando no assunto, então passaram a noite pensando sobre como eles poderiam eliminar Rostam. E Sheghad disse:
"Ouça meu plano. Faça uma grande banquete, e convide todos os nobres para comparecem ao mesmo. Enquanto estivermos todos bebendo vinho, diga algo insultuoso para mim, e eu  irei deixar a mesa, como se estivesse com raiva, e então irei ao Zabulistão e farei queixa ao meu pai e meu irmão sobre você. Então Rostam tomara minhas dores e virá até aqui. Enquanto eu estiver lá, você deve encontrar um local e cavar uma série de poços no mesmo. Eles devem ser grandes o suficiente para caberem Rostam e Rakhsh, seu cavalo. Preencha os mesmos com lanças e espadas afiadas, depois cubra-os com terra e tome cuidado para não dizer nada sobre o assunto, nem mesmo para o sol ou a lua ".
Então o rei realizou o banquete, e convidou a todos os nobres do reino. Quando todos já estavam embriagados pelo vinho, Sheghad começou a gabar-se de sua filiação. "Não há ninguém igual a mim neste banquete", ele gritou. "Zāl é meu pai, e Rostam meu irmão." O rei disse: "Você não é irmão de Rostam! Você é  filho de uma escrava".

Então Sheghad teve um acesso de raiva, e deixou o salão do banquete, e em seguida partiu para o Zabulistão. Quando ele chegou ao palácio, seu irmão lhe perguntou: "Como vai sua estadia em Cabul?" Sheghad lhe diz: "Não me fale de Cabul! O rei me insultou além do suportável, sim, e a você também. Você não é filho de Zāl, ele disse, e, se fosse, isso não seria nada comparável a sua honra. Então eu vim embora com raiva". Rostam diz: "Meu irmão, não se incomode sobre esse sujeito. Irei humilhá-lo e darei  sua coroa para ti".

Rostam ordena seus tenentes a montarem um exército, mas Sheghad disse: "Não se incomode em liderar um exército contra Cabul O mero som de seu nome será suficiente, tenho certeza. O Rei se arrependerá de sua loucura, e ele enviará os seus chefes para suplicar-lhe perdão... ". "Você está certo", disse Rostam, "Não é necessário  enviar um exército contra Cabul. Cem cavaleiros serão o suficiente." Enquanto isso, o Rei de Cabul havia cavado os poços, de acordo com o conselho de Sheghad. Eles foram tão habilmente ocultados, que nem homens e nem cavalos poderiam descobri-los.

Assim que Rostam partiu, Sheghad enviou uma mensagem ao rei. "Rostam partiu sem um exército. Receba-o e finja  estar arrependido." Então, o rei foi ao encontro de Rostam com sua língua coberta com mel, mas com o coração cheio de veneno. E assim que o rei avistou-o, ele desceu de seu cavalo, descobriu sua cabeça, tirou os sapatos de seus pés, e, jogando-se no chão, pediu desculpas pelas palavras injuriosas que ele tinha proferido contra Sheghad. Então Rostam o perdoou, e o acompanhou em seu retorno a capital.

Próximo a cidade, o rei havia preparando um banquete em um belo jardim; e, algum tempo depois de se sentarem para beber, o rei lhe diz: "Se você tem qualquer desejo de caçar, eu tenho um parque onde as planícies e colinas são repletas de animais selvagens Há leões entre as colinas, e nas planícies há corças e asnos selvagens ".

Rostam ouviu isso com prazer, e aceitou o convite do rei. Assim, no dia seguinte, o rei preparou uma grande caçada, e ele o levou até o local onde os poços foram escondidos. E Sheghad correu ao lado de Rostam, e mostrou-lhe o caminho. Conforme Rostam seguia a caça, todos os seus companheiros o deixaram, inclusive Sheghad, e ele se aproximou do lugar onde os poços foram cavados. Rakhsh farejou a terra recém-mexida, e acuado, decidiu não avançar. Mas Rostam estava determinado a seguir em frente, e cegado por seu destino, ergueu o chicote contra Rakhsh, sendo que até dia ele nunca havia levantado a mão contra seu corcel. Então Rakhsh entristeceu-se em sua alma, e ele fez o que Rostam desejava. Rakhsh saltou para a frente e caiu juntamente com Rostam na armadilha. Os dois foram empalados pelas lanças que haviam sido escondidas pelo rei. Rakhsh morreu na hora, mas Rostam, com o peito e pernas seriamente feridos, reuniu toda a sua força, desembaraçou-se da armadinha e se levantou.


Quando abriu os olhos, viu Sheghad, e pela expressão de seu rosto, soube que ele tinha tramado essa traição. "Você vai se arrepender disso!", gritou Rostam, mas Sheghad disse: "Você mereceu o seu fim por todo o sangue que derramou."

