10 de junho de 2025

Tunupa

۞ ADM Sleipnir

Arte de Genzoman

Tunupa (ou Thunupa), é uma divindade central na mitologia aimara e inca, associada principalmente à região do Lago Titicaca. Sua adoração remonta ao perído do Horizonte Médio (aproximadamente 600–1000 E.C.) e persiste até os dias atuais, sendo frequentemente identificado como uma divindade do raio e do fogo, além de ter sido sincretizado com figuras cristãs, como São Tomé e Santiago.

Tunupa é descrito como uma entidade poderosa que percorreu os Andes, realizando atos de criação e destruição, semelhante ao deus Viracocha. Enquanto Viracocha era mais associado à região de Cusco, Tunupa teve forte influência no Collasuyu, a parte sul do Império Inca, que abrangia o altiplano boliviano e áreas do Chile e do Peru. Vários vulcões e montanhas na região do Collasuyu levam o nome Tunupa. Um exemplo notável é o vulcão Tunupa, na Bolívia. 

Iconografia

Nas representações artísticas e iconográficas, Tunupa é frequentemente associado à imagem do Gigante do Atacama, uma enorme figura antropomórfica gravada no deserto do Chile, próximo ao Cerro Unitas. Essa figura, que mede cerca de 86 metros de altura e é considerada uma das maiores geoglifos do mundo, é interpretada por alguns estudiosos como uma possível representação de Tunupa devido à sua postura imponente e à ligação simbólica com divindades andinas do raio e da criação. 

Gigante de Atacama

Lendas 

Uma das narrativas mais conhecidas conta que Tunupa viajou pelos Andes, transformando pessoas em pedra quando não ouviam seus ensinamentos. Em Cacha, teria destruído um huaca (santuário) em forma de mulher com uma explosão vulcânica. Outra lenda relata que, após ser capturado por habitantes locais, escapou usando seu manto como barco, atravessando o Lago Titicaca. Em algumas versões, seu corpo foi colocado em uma jangada que, levada pelo vento, abriu o curso do Rio Desaguadero. Assim como Viracocha, Tunupa teria desaparecido no Oceano Pacífico após sua jornada.

Sincretismo Religioso

Com a colonização espanhola, Tunupa foi associado a figuras cristãs. Algumas crônicas o identificam como o apóstolo São Tomé, que teria pregado nos Andes antes da chegada dos europeus. Em outras tradições, é equiparado a Santiago, o santo guerreiro, representando o trovão e o raio. Cronistas indígenas, como Pachacuti Yamqui e Felipe Guaman Poma de Ayala, misturaram elementos andinos e cristãos, apresentando Tunupa como um pregador milagroso que realizava curas e batismos.

Variantes e Interpretações

Em algumas fontes, Tunupa aparece com os nomes Taapac ou Tarapacá, ou é acompanhado por um assistente chamado Tarapacá, que também dá nome a uma região entre Peru, Chile e Bolívia. As lendas sobre Tunupa foram reinterpretadas de diferentes formas durante o período colonial. O missionário jesuíta Ludovico Bertônio descreveu Tunupa como um pecador por se relacionar com duas irmãs-peixe do lago, enquanto Alonso Ramos Gavilán reinterpretou a história, substituindo as irmãs por uma mulher sagrada que salva Tunupa, agora identificado como São Tomé.

Arte de Vixgo

fonte:
  • STEELE, P. R.; ALLEN, C. J. Handbook of Inca mythology. Santa Barbara, Calif.: Abc-Clio, 2004.

‌CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

12 de setembro de 2021

Ccoa

۞ ADM Sleipnir


Ccoa (ou K'owa, também Cacya ou Chokkechinchay/Choquechinchay) é um mítico espírito climático presente nas lendas dos povos quéchuas/incas. Referido como o "animal de estimação" dos espíritos das montanhas (Apu), dizem que sua morada é a montanha Ausangate, perto da aldeia de Kauri, no distrito de Cuzco, no Peru.

