Daruwanak (ou Daruanak) é uma criatura pertencente ao folclore filipino, em particular a região da península de Bicol. Trata-se de um gigantesco ser marinho, semelhante a uma tartaruga, porém coberto de pelos. Originalmente, ele vivia em terra firme, mas conforme crescia de forma gradual, tornou-se tão grande que precisou ir para o mar, onde poderia se mover livremente.
Uma lenda bicolana conecta Daruwanak com a serpente marinha divina Bakunawa. Segundo essa versão, Bakunawa era uma serpente nascida nas profundezas do mar, com uma tartaruga como irmã gêmea (Daruwanak). Juntamente com outra serpente, ela guardava uma fenda no fundo do oceano que leva ao submundo, impedindo que os seres entrem ou saiam da passagem. Com o passar do tempo, Bakunawa se tornou mais bela e poderosa, e ascendeu ao status de divindade, enquanto Daruwanak, por sua vez não alcançou tal status, apenas crescendo ao ponto de se tornar tão grande como uma ilha.
Antu (também grafado Antü) é uma divindade central na mitologia mapuche, sendo considerado o mais poderoso dos espíritos conhecidos como pillán. Ele representa o Sol, a luz, a sabedoria e o espírito, sendo o oposto simbólico da escuridão, do mundo físico e das forças destrutivas. Antu é tradicionalmente descrito como o governante supremo dos outros pillán e esposo da deusa Kuyén (ou Kueyen), um dos espíritos conhecidos como wangulén, e que representa a Lua.
Etimologia e simbolismo
Na cosmologia mapuche, os pillán são poderosos espíritos ancestrais masculinos que habitam o Wenumapu (mundo celestial), enquanto os wangulén são espíritos-estrela femininos, associados ao brilho e às constelações. A relação de Antu com o Sol reflete uma divisão simbólica comum a diversas culturas indígenas e tradicionais, onde o Sol é associado ao princípio masculino e à racionalidade, e a Lua ao princípio feminino e à intuição. O casamento de Antu com a Lua (Kuyén) é parte de uma estrutura mitológica recorrente em várias civilizações.
Com a cristianização dos povos mapuches, Antu foi progressivamente fundido ao conceito de Ngenechén, uma entidade suprema que incorpora múltiplos aspectos divinos, embora originalmente espíritos como Antu fossem figuras distintas.
A Batalha dos Pillán
Segundo a tradição oral mapuche, quando Antu decidiu tomar uma wangulén como esposa, todas desejaram ser escolhidas, pois Antu era o mais brilhante entre os pillán. No entanto, Antu escolheu Kuyén, por ser a mais luminosa, e essa escolha deu início a uma grande discórdia entre as demais estrelas.
O principal instigador do conflito foi Peripillán, o espírito vermelho do fogo e rival direto de Antu. Movido pela inveja, Peripillán ressentia-se do fato de que o ouro de Antu não era ofuscado pelas chamas, enquanto Antu, por sua vez, nutria ressentimento porque o fogo de Peripillán brilhava mais intensamente que o ouro em meio à escuridão. Com o fim da harmonia e o colapso da ordem sagrada, a paz deixou de existir, e os dois pillán entraram em guerra.
Outros espíritos tomaram partido no conflito, com muitos pillán e todas as wangulén apoiando Peripillán. A batalha foi longa e violenta, fazendo a terra estremecer e afetando não apenas o mundo dos humanos, mas também o Minche Mapu (em mapudungun, “mundo subterrâneo” ou “mundo de baixo”) e o Ankawenu (o mundo elevado ou das alturas espirituais). À medida que o conflito se prolongava, os filhos dos antigos espíritos, já crescidos, desejaram tomar o lugar de seus pais e se voltaram contra eles.
Tomados pela fúria, Antu e Peripillán agarraram seus filhos gigantes pelos longos cabelos e os arremessaram contra o chão rochoso. Um deles caiu no Puelmapu (território oriental, associado às terras além da Cordilheira dos Andes) e o outro no Lafkenmapu (território costeiro, ligado ao mar). Ao caírem, seus corpos duros marcaram profundamente a terra, formando altas montanhas à medida que se despedaçavam e afundavam nas profundezas do solo.