Nesse momento, o rei chegou, e quando ele viu o quão sério Rostam tinha se ferido, ele fingiu estar entristecido, e disse: "Como aconteceu esta desgraça? Eu irei imediatamente buscar médicos para curar suas feridas"

"O tempo terá passado quando os médicos chegarem para me ajudar", disse-lhe Rostam. "Estou morrendo, como bons homens morreram antes de mim. Mas não se esqueça, o meu filho irá vingar minha morte."

Então Rostam se virou para Sheghad e pediu: "Dê-me o seu arco, e coloque diante de mim duas flechas, pois eu não quero ser feito em pedaços por um leão enquanto espero aqui impotente por minha morte".

Sheghad sacou o seu arco e o colocou na mão de Rostam, sorrindo ao ver que seu irmão estava morrendo. Rostam agarrou o mesmo com muita força, mesmo enfraquecido pela dor de seus ferimentos. Quando Sheghad viu o quão forte Rostam era, ele foi tomado pelo terror, e imediatamente correu tentando se esconder. Rostam viu Sheghad se esconder atrás de uma árvore, embora sua visão começasse a se apagar. Em sua agonia, Rostam retesou o arco e com suas ultimas forças, atirou uma flecha na direção de Sheghad. O tiro foi tão potente que a flecha atravessou a árvore e atingiu o coração de Sheghad, que morreu na hora. O herói se alegrou e disse: "Graças a Deus eu fui capaz de me vingar deste traidor". E enquanto ele falava, seu espírito o deixou. Este foi o fim de Rostam.

Um dos guerreiros que acompanharam Rostam cavalgou a toda velocidade até Zaboulistão, e contou a Zāl sobre o triste acontecimento. Enquanto ele lamentava, Faramarz, filho de Rostam, reuniu um exército para vingar seu pai. Ele entrou em Cabul, e matou todos os homens que encontrou pela frente, incluindo o rei de Cabul e toda a sua família. Faramarz transformou aquela terra em um deserto, e ao terminar, procurou o corpo de Rostam e de Rakhsh, e ele prestou-lhes toda a honra, conduzindo seus corpos até Zabulistão, onde foram enterrados lado a lado.

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8 de julho de 2014

Mishipeshu

۞ ADM Sleipnir


O Mishipeshu (Mishibizhiw, Mishipizhiw, Mishipizheu, Mishupishu, Mishibijiw, dentre muitos outras grafias, "Grande Pantera D'água"; também chamado Gichi-anami'e-bizhiw,  "Fabulosa Pantera da Noite") é uma fabulosa criatura presente na mitologia nativo-americana. Ela é descrita como um felino enorme, com chifres de cobre na cabeça, escamas de dragão por todo o corpo, espigões em suas costas e uma cauda de peixe. 

O Mishipeshu é destaque na mitologia da tribo dos índios ojíbuas, uma ramificação do povo Algonquino. Os Algonquinos creem que o Mishipeshu controla os vários lagos e rios que se encontram dentro dos domínios tribais dos Ojibuas, localizados ao norte da região dos Grandes Lagos da América do Norte. Existiria mais do que um Mishipeshu, apesar da maioria das lendas falarem de apenas um. Isso, entretanto, pode originar-se da possibilidade de que as lendas de um local específico provavelmente lidem apenas com o seu próprio Mishipeshu e possam ter deixado de mencionar a existência de outros. 


Acredita-se que o Mishipeshu residiria nas proximidades da região do Lago Superior localizado no Canadá. Seu domínio se extenderia para dentro de cavernas e túneis encontrados abaixo em lagos, um fator que lhe permite se locomover com relativa facilidade na região. Conta-se que os lagos onde ele habita possuem uma das três seguintes características: são subitamente assolados por ventos fortes ou nevoeiros, contêm cavidades profundas e, por fim, têm águas com um tom específico de cor.

Mishipeshu protege o cobre e os outros metais encontrados nas rochas em toda a região. Ele é capaz de ser tanto uma força malévola ou benévola, dependendo das circunstâncias. Muito temido e respeitado devido ao seu controle sobre os lagos e rios, ele é considerado como um "Manitô", um ser poderoso e digno de adoração.

Criptozoologistas especulam que o Mishipeshu seria um estegossauro, uma espécie de dinossauro que habitou a Terra durante o período Jurássico. Representações antigas do Mishipeshu podem ser vistas pintadas em ocre vermelho na face dos penhascos de granito que se elevam sobre a baía Agawa.

Cultura Popular

O episódio " Mishipeshu " da série de TV Grimm envolve a possessão de um jovem nativo americano por uma pantera subaquática.



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7 de julho de 2014

Hemera

۞ ADM Sleipnir


Hemera (grego Ἡμερα, "dia") é uma das divindades primordiais da mitologia grega, a personificação do dia e a primeira divindade a representar o sol. Segundo Hesíodo, ela era filha de Érebo (deus da escuridão) e Nix (a deusa da noite) e irmã das Hespérides e de Éter (o ar puro, respirado somente pelos deuses), que também era o seu consorte. Na mitologia romana, sua correspondente é a deusa Dies.