O Ccoa possui a aparência de um felino com o corpo e principalmente a cabeça um pouco maior que a um gato doméstico, com pelos cinzas e listras pretas horizontas ao longo do corpo e um par de olhos fosforescentes, dos quais frequentemente escorrem fragmentos de granizo. Eventualmente, ele assume a forma de um touro com características felinas e com olhos na cor de sangue.

O Ccoa é um espírito de natureza destrutiva, que durante as estações de chuvas costuma emergir das terras altas em forma de nuvens e destruir colheitas. Com sua cauda, ele faz precipitar tempestades, raios e granizo sobre as mesmas, prejudicando-as e trazendo grande prejuízo. Sua fúria pode ser aplacada por oferendas adequadas, que incluem incenso, vinho, ouropel de ouro e prata, sebo de lhama e grãos de cañihua e huairuro, coletados e queimados em terreno elevado. Devido a qualidade das oferendas, geralmente só os ricos conseguem fazê-la, o que torna os pobres mais suscetíveis de terem suas colheitas arrasadas. Feiticeiros também costumam fazer oferendas ao Ccoa, em agradecimento aos poderes que o mesmo pode propiciar a eles ao atingi-los com seus raios. 

Não está claro se o Ccoa age por iniciativa própria ou se apenas segue as ordens de seus mestres Apus mas, de qualquer forma, ele é tratado como uma ameaça malévola que deve ser aplacada. Três coisas em particular fazem com que a fúria do Ccoa se intensifique: oferecer oferendas insuficientes, a morte de crianças que não foram batizadas e por último tentar lutar contra sua chuva de granizo. No caso das crianças não batizadas, acredita-se que após sua morte elas se tornam duendes malignos. Quando essas crianças morrem, elas devem ser levadas para as colinas e queimadas até que se tornem cinzas. Caso essas crianças não batizadas sejam enterradas, o ccoa atingirá o local de seu sepultamento com um raio e a levará para Ausangate, onde ela se tornará sua serva.

Arte de Padraig Campbell


fontes:

CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE
✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

7 de julho de 2021

Axomama

۞ ADM Sleipnir

Arte de Genzoman

Axomama ("Mãe das Batatas", também Axomamma, Ajomamma e Acsumama) é a deusa inca das batatas e uma das filhas de Pachamama, a Mãe Terra. Axomama é uma divindade obscura, mas que personifica e representa a importância que as batatas tinham na cultura inca. Os incas valorizavam muito a variedade agrícola e cultivavam milhares de tipos diferentes de batatas, em uma grande variedade de formas e cores. As batatas eram uma parte vital da cadeia alimentar do povo inca, que não só as cultivavam e se alimentavam delas, como as cultuavam. Na maioria das aldeias, havia uma batata em um formato particularmente estranho, a qual as pessoas adoravam e pediam por uma boa colheita. Entre os incas havia até mesmo o costume de enterrar batatas com seus mortos.

As batatas foram cultivadas pela primeira vez por agricultores na região dos Andes há quase sete mil anos atrás, mas só tiveram seu potencial agrícola compreendido no período do Império Inca. Após a total conquista do território inca pelo Império Espanhol, os espanhóis trouxeram para a Europa os espólios de suas conquistas, e dentre eles estavam as batatas, que se adaptaram bem aos solos europeus e tornaram-se base da alimentação no continente.


fontes:

  • You Goddess!: Lessons in Being Legendary from Awesome Immortals, por Elizabeth Foley e Beth Coates;
  • Superstitions: A Handbook of Folklore, Myths, and Legends from around the World, por D.R. McElroy;
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Axomamma

CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE
✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

12 de abril de 2021

Amaru

۞ ADM Sleipnir

Amaru (ou Amaro, "serpente" na língua quechua, também conhecido como Katari) é uma criatura quimérica pertencente à mitologia das antigas civilizações andinas. Ás vezes considerada uma divindade singular, outras uma espécie, Amaru é descrita como sendo uma serpente ou dragão alado com uma cabeça de lhama (ou com duas cabeças, sendo uma de lhama e a outra de um puma), uma cauda de peixe e o corpo coberto por escamas e/ou penas coloridas. Descrições posteriores da criatura, narradas após os espanhóis conquistarem a região, incorporam características correspondentes aos dragões medievais europeus, como garras afiadas e a capacidade de cuspir fogo.