Ao final da batalha, Antu saiu vitorioso e derrotou Peripillán. Cego pela ira e desejando vingança, lançou os pillán vencidos para o interior da terra, enterrando-os sob rochas, colinas e cadeias montanhosas. Sobre Peripillán, o mais poderoso entre eles, ergueu as montanhas mais altas. Ainda assim, o fogo de Peripillán não foi completamente extinto. As tentativas desses espíritos aprisionados de se libertarem fazem a terra tremer, causando abalos sísmicos; em certos momentos, seu fogo consegue escapar brevemente das prisões montanhosas, manifestando-se como fumaça e colunas de lava que emergem dos vulcões.
Enquanto isso, as wangulén, temendo represálias, choraram e imploraram por clemência. Suas lágrimas escorreram entre e sobre as montanhas recém-formadas, dando origem aos lagos e congelando-se como neve nos cumes mais altos. Comovido, Antu decidiu poupá-las, mas enfraqueceu seu brilho, tornando-o pálido e discreto, para que nenhuma pudesse rivalizar com a luz de Kuyén.
Entre os corpos derrotados estavam os filhos de Antu e Peripillán. As esposas desses espíritos choraram profundamente sua perda, e Antu, tocado por sua dor, decidiu trazê-los de volta à vida, porém sob novas formas: como serpentes gigantes míticas. O filho de Peripillán passou a ser conhecido como Cai Cai-Vilu (ou Coi Coi-Vilu, serpente associada às águas e às inundações), enquanto o filho de Antu tornou-se Ten Ten-Vilu(serpente ligada à terra firme e à elevação do solo). Assim como seus pais, essas duas entidades tornaram-se forças rivais da natureza, cumprindo a vontade dos antigos espíritos.
Como consequência final do conflito, a terra foi tão violentamente abalada que espíritos malignos conhecidos como wekufes (entidades caóticas e corruptoras) foram libertados de suas prisões subterrâneas e passaram a vagar pelo mundo. Desde então, segundo a tradição mapuche, o universo jamais recuperou plenamente sua harmonia original.
Auñ Pana e Pehiwetinome são entidades do folclore indígena dos Yanomami, povo originário das regiões amazônicas do Brasil e da Venezuela. Essas criaturas são descritas como peixes monstruosos e antropófagos, presentes em narrativas tradicionais desse povo.
Descrição
Os Auñ Pana são representados como peixes de grandes proporções, dotados de braços e corpos cobertos de pelos, características que os distinguem de peixes comuns e os aproximam de seres híbridos. São considerados extremamente malignos e, segundo a tradição oral yanomami, possuem poderes mágicos. Habitam águas profundas de rios e lagos. Os Pehiwetinome são descritos de forma semelhante: peixes gigantes, igualmente devoradores de homens, que costumam viver associados aos Auñ Pana, formando cardumes mistos nas regiões mais profundas dos cursos d’água.
Mitologia
Um dos mitos mais conhecidos envolvendo essas criaturas narra que os Yanomami atravessavam uma ponte para alcançar o outro lado de um rio, onde pretendiam passar a noite. Enquanto o grupo cruzava a estrutura, um grupo de Auñ Pana e Pehiwetinome passou a morder a madeira da ponte, enfraquecendo-a até provocar seu colapso.
Com a queda, a ponte transformou-se em uma jangada, e os Yanomami que sobreviveram ao acidente sofreram uma transformação mítica, convertendo-se em macacos e porcos. Em algumas versões do relato, apenas uma criança permaneceu humana por um breve momento, antes de também se transformar em macaco.
Diomedes (grego: Διομήδης, “astúcia divina” ou “aconselhado por Zeus”) é, provavelmente, o mais injustiçado de todos os heróis da mitologia grega. Tido como o segundo maior herói da Guerra de Tróia — atrás apenas de Aquiles —, Diomedes realizou feitos que o colocam entre os grandes nomes do ciclo épico, embora nunca tenha alcançado a mesma fama que seus contemporâneos.