Os filhos de Hemera e Éter variam de acordo com as fontes. Segundo o poeta Higino, seus filhos são Urano, Gaia e Talassa (deusa primordial do mar). Momentos antes de Hemera conceber Urano e Gaia, ouviram-se grandes estrondos por todo Universo, como se o céu estivesse sendo influenciado pela deusa; isso devido à forte ligação com Éter. Hesíodo lista somente Talassa como sua filha. Também lhe é atribuida a maternidade de vários seres não antropomorfizados, como a Tristeza, a Ira, a Mentira, etc.


Segundo Hesíodo, Hemera e sua mãe habitam além do Oceano, no extremo do Ocidente. Lá, um grande muro separa as portas do Tártaro do mundo visível. Atrás desse muro existe um grande palácio onde ambas residem, porém nunca estão juntas. Todas as manhãs, Hemera deixa o castelo para dispersar as brumas da noite e banhar a terra com luz, e Nix espera até a hora de poder trazer a noite sobre o mundo novamente. Assim que Hemera retorna, ela cruza o muro e cumprimenta sua mãe, que sai para cobrir o mundo com o seu véu.

Hemera e as Hespérides nasceram para ajudar Nix a não se cansar, dando início ao ciclo diário: Hemera trazia o dia e se relacionava com Eos - a aurora. Hélios - o Sol e as Hespérides traziam a tarde e se relacionavam com Selene, a Lua. Nix traria a noite absoluta. Juntas, essas divindades conduziam a dança das horas.

Hemera era intimamente identificada com Hera, a rainha do céu, e Eos, deusa do amanhecer com que costumava ser bastante confundida. Hesíodo parece considerá-la mais como uma substância divina do que uma deusa antropomórfica. Hemera compartilhou um santuário com o deus-Sol Hélios na ilha de Cós, talvez na época helenística, mas a partir do período clássico em diante, seu papel foi totalmente incorporado pela deusa Eos. 


fontes:

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4 de julho de 2014

O Inferno: Parte III - Principais Mitologias

۞ ADM Dama Gótica

Tártaro (Mitologia greco-romana)


Na mitologia grega, o Tártaro é personificado por um dos deuses primordiais, nascidos a partir do Caos. Suas relações com Gaia geraram as mais terríveis bestas da mitologia grega, entre elas o poderoso Tifão.

Assim como Gaia é a personificação da Terra e Urano a personificação do Céu, Tártaro é a personificação do Mundo Inferior. Nele estão as cavernas e grutas mais profundas e os cantos mais terríveis do reino de Hades, o mundo dos mortos, para onde todos os inimigos do Olimpo são enviados e onde são castigados por seus crimes. Lá os Titãs foram aprisionados por Zeus (Júpiter), Hades (Plutão) e Poseidon (Netuno) após a Titanomaquia.

Na Ilíada, de Homero, representa-se este mitológico Tártaro como uma prisão subterrânea 'tão abaixo do Hades quanto a terra é do céu'. Segundo a mitologia, nele são aprisionados somente os deuses inferiores, Cronos e outros titãs, enquanto que os seres humanos, são lançados no submundo, chamado de Hades.

Di Yu (mitologia chinesa)

Na mitologia chinesa, Di yu é o "inferno" ou "reino dos mortos". É vagamente baseado em uma combinação de conceitos budistas e crenças tradicionais chinesas sobre a vida após a morte, além de uma variedade de expansões populares e reinterpretações dessas duas tradições.

Di yu é normalmente retratado como um labirinto subterrâneo com vários níveis e câmaras, para onde as almas são enviadas após a morte para se redimirem dos pecados que cometeram quando estavam vivos. 

O número exato de níveis em Di yu e suas divindades associadas diferem entre interpretações budistas e taoístas. Alguns falam de 3 a 4 "tribunais"; outros mencionam "10 Tribunais do Inferno", cada um dos quais são governados por juízes conhecidos coletivamente como "Os Dez Yama (deus irado)". Há ainda outras lendas chinesas que falam sobre "18 níveis do Inferno". 

Cada tribunal lida com um aspecto diferente de redenção e punição. A maioria das lendas afirmam que os pecadores são submetidos à torturas horríveis até suas "mortes". E logo após são restaurados ao seu estado original para que a tortura possa ser repetida. De acordo com as idéias do taoísmo e budismo, o Diyu é um purgatório, que serve para punir e renovar espíritos em preparação para a reencarnação em sua próxima vida. Muitas divindades, cujos nomes e propósitos são acertar contas pendentes, estão associados com Diyu. 

Helheim (mitologia nórdica)

Helheim (Helgardh, também conhecido como Hel) ou "Mundo Subterrâneo", é um dos nove mundos da mitologia nórdica, localizado abaixo da terceira raiz de Yggdrasil, é o reino mais frio e baixo na ordem total do universo.

