6 de abril de 2023

Io

۞ ADM Sleipnir

"Jupiter et Io" (1532–1533)  por Jean-Baptiste Regnault

Io (grego: Ιω, "lua" no dialeto argivo) foi na mitologia grega uma ninfa náiade, filha do deus rio Ínaco e princesa de Argos, além de uma das muitas amantes de Zeus. Io também era uma sacerdotisa de Hera, e para cortejá-la sem que sua esposa tomasse conhecimento, Zeus cobria os céus com um manto de nuvens escuras para que os dois não pudessem ser vistos juntos. Desconfiada, um dia Hera desceu do Olimpo para ver pessoalmente o que estava acontecendo, e para que ela não os flagrasse juntos, Zeus transformou Io em uma bela novilha branca.

Ao ver Zeus ao lado do belo animal, Hera pediu que Zeus o desse de presente a ela, e este não teve o que fazer. Hera levou a novilha consigo e colocou Argos Panoptes, um gigante dotado de cem olhos, para vigiá-la. Para resgatar sua amante, Zeus enviou o deus mensageiro Hermes até o local onde ela era vigiada por Argos. Lá, o gigante mantinha vigília constante sobre a novilha, mantendo cinquenta dos seus olhos abertos enquanto os outros cinquenta repousavam. Usando a flauta do deus Pã, Hermes tocou uma melodia que fez com que Argos fechasse todos os olhos ao mesmo tempo. Em seguida, matou o gigante arrancando sua cabeça e resgatou a novilha. 

"Mercúrio, Argos e Io" (1592) por Abraham Bloemaert

Io agora estava livre, mas Hermes não tinha o poder de restituir sua forma humana. Ele também não conseguiu completar sua missão sem ser notado. Hera logo percebeu que seu vigia estava morto, e o honraria colocando seus olhos sobre a plumagem do pavão, animal consagrado à ela. Em seguida, ela planejou sua vingança contra Io. A deusa enviou uma mutuca para persegui-la e picar seu couro, causando-lhe dores constantes. Assim, Io começou a vagar pelo mundo antigo tentando fugir da mutuca, que a perseguiria implacavelmente por onde quer que ela fosse. Primeiro, Io partiu de Argos em direção ao Épiro e depois a Dodona, antes de descansar na costa de um mar, e de atravessá-lo a nado; esse mar foi dito ter sido nomeado como Mar Jônico após a passagem de Io por ele. Da mesma forma, o estreito Bósforo (cujo nome significa “passagem do boi”) seria nomeado dessa forma após a travessia da náiade.
 
A parte mais significativa das andanças de Io, porém, ocorreu nas montanhas do Cáucaso. Lá, ela se deparou com o titã Prometeu, que na época estava acorrentado a uma montanha da região como punição por ter roubado o fogo dos deuses e entregado aos humanos. Prometeu, que tinha o dom da previsão, resolveu ajudá-la aconselhando-a sobre o caminho que ela deveria seguir para encontrar a sua salvação. Prometeu também consolou Io, proclamando que seus descendentes seriam numerosos e que um deles o libertaria no futuro. Seguindo as palavras de Prometeu, Io agora sabia que deveria viajar para o Egito e, com esperança renovada, recomeçou sua viagem. 


Viajar das montanhas do Cáucaso para o Egito não era uma coisa fácil de se fazer na antiguidade, ainda mais na condição em que Io se encontrava. No entanto, a náiade conseguiu chegar no Egito, encontrando algum descanso às margens do rio Nilo. Lá, Io foi finalmente encontrada por Zeus, que tocou nela com suas mãos e fez com que ela recobrasse sua forma original. Io então foi capaz de dar à luz a criança que ela carregava em seu ventre desde sua primeira união com Zeus. Esta criança, um menino, recebeu o nome de Épafo. Alguns autores afirmam que mais uma criança nasceu dessa relação: uma menina chama Ceroessa, cujo filho com Poseidon fundaria a cidade de Bizâncio.

Ao descobrir sobre o recém nascido filho de Zeus, Hera enviou os Curetes, deuses selvagens das montanhas, para sequestrá-lo. Quando Zeus descobriu sobre o sequestro, enviou seus relâmpagos para matar os sequestradores, enquanto Io acabou forçada a viajar mais uma vez, agora em busca de seu filho perdido. Desta vez, as andanças de Io foram mais curtas, pois ela só teve que viajar até Biblos (Líbano), onde acabou encontrando Épafo seguro na corte do rei Malcander. 

Mãe e filho retornaram ao Egito, onde Io se casou com Telégono, rei do Egito e, posteriormente, Épafo sucedeu seu padrasto e construiu a cidade de Mênfis. Épafo foi considerado uma encarnação de Ápis, o touro sagrado dos egípcios, enquanto Io foi associada à deusa egípcia Ísis. Os descendentes de Io governaram o Egito por gerações, mas depois voltaram para a Grécia, com Cadmo fundando a casa real de Tebas e Danaus a de Argos. Onze gerações depois, o maior de seus descendentes, Héracles, libertaria Prometeu. Assim, Io, ao lado de Atlas e Deucalião, é considerada um dos três principais ancestrais dos povos gregos.

Uma pintura mural romana mostrando a deusa egípcia Ísis (sentado à direita) dando as boas-vindas à heroína grega Io ao Egito

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5 de abril de 2023

Onça Maneta

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

A Onça Maneta é uma criatura do folclore brasileiro cuja lenda está presente em várias regiões do país, sendo mais conhecida no Sudeste (principalmente em São Paulo e Minas Gerais), no Norte e no Centro-Oeste. Conta-se que ela é uma onça que perdeu uma das patas dianteiras, supostamente após um confronto contra um caçador. Tendo sobrevivido ao confronto, ela adquiriu uma força incrível, e uma ferocidade sem tamanho. Além disso, apesar de ter perdido uma das patas, ela tornou-se mais ágil que antes.

Dizem que a Onça Maneta é continuamente esfomeada, e portanto está sempre em busca de presas para atacar e se alimentar. Ela não escolhe seus alvos, atacando qualquer um que esteja em seu radar, apesar de parecer ter uma predileção por rebanhos. Seus ataques são ferozes e brutais, e dificilmente seus alvos escapam com vida.

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4 de abril de 2023

Ulishitsa

۞ ADM Sleipnir

Arte de Jack Frin

Ulishitsa (russo Улишица, transl. de Ulišyca; também conhecida como Vujma) é um demônio noturno feminino pertencente ao folclore bielorrusso. Ela é descrita como tendo olhos vermelhos, nariz achatado, uma boca grande cuja abertura vai até as orelhas, além de rabo e pelos de vaca. Às vezes, ela aparece sob a forma de um javali com seis patas.

Nascimento

De acordo com o folclore, durante as comemorações de Ivana Kupala (“noite de Kupala”), dois espantalhos são colocados em palitos, depois banhados e lavados no rio, para depois serem acesos em chamas.​‌‌‌​‌‌ ​​‌‌‌‌Após todo o ritual, caso esses espantalhos caíssem, isso é recebido pelos presentes como um sinal de infortúnio iminente. As pessoas então enrolam os espantalhos com um laço e os atiram no rio, para que “se afoguem”.

Ás vezes, no entanto, um desses espantalhos é levado pelo rio e de alguma forma acaba indo parar em terra firme. Se esse espantalho ficar nesse local por muitos meses (dizem que a quantidade é igual a mesma de pessoas que participaram da noite de Kupala), então ele ganhará vida e se transformará em uma Ulishitsa​‌‌​‌. ​​‌‌​​

Arte de Belarusianmonsters

Hábitos

​​Ulishitsas costumam habitar em florestas e cemitérios, mas às vezes se instalam em antigos moinhos. Elas adoram assustar as pessoas, muitas vezes andando pelas aldeias durante a noite enquanto emite um terrível gemido. Elas também torturar suas vítimas até a morte por meio de cócegas.

Reanimando os mortos

Conta-se que Ulishitsas possuem o poder de reanimar os mortos, mesmo que temporariamente. Uma história fala sobre uma Ulishitsa que entrou em um cemitério, levantou o morto de um caixão e então começou a falar com ele. Eles se sentaram juntos sobre a sepultura e choraram, e ao primeiro raio da aurora o homem morto retornou à sua sepultura, e a Ulishitsa foi embora.

Arte de Masha Kuravcova

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3 de abril de 2023

Each Ceannan Dubh

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Each Ceannan Dubh ("cavalo de cabeça preta") é uma criatura encantada pertencente ao folclore irlandês. Trata-se de um grande cavalo preto com olhos de fogo, e com uma lança projetando-se de seu peito. De acordo com o folclore, ele assombrou uma região próxima de um pequeno lago conhecido hoje na Ilha de Rathlin, Irlanda do Norte, como Loch an Eich ("lago do cavalo"). 

Each Ceannan Dubh sempre foi temido pelos habitantes da ilha, tanto que estes estabeleceram como regra nunca saírem de casa após o anoitecer, a fim de evitarem encontrar a criatura.  Porém, certa noite uma mulher violou o toque de recolher e acabou se deparando com ela. A mulher fugiu o mais rápido que pode, enquanto Each Ceannan Dubh vinha ao seu encontro. Deparando-se com um muro, a mulher subiu o mais rápido que pode, caindo exausta do outro lado. Enquanto isso, o cavalo assustador vinha atrás dela em grande velocidade e acabou se chocando violentamente contra o muro. A lança que carregava em seu peito afundou no mesmo, perfurando seu coração e o matando.

No dia seguinte, a população se reuniu no local e arrastaram o corpo do cavalo morto para um local hoje conhecido como Lag an Eich ("oco do cavalo"). Lá, eles o enterraram e empilharam um monte de pedras sobre seu túmulo. Dizem que naquela noite, todos ouviram um lamento doce e triste vindo da direção do túmulo:
"Leag's cha do thóg iad é ( Deite-se e eles não pegaram)
Leag's cha do thóg iad é ( Deite-se e eles não pegaram)
Leag's cha do thóg iad é (Deite-se e eles não pegaram)
Bealach an gharraidhe (o caminho do jardim)
O mo each ceannan dubh (Oh meu cavalo de cabeça preta)
O mo each ceannan dubh (Oh meu cavalo de cabeça preta)
O mo each ceannan dubh (Oh meu cavalo de cabeça preta)
Bealach an gharraidhe (o caminho do jardim)"

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31 de março de 2023

Hosobaba

۞ ADM Sleipnir

Hosobaba (japonês 疱瘡婆 ou ほうそうばばあ, literalmente "velha da varíola", também chamada Kosoba) é um yokai citado na obra Oshu Hanashi, de Makuzu Tadano (1763–1825), uma estudiosa literária do período Edo. Diz-se que ele foi responsável por uma epidemia de varíola ocorrida em Oshu, hoje província de Miyagi, e que se alimentava das pessoas que morriam da doença. Túmulos apareciam violados da noite para o dia, e os corpos dentro deles desapareciam por completo ou tinham partes aparentemente devoradas por algo. Na tentativa de evitar que isso ocorresse, aldeões enterravam os cadáveres profundamente no chão, além de colocar grandes pedras sobre eles e orarem para afastar os maus espíritos

Um dia, os três filhos do chefe da aldeia morreram de varíola. Após serem enterrados, o homem colocou um grande pedra, carregada por cerca de doze pessoas até o túmulo, e colocou um vigia armado guardando o mesmo para impedir que fosse violado. A princípio nada aconteceu, mas algumas noites depois, quando a vigilância diminuiu, ouviu-se o som de escavação no local. Quando o vigia se aproximou do local, conseguiu avistar algo fugindo rugindo em direção a um bosque, enquanto derrubava as árvores em seu caminho. Os corpos dos três foram encontrados em segurança e desde então não houveram mais roubos de túmulos.

Alguns anos depois, uma senhora que fazia compras na aldeia estava olhando para o bosque na encosta das montanhas, quando de repente desmaiou em estado de choque. Ela foi socorrida e depois de recobrar a consciência, demonstrou estar assustada com algo, mas quando indagada a respeito se recusava a dizer o que era. Passaram-se mais três anos até que a senhora finalmente se abriu e contou o que havia ocorrido. Na ocasião, enquanto olhava para o bosque, ela avistou uma terrível criatura. Parecia uma velha com um rosto vermelho, cabelos brancos, e media cerca de três metros de altura. Ela disse ainda que temeu falar algo a respeito com medo de que fosse a Hosobaba e que ela acabasse contraindo a doença.

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30 de março de 2023

Bacobaco

 ۞ ADM Sleipnir


Bacobaco é uma enorme tartaruga marinha que, de acordo com um mito pertencente ao povo indígena filipino Ayta, habita dentro do monte Pinatubo, localizado na ilha Luzon. Este mito, registrado pelo antropologista Henry Otley Beyer (1883-1966), relata uma batalha entre Algao (provavelmente um nome para o Sol) e Bacobaco que, para escapar, acabou perfurando o topo do monte Pinatubo, cavando até adentrar nas profundezas do mesmo. Durante a escavação, Bacobaco acabou criando uma grande cratera que expeliu grandes chamas, pedras enormes, lama, cinzas, fumaça, além de produzir um barulho ensurdecedor no processo. 

Para os Ayta, sempre que o monte Pinatubo entra em erupção, é um sinal de que Bacobaco está se movendo, e dizem que no dia que ele sair do vulcão, coisas horríveis irão ocorrer.


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29 de março de 2023

Zaoris

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Zaoris, de acordo com o folclore sulista, são homens nascidos em uma Sexta-Feira da Paixão. Embora aparentem serem pessoas comuns, eles possuem olhos especiais, ditos misteriosos e de um brilho inconfundível. Com esses olhos, os Zaoris são capazes de enxergar através de corpos opacos, podendo assim localizar tesouros escondidos, minas de ouro, jazidas de pedras preciosas, independente de estarem debaixo da terra, dentro de paredes ou em outro local não visível ao olho nu. Apesar de seu dom excepcional, os Zaoris não podem usá-los em benefício próprio. Tudo o que eles encontram deve sempre ser revertido em benefício alheio.

Zaoris são figuras indispensáveis nas lendas do Ciclo do Ouro, na América do Sul, estando presentes nos fabulários plateño, paraguaio e chileno. Encarregam-se especialmente de indicar onde os jesuítas, expulsos das missões, ou os Incas, príncipes nativos perseguidos pelos espanhóis, guardaram seu ouro inacabável. 

Provável origem

Alguns autores defendem que o mito dos Zaoris possui origem árabe, tendo chegado ao Brasil por intermédio dos espanhóis. O termo Zahori, do árabe Zahari, significa geomante, uma pessoa a quem atribui-se o poder de ver o que está escondido, mesmo que seja subterrâneo. De acordo com Câmara Cascudo, em Damasco, Síria, certos Zahoris conversam e veem os espíritos dos mortos, os quais ensinam a eles onde deixaram suas riquezas agora inúteis.

A Crucificação de Cristo e o nascimento dos Zaoris

Uma história, registrada pelo escritor João Simões Lopes Neto, estabelece uma relação entre o surgimento dos Zaoris e a crucificação de Cristo. Cristo foi preso na quarta-feira, sentenciado na quinta e crucificado na sexta, e já na sexta-feira teria ocorrido no Céu o julgamento dos seus carrascos. São Miguel Arcanjo foi designado a vir à Terra e punir os judeus, e o mesmo passou a ordem aos anjos que estavam de guarda à Cruz, onde Jesus estava pregado e morto. Enquanto Miguel esteve na Terra, deixou sobre ela muito brilho da sua couraça de ouro e das suas armas, e muita ventania das suas asas de prata.

Aqueles que já haviam nascido estavam condenados, pelo pecado de terem maltratado e condenado Jesus Cristo à morte. Mas as crianças ainda não nascidas não podiam sofrer castigo, porque não tinham culpa alguma. Porém os anjos da guarda da Cruz não sabiam disso e iam castigá-las da mesma forma, porque o Arcanjo Miguel esquecera-se de avisar sobre as crianças que nascessem daquele dia, que era justamente o da sentença de Deus.

Por isso a Virgem Maria, que sabia do esquecimento de Miguel, em memória do seu filho Jesus não deixou os anjos da guarda da Cruz castigarem as crianças nascidas nessa Sexta-feira, e então, para diferenciá-las das outras, fez um milagre: ela mandou que a ventania das asas de prata do arcanjo ventasse sobre os olhos dos que fossem nascendo nesse dia santo, e ao brilho das armas de ouro, que brilhasse sobre eles. Desse jeito todos ficaram assinalados e puderam ser diferenciados dos nascidos na véspera, e bem diferenciados, porque podiam ver através a água até o seu fundo e através as muralhas e montanhas até o outro lado delas, porque tudo ficou transparente para eles. 

E como a Virgem Maria não disse que subisse outra vez ao céu a ventania das asas de prata do arcanjo nem o brilho das suas armas de ouro, esses dons ficaram na terra, e em todas as sextas-feiras santas procuram os olhos das crianças recém-nascidas, que então obtém o dom de enxergar através de qualquer superfície.

Cultura Popular

Na segunda temporada da série "Cidade Invisível" (Netflix), o personagem Lazo, interpretado pelo ator pernambucano Sebá Alves, é um Zaori que acabou sendo escravizado por garimpeiros.

Lazo (Sebá Alves) em Cidade Invisível

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28 de março de 2023

Ixchel

۞ ADM Sleipnir

Arte de Hoang Lap

Ixchel (também Ix Chel, Ix Chebel, Yax, Deusa O) foi uma importante deusa maia associada à chuva, medicina, tecelagem, parto e também à lua. De acordo com algumas interpretações, Ixchel era casada com o deus Itzamná. Como casal, o par ilustrava a dualidade: Itzamná era uma divindade essencialmente benevolente, enquanto Ixchel possuía um caráter mais destrutivo. Embora Ixchel tivesse um lado bom, atuando como a protetora de tecelãs e também auxiliando mulheres em trabalho de parto, seu caráter destrutivo, no entanto, se destacava mais.

Ixchel personificava o lado destrutivo das águas, sendo associada às inundações e chuvas fortes que derrubavam as colheitas e muitas vezes provocavam devastação e mortes. Nesse aspecto, era geralmente representada como uma velha raivosa com um visual sinistro composto por unhas grandes como se fossem as garras de um jaguar, uma serpente em volta da cabeça, ossos cruzados em sua saia e outros símbolos de destruição ao seu redor. Em suas mãos, ela costuma trazer um jarro com o qual ela despeja enormes quantidades de água sobre a terra. Segundo uma lenda, foi dessa forma que em tempos antigos ela causou um dilúvio que provocou a extinção de uma das eras anteriores.

Ixchel e o relacionamento conturbado com Itzamná

Embora saiba-se muito pouco sobre os mitos de origem de Ixchel, um mito relacionado ao seu papel como uma divindade lunar, fala sobre seu relacionamento com Itzamná (sob a forma de Kinich Ahau, a personificação do sol).

Ixchel apaixonou-se por Kinich Ahau porém o deus não correspondia ao seu amor, então ela o seguia pelos céus todos os dias. Ao fazer isso, as marés subiam e inundavam a terra. Eventualmente, suas habilidades superiores de tecelagem chamaram a atenção de Kinich Ahau enquanto ela fazia uma bela peça de tecido dourado, e eles finalmente ficaram juntos. Posteriormente, ela deu à luz a quatro filhos, os Bacabs, deuses dos quatro pontos cardeais, de onde acreditava-se que fossem responsáveis por sustentar os céus. 

O casal passaria a enfrentar dificuldades quando Kinich Ahau começou a ter crises de ciúmes por achar que Ixchel teve um caso com seu irmão, a estrela da manhã. Ele expulsa Ixchel do céu, porém mais tarde implora que ela voltasse. Seus ataques de ciúme voltariam a causar desavenças entre os dois, até que Ixchel o deixa de vez, tornando-se invisível sempre que ele tenta se aproximar dela. Até hoje, ela vagueia invisível pela noite, ajudando as mulheres a darem à luz aos seus filhos.

Culto

No início do século XVI, mulheres maias que buscavam garantir um casamento frutífero viajavam até o santuário de Ixchel na ilha de Cozumel, o local de peregrinação mais importante depois de Chichen Itza, na costa leste da península de Yucatán. 

Ao norte de Cozumel estava localizada uma ilha muito menor, batizada por seu descobridor o espanhol Hernández de Córdoba (1475-1518), de "Ilha das Mulheres" (Isla Mujeres), porque "os ídolos que ele encontrou lá, das deusas do país, "Ixchel" e suas filhas e noras "Ixchebeliax", "Ixhunie", "Ixhunieta", apenas vestidas do cinto para baixo, e com o peito descoberto à maneira dos índios" (trecho extraído de "Yucatan, Antes e Depois da Conquista", escrito em 1566 pelo Frei Diego de Landa)

No outro lado da península, a principal cidade da província chontal de Acalan (Itzamkanac) venerava Ixchel como uma de suas principais divindades. Um dos assentamentos costeiros de Acalan foi chamado Tixchel ("No lugar de Ixchel"). O conquistador espanhol Hernán Cortés relatou sobre outro lugar em Acalan onde jovens solteiras eram sacrificadas a uma deusa em quem "tinham muita fé e esperança", possivelmente novamente Ixchel. 


Cultura Popular
  • Nos quadrinhos da Marvel, duas Ixchel dão as caras. Uma é a própria deusa, integrante do panteão maia (Ahau ou Ajaw). A outra é uma inumana pertencente a um grupo chamado Mayapan, uma irmandade de Inumanos que se apresentavam como divindades maias há cerca de 1000 anos.
  • Ixchel é a mais nova divindade a ingressar no MOBA Smite, entrando no jogo a partir do uptade de Abril/23.
Ixchel (Mayapan)

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