Os povos andinos acreditavam que os Amaru possuíam poderes sobrenaturais, sendo arautos de mudanças repentinas no mundo natural, como secas, enchentes, mudanças de líderes, guerras ou pragas. Eram frequentemente descritos como vindos das profundezas de montanhas, cavernas ou rios, e também acreditava-se que os Amaru tinham a capacidade de transitar entre os pachas (os planos cósmicos da mitologia inca). 


Representações do Amaru podem ser encontradas em cerâmicas, roupas, joias e em esculturas, a maioria datada de várias centenas de anos. Nos dias de hoje ele ainda é visto como uma divindade por membros modernos da cultura inca e falantes da língua quechua.

Lendas

Geralmente, os Amaru eram tidos como seres moralmente ambíguos, mas existem histórias onde eles assumem papéis benignos ou malignos.

De acordo com uma lenda, o antigo povo da cidade peruana de Junin vivia em cavernas como refugiados, com medo de serem devorados pelos animais selvagens que habitavam o território. O deus Viracocha tomou ciência da situação e decidiu fazer algo sobre isso. Ele pediu a ajuda do arco-íris e de seu peito surgiu o primeiro Amaru: uma criatura negra e assustadora. O animal sagrado foi enviado para exterminar todos os animais selvagens e perigosos, mas, uma vez que o seu trabalho havia terminado, esse Amaru negro começou a atacar os homens por ver que estes eram perigosos para si mesmos. O povo chorou e clamou a Viracocha. Seu coração foi tocado pelo clamor deles, e para ajudá-los, ele enviou um segundo Amaru, este prateado e possuidor de todos os atributos do primeiro, porém nobre de coração.

Os Amarus negro e prateado lutaram ferozmente e destruíram tudo com sua luta, resultando em uma situação pior do que a anterior. Viracocha, zangado com seu erro, enviou um trovão e os ventos para eliminar ambos os Amaru. Uma vez que as duas bestas estavam mortas, seus corpos foram transformados na Cordilheira dos Andes.

Guardiões do povo Inca

Outra lenda conta que após a conquista espanhola, um grupo de incas conseguiu fugir da captial Cuzco, viajando para o leste pelas montanhas, carregando artefatos sagrados e construindo pontes pelo caminho. Encantamentos foram colocados sobre essas pontes para que ninguém pudesse seguir seus passos (as tentativas de segui-los produzem um sono eterno). Esses Incas se aventuraram nas profundezas da floresta tropical, construindo uma cidade-fortaleza secreta chamada Paititi ("Casa do Pai Jaguar"), guardada por Amarus e por felinos gigantes Uma profecia diz que um dia esses Incas retornarão, refazendo seu caminho de volta a Cuzco. Seu retorno será acompanhado por fenômenos naturais devastadores, como terremotos e tempestades de granizo. Os Amarus rugiram, assustando aqueles que usurparam o poder dos Incas, e mais uma vez os Incas governarão.


fontes:

CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTAGENS DA SÉRIE

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

5 de junho de 2020

Urcuchillay

۞ ADM Sleipnir

Urcuchillay é um deus da mitologia inca, protetor dos rebanhos, em especial os de lhamas. Era adorado pelos pastores andinos, que acreditavam que ele protegia seus rebanhos de caçadores e predadores enquanto estes descansavam. Urcuchillay mantinha o bem-estar dos animais e multiplicava seus filhotes. Acreditava-se que Urcuchillay tinha a forma de uma lhama multicolorida. Ele é geralmente representado como uma lhama com traços humanóides ou como um homem com a cabeça de uma lhama. 

Referências à sua existência em nível mitológico aparecem em textos históricos da civilização Moche (que dominou a costa norte do Peru mil anos antes da cultura inca) e em especial na cultura Inca, onde Urcuchillay integra o grupo dos principais deuses que habitam o Hanan Pacha ("o mundo de cima"). Urchuchillay também é nomeado em incontáveis ​​relatos orais de colonos camponeses e historiadores.


Na cosmologia inca, Urcuchillay está associado à Constelação de Lira, a qual seus adoradores criam que ela se transformava em uma lhama e descia as terras altas dos Andes para cuidar e proteger seus animais. Todos os anos, durante o mês de abril, são observados muitos devotos se aproximando das montanhas, a fim de testemunhar as Líridas, chuva de meteoros que ocorre anualmente no local. Essas pessoas são convictas de que as luzes descendo do céu representam a união de Urcuchillay e o homem.


fontes:

CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE
✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

18 de dezembro de 2017

Urcaguary

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Urcaguary (ou Urcaguay) é na mitologia inca o deus guardião dos metais, pedras preciosas e outros tesouros subterrâneos. Seu nome pode ter se originado de Urqu, que significa "colina" em quechua, e Wari, que tem muitas interpretações e, em uma delas, pode ser traduzido como "primitivo" ou "original".

Ele é descrito como um ser híbrido, o qual segundo algumas fontes possui o corpo de uma serpente e uma cabeça e chifres de taruca (uma espécie de veado andino), enquanto outras afirmam que apenas seus chifres são os de um taruca. Sua cauda serpentina é dita ser adornada com correntes de ouro.

Acredita-se que o Urcaguary viva sob as montanhas, ou seja, em locais que compõem o Uku Pacha (submundo inca). É nesses lugares que ele protege tesouros e pedras preciosas de pessoas maldosas e gananciosas que ousam roubá-los. Uma história conta que Urcaguary habita a caverna  Paqariq Tampu, de onde o herói cultural e primeiro governante inca Manco Capac e seus irmãos emergiram. 

fontes:

CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE
✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

21 de março de 2016

Illapa

۞ ADM Sleipnir


Illapa ("relâmpago" em quechúa, também conhecido como Ilyap'a ,Apu-Illapu, Ilyapa, Iyapa, Katoylla) é o deus inca que controla os fenômenos meteorológicos (raios, chuvas e tempestades). Ele é muitas vezes confundido ou fundido com o deus do relâmpago Catequil/Apocatequil. Illapa costuma ser representado como um homem vestindo roupas brilhantes ou como um homem empunhando um clube e pedras. 

Os incas acreditavam que a Via Láctea era um rio do qual Illapa tirava a água para fazer chover. De acordo com o mito, ele enchia um jarro com a água da Via Láctea e o entregava à sua irmã para que ela o guardasse. Em alguns contos, a Via Láctea é a irmã de Illapa. Os trovões eram o som que sua funda reproduzia ao atirar o raio para quebrar os jarros de água. O movimento de suas roupas brilhantes eram os relâmpagos. 

Os fenômenos climáticos eram todos interpretados pelos incas como sinais de sua vontade. Se a chuva caía sobre uma cidade antes de cair em outro lugar, era porque aquela cidade era considerada abençoada. Se um objeto para reter a água da chuva fosse encontrado - como uma pedra ou um pedaço de metal - era considerado especialmente abençoado pelo deus e poderia ser adorado como uma representação do mesmo. 


Quando irritado, Illapa causava catástrofes, como a escassez de água, inundações e geadas. Quando isso acontecia, os sacerdotes liam seus augúrios para determinar que tipo de sacrifício (geralmente animais), o deus exigia. Os sacerdotes, então, iam para as montanhas e realizavam o sacrifício antes de retornarem ao povo com a interpretação da resposta do deus. Eles geralmente amarravam cães pretos ou lhamas em locais sem água ou comida, na esperança que seus lamentos fariam Illapa se entristecer e enviar chuva. 