Este lugar é o domicílio dos mortos, governado pela deusa Hel, cujo nome é compartilhado com o próprio lugar. Neste mundo ficam amontoados todos aqueles que morreram sem glória em campos de batalha, que morreram de doença ou mesmo velhice. É também um plano onde o silêncio e certa inércia predominam, mas as almas veem para o Hel repousar e esperar pelo dia de renascer. 

O plano também pode ser alcançado por uma ponte larga e escura, protegida pela ajudante da deusa homônima, Mordgud ou Modgudr. Algumas fontes dizem que Helheim conteria outros nove mundos, mundos esses equivalentes a um lado negativo dos nove mundos originais da Yggdrasil.

Teoriza-se que foi em Helheim que Odin descobriu as runas enquanto estava enforcado, sacrificado a si mesmo, na Yggdrasil. Segundo é dito no Hávamál, parte da Edda Poética, ele 'olhou para baixo' quando as descobriu e recolheu. Por isso, Helheim seria um importante lugar iniciático.

Duat (mitologia egípcia)

Duat (também conhecido como Tuat, Tuaut, Akert, Amenthes ou Neter-khertet) é o submundo na mitologia egípcia. O Duat é uma vasta área sob a Terra, ligada à Nun (as águas do abismo primordial), e também o reino do deus Osíris e residência de outros deuses e seres sobrenaturais. Esta é a região através da qual o deus-sol Ra viaja de oeste para leste durante a noite, e onde ele lutou contra Apep.

A função mais importante do Duat, entretanto, é que é o local para onde as almas das pessoas vão para o julgamento após a morte. Suas tumbas eram vistas como entradas para o Duat, e eles podiam viajar de um lado para outro do submundo através dessas câmaras mortuárias.

Tudo que se sabe sobre o Duat deriva de textos funerários tais como o Livro dos Portões, o Livro das Cavernas, os Textos dos Sarcófagos, o Amduat e o Livro dos Mortos. Cada um destes documentos tem uma finalidade e dá uma perspectiva diferente sobre o Duat. Devido as suas singularidades cada texto pode ser inconsistente com o outro.

Mag Mell (mitologia irlandesa)
Arte de metalratrox

Na mitologia irlandesa, Mag Mell ("planície da alegria") é um reino mítico onde só se pode chegar através da morte e/ou glória. Ao contrário do submundo em algumas mitologias, Mag Mell é um paraíso prazeroso, identificado como uma ilha distante a oeste da Irlanda ou um reino no fundo do oceano.

No entanto, Mag Mell é semelhante aos Campos Elíseos na mitologia grega e, como tal, é acessível apenas a um grupo seleto. Geralmente é retratado como um local habitado por divindades, que ocasionalmente é visitado por alguns mortais aventureiros. Neste outro mundo, a doença e a morte não existem. É um lugar de eterna juventude e beleza, a felicidade dura para sempre, e não se precisa comer ou beber.

Yomi-no-Kuni (mitologia japonesa)

Arte de Arisia19

Na mitologia japonesa e no xintoísmo, Yomi é a palavra que denomina o mundo dos mortos. Suas saídas são guardadas por criaturas terríveis e é para onde os mortos vão para, aparentemente, apodrecer por tempo indefinido. Uma vez caída e alimentada pelo fogo ao centro de Yomi, a alma nunca mais poderá voltar para a terra dos vivos.

Esse reino dos mortos aparenta ter uma continuação geográfica com o mundo dos vivos, mas não  seria descrito como o inferno, onde se sofre pelos pecados passados. Em vez disso, todos os mortos lá seguem uma existência de escuridão, decadência e melancolia, não importando o seu comportamento quando vivo. Muitos estudiosos acreditam que a imagem de Yomi é derivada das tumbas antigas japonesas onde corpos eram deixados por algum tempo para a decomposição. Após a chegada do Budismo, o Yomi passou a ser considerado também um dos infernos budistas no Japão.

A grande deidade e líder de Yomi é  Izanami-no-Mikoto. A entrada para Yomi fica na província de Izumo, e foi selada por Izanagi-no-Mikoto, bloqueada permanentemente por uma enorme pedra. Ao voltar para Ashira no Nakatsukuni, Izanagi notou que Yomi é uma "terra poluída". Essa sua opinião reflete a associação tradicional do xintoísmo entre morte e poluição.

Mictlan (mitologia asteca)

Mictlan é o submundo da mitologia asteca. A maioria das pessoas que morrem vão para o Mictlan, embora existissem outras possibilidades. Ele esta localizado distante ao norte, e consiste em nove níveis distintos.

A viagem do primeiro ao nono nível era difícil e demorava quatro anos, mas os mortos eram ajudados por Xolotl. Os mortos tinham de enfrentar muitos desafios, tais como atravessar uma cordilheira, onde as montanhas se chocavam umas contra as outras, um campo com o vento que soprava facas que raspavam a carne, e um rio de sangue com temíveis onças.