Redimindo os pecados do pai
Diomedes era filho de Tideu, que fora banido da Caledônia após matar seus parentes e tios paternos na tentativa de usurpar o trono de seu pai, Eneu. Exilado, Tideu encontrou refúgio em Argos, governada pelo rei Adrasto, em troca de apoio na guerra contra Tebas. Sem opções, aceitou o acordo, o que resultou em sua morte no campo de batalha.
Esse ato trouxe novas rixas de sangue à família de Diomedes. Embora Eneu tivesse banido Tideu, o aprisionamento de Eneu pelos filhos de Agrios levou Diomedes, já adulto, a agir. Por dever filial, matou os filhos de Agrios, libertando seu avô e recuperando a honra da família. Em recompensa, recebeu o reino de Andriamon. No entanto, dois filhos sobreviventes de Agrios, Onquesto e Tersites, emboscaram Diomedes e Eneu a caminho do Peloponeso, matando Eneu e fugindo. Diomedes retornou o corpo do avô a Argos para um enterro digno e, posteriormente, casou-se com Egialeia, filha de Adrasto, tornando-se o mais jovem rei de Argos. Como monarca, demonstrou grande habilidade política e garantiu prosperidade e estabilidade ao reino, sendo respeitado por vários governantes.
Pretendente de Helena de Tróia
O rei Tíndaro, pai adotivo de Helena, temia que a beleza da jovem provocasse discórdia entre seus pretendentes. Assim, exigiu que todos jurassem proteger o escolhido como marido de Helena. Entre os pretendentes estava Diomedes, mas Menelau, rei de Esparta, foi o escolhido.
Quando Páris raptou Helena e a levou para Tróia, Menelau exigiu reparação. Pelo juramento prestado, todos os antigos pretendentes foram convocados por Agamêmnon a combater. Diomedes ofereceu oitenta navios de guerra — a segunda maior frota, atrás apenas da de Agamêmnon.
Diomedes e Aquiles
Reunidos em Áulis, os aqueus ouviram a profecia de Calcas: Tróia só cairia com a ajuda de Aquiles. Odisseue Diomedes foram enviados para encontrá-lo. Disfarçados de mercadores, foram ao palácio de Ciro, onde Aquiles vivia oculto entre as filhas do rei Licomedes. Odisseu dispôs joias e armas diante das jovens, e, ao soar de uma trombeta, apenas Aquiles empunhou espada e escudo, revelando sua identidade. Convencido pelos dois heróis, juntou-se à expedição.
Durante a campanha, Diomedes foi forçado a lutar ao lado de Tersites, filho de Agrios — o assassino de seu avô. Em vez de vingar-se, manteve o juramento à aliança aqueia. Quando Tersites foi morto por Aquiles, Diomedes censurou o semideus, mostrando mais honra que muitos de seus pares.
A Guerra de Tróia
No quinto livro da Ilíada, Atenaconcedeu a Diomedes coragem, sabedoria, a capacidade de distinguir deuses de mortais e um fogo divino que envolvia seu elmo e escudo. Amparado pela deusa, derrotou inúmeros troianos, matou Pândaro e feriu Enéias, filho de Afrodite. Ao tentar salvar o filho, a própria deusa foi ferida por Diomedes — ato inédito entre os mortais. Mais tarde, enfrentou Aresem combate direto e também o feriu, tornando-se o único homem a ferir dois deuses olímpicos. Por isso, passou a ser chamado de “Terror de Tróia”. Sua coragem era tamanha que até Glauco, herói troiano, recusou o duelo, oferecendo-lhe a própria armadura em sinal de respeito.
Mesmo quando Zeusordenou a retirada dos aqueus, Diomedes resistiu, chegando a desafiar Heitor em combate de carruagens. Foi obrigado a recuar por Nestor, mas, insatisfeito, liderou um ataque noturno ao acampamento troiano, forçando os inimigos a recuar às muralhas.