Sacerdócio, Templos e Adoração à Illapa

Os incas tinham muitos sacerdotes, e os de Illapa eram selecionados de uma maneira especial: qualquer menino nascido durante um temporal era considerado especial e selecionado para ser sacerdote do deus. Quando esse menino, conhecido por sua família e amigos como um "Filho do Trovão", já estava velho o suficiente para não ter que trabalhar, ele se juntava ao sacerdócio. Esta era uma prática comum: a maioria dos sacerdotes incas eram homens mais velhos, que não podiam mais realizar trabalhos manuais. 

Haviam ídolos dedicados a Illapa em Cuzco. Ele tinha seu próprio templo na cidade e ídolos no templo do sol. Havia também um ídolo de ouro e uma pequena manjedoura de ouro onde ele era transportado durante as cerimônias. Haviam sacerdotes e atendentes que veneravam os ídolos e os transportavam durante os rituais importantes. Durante cerimônias religiosas importantes como o Inti Raymi, Illapa tinha uma quota de animais sacrificados (geralmente lhamas), igual a de Viracocha, o deus Sol.

Arte de Cristian Bernales


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE
✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

17 de abril de 2015

Mama Cocha

۞ ADM Sleipnir

Arte de Genzoman

Mama Cocha ("mãe do mar" em quechúa; também Mama Qocha, Cochamama) é a deusa inca das águas, irmã e consorte do deus criador Viracocha e mãe de Mama Quilla, (deusa da lua) e de seu irmão/marido Inti (deus do sol). Ela possui o domínio sobre todas as massas de água, desde lagos e mares até as chuvas, e era especialmente associada com o lago Titicaca, no Peru, que até hoje é chamado por muitas pessoas de lago Mama Cocha. Acredita-se que esse lago era considerado a personificação da deusa ou então o seu lar.

Arte de Genzoman

Mama Cocha foi especialmente cultuada em toda a costa dos atuais territórios do Peru, Equador, Sul da Colômbia e no Norte do Chile, onde a pesca era e ainda é essencial para a vida. Ela também era adorada em lagos e lagoas perto de aldeias. A maior parte de seus adoradores eram marinheiros e pescadores, e acreditava-se que ela os protegia acalmando os mares e cessando tempestades, além de prover-lhes uma abundância de peixes, garantindo assim uma farta pescaria.



CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE
✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

8 de setembro de 2014

Mama Quilla

۞ ADM Sleipnir


Mama Quilla (em quechua: Mama Killa) é a deusa inca da lua, dos casamentos e do ciclo menstrual, e considerada a padroeira das mulheres. Ela também era uma deusa importante para o calendário Inca. Ela foi responsável pela passagem do tempo e as estações do ano e, portanto, também a padroeira dos calendários e festas. Os incas viam a Lua como um grande disco de prata e as marcas na Lua eram as características do rosto de Mama Quilla. 

Genealogia

Mama Quilla é a filha dos deuses Viracocha e Mama Cocha e irmã / esposa de Inti. Seus filhos foram Manco Capac e Mama Ocllo, (fundadores míticos do império e da cultura Inca), Pacha Kamaq (deus dos terremotos) e Kon (deus criador dos humanos).


Representações e Mitos

Ela era comumente representada como uma bela mulher, porém foi muitas vezes representada por um disco feito de ouro ou prata. Os incas acreditavam que a prata era formada pelas lágrimas de Mama Quilla que caíam sobre a Terra. 

Os incas temiam os eclipses lunares, porque acreditavam que eles ocorriam quando uma serpente, um puma ou um leão da montanha tentavam devorar Mama Quilla. Por isso, durante um eclipse, lunar eles lançavam armas para o alto, gesticulavam e faziam o máximo de barulho possível, para dessa forma espantar o animal. Eles acreditavam que se o animal atingisse o seu objetivo,  o mundo seria tomado pela escuridão. 

Culto

A deusa tinha seu próprio templo em Cuzco, servido por sacerdotisas dedicadas a ela. No Templo do Sol (Coricancha), também localizado em Cuzco, múmias de antigas rainhas incas eram colocadas ao lado da imagem de Mama Quilla. 



CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

16 de junho de 2014

Chasca

۞ ADM Sleipnir


Chasca (ou Ch'aska) é a deusa inca da aurora e do crepúsculo e também personifica o planeta Vênus. Juntamente com seu consorte, o deus sol Inti, ela usa a luz para iluminar os brotos no solo e fazê-los se tornarem flores. Seu relacionamento com Inti e sua natureza terna lhe associavam ao amor. 

Chasca é descrita como uma bela donzela de cabelos ondulados. De acordo com a tradição, ela se comunica com as pessoas através das nuvens e do orvalho, que cai sobre a terra quando ela balança seus cabelos. Segundo a mitologia inca, era ela quem controlava o tempo e protegia as jovens virgens. Chasca era adorada ao amanhecer e ao entardecer dos dias.

No antigo festival Inca do Sol, os incas adoravam Chasca e Inti enquanto aguardavam o nascimento do sol. As pessoas preparavam oferendas aos deuses, seguidas de danças folclóricas em torno das fogueiras rituais. Eles também queimavam roupas velhas no fogo ritual para espantar as doenças e também o azar. Conforme as roupas eram consumidas, Chasca transformava a energia negativa em positiva.


Chasca, a Virgem da água (El Salvador)

Em El Salvador, existe uma história sobre uma deusa dos pescadores também chamada Chasca.  Conta-se que em um tempo distante, viveu na Barra de Santiago um homem  muito rico e cruel, chamado Pachacutec. Ele tinha uma linda filha chamada Chasca, que era prometida de um príncipe da tribo zutuhil. Chasca, no entanto, já havia se apaixonado por um jovem pescador chamado Acayetl. Ela o viu atrás de seu pai na praia onde, de sua jangada cantava doces canções.

Pachacutec era contra esse amor. No entanto, todos os dias, assim que o sol nascia atrás da montanha, Chasca escapava de sua cabana e ia até a praia para visitar Acayetl. Certo dia, ao chegar na praia onde seu amado vivia, Chasca sentiu um forte vento arrastar os abacaxis; a praia estava deserta, fria e triste, como se o ambiente estivesse prevendo o que estava para acontecer.

Acayetl  surgiu em sua jangada e vinha se aproximando da praia quando de repente, de trás dos juncos da costa, alguém atirou uma flecha em direção ao pescador, que morreu instantaneamente. O misterioso assassino tinha sido enviado por Pachacutec .

Chasca observou o crime de longe e gritou horrorizada. Em seguida, ela tomou a decisão de acompanhar o seu amado na morte, amarrando uma pedra em sua cintura e pulando na água. Após a morte de Pachacutec, Chasca começou a aparecer durante as noites de luar na Barra de Santiago, em sua canoa branca ao lado de Acayetl. Dizem que nessas noites em especial, a pescaria é abundante. 



CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

14 de fevereiro de 2014

Supay

۞ ADM Sleipnir

Arte de Mauricio Cerecera

Nas mitologias dos povos incas e aymaras,
Supay (ou Zupay) era o deus da morte e o governante de Uku Pacha, o submundo inca e de uma raça de demônios. Ele também é o senhor da riqueza mineral, sendo capaz de transformar veios de prata em quartzo e veios de ouro em piritas. 

Supay costuma ser descrito como um monstro com corpo de leão, chifres de carneiro, dentes e patas do tigre, e exala cheiro de enxofre. Ele possui habilidades metamórficas para se transformar em um gato, um porco ou uma coruja, e podem habitar tais fenômenos naturais como um terremoto, furacão ou tempestade. Quando irritado, ele pode rugir como um javali, enquanto em outros momentos ele grunhe como um porco. Em certas ocasiões, ele assume a forma de um belo jovem solteiro. Ele, então, ganha a confiança de uma pessoa, a fim de possuir seu corpo e causar epilepsia ou loucura. Isto coincide com o principal objetivo de Supay, que é prejudicar os seres humanos.


Com a colonização espanhola nas Américas, os sacerdotes cristãos usavam o nome Supay quando se referiam ao diabo cristão. No entanto, ao contrário dos europeus em relação ao diabo cristão, os povos indígenas não temiam Supay, e tinham ainda o costume de invocar a sua proteção.

Supay adquiriu um simbolismo sincrético, tornando-se o personagem principal das "diabladas" da Bolívia (vistas no Carnaval de Oruro), Peru, e outros países andinos. O nome Supay costuma ser traduzido para " diablo " (diabo) na maioria dos países sul-americanos. Em alguns deles, por exemplo, a região norte da Argentina, o submundo onde Supay reina, é chamado de "Salamanca". Em algumas áreas do Peru, os Quíchuas continuam a tradição da dança do Supay na "Mamacha Candicha", que significa aproximadamente " A virgem flamejante" e é um festival de dança com duração de até duas semanas. No entanto, a dança do Supay pode ser performada para turistas em outras ocasiões, não necessariamente relacionadas com a Mamacha Candicha.


fonte:
  • https://en.wikipedia.org/

CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE
✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

27 de julho de 2013

Inti

۞ ADM Sleipnir


Inti é o antigo deus sol inca. Adorado como o deus patrono do Império Inca, ele é de origem mitológica desconhecida. A história mais comum afirma que ele é o filho de Viracocha, o deus da civilização.

Inti também era conhecido como Apu Punchau, que significa "líder do dia". Inti é representado como um disco de ouro com um rosto humano. Um grande disco de ouro representando Inti foi capturado pelos conquistadores espanhóis em 1571 e foi enviado para o papa. Desde então, sua localização foi perdida.



O sol é, talvez, o aspecto mais importante da vida, pois, ele provém o calor e a luz. Inti, portanto, também era conhecido como o "Doador da Vida". Ele era adorado principalmente por agricultores que dependiam do sol para receber boas colheitas. Embora fosse a segunda divindade mais reverenciada após Viracocha, ele recebia o maior número de ofertas. O Sapa Inca, o governante do povo, afirmava ter herança divina e descendência direta do sol, então era visto como o filho vivo de Inti.

O Willaq Umu era o sumo sacerdote do deus Sol. Sua posição o colocava como a segunda pessoa mais poderosa do reino. Em autoridade só estava abaixo do Sapa Inca, e eles eram muitas vezes irmãos. 

Lendas

Inti e sua esposa, Mama Quilla, a deusa Lua, eram geralmente considerados divindades benevolentes. Mama Quilla supostamente deu origem a Terra. De acordo com um antigo mito, Inti ensinou ao seu filho Manco Cápac e a sua filha Mama Ocllo as artes da civilização e eles foram enviados à Terra para transmitir esse conhecimento para a humanidade. Outro lenda no entanto coloca Manco Cápac como filho de Viracocha.

Inti ordenou que seus filhos construíssem a capital Inca sobre o local onde a cunha de ouro divino que eles levaram com eles penetrasse a terra. Os incas acreditavam que isso aconteceu na cidade de Cuzco. 

O Inti Raymi 



O festival de Inti Raymi, que homenageia o deus do sol, hoje atrai milhares de turistas a cada ano para Cuzco, a antiga capital do Império Inca. O último Inti Raymi com a presença do Sapa Inca, foi sido realizado em 1536, e o festival foi proibido no ano de 1572, pelo então vice-rei Francisco de Toledo, por ser considerada uma cerimônia pagã e contrária à fé católica. O festival continuou a ser realizado de forma clandestina até o ano de 1944, quando passou a ser novamente um evento público e anual.

O Inti Raymi é realizado durante o solstício de inverno, que na época do Império Inca ocorria em torno de 24 de junho. O festival é realizado na cidade de Cuzco, contando com pessoas de várias partes do país. No idioma quechua, Inti Raymi, significa "ressurreição do sol" ou "o caminho do sol." 




CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

2 de maio de 2013

Viracocha

۞ ADM Sleipnir


Viracocha é o grande deus criador da pré-Inca e da mitologia Inca na região andina da América do Sul. O nome completo e algumas alternativas de ortografia são Wiracocha,  Apu Qun Tiqsi Wiraqutra, e Con-Tici (também escrito Kon-Tiki) Viracocha. Viracocha era uma das divindades mais importantes do panteão Inca e era visto como o criador de todas as coisas, ou a substância a partir da qual todas as coisas foram criadas, e está intimamente associado ao mar.  Viracocha criou o universo, sol, lua, e as estrelas, o tempo (por comandar o sol se mover sobre o céu) e a civilização. Ele era adorado como deus do sol e das tempestades e sempre é representado usando o sol como coroa, com raios em suas mãos, e lágrimas descendo dos olhos como chuva.

O Mito da criação

De acordo com a "História dos Incas", de Pedro Sarmiento de Gamboa,  Os nativos daquela terra afirmavam que, no início, e antes que este mundo fosse criado, havia um ser chamado Viracocha. Ele criou um mundo de trevas, sem sol, lua ou estrelas. Devido a esta criação foi nomeado Pachayachachi Viracocha, que significa "Criador de todas as coisas." E após a criação do mundo, ele pintou e esculpiu uma raça de gigantes de grandeza desproporcional  para ver se seria bom fazer verdadeiros homens desse tamanho. Ele então criou o homem à sua semelhança como estão agora, e eles ainda viviam na escuridão.

Viracocha ordenou que estas pessoas deveriam viver sem brigas, e que eles devem conhecê-lo e servi-lo. Mais os homens se tornaram ruins, e ele decidiu puni-los. Ele os transformou em pedra, dentre muitas coisas, e alguns foram engolidos pela terra e outros pelo mar. Um dilúvio, que os nativos chamam de uñu pachacuti, que significa "água que subverte a terra", veio sobre eles. Eles dizem que choveu 60 dias e noites, e que se afogaram todas as coisas criadas, e que só permaneram alguns vestígios daqueles que foram transformados em pedras, como um memorial do evento, e como um exemplo para a posteridade, nos edifícios da Pucara, que estão à 60 léguas de Cuzco.


Mais tarde, em outro texto (O Pastor de Ovelhas e a Virgem do Sol), Viracocha colocou seus dois filhos - um menino e uma menina - em um barco sobre o Lago Titicaca:
"Ele colocou seu cajado dourado nas mãos de seu filho. Ele disse para o seu filho guiar os homens a um lugar onde esse cajado, ao ser largado sobre a terra, afunda-se nela." 
O menino encontrou o lugar onde os homens moravam, e reuniu muitas tribos, e parou no local onde o cajado de ouro afundou na terra. E ele mostrou  aos homens muitas coisas maravilhosas até a vinda de seu pai, o deus Viracocha, que veio do leste.
"Ele viveu entre os homens, e ensinava-lhes muitas artes. Ele era, como os sacerdotes daqueles que foram antes dos Incas dizer aqui, mostraram que os homens como trazer fluxos de água para as suas culturas, e lhes ensinou como construir terraços em cima as montanhas onde as culturas cresceriam. Ele montou uma grande cruz sobre a montanha Caravay . E quando o pássaro que grita quatro vezes na madrugada gritou, e a luz caiu sobre a cruz que ele tinha criado, Viracocha passou de entre os homens. Ele desceu para o mar, e ele atravessou-a para o oeste. Mas ele disse a aqueles a quem ele havia deixado para trás que ele iria enviar mensageiros que  iriam protegê-los e dar-lhes renovado conhecimento de tudo o que ele lhes havia ensinado".
Viracocha desapareceu eventualmente através do Oceano Pacífico (andando sobre a água), desencadeando perto de Manta no Equador, e nunca mais voltou. Pensava-se que Viracocha voltaria a aparecer em momentos de dificuldade. Quando os espanhóis chegaram para conquistar a América do Sul, os habitantes pensavam que eles eram os mensageiros de Viracocha, porém foram o seu fim.


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE
✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.