Khonvoum (Chorum, Khonuum, Khonvum, Kmvoum) é o deus supremo e criador pertencente à mitologia dos povos pigmeus de Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Gabão e República do Congo. Ele é a divindade mais importante do panteão, e além de um deus criador era também um deus da caça, conhecido como "o grande caçador". Ele carrega consigo um arco feito com duas cobras e que para os mortais parecem um arco-íris.
Khonvoum não faz contato com os humanos diretamente, mas por meio de um intermediário animal: ou através de um elefante chamado Gor ("O Trovão") ou através de um camaleão.
A criação dos homens
Após criar o mundo, Khonvoum baixou os primeiros humanos - os pigmeus - do céu para a Terra. Segundo algumas lendas, ele criou homens negros e brancos respectivamente de barro preto e branco, e os pigmeus do barro vermelho. Existem dez populações distintas de pigmeus na África: Aka, Ake, Baka, Benzele, Bongo, Efe, Gyelli, Mbuti, Tikar e Tswa. Eles tradicionalmente vivem como caçadores-coletores em algumas das florestas mais inóspitas da África. Khonvoum providencia para eles toda a vida animal e a exuberante vegetação da floresta para sustentar suas vidas.
Renovando o sol
A tarefa noturna de Khonvoum é a de renovar o Sol para que ele possa nascer novamente no dia seguinte. Para fazer isso, Khonvoum recolhe fragmentos das estrelas e as atira no Sol, revitalizando-o assim sua energia.
Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)
fontes:
A Bíblia da Mitologia, de Sarah Bartlett;
African Mythology A to Z, 2ª Edição, de Patricia Ann Lynch e Jeremy Roberts;
Encyclopedia of Ancient Deities, de Charles Russel Coulter e Patricia Turner.
✦Apoie o Portal dos Mitos✦
Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando
novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.
Tiddalik (também chamado Tiddalick ou Karaknitt)é um sapo gigante presente em um mito de criação indígena australiano que ocorre durante o chamado Tempo do Sonho. Registrado pela primeira vez por etnógrafos amadores no final do séc. XIX. O mitoé geralmente atribuído ao povo Gunai Kurnai, mas é encontrado em várias partes da Austrália.
De acordo com o mito, certo dia Tiddalik acordou com uma sede insaciável. Ele começou a beber a água da lagoa onde vivia, até que toda a água havia sido consumida. Depois disso, ele rastejou para fora do buraco deixado para trás e bebeu a água das fontes de água mais próximas. Ainda não saciado, ele encontrou um rio e consumiu toda a sua água e a dos seus afluentes. A cada fonte de água que ele consumia, ficava cada vez maior. Quando não havia mais nenhuma fonte de água à vista, Tiddalik finalmente parou. Ele agora tinha um tamanho colossal, estando repleto de água em seu interior, e era incapaz de se mover.
A falta de água e a escassez de chuvas fez com que os animais que habitavam os locais onde Tiddalik passou começassem a se reunir em torno dele, em busca de uma forma de recuperá-la. Seu tamanho, aliado a sua pele que era bastante grossa, o tornavam impenetrável a qualquer coisa que eles pudesse fazer. Após muito pensar, uma ave chamada Goorgourgahgah encontrou uma solução: “Devemos fazê-lo rir”, disse ela. “Assim, ele abrirá a boca e toda a água sairá”. Goorgourgahgah foi o primeiro a tentar. Ela voou na frente do rosto de Tiddalik, rindo a plenos pulmões. Ela cambaleou no ar, contou piadas e gargalhou até ficar rouca, porém o impassível Tiddalik apenas piscou.
Todos os outros animais tentaram a sorte. O canguru tentou cambalhotas. O coala fez ruídos estranhos. O lagarto-de-gola correu ao redor com sua gola aberta. O vombate rolou na sujeira. O brolga dançou e gritou. Apesar dos esforços, nada do que eles faziam afetava Tiddalik, e quanto mais eles tentavam, com mais sede ficavam. O sapo monstruoso apenas continuou a observá-los com seus olhos globulares.
Então, quando todos os animais estavam prestes a entrar em desespero, Nabunum, a enguia, deu um passo solene em direção a Tiddalik. Todos prenderam a respiração enquanto Nabunum se endireitava e se equilibrava precariamente em sua cauda. Enquanto a observava, Tiddalik começou a ficar agitado. Nabunum começou a se torcer e se contorcer, formando aros, espirais e molas com seu corpo, além de girar como um pião. Pela primeira vez, Tiddalik esboçou um sorriso, e seu corpo começou a tremer. Finalmente, Nabunum enrolou seu corpo dando nós em si mesma e Tiddalik não resistiu, começando a rir histericamente. Assim, ele deixou toda a água que ele continha dentro de si se derramar, inundando a terra antes de retornar aos seus devidos lugares.
Quando tudo se dissipou, Tiddalik voltou a sua forma original, a de um pequeno sapo. Ele tinha rido tanto que perdeu sua voz e só conseguia coaxar roucamente. Hoje, seus descendentes, os sapos retentores de água (Cyclorana platycephala), ainda praticam todas as noites na esperança de recuperar sua voz, e ainda bebem grandes quantidades de água, porém numa escala muito, muito menor.
Kejōrō (japonês 毛倡妓 ou けじょうろう, "prostituta cabeluda") é uma yokai do folclore japonês que costuma aparecer em bordéis e outros locais de prostituição. Ela é retratada no Konjaku Gazu Zoku Hyakki (今昔画図続百鬼, "Os Cem Demônios Ilustrados do Presente e do Passado"), 2º livro da tetralogia de Toriyama Seiken, com a aparência de uma prostituta cujo rosto e corpo estão escondidos atrás de uma cortina de cabelos compridos e emaranhados. Na maioria das histórias, é apenas o cabelo em sua cabeça que é perturbadoramente espesso e longo, mas em algumas histórias, todo o seu corpo é coberto por cabelos grossos, como se fosse algum tipo de besta. Existes debates a respeito deste yokai ter ou não um rosto por baixo do cabelo.
Kejōrō, como ilustrada no Konjaku Gazu Zoku Hyakki
As vítimas de uma Kejōrō costumam ser homens jovens que, ao vê-lo pelas costas, a confundem com alguma garota que lhes é familiar, e correm ao seu encontro. Quando ela se vira, sua vítima toma um grande susto com seu rosto e corpo totalmente cobertos por cabelos. Em algumas histórias, ela aproveita o momento do choque de sua vítima para atacá-la, enrolando-a e provocando cortes com seus cabelos. Entretanto,fatalidades relacionadas ao ataque de uma Kejōrō costumam ser muito raras.
Kejōrō no anime Nunarihyon no Mago
Apesar de sua aparência horrível para os humanos, entre os yokais a Kejōrōé considerada bastante popular, a ponto de yokais machos frequentemente brigarem entre si competindo pelo seu amor. Em algumas histórias, ela corresponde cortando uma mecha de seu cabelo e o enviando para o seu amante (humano ou yokai), para provar sua devoção eterna a ele. Em outras histórias, ao invés de cortar seu cabelo, ela tatua o nome de seu amor em sua pele com o mesmo objetivo.
Furfur (também chamado Eureur, Faraji, Farris, Furfures, Furtur) é de acordo com a demonologia é um conde do inferno e possui 26 legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é o 34° dentre os 72 espíritos de Salomão.
Selo de Furfur
Quando conjurado, Furfur assume a forma de um cervo alado com braços humanos e uma cauda em chamas ou de um anjo, e fala com uma voz rouca. Furfur possui a capacidade de criar e sustentar o amor conjugal, também responderá com veracidade a todas as perguntas que lhe forem feitas a respeito de coisas divinas ou secretas. Porém, é necessário que ele seja conjurado dentro de um triângulo mágico, ou então falará somente mentiras. Outra das capacidades de Furfur é a de criar raios, ventos poderosos e trovões.
Assim como outros espíritos goetianos, Zepar aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei, além de aparecer em Final Fantasy XI online eLord of Vermilion II;
No RPG In Nomine , Furfur é o "Príncipe Demônio do Hardcore";
Em Umineko no Naku Koro ni, Furfur possui a aparência de uma garota com cabelos vermelhos. Juntamente com Zepar, firma um contrato demoníaco com Beatrice, a Bruxa Sem Fim;
No mangá e anime Magi: The Labirynth of Magic, Furfur é um dos Djinns pertencentes ao personagem Sinbad;.
Na história em quadrinhos Run Freak Run, existe uma raça de demônios da natureza em forma de cervo chamada Furfur.
Monuca é uma criatura pertencente a mitologia e folclore da Cantábria, comunidade autônoma localizada ao norte da Espanha. Ela é descrita como sendo uma espécie híbrida resultada do cruzamento entre uma marta (um mamífero similar a uma doninha)fêmea e um gato selvagem macho, além de possuir uma pelagem composta de diferentes cores (branca, roxa, vermelho, azul e preta). É uma criatura rara, nascendo apenas uma a cada onze anos e sempre na primavera.
Ao nascer, uma Monuca nasce com sua pelagem incolor, além de nascer completamente cega. Assim que ela conseguir se mover, ela abandona o local onde nasceu (geralmente uma caverna), vagando pelas florestas até conseguir obter a visão. Uma vez que a Monuca consiga enxergar, ela retorna até o local onde nasceu e mata sua própria mãe. Depois, ela parte novamente, indo se aninhar perto de rios e caçar pássaros e insetos em prados. Assim que descobrir o ocorrido, o gato selvagem empreenderá uma caçada contra a Monuca para se vingar.
Em sua fase adulta, a Monuca finalmente ganha sua pelagem colorida, além de às vezes atacar ovelhas e cordeiros e sugar o seu sangue. Por volta dos cinco anos de vida, geralmente uma Monuca já está tão grande e pesada que já não consegue correr nem subir em árvores. É nesse momento que o gato selvagem, seu pai, finalmente consegue pegá-la, cegando-a e deixando-a entregue à própria sorte.
Dizem que se um homem conseguir capturar uma Monuca, ela lhe trará sorte, além de ser mansa e amigável com ele. Por algum motivo, talvez devido a sua má relação com a própria mãe, Monucas são extremamente ariscas e agressivas com mulheres.
Paiyuk é uma maligna criatura devoradora de homens pertencente ao folclore da tribo Ute, grupo de índios nativo-americanos que originalmente viviam em partes do que hoje são os estados americanos do Novo México, Colorado e Utah. Embora tenha uma aparência semelhante a um alce, o Paiyuk é uma criatura de natureza aquática, e caça aqueles que se aventuram a entrar em seu domínio.
A estratégia de caça de um Paiyuk se assemelha a de um crocodilo. Flutuando baixo o suficiente na água e camuflado por ervas daninhas, ele se move em direção ao seu alvo até estar perto o suficiente para atacá-lo. Se sua aproximação for percebida, ele faz uso de sua semelhança com um alce para disfarçar e aguardar o momento para fazer uma nova investida.
Além de ser grande e forte, acredita-se que o Paiyuk possua poderes sobrenaturais. Estando em seu habitat natural, ele é virtualmente impossível de ser derrotado. Porém, se por acaso for atraído para longe da água e seja impedido de retornar, ele acaba se desidratando e morrendo.
Fulla (Fyllr, Fylla; possivelmente "abundante" em nórdico antigo) é na mitologia nórdica uma deusa menor que serve à deusa Friggacomo uma de suas assistentes, juntamente com Gná e Hlín. Ela é descrita no capítulo 35 do Gylfaginning, primeira parte da Edda em Prosa de Snorri Sturluson, como sendo uma deusa virgem, que usa seu cabelo solto com uma faixa de ouro em volta da cabeça. Ela é responsável por carregar a eski (cesta de madeira) de Frigga, cuidar de seus calçados e guardar os seus segredos.
Alguns estudiosos acreditam que Fulla foi uma antiga deusa da fertilidade, modificada ao longo do tempo e colocada em um papel menor como serva de Frigga.
Outras citações
No capítulo 49, Fulla é uma das divindades que receberam presentes enviados por Baldere Nanna diretamente de Helheim, por intermédio do deus Hermod. Na ocasião, Hermod buscava a libertação de Balder diretamente com a deusa Hel, mas ela impôs a condição de que só o liberaria caso todos os seres vivos chorassem por ele. Hel, entretanto, permitiu que Balder e Nanna enviassem alguns presentes para os vivos: Balder envia a Odin o anel Draupnir(que o mesmo havia colocado em sua pira funerária), e Nanna envia a Frigga um manto de linho e "outros presentes". Destes "outros presentes" enviados, o único item específico mencionado na passagem é um anel de ouro destinado à Fulla.
No primeiro capítulo do Skáldskaparmál, segunda parte da Edda em Prosa, Fulla está listada entre as oito deusas que participam de um banquete noturno realizado para Aegir. No capítulo 19, algumas maneiras poéticas de ser referir a deusa Frigga são fornecidas, uma das quais é como "Senhora de Fulla".
Hermafrodito (grego Ἑρμαφροδιτος, Hermaphroditos; "Hermafrodita" ou "Afeminado") é na mitologia grega o deus dos hermafroditas e afeminados, fruto de uma relação extraconjugal da deusa Afroditecom o deus Hermes(e daí o seu nome, uma junção do nome dos seus pais). Ele é ás vezes contado como um dos Erotes, os deuses alados do amor companheiros de Afrodite. Por ser filho de Hermes e, consequentemente, bisneto de Atlas, às vezes ele é chamado de Atlântida (grego: Ατλαντιάδης).
O Hermafroditismo
Originalmente, o hermafroditismo era definido como uma condição em que uma pessoa apresentava dois órgãos sexuais, um masculino e um feminino, ao mesmo tempo, condição essa que já era bem evidente no nascimento da mesma. Hoje, após revisões científicas, ficou estabelecido que o hermafroditismo faz com que uma pessoa produza ambos os gametas, femininos e masculinos, funcionais durante sua vida. Segundo a mitologia, Hermafrodito não nasceu com essa condição, tendo nascido plenamente masculino.
Mitologia
De acordo com o poeta Ovídio, após seu nascimento, Hermafrodito foi amamentado e criado por um grupo de náiades que habitavam em cavernas do Monte Ida, uma montanha sagrada na Frígia (atual Turquia). Ao completar quinze anos, Hermafrodito deixou o local e viajou para as cidades de Lícia e Caria. Enquanto andava pelos bosques de Caria, ele encontrou uma fonte onde vivia uma ninfa chamada Salmacis,e a mesma ficou extremamente atraída pela beleza do jovem. Salmacis tentou então seduzir Hermafrodito de todas as formas, mas o jovem resistiu aos seus avanços.
"Salmace ed ermafrodito" (1708), pintura de Giovanni Antonio Pellegrini (1675–1741)
Mais tarde, achando que a ninfa havia ido embora, Hermafrodito despiu-se e entrou na fonte para se banhar. Salmacis o observava de trás de uma árvore, e não conseguiu ficar só olhando. Ela pulou dentro do lago e partiu para cima de Hermafrodito, agarrando-o a força e tentando fazer com que esse a beijasse e a tocasse. Enquanto Hermafrodito ainda lutava tentando se desvencilhar de Salmacis, ela clamou aos deuses e pediu que não deixassem eles se separarem nunca mais. Os deuses atenderam ao seu desejo, unindo seus corpos em um só. Ao mesmo tempo, sua fonte adquiriu a propriedade de tornar afeminados os homens que se banhavam em suas águas.
Salmacis e Hermafrodito, pintura de Jean Francois de Troy (1679-1752)
Iconografia
Na arte grega, Hermafrodito era retratado como um jovem alado com características tanto masculinas quanto femininas: geralmente coxas, seios e estilo de cabelo feminino, enquanto exibe uma genitália masculina.
Cultura Popular
Nos quadrinhos, Hermafrodito (sob o nome de Atlantiades) aparece como um importante personagem coadjuvante associado à Mulher Maravilha. Ele teve sua estréia na revista Mulher Maravilha Vol 5 #69 (Junho de 2019), e retém as características do deus na mitologia grega.