14 de junho de 2017

Julunggul, a Serpente Arco-Íris

۞ ADM Sleipnir


Julunggul (também chamada Yurlunggur, Ungur, Wonungur, Galeru, Worombi, Langal, Ngalyod ou Muit) é uma divindade da mitologia aborígene australiana, cultuada como a criadora e preservadora da vida, da água e da fertilidade. Às vezes vista como um ser masculino, e outras como feminino, Julunggul éa grande serpente do arco-íris, que segundo algumas histórias, emergiu de um olho d'água durante o Tempo do Sonho, ou segundo outras, desceu do céu. 


Na maioria das histórias, conta-se que seu deslizar sinuoso pelo continente criou os vales, montanhas e rios. Ao terminar a criação, ela retornou para sua nascente no Tempo do Sonho. Um dia, Waimariwi e Boaliri, um par de divindades irmãs conhecidas como irmãs Wawalag, pararam na nascente para descansar. Enquanto Boaliri acendia uma fogueira, Waimariwi entrou na nascente para buscar água para que pudessem cozinhar algo para comer. Acidentalmente, Waimariwi deixou uma gota de sangue mestrual cair na água, justamente no momento em que Julunggul bocejava. Julunggul engoliu aquela gota de sangue, e enojada, emergiu da nascente criando uma enorme onda sobre a terra, enquanto engolia as irmãs Wawalag e tudo mais o que encontrava pela frente.


Ao alcançar o céu, Julunggul foi picada por um espírito inseto que a fez vomitar tudo o que havia engolido de volta para a Terra. Ela repetiu o processo inúmeras vezes, até que completamente exausta, deixou todos os animais, plantas e pessoas onde caíram e então desapareceu no céu, deixando o mundo povoado com plantas e criaturas.

Em muitas histórias, Julunggul odiava a visão de sangue, e recusava qualquer oferenda deste tipo. Em vez disso, seus adoradores dançavam, balançavam-se e cantavam músicas repetitivas para honrá-la.


fontes:
  • Livro "A Bíblia da Mitologia", de Sarah Bartlett;
  • Livro !Mitos & Lendas!, de Philip Wilkinson.
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12 de junho de 2017

Berberoka

۞ ADM Sleipnir


Berberoka é uma criatura devoradora de homens que de acordo com o folclore filipino habita em rios, pântanos e lagos das províncias remotas de Abra, Apayao e Ilocos Norte. 

Para atrair suas vítimas, ela bebe um grande volume de água do local onde se encontra, fazendo o nível da água diminuir. Com isso os peixes do local ficam mais visíveis e mais fáceis de serem pegos. Isto acaba atraindo a atenção de pescadores incautos, que logo chegam ao local para pescar.

Arte de Patrick Gonzaga

Assim que suas vítimas entram na água para tentar pescar os peixes, a criatura aparece e vomita toda a água que havia ingerido antes. Os pescadores que estiverem dentro d'água acabam sendo arrastados para o fundo d'água  e devorados pelo Berberoka. Caso estejam num barco, o Berberoka irá virá-lo, e seus ocupantes terão o mesmo destino.

Não existe uma descrição clara de como é um Berberoka. Alguns o retratam como uma criatura similar a um monstro do pântano, coberto de folhagens e musgo, já outros o retratam como uma espécie de peixe capaz de se camuflar e se esconder no ambiente.



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9 de junho de 2017

Mitologia e Futebol

۞ ADM Sleipnir 


Essa é uma postagem especial para os amantes de mitologia e também de futebol. Vários clubes ao redor do mundo, principalmente na Europa, adotaram deuses e heróis mitológicos como marca. Trago nesta postagem os principais clubes e a mitologia por trás de seus nomes.

Ajax


O clube mais famoso a adotar um personagem mitológico como nome é o Ajax de Amsterdã, um dos maiores da Europa, vencedor de 4 Champions League e de mais de 30 títulos nacionais. A equipe da capital holandesa adotou em seu nome e escudo Ájax, o Grande, filho de Télamo e primo do famoso herói Aquiles, a quem acompanhou durante o treinamento com o centauro Quíron. Ájax aparece na Ilíada, como um guerreiro valente e forte, que inclusive chega a enfrentar Heitor. Sua morte, ou suicídio já que ele mesmo decide tirar sua própria vida, é contada nas Metamorfoses de Ovídio. Um fato que talvez tenha influenciado a decisão dos fundadores da equipe, é que Ájax é o único herói homérico que deve todas as suas virtudes ao ser humano. Não recebeu ajuda de nenhum deus e não foi ferido em nenhuma batalha. Curiosamente, a equipe holandesa não foi a única a recorrer a este guerreiro. Inspirados no mesmo personagem, foram batizados o Ajax Lasnamae, da Estônia, fundado em 1993, e o Ajax Tavrou, da Grécia, fundado em 1965.



Escudo do Ajax Tavrou



Escudo do Ajax Lasnamae


 Héracles\Hércules
 
Um dos heróis mais famosos, Héracles (grego) ou Hércules (romano) é um semi-deus, filho bastardo de Zeus, e uma das figuras mais discutidas e representativas da era clássica grega, sendo um grande exemplo de força, determinação e heroísmo. Vários clubes de países diferentes adotaram seu nome, como o Hércules de Alicante (da Espanha), o Heracles Almelo (da Holanda) e o Iraklis (da Grécia)




Da esquerda para a direita, os escudos do Iraklis, do Hércules de Alicante e do Heracles Almelo

O Cádiz CF, da 2ª divisão espanhola, usa em seu escudo a imagem do próprio Héracles, acompanhado por dois leões e dois pilares. Segundo a mitologia romana, o herói teria colocado dois pilares no Estreito de Gribaltar, marcando o limite até onde os navegadores mediterrâneos poderiam ir, pois acreditava-se que aquele era o limite do mundo.






 Atlas

No México, temos o Atlas Fútbol Club, clube fundado em 1916 e  que tem seu nome inspirado no titã Atlas, um dos líderes da rebelião dos titãs contra os deuses olímpicos. Derrotado, Atlas foi condenado por Zeus a sustentar os céus sobre os seus ombros pela eternidade.
Escudo do Atlas Fútbol Club


UIisses

O Ulisses FC foi um clube armênio profissional de futebol, fundado em 2000 na cidade e capital da Armênia, Yerevan, e hoje encontra-se fora do cenário profissional. Em 2004, o nome do clube que era FC Dinamo foi alterado para FC Zenit-Dinamo por motivo de um novo patrocinador. Em 2006, o nome do clube é novamente mudado por causa de novos patrocinadores, passando a se chamar Ulisses FC. 


Escudo do Ulisses FC

Ulisses (Odisseu em grego) é o personagem principal da Odisséia de Homero, e é um dos guerreiros mais ardilosos da mitologia grega.

 Leia mais sobre a história de Ulisses AQUI

Fortuna

Dois times adotaram o nome da deusa romana da sorte, Fortuna. O Fortuna Sittard, da Holanda, fundado em 1968, traz em seu escudo a deusa Fortuna trazendo em seus braços uma cornucópia, símbolo de prosperidade e abundância. O outro clube é o Fortuna Dusseldorf. da Alemanha, fundado em 1895.




Escudo do Fortuna Sittard

Escudo do Fortuna Dusseldorf


Atalanta


Escudo do Atalanta Bergamasca Calcio

O Atalanta Bergamasca Calcio é um clube italiano de futebol da cidade de Bérgamo que disputa a Série A do Campeonato Italiano de Futebol. O clube foi fundado em 8 de outubro de 1907. O nome do clube foi tirado de uma personagem da mitologia grega, Atalanta. Atalanta era uma caçadora que fez acordo com um rei de só se casar com quem conseguisse vencê-la em uma corrida. Como era muito veloz, ela demorou muito a ser derrotada, o que só aconteceria por meio de um estratagema. Esse enredo foi o que motivou os fundadores a escolherem o nome do clube.

Ares

Escudo do Aris de Salonica

O Athlitikos Syllogos Aris, conhecido em português como Aris de Salonica, é um clube multiesportivo grego, fundado em 1914 na cidade de Salônica por um grupo de 22 jovens amigos. Eles lhe deram o nome do deus grego da guerra Ares, e o adicionaram ao seu. escudo juntamente com alguns símbolos do deus. Curiosamente, o clube rival do Aris de Salonica é o Iraklis, que leva o nome de Héracles.

No Chipre, temos o Aris Limassol, fundado em 1930, com o nome também baseado no deus Ares.

Escudo do Aris Limassol

Apolo

Também da cidade de Salônica, o clube Apollon Kalamarias, fundado em 1926,  leva o nome do deus grego da luz Apolo, e seu escudo contém o rosto do deus. O mesmo ocorre com o Apollon Limassol, do Chipre, fundado em 1954.


Escudo do Apollon Kalamarias

Escudo do Apollon Limassol



Hermes 

Também do Chipre, o Ermis Aradippou, fundado em 1958, toma o nome do deus mensageiro Hermes, que também figura em seu escudo segurando o bastão caduceu. O time disputa a primeira divisão do campeonato cipriota.


Escudo do Ermis Araddipou


Thor

Fugindo agora da mitologia greco-romana, temos o  Þór Akureyri, da Islândia. Fundado em 1915, jamais conquistou nenhum título no futebol. Seu escudo trás o deus nórdico do trovão, Thor, empunhando seu poderoso martelo Mjolnir.


Escudo do Þór Akureyri


Veles

Com seu nome e escudo inspirados no deus eslavo Veles, o FC Veles Moscou é um time de futebol russo com sede em Moscou. Foi fundado em 2016 e foi promovido à segunda divisão da FNL para a temporada 2020-21, onde está desde então. 


Escudo do FC Veles Moscou

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7 de junho de 2017

Jeoseung Saja

۞ ADM Sleipnir


Jeoseung Saja (em coreano 저승사자) é a versão coreana do ceifador de almas, a personificação da morte. Possui a pele pálida e olhos encovados, veste um robe preto esvoaçante, carrega uma arma e usa um chapéu preto. É visto apenas por aqueles que estão perto da morte. Sempre aparecem em áreas onde a morte é iminente: hospitais, aldeias com vários casos de doenças, ou cenas de acidentes.


Embora pareçam humanos, os Jeoseung Saja são espíritos sob o comando do Rei Yeomna, governante do submundo e juiz dos espíritos que faleceram recentemente. Eles são despachados quando necessário para coletar e orientar os espíritos para baixo, na estrada Hwangcheon, para a vida após a morte. É impossível escapar do ceifador quando chegar o seu tempo, já que ele não pode ser enganado ou subornado.

A superstição coreana afirma que sonhar com Jeoseung Saja é um presságio de morte.


fonte:

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5 de junho de 2017

Cães de Tindalos

۞ ADM Sleipnir


Cães de Tindalos são criaturas fictícias criadas pelo escritor Frank Belknap Long e mais tarde incorporadas aos Mythos de Cthulhu através do escritor August Derleth. Eles apareceram pela primeira vez no conto "Os Cães de Tindalos", publicado em 1929. H. P. Lovecraft menciona essas criaturas em seu conto "Um Sussurro nas Trevas", publicado em 1931.

Os Cães de Tindalos são criaturas predatórias e extra dimensionais que habitam num passado distante da Terra, quando a vida ainda não havia avançado além dos organismos unicelulares. Dizem que habitam os "ângulos de tempo", enquanto outros seres (como a humanidade e toda a vida comum) descendem de curvas. Eles são aparentemente imortais, e acredita-se que cobiçam algo na humanidade e outras formas de vida normais.


Sua aparência exata é desconhecida, porque ninguém que os encontra (ou é encontrado por eles) sobrevive tempo suficiente para dar uma descrição detalhada. É comumente dito que eles possuem línguas ocas e longas para drenar fluidos corporais das vítimas, e também que eles excretam um estranho fluído azul.

Cães de Tindalos são atraídos por experiências de viagem no tempo, e perseguem aqueles que deixam seus próprios tempos. Aqueles que viajam muito longe de seu próprio tempo (como por meio do uso da droga Liao, que permite que a mente vague pelo tempo deixando o corpo para trás) chamará a atenção dos cães. Os cães então perseguem a pessoa através do tempo e espaço de forma implacável, até encontrá-la e devorá-la.


Embora os Cães de Tindalos sejam muitas vezes retratados como caninos, provavelmente por causa do nome evocativo da primeira história em que eles apareceram, não é provável que eles apareçam como tal - a história afirma que o nome "disfarça sua impureza". Vários pastiches sugerem que os Cães de Tindalos são mais parecidos com morcegos (semelhante a outra raça de criatura dos Mythos, os Byakhee) ou então podem parecer ainda piores. O nome Cães de Tindalos na verdade refere-se mais aos hábitos dessas criaturas do que a sua aparência.

Devido à sua relação com os ângulos de tempo, eles podem se materializar através de qualquer canto que forme um ângulo de 120 ° ou menos. Quando um Cão de Tindalos está prestes a aparecer, primeiro ele se materializa como fumaça saindo do canto, e depois finalmente a cabeça emerge, seguida pelo corpo. A única maneira de evitar um ataque deles é se trancar em uma sala redonda, sem ângulos.


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2 de junho de 2017

Diarmuid Ua Duibhne

۞ ADM Sleipnir


Diarmuid Ua Duibhne (ou Diarmid O'Dyna, "A mancha do amor", ou ainda Diarmait) é um herói da mitologia celta/irlandesa, filho de Donn e filho adotivo do deus Angus Og. Segundo as lendas, Diarmuid foi um dos mais hábeis e valorosos guerreiros da tribo Fianna. Conta-se que em uma determinada batalha, ele foi capaz de matar sozinho mais de 3000 inimigos, salvando Fionn mac Cumhaill (líder da tribo Fianna) e o restante da tribo. Ele é mais conhecido por sua história amorosa com Gráinne, prometida de Fionn.

Armas lendárias

Diarmuid possuía uma espada mortal chamada Móralltach ou Nóralltach ("A grande fúria"), dada a ele por seu pai adotivo Angus, que por sua vez havia recebido do deus do mar Manannán mac Lir. Angus também lhe deu outra espada, chamada Beagalltach ("A pequena fúria"). Além dessas duas espadas, Diarmuid também possuía duas lanças, chamadas Gae Buidhe ("Lança Amarela") e Gae Dearg ("Lança Vermelha"), que causavam feridas que não podiam ser curadas. Diarmuid costumava usar Gae Dearg e Moralltach em batalhas que eram questões de vida e morte, e Gae Buidhe e Beagalltach em batalhas de menor importância.




Lendas 

A Maldição Mortal

Antes de Diarmuid nascer, Donn (seu pai biológico) havia matado o filho de sua esposa com seu amante, Roc, mordomo de Angus Og. Angus ressuscitou o filho de Roc sob a forma de um javali, mas Roc exigiu que Fionn mac Cumhaill intervisse no caso e descobrisse a verdade. Após descobrir que o pai biológico de Diarmuid era o assassino de seu filho, o servo de Angus lançou uma maldição sobre Donn: seu filho (Diarmuid) seria morto no futuro pelo seu filho-javali.

A "Mancha do Amor" de Diarmuid

Diarmuid era famoso por sua beleza e por sua "mancha do amor", uma pinta em seu rosto que o tornava irresistível as mulheres. Durante uma caçada noturna, Diarmuid conheceu uma misteriosa mulher que era a personificação da juventude. Após dormir com ele, a mulher colocou sobre ele uma maldição sob a forma de uma pinta em sua testa. Daquele dia em diante, qualquer mulher que olhasse para ele se apaixonava de imediato. Alguns contos descrevem Diarmuid escondendo essa pinta sob franjas ou cobrindo-a de alguma outra forma, para que ele pudesse continuar tendo uma vida normal sem impedimentos por desejos de mulheres.


A Mulher Repugnante

Em uma noite fria de inverno, uma mulher com uma aparência repugnante entrou no alojamento dos Fianna, onde todos haviam acabado de ir dormir após uma expedição de caça. Toda suja e encharcada, a mulher se ajoelhou ao lado de cada um dos guerreiros e pediu um cobertor, começando por Fionn. Todos se recusaram a ceder um cobertor a mulher, exceto o jovem Diarmuid. Como o seu leito era o mais próximo da lareira, ele teve pena da mulher e cedeu-lhe não só o seu cobertor, como a sua cama também. Ela notou a mancha do amor de Diarmuid e disse-lhe que ela tinha vagado o mundo sozinho durante sete anos. Diarmuid disse que ela poderia dormir a noite toda e ele iria protegê-la. 

Durante a madrugada, a mulher se transformou em uma bela jovem, e ao amanhecer, recompensou a bondade de Diarmuid, oferecendo-lhe o que ele mais desejava: uma casa com vista para o mar. Muito feliz, Diarmuid pediu para que a mulher vivesse com ele. Ela concordou com uma condição: ele deveria prometer que nunca mencionaria como ela aparentava ser feia na noite em que se encontraram. Após três dias juntos, Diarmuid começou a ficar inquieto. Ele decidiu sair para caçar, e a mulher se ofereceu para tomar conta de seu cão cinza e seus filhotes. Em três ocasiões diferentes, amigos de Diarmuid, invejosos de sua sorte, visitaram sua casa enquanto ele não estava e e pediram a mulher um dos filhotes. Em cada uma das vezes, ela honrou o pedido, e a cada vez que chegava e via que faltava um filhote, Diarmuid ficava com raiva e lhe perguntava como ela poderia ser tão mesquinha com ele, se ele ignorou o quanto ela era feia quando se conheceram. Na terceira vez em que ele mencionou o fato, a mulher e a casa desapareceram e o seu amado cão cinza morreu.


Percebendo que sua ingratidão o levou a perder tudo o que valorizava, Diarmuid partiu à procura de sua mulher. Ele usou um navio encantado para atravessar um mar tempestuoso em direção ao Outro Mundo, onde ele a procurou através dos prados ocupados por cavalos brilhantemente coloridos e por árvores de prata. Enquanto procurava, em três ocasiões ele viu uma gota de sangue, e ele as reuniu em seu lenço. Quando um estranho lhe revelou que a filha gravemente doente do rei tinha acabado de voltar depois de sete anos, Diarmuid percebeu que devia ser sua mulher. Apressando-se para estar novamente ao lado dela, ele descobriu que ela estava morrendo. As três gotas de sangue coletadas por Diarmuid eram de seu coração, e eram derramadas cada vez que ela pensava em Diarmuid. A única cura para a sua doença era uma taça de água de cura da Planície da Maravilha, guardada por um rei ciumento e seu exército. Diarmuid prometeu trazer de volta a taça e curar sua mulher. 

Em um rio intransponível, Diarmuid foi ajudado pelo "Homem Vermelho de Todo o Conhecimento", que tinha cabelo vermelho e olhos como brasas. Ele ajudou a Diarmuid a atravessar o rio e guiou-o ao rei do país da taça de cura. Diarmuid gritou que a taça deve ser trazida para fora do castelo do rei, para ele, ou então que campeões fossem trazidos para lutar com ele. Duas vezes oitocentos homens de combate foram enviados para fora, e em três horas não havia sobrado nenhum para se opor a ele. Em seguida, duas vezes novecentos lutadores melhores foram enviados contra ele, e dentro de quatro horas não havia sobrado nenhum deles. O rei deu-lhe a taça de cura. Na viagem de volta, o Homem Vermelho aconselhou Diarmuid sobre como curar a sua dama. Ele também alertou o herói que, quando a doença dela terminasse, o amor de Diarmuid para ela iria acabar também. 

Tendo curado sua amada, Diarmuid embarcou sozinho em seu navio encantado e retornou para a tribo dos Fianna, onde ele foi saudado por seus amigos e, para a sua surpresa, por seu cão cinza, que foi trazido de volta à vida por sua ex-mulher, como um último presente seu para ele.

Diarmuid e Gráinne 

A Perseguição de Diarmuid e Gráinne (em irlandês: Tóraigheacht Dhiarmada agus Ghráinne) é uma narrativa irlandesa em prosa que trata de um triângulo amoroso entre o grande guerreiro Fionn mac Cumhaill, a bela princesa Gráinne, e seu amante Diarmuid Ua Duibhne. 

Fionn, muito mais velho do que em suas outras aventuras, teve várias esposas ao longo dos anos. Após a morte de sua última esposa, seu filho Oisín e seus companheiros lhe perguntaram quando ele iria se casar novamente. Diorruing, amigo e atendente de Fionn, sugeriu que a melhor mulher para Fionn seria Gráinne, filha de Cormac Mac Art, o grande rei da Irlanda na época. 

Gráinne achava que iria se casar com o filho de Fionn, Oisín ou o seu neto, Oscar, e não com o já envelhecido Fionn. Desapontada ao descobrir que seu noivo tinha idade suficiente para ser seu avô, ela decidiu não se casar com Fionn, e fugir com um dos campeões dos Fianna. 

Grainne pôs remédio para dormir no vinho dos convidados, exceto nos de Oisín, Oscar, Diarmuid, Cailte e Diorruing. Ela se aproximou de Oisín, que indeferiu o seu pedido, e em seguida, ela se aproximou de Diarmuid. Diarmuid também se opôs aos seus avanços porque Fionn era seu líder e amigo. Grainne então impôs um encantamento em Diarmuid que obrigava ele a seguí-la. Seus amigos ficaram tristes, pois sabiam que Diarmuid morreria se ele ficasse entre Fionn e sua esposa pretendida. Diarmuid deixou o palácio, sabendo que apesar de ser um amigo e seguidor de Fionn, ele iria caçá-lo pela traição.

Ao acordar, Fionn soube do ocorrido e enviou o clã O'Navnan para rastrear o casal fugitivo. Diarmuid e Gráinne cruzaram Ath Luain (Athlone), e esconderam-se na Floresta de Duas Tendas. Oisín, Oscar, Cailte e Diorruing estavam preocupados com o comportamento de Fionn e ajudaram secretamente Diarmuid sempre que podiam.

Na Floresta de Duas Tendas, Diarmuid havia erguido uma cerca em volta dele e Gráinne com sete portas que levam a diferentes direções. Fionn disse a seus seguidores para cercar e capturar Diarmuid. Angus, o pai adotivo e protetor de Diarmuid, queria ajudá-lo, mas Diarmuid insistiu que ele o deixasse por conta própria. Angus levou Gráinne para longe para Floresta de Duas Tendas. Seus amigos se ofereceram para deixar os amantes passarem, mas Diarmuid se recusou a permitir-lhes a comprometer a sua honra ao fazê-lo, e escapou usando sua lança para saltar sobre a cerca. Ele então se encontrou com Angus e Gráinne e, depois de passarem um tempo juntos, os amantes se despediram de Angus e continuaram sua jornada.


Em um certo momento encontraram um jovem chamado Muadan, que os acompanhou. Ele providenciava a comida e os vigiava durante a noite, enquanto se abrigavam em numa caverna. Durante o dia, Diarmuid foi examinar a área e viu três navios de guerreiros se aproximando. Ele perguntou aos três chefes dos guerreiros o que eles tinham ido fazer lá e eles responderam que tinha ido atrás de Diarmuid a pedido de Fionn. Durante quatro dias Diamruid os enganou e matou vários do povo deles com suas façanhas. No quarto dia ele alegou estar protegendo Diarmuid e lutou contra os chefes dos guerreiros, derrotando-os. Voltou então para junto de Gráinne e Muadan e eles continuaram partiram do local. Os guerreiros, após serem informados que o homem com quem haviam estado era Diarmuid, partiram em perseguição e foram massacrados por Diarmuid. Após esse combate, Muadan partiu e o casal seguiu para a Floresta de Dubros.

Fionn recebeu notícias do massacre e se dirigiu ao local com os Fianna. Enquanto faziam os ritos funerários dos guerreiros, chegaram até até ele dois jovens que queriam fazer as pazes com ele e conseguirem os lugares de seus pais entre os Fianna. Fionn disse que só aceitaria se eles lhe trouxessem a cabeça de Diarmuid ou um punhado das bagas mágicas da sorveira da Floresta do Dubros que poderia restaurar a juventude de uma pessoa idosa, guardadas pelo gigante Searbhan sobre as instruções do Tuatha Dé Danan. Os dois jovens, contrariando as orientações de Oisín, foram atrás de Diarmuid. Eles o encontraram na floresta e contaram que tinham ido atrás dele ou das bagas da sorveira. Diarmuid disse que não seria fácil conseguir nenhum dos dois e lutou com os jovens, deixando-os amarrados. Gráinne ouviu sobre as bagas e ficou com desejo por elas e exigiu que Diarmuid as conseguisse para ela. Ele foi então atrás do Searbhan e rompeu seu acordo de pudessem viver e caçar na floresta com a condição de que não comesse das bagas, matando com sua própria clava. Ele entregou as bagas a Gráinne e aos dois jovens para que levassem a Fionn e dissessem que haviam sido eles os que mataram o gigante.

Fionn não acreditou nos jovens, reuniu os Fianna e viajou para a floresta onde ele armou um tabuleiro de fidchell, e jogou com seu filho Oisín. Oscar e Cailte assistiam Oisín no jogo, uma vez que ninguém, exceto Diarmuid era páreo para Fionn neste jogo. Diarmuid assistiu ao jogo de cima, e não pode resistir a auxiliar Oisín no jogo, atirando bagas sobre as peças que deviam ser movidas. Fionn perdeu três partidas consecutivas para seu filho. Fionn percebeu que o casal estava se escondendo na árvore e ordenou seus homens para matar seu rival. Diarmuid matou sete guerreiros chamados Garbh. Oscar, o neto de Fionn, advertiu que qualquer um que prejudicasse Diarmuid iria enfrentar sua ira, e escoltou o casal a uma distância segura da floresta, para junto de Aengus.

Fionn foi até a Terra da Promessa pedir para sua velha ama Bodhmall matar Diarmuid. Diarmuid estava caçando na floresta ao lado do rio Boyne e Bodhmall voou pelo ar montada em um nenúfar voador e lançou contra Diarmud dardos envenenados, que foram capazes de penetrar seu escudo e sua armadura. Diarmuid, mesmo sofrendo dores agoniantes no local onde dardos o feriram, matou Bodhmall usando a sua lança Gae Derg.

Após a intercessão de Angus Óg, Fionn perdoou o casal. Diarmuid e Gráinne viveram em paz em Ceis Chorainn em Sligo por vários anos. Eles tiveram cinco filhos, quatro filhos e uma filha. Diarmuid construiu uma fortaleza, Rath Gráinia. No entanto, eles ficaram durante anos sem visitar o pai de Grainne, Cormac Mac Art e antigos companheiros de Diarmuid. Gráinne convenceu Diarmuid a convidar seus amigos e parentes para uma festa, incluindo Fionn e os Fianna. Fionn atraiu Diarmuid a uma caça ao javali na charneca de Benn Gulbain; Diarmuid só levou sua espada curta Beagalltach e sua lança amarela Gáe Buide, não suas melhores armas. Ele foi ferido pelo javali gigante que já havia matado um número de homens e cães.


A água bebida das mãos de Fionn tinha o poder de cura. Agonizando, Diarmuid relembrou várias de sua aventuras nas quais ajudou Fionn e os Fianna, na tentativa de convencer Fionn a lhe dar um gole, mas quando Fionn recolheu água, por duas vezes deixou-a escorrer por entre os dedos antes que ele pudesse trazê-la para Diarmuid beber. Ameaçado por seu filho Oisín e seu neto Oscar, Fionn foi buscar água uma terceira vez, mas desta vez era tarde demais: Diarmuid já estava morto.

Após a morte de Diarmuid, Angus levou o seu corpo para o Vale do Boyne, onde ele soprava-lhe fôlego de vida sempre que queria falar com o herói. 

Tóraigheacht Dhiarmada agus Ghráinne tem sido muitas vezes comparado com o triângulo anterior amor entre Deirdre, Noísi e o rei Conchobar de Ulster, Longes mac nUislenn (O Exílio dos Filhos de Uisliu), que faz parte do Ciclo de Ulster. 

Diarmuid Ua Duibhne é dito ser o fundador do clã escocês Campbell. O símbolo do clã Campbell é uma cabeça de javali, uma referência ao geis e a morte de Diarmuid.



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