Nos livros IX e X da Ilíada, Diomedes e Odisseu espionaram o acampamento inimigo, capturando Dólon, mensageiro de Heitor. Após obterem informações, invadiram o acampamento trácio, mataram doze homens e roubaram seus cavalos. Mais tarde, enfrentou novamente Heitor, sendo ferido por uma flecha de Páris. Ainda assim, sobreviveu e foi resgatado por Odisseu. Após a morte de Pátroclo e a volta de Aquiles ao campo, Diomedes cedeu lugar à fúria do semideus, que matou Heitor e arrastou seu corpo diante dos muros de Tróia.
O roubo do Paládio e o Cavalo de Tróia
Com a guerra prolongando-se, Diomedes e Odisseu souberam que Tróia jamais cairia enquanto a estátua do Paládio (uma antiga imagem sagrada de Atena que, segundo a tradição, garantia proteção divina à cidade que a possuísse) permanecesse em seu interior. Disfarçados de mendigos, infiltraram-se nas muralhas troianas e, com a ajuda de Helena, roubaram o ídolo venerado, matando guardas e sacerdotes para cumprir a missão.
Segundo alguns relatos, Odisseu tentou matar Diomedes para ficar com a estátua, mas o rei de Argos conteve-se e poupou a vida do aliado. O respeito dos troianos às relíquias divinas inspirou Odisseu a conceber o ardil do Cavalo de Tróia. Diomedes foi um dos guerreiros escondidos dentro da estrutura. À noite, abriu os portões da cidade, permitindo a invasão final dos aqueus e o término da guerra.
Pintura em vaso grego representando Diomedes capturando o Paládio.
Após a Guerra de Tróia
Durante o retorno, Diomedes foi desviado por uma tempestade e capturado na Lícia pelo rei Lico, que pretendia sacrificá-lo a Ares. Sua filha, Calírroe, compadeceu-se e o libertou, mas depois tirou a própria vida.
De volta a Argos, Diomedes descobriu que sua esposa, Egialeia, havia se tornado infiel, influenciada pela vingança de Afrodite, que buscava punir o herói por tê-la ferido em Tróia. Acusado injustamente e rejeitado por seu povo, foi forçado ao exílio. Partiu primeiro para a Etólia e, posteriormente, navegou até a península Itálica, onde fundou a cidade de Argyirpa (atual Arpi), na região da Apúlia.
Em outra tradição, Diomedes auxiliou o rei Dauno dos daunianos em guerra contra os messápios, recebendo terras e a mão da filha do rei. Sua morte varia conforme o autor: alguns dizem que pereceu cavando um canal para o mar; outros, que morreu em Argos; há ainda relatos de que Atena o concedeu imortalidade, acolhendo-o entre os deuses.
Legado
Entre os heróis da tradição épica grega, Diomedes é uma figura curiosamente discreta. Suas façanhas não foram poucas — feriu deuses, comandou exércitos e teve parte decisiva na queda de Tróia —, mas seu nome acabou ficando à sombra de Aquiles e de Odisseu. Na Ilíada, ele aparece como o guerreiro que pensa antes de agir: corajoso, disciplinado, fiel aos deuses e aos companheiros. Em vez de se mover pela ira ou pela vaidade, age com clareza e propósito. Essa sobriedade, rara entre os heróis homéricos, faz dele um personagem à parte — um homem que vence sem se perder, e cuja história não termina em tragédia. Talvez por isso Diomedes tenha sido lembrado menos do que merecia. É o herói que cumpre seu dever e segue adiante, sem buscar glória nem piedade. Sua força não vem do impulso, mas da medida; não da fúria, mas do domínio de si. Entre os guerreiros de Tróia, foi talvez o mais humano — e, por ironia, o que mais se aproximou da verdadeira grandeza.
Geumdwaeji (coreano 금돼지, "javali dourado") é uma criatura do folclore coreano, descrito como um porco ou javali antropomórfico de pelos dourados e que, segundo a tradição, habitava uma caverna na ilha de Wolyeongdo, diante de Masan, onde atuava como um ser devorador de homens e para onde sequestrava mulheres para devorá-las ou forçá-las a servi-lo. Além de força bruta, Geumdwaeji era tido como mestre em magia e metamorfose, o que o aproxima da figura de Zhu Bajie, personagem do clássico chinêsJornada ao Oeste. No entanto, como as lendas do Geumdwaeji remontam ao período Silla (séculos VII–X), sua tradição é mais antiga que a versão chinesa.
Mitos
Um dos mitos mais conhecidos envolvendo o Geumdwaeji é o de Choe Chi-won, erudito do fim do período Silla. Conta-se que, sempre que um magistrado assumia o posto em uma aldeia de Gochang-gun, sua esposa desaparecia misteriosamente. Ciente disso, um novo magistrado costurou um fio à roupa da esposa e seguiu o rastro até a caverna, onde encontrou o monstro. Munido de pele de cervo — considerada sua maior fraqueza — conseguiu derrotá-lo. A esposa, contudo, teria concebido um filho ligado ao Geumdwaeji, identificado como o próprio Choe Chi-won. Dessa forma surgiu a crença de que o erudito descendia do javali dourado, símbolo ao mesmo tempo de ruptura da ordem antiga e do nascimento de uma nova.
Outras tradições contam a história de modos distintos: em certos relatos, o raptado é o próprio magistrado; em outros, o javali subjuga a esposa e gera um filho. Há também versões que discordam sobre o ponto fraco do monstro, mencionando não só a pele de cervo, mas igualmente a de cavalo branco ou a de carneiro como elementos capazes de derrotá-la.
Geumdwaeji também aparece em outro romance clássico, Geumbanguljeon (금방울전, 金鈴傳,“O Conto do Sino de Ouro”), onde é descrito como o rei de monstros malignos com características semelhantes às da tradição oral. Nessa narrativa, o monstro engole o herói Geumbangul, mas acaba passando mal e, após se debater, é morto brutalmente pelo protagonista Haeryong.
MYUNG-SUB, C.; JUNG, H.-Y.; KUNGNIP-MINSOK-PANGMULGWAN. Encyclopedia of Korean Folk Literature = Han’guk minsok paekhwa sajŏn 3. Han’guk minsok munhak sajŏn. Seoul: The National Folk Museum Of Korea, 2014.
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Nihniknoovi é uma criatura mítica do folclore indígena norte-americano, associada aos povos Kawaiisu e Tübatulabal, da região da Grande Bacia (Great Basin), no sudoeste dos Estados Unidos. Ela é descrita como um ser monstruoso de aparência aviária, semelhante a um grande falcão ou outra ave de rapina de proporções descomunais.
Segundo a tradição oral, o Nihniknoovi possui garras enormes e poderosas, com as quais captura seres humanos. A criatura é frequentemente retratada como capaz de voar longas distâncias, carregando suas vítimas presas às garras até sua morada nas montanhas. Após matar suas vítimas, ele as transporta até um poço ou lago, onde lava o sangue dos corpos antes de devorá-los.
fontes:
ROSE, C. Giants, monsters, and dragons : an encyclopedia of folklore, legend, and myth. New York: Norton, 2001.
GILL, S. D.; SULLIVAN, I. F. Dictionary of Native American Mythology. [s.l.] ABC-CLIO, 1992.
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Cloacina (em latim Cloācīna, “A Purificadora”, do verbo cluo, “limpar”, do qual deriva também cloaca, “esgoto” ou “dreno”) era uma deusa da Roma Antiga associada à purificação e à higiene ritual. Ela presidia a Cloaca Maxima (“Grande Dreno” em latim), o principal canal do sistema de esgotos de Roma. Segundo a tradição, a Cloaca Máxima teria sido iniciada durante o reinado de Tarquínio Prisco, um dos reis etruscos de Roma, e concluída por Tarquínio, o Soberbo, também de origem etrusca. Em razão disso, é possível que Cloacina tenha sido originalmente uma divindade etrusca posteriormente assimilada ao panteão romano.
De acordo com um dos mitos fundacionais de Roma, Tito Tácio, rei dos sabinos, teria erguido uma estátua em honra a Cloacina no local onde romanos e sabinos se reuniram para selar a paz após o episódio conhecido como o rapto das mulheres sabinas. Nesse contexto, Tácio instituiu o casamento legal entre sabinos e romanos, unificando-os como um único povo sob o governo conjunto dele próprio e de Rômulo, o fundador de Roma.
A reconciliação entre sabinos e romanos foi marcada por um ritual de purificação com murta, realizado em ou nas proximidades de um antigo santuário etrusco dedicado a Cloacina, situado acima de um pequeno curso d’água que mais tarde seria ampliado e integrado à Cloaca Máxima. Como a murta era um dos símbolos de Vênus, deusa associada à união, à paz e à reconciliação, Cloacina passou a ser identificada como Vênus Cloacina (Venus Cloacina, “Vênus, a Purificadora”). Nessa forma sincrética, atribuía-se-lhe também a função de purificar as relações sexuais dentro do casamento.
Culto e representações
O pequeno santuário circular de Vênus Cloacina localizava-se em frente à Basílica Emília, no Fórum Romano, diretamente acima da Cloaca Máxima. Algumas moedas romanas trazem representações desse santuário. As imagens mais nítidas mostram duas figuras femininas, presumivelmente divinas, cada uma acompanhada por um pássaro pousado sobre uma coluna. Uma das figuras segura um pequeno objeto, possivelmente uma flor. Tanto pássaros quanto flores eram símbolos associados a Vênus, entre outras divindades, e essas figuras podem representar os dois aspectos complementares da divindade sincrética Cloacina–Vênus.
Changxi ( chinês: 常羲) também conhecida como Changyi ou Ch’ang-hsi, é uma deusa lunar da antiga mitologia chinesa, reverenciada como a mãe das doze luas e esposa do deus Di Jun. Ela desempenha um papel central na concepção chinesa do tempo e dos ciclos celestes, sendo responsável por moldar o calendário lunar ao harmonizar os movimentos da lua com os do sol.
Mitologia
Changxi é mencionada principalmente no Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares") onde aparece como uma deusa que banha as doze luas, suas filhas, em um lago sagrado situado no oeste da China. Cada lua representa um mês lunar, e Changxi supervisiona seus ciclos, garantindo que eles completem a jornada celestial diária. Embora o Shan Hai Jing não descreva detalhadamente as atividades das luas, a narrativa sugere que sua função era complementar os ciclos solares, de forma semelhante ao mito de Xi He, a deusa do sol, que deu à luz dez sóis e os banhava na árvore Fusang.
A tradição atribui a Changxi a tarefa de sincronizar os ciclos lunares com os solares, incluindo a inserção de um mês bissexto (um mês extra adicionado a um calendário lunissolar para realinhá-lo com o ano solar).
Influências
O mito de Changxi incorpora temas recorrentes na mitologia chinesa, como a ideia de que no passado antigo havia mais de uma lua e de que a lua nasce de uma deusa, enfatizando a ligação entre o divino e os fenômenos naturais. Outro elemento importante é o ato de banhar ou lavar as luas, que, segundo algumas tradições dos povos Miao, Buyi e Yi, servia para limpar a poeira acumulada durante seu trabalho e fazê-las brilhar novamente. Além disso, o número de luas pode variar conforme a tradição — cinco, sete, nove, dez ou doze —, sendo que a versão mais conhecida atribui a Changxi doze luas, correspondentes aos meses do calendário lunar.
Relação com Chang’e
Changxi às vezes é confundida com Chang’e, outra deusa lunar famosa por ter roubado o elixir da imortalidade de seu marido, Hou Yi, e voado para a lua. Alguns estudiosos chineses sugerem que ambas as deusas possam ter se originado da mesma figura lunar, dada a semelhança fonética de seus nomes no chinês antigo e a associação direta de ambas com a lua.
fontes:
ROBERTS, J. Chinese mythology : a to Z. New York: Chelsea House, 2010;
YANG, L.; AN, D.; JESSICA ANDERSON TURNER. Handbook of Chinese mythology. [s.l.] Oxford [U.A.] Oxford University Press, 2008;