Mictlan era governado por um rei, Mictlantecuhtli ("Senhor do Submundo") e sua esposa, Mictecacihuatl ("Senhora do Submundo"). Outras divindades em Mictlan eram Cihuacoatl (que comanda os espíritos de Mictlan chamados de Cihuateteo), Acolnahuacatl e Chalmecatl.

Annwn (mitologia celta)

Na mitologia galesa, Annwn era o Outro Mundo, a terra das almas que partiram deste mundo. Governado por Arawn, ou muito posteriormente, por Gwynn ap Nudd, era basicamente um mundo de delícias e eterna juventude, onde não existem doenças e há sempre fartura de comida. Annwn é semelhante a Mag Mell. É dito que Annwn pode admitir pessoas ainda vivas, desde que elas encontrem a sua porta.

Xibalba (mitologia maia)

Na mitologia maia, Xibalbá é o mundo subterrâneo governado pelos deuses da doença e da morte: Hun-Came e Vucub-Came. O Xibalbá é conhecido principalmente pela sua descrição no Popol Vuh (livro com várias lendas pertencente à cultura maia). 
Clicando aqui você pode ler a postagem especifica sobre Xibalba


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3 de julho de 2014

O Inferno: Parte II - Visão de algumas Religiões

۞ ADM Dama Gótica


No Cristianismo, existem diversas concepções a respeito do inferno, correspondentes às diferentes correntes cristãs. A ideia de que o inferno é um lugar de condenação eterna, tal como é apresentada hoje por diversas correntes cristãs, nem sempre foi e ainda não é consenso entre os cristãos.

Nos primeiros séculos do cristianismo, houve quem defendesse que a permanência da alma no inferno era temporária, uma vez que inferno significa "sepultura", de onde, segundo os Evangelhos, a pessoa pode sair quando apos a ressurreição. Essa ideia é defendida hoje por várias correntes cristãs.

O conceito sobre o inferno de fogo começou a ser adotado pela igreja católica principalmente a partir do 2° século EC (era comum ou era cristã), bem depois da época dos primitivos cristãos.

No entanto, os primeiros Pais da Igreja discordavam na questão do inferno: 
  • Justino, o ‎Mártir, Clemente de Alexandria, Tertuliano e Cipriano acreditavam que o inferno era um ‎lugar de fogo;
  • Orígenes e o teólogo Gregório de Nissa achavam que o inferno era um ‎lugar de separação de Deus — de sofrimento espiritual;
  • Agostinho de ‎Hipona, sustentava a ideia de que o sofrimento no inferno era tanto ‎espiritual como físico — conceito que passou a ser aceito. “Por volta do ‎quinto século a rigorosa doutrina de que os pecadores não teriam uma segunda ‎oportunidade após a vida, e que o fogo que os devoraria jamais se extinguiria, passou a ‎prevalecer em toda a parte”.
No século XVI, reformadores protestantes tais como Martinho Lutero e João Calvino ‎entenderam que o tormento ardente do inferno simbolizava passar a eternidade ‎separado de Deus. No entanto, a ideia de o inferno ser um lugar de tormento ressurgiu ‎nos dois séculos seguintes. O pregador protestante Jonathan Edwards costumava ‎aterrorizar o coração dos colonos americanos no século XVIII com a descrição vívida do ‎inferno.‎ Pouco depois, porém, as chamas do inferno começaram a diminuir lentamente. “O ‎inferno quase morreu no século 20”.

Catolicismo

A doutrina cristã do inferno deriva do ensinamento do Novo Testamento, onde o inferno é tipicamente descrito usando as palavras gregas Tartarus ou Hades ou a palavra hebraica Geena. Na Bíblia latina, estas palavras são usadas para representar o inferno sem distinção. A maioria das versões em idioma português seguem o latim, e elas não fazem distinção do original hebraico ou grego.

Estes três termos têm significados diferentes e devem ser reconhecidos.

Tartaro: (o verbo "jogar para o Tártaro") ocorre apenas uma vez no Novo Testamento, em II Pedro 2:4, onde é paralela ao uso da forma substantiva em Enoque como o lugar de encarceramento de 200 anjos caídos. Ele não menciona nada sobre as almas humanas sendo enviadas para lá na outra vida. 
Hades: tem semelhanças com o termo Antigo Testamento, Sheol como "o lugar dos mortos". Assim, ela é usada em referência tanto ao justo quanto ao ímpio, já que ambos acabam lá eventualmente. 
Geena: refere-se ao "Vale do Hinnon", que era um depósito de lixo fora de Jerusalém. Era um lugar onde as pessoas queimavam o lixo e, assim, sempre havia um fogo queimando lá. Os corpos de que eram aqueles considerados morrido em pecado, sem esperança de salvação (como pessoas que cometeram suicídio) eram jogados ali para ser destruídos. Geena é usada no Novo Testamento como uma metáfora para o último lugar de punição para os ímpios depois da ressurreição. 

Baseando-se em textos bíblicos como quando Jesus disse que o homem que desprezar seu irmão “incorrerá os fogos da Gehenna” (Mt 5,22).
  • Jesus também advertiu, “não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, temei quem pode destruir tanto corpo como alma na Gehenna” (Mt 10,28). 
  • Jesus disse, “Se tua mão te faz cair, corta-a. Melhor você entrar na vida com uma só mãos que manter ambas as mãos e ir para a Gehenna com seu fogo inextinguível” (Mc 9,43). 
  • Usando a parábola do joio e do trigo para descrever o juízo final, Jesus disse, “os anjos lançarão [os pecadores] na fornalha inflamável onde prantearão e moerão os seus dentes"(Mt 13,42). 
  • Também, quando Jesus fala sobre o juízo final onde a ovelha será separada dos lobos, Ele dirá ao pecador, “afastai-vos de mim, malditos, para o fogo perpétuo preparado para o demônio e seus anjos" (Mt 25,41). 
  • No Livro da Revelação, é relatado que cada pessoa é julgada individualmente e os pecadores são lançados em um “fosso de fogo, a segunda morte” (20,13-14).
Para a corrente católica, conduzida pela Igreja Católica Apostólica Romana, o inferno é eterno e corresponde a morte, o juízo final. 

A Igreja Católica Romana define o inferno como "um estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados . Tanto para a Igreja Católica Romana ,como para muitas outras igrejas cristãs, como os batistas e episcopais , e algumas igrejas ortodoxas gregas , o inferno é dito como o destino final de quem não é digno, após a ressurreição geral e o último julgamento, onde eles serão eternamente punido pelo pecado e permanentemente separado de Deus . 

A natureza desse julgamento é inconsistente com muitas igrejas protestantes que ensinam que a salvação vem ao aceitar Jesus Cristo como seu salvador, enquanto a Ortodoxa Grega e Católica ensina que o julgamento depende de fé e obras. No entanto, muitos cristãos liberais protestantes e anglicanos acreditam em Reconciliação Universal.

Judaísmo


No judaísmo, o termo Gehinom (ou Gehena) designa a situação de purificação necessária à alma para que possa entrar no Paraíso - denominado por Gan Eden. Nesse sentido, o inferno na religião e mitologia judaica não é eterno, mas uma condição finita, após a qual a alma estará purificada. Outro termo designativo do mundo dos mortos é Sheol, que apresenta essa característica de desolação, silêncio e purificação.

A palavra vem de Ceeol, que mais tarde deu origem ao termo sheol, não confundindo com "Geena" que era o nome dado a uma depressão profunda ao sul de Jerusalém, onde sacrifícios humanos eram realizados na época de doutrinas anteriores. Mais tarde, tornou-se uma espécie de lixão da cidade de Jerusalém, frequentemente em chamas devido ao material orgânico. O uso do termo Sheol indica lugar de inconsciência e inexistência, conforme o contexto nos mostra e não um lugar de punição.

Adventismo

Para os adventistas do sétimo dia, o plano de Deus não é a destruição da humanidade, mas a salvação das pessoas gratuitamente por meio da fé (Efésios 2:8-9) no sacrifício do Seu Filho (João 3:16). O objetivo de Deus é restaurar a Terra em sua imagem edênica (Atos 3:21), criando um novo Céu, um novo Lar para Seus filhos queridos (Apocalipse 21 e 22), livre da dor e da morte (Isaías 25:8-9), com um ambiente perfeito e puro (Isaías 35), nesta terra renovada (Salmos 37:9 e 22; 78:69; Mateus 5:5; Apocalipse 5:11), onde os salvos habitarão para sempre (Isaías 66:22-23) nas moradas que Cristo foi preparar (João 14:1-3) ... O pecado não se levantará segunda vez (Naum 1:9)

Protestantismo


o inferno é o local destituído da presença de Deus, mas não lhe está oculto, no cumprir das profecias esse inferno será lançado no lago que arde com fogo e enxofre [Apocalipse 20:15].

A Bíblia ensina que existe um abismo no qual estão presos vários seres demoníacos desde a rebelião de satanás [Apocalipse 9:1] esse abismo é diferente do local de tormento para onde irão àqueles que desobedecem a Deus e sua palavra, este é o local onde satanás ficará preso por mil anos [Apocalipse 20:2].

Para o protestantismo segundo a sua compreensão das escrituras ao morrer ninguém estará no céu ou no inferno, mas num lugar de descanso, ao lado de Cristo, ou num lugar de tormento, aguardando conscientemente o julgamento. E esse julgamento não é para definir quem será salvo ou não, pois isso será definido em vida, mas para o recebimento das recompensas segundo as práticas boas ou más, isto é o galardão.

Testemunhas de Jeová

Para as Testemunhas de Jeová, o inferno de fogo como lugar literal de tortura das pessoas injustas é rejeitado. Na Bíblia, os termos normalmente traduzidos por "inferno", Hades e Seol, significam "sepultura" ou "lugar dos mortos". Também no caso de Geena com a ideia de destruição e aniquilação eterna. 

Citam Atos 2:27, onde Jesus desceu ao Inferno (Hades ou Seol) e foi ressuscitado. As Testemunhas de Jeová acreditam que após a ressurreição dos mortos, os pecados anteriores não lhes serão imputados [Romanos 6:7 "Pois aquele que morreu foi absolvido do [seu] pecado", mas poderão recomeçar a vida escolhendo voluntariamente servir a Deus e alcançar assim a salvação.

Espiritismo


Para os espiritas o inferno é um estado de consciência de uma pessoa que comete ações contrárias às estabelecidas pelas leis morais, as quais estão gravadas na consciência de cada pessoa.

Assim apos a morte, se a pessoa não evitou ações infelizes, buscando vivência saudável de acordo com as leis divinas, ela segue para o Plano Espiritual ou incorpóreo. Lá, junta-se a outros espíritos, que trazem conturbações semelhantes de consciência. Afins, atraem afins.

Os Planos Espirituais de sofrimentos são inumeráveis e, guardam níveis de sofrimentos diferenciados, cujos níveis são estabelecidos pelos tipos de degradação da consciência, resultantes das ações cometidas por cada pessoa.

O inferno, como é mostrado na tradição religiosa cristã, como região criada por Deus para sofrimento eterno de pessoas não existe segundo a visão do Espiritismo. Deus não atribui pena eterna a nenhum de seus filhos. Porem eles podem sofrer, enquanto não despertarem para o Bem e se propuserem a trilhar o caminho certo. Um dia mais cedo ou mais tarde, O Criador, na Sua Misericórdia e Amor, concederá à criatura sofredora retorno à carne para continuar o seu aprendizado e aperfeiçoamento.

Estes conceitos são encontrados em O Livro dos Espíritos, editado em Abril de 1857 na sua quarta parte e, no livro O Céu E O Inferno editado em 1865. Ambas obras do autor, Allan Kardec.

Islamismo


No Islã, o inferno é eterno, consistindo em sete portões pelos quais entram as várias categorias de condenados, sejam eles muçulmanos injustos ou não-muçulmanos. Como na crença judaica, para o islamismo o inferno também é um lugar de purificação das almas, onde aqueles que, acreditaram pelo menos alguma vez na vida que Deus (Allah) é único, e que não gerou e nem foi gerado, terão suas almas levadas ao Paraíso um dia. 

É comum a crença de que no Islã o castigo é eterno, por ter bases fundamentalistas de alguns praticantes, e pelo fato de o Alcorão mencionar diversas vezes a palavra castigo e sofrimento no fogo do inferno. Porém é fato que o mesmo texto deixa claro que existem condições para se pagar os pecados e sofrer as consequencias, como também existem meios de se alcançar o perdão para o não banimento ao inferno por meio de aplicações de condutas que condizem com os bons costumes e a maneira de enxergar Deus, a vida e a forma de como deverá cada ser conduzi-la, a ponto de pagarem seus pecados post mortem, ou alcançarem a graça do perdão Divino.

Budismo


De certo modo, todo o samsara (fluxo incessante de renascimentos através dos mundos), é um lugar de sofrimento para o budismo, visto que em qualquer reino do samsara existe sofrimento. 

Porem, em alguns reinos, o sofrimento é maior correspondendo à noção de inferno como lugar de maior sofrimento e menor oportunidade de alcançar a liberação do samsara. Por esse motivo, muitas vezes expressam-se esses mundos de sofrimento maior como infernos. Nenhum renascimento em um inferno é eterno, embora o tempo da mente nessas situações possa ser contado em eras.

Contam-se dezoito formas de infernos, sendo oito quentes, oito frios e mais dois infernos que são, na verdade, duas subcategorias de infernos: os da vizinhança dos infernos quentes e os infernos efêmeros. Além desses dezoito que constituem o "Reino dos Infernos", pelo sofrimento, o "Reino dos Fantasmas Famintos" é comparável à noção de inferno, sendo constituído de estados de consciência de forte privação - como fome ou sede - sem que haja possibilidade de saciar essa privação.

No budismo, o renascimento em um inferno é uma conseqüência das virtudes e não-virtudes praticadas, de acordo com a verdade relativa do karma. Entretanto, alguns poucos atos podem, conduzir a um renascimento nos infernos, principalmente o ato de matar um Buda e o ato de matar o próprio pai ou a própria mãe. A meditação sobre os infernos deve gerar compaixão.



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2 de julho de 2014

O Inferno: Parte I - Visão Geral

۞ ADM Dama Gótica


Inferno é um termo usado por diferentes religiões, mitologias e filosofias, representando a morada dos mortos, ou um lugar de grande sofrimento e de condenação na vida após a morte, muitas vezes depois da ressurreição. Geralmente estas tradições localizam o inferno em outra dimensão ou sob a superfície externa da Terra. E muitas vezes incluem tambem entradas para o inferno direto da terra dos viventes.

A origem do termo é palavra latina pré-cristã inferus ("lugares baixos"), ou infernum, que significa "as profundezas" ou o "mundo inferior". 

Na Bíblia latina, a palavra é usada para representar o termo hebraico Sheol e os termos gregos Hades e Gehenna, sem distinção. A maioria das versões em idioma português seguem o latim, e elas não fazem distinção do original hebraico ou grego. 


Alguns teólogos afirmam que o inferno não poderia ser um lugar desagradável, atestando que um personagem bíblico que estava em sofrimento no mundo real, almejou “esconder-se no inferno”, para aliviar sua dor. 

Porém, o próprio Jesus fez uma narrativa de uma situação onde uma pessoa que se encontrava no inferno implorava a Abraão que mandasse um conhecido que não estava no inferno lhe refrescasse a língua com pelo menos a ponta do dedo molhado em água, pois em chamas era atormentado (Lucas, capítulo 16, versículos de 19 ao 31). 


As palavras Hades e Sheol, ambas com mesmo significado, tem conotação clara de um lugar para onde vão os mortos. Segundo a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, Hades se refere a sepultura comum da humanidade, lugar onde vão todos os que morrem. Já a palavra Gehenna se refere a uma condição, sendo esta a condição daqueles pecadores não arrependidos: destruição eterna. 

Em versículos bíblicos onde se mencionam tais palavras, é possível perceber que se trata de um só lugar. Com o passar do tempo, muitas religiões interpretaram o inferno, como o destino de pessoas que não assumiram uma conduta louvável no ponto de vista religioso, e que por isso, foram condenadas ao sofrimento jamais visto pelo mundo material.

Outras tradições, que não aceitam que na vida após a morte haja um lugar de castigo ou recompensa, descrevem o inferno um lugar neutro para todos os mortos, localizado sob a superfície da Terra.


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1 de julho de 2014

Kuzuryu

۞ ADM Sleipnir

Arte de chaos-draco

Kuzuryu (九头龙 ou くずりゅう, "dragão de nove cabeças", também chamado Kuzuryūshin (九頭龍神, "deus dragão de nove cabeças") é uma espécie de dragão presente no folclore e em lendas de várias partes do Japão, incluindo, por exemplo, Hakone (Kanagawa), e as prefeituras de Nagano e Fukui.  Sua figura teria origem em Vasuki, uma serpente presente na mitologia hindu e no budismo.
 
Como a maioria dos dragões, os Kuzuryu têm poder sobre a chuva e a água. Santuários dedicados a eles geralmente são organizados em torno de orações pela chuva e pela saúde dos rios próximos e pela proteção contra inundações.


Lendas

Na cidade de Hakone, existe uma famoso templo que leva o seu nome. A lenda local diz que um dragão feroz e venenoso se assentou no lago Ashino-ko e então passou a exigir do povo da cidade donzelas humanas como sacrifício todos os anos, como forma de apaziguar seu espírito vingativo. 

Ao ouvir sobre a história, um sacerdote chamado Mankan (万 巻 上人) decidiu impedir futuras vítimas. Ele construiu uma escadaria de pedra levando até o lago, e  lá exorcizou o dragão com seus poderes mágicos. Mankan amaldiçoou o dragão e o aprisionou de cabeça para baixo em uma rocha. Aparentemente, o povo do local ainda continuou a enviar suas jovens ao dragão, mas o inconveniente de ter que se alimentar de cabeça para baixo, eventualmente, lhe causava azia. O dragão finalmente cedeu e desde então nunca mais incomodou ninguém. Acredita-se que o dragão se transformou em Kuzuryu-Myojin (literalmente "deus dragão de nove cabeças")  e se tornou o espírito guardião do lago.

Um santuário foi construído perto da área onde o dragão foi aprisionado. Daquele dia em diante, os habitantes da cidade têm adorado um santuário dedicado ao dragão e, ao invés de oferecerem sacrifícios humanos ao mesmo, passaram a fazer oferendas de arroz cozido com feijão vermelho.


O Santuário Togakushi, na província de Nagano, é o lar de uma famosa lenda envolvendo um Kuzuryu. Em 849 d.C, um monge chamado Gakumon passou a residir em uma caverna no Monte Togakushi. Enquanto ele recitava o Sutra do Lótus, um temível Kuzuryu apareceu diante dele. O dragão disse a ele que ele já foi o administrador de um templo próximo, mas ele roubou as doações feitas ao templo e as guardou para si. Seu pecado fez com que ele se transformasse em um dragão. Enquanto ouvia as recitações de Gakumon, ele finalmente alcançou a iluminação. O dragão prometeu permanecer na caverna e proteger a área, e Gakumon selou a entrada da caverna com uma pedra. Depois disso, o dragão abençoou a terra com chuva e água. Ele também era especialmente bom em curar dores de dente para quem lhe deixasse uma oferenda de peras, que era sua comida favorita